Manifesto de bispos mineiros critica projeto de reforma da Previdência

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Texto escrito por José de Souza Castro:

Manifesto assinado no dia 20 de março pelo arcebispo metropolitano, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, e por dez bispos da Província Eclesiástica de Belo Horizonte, sobre a reforma da Previdência, não teve acolhida na imprensa, o que é uma pena. Pesquisa feita às 11h de quinta-feira no Google mostrou que nenhum jornal se interessou. Passados três dias, o único na Internet que havia publicado o manifesto, o Conversa Afiada, o fez com um título forçado: “Bispos de BH excomungam reforma da Previdência!”

Não se fala em excomunhão no manifesto, mas são muitas as críticas ao projeto enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Michel Temer, cujo nome não é mencionado. No tempo em que eu trabalhava em jornais, as considerações dos bispos teriam, certamente, sido publicadas com algum destaque.  Quero crer que não o foram por culpa, não dos sempre atentos editores, mas da assessoria de imprensa da Arquidiocese que talvez tenha se limitado a divulgá-lo AQUI. Porém, se é assim, como Paulo Henrique Amorim, que nem mineiro é, soube desse manifesto? Eu soube pelo Conversa Afiada e vou tentar resumir os principais pontos do manifesto. Continuar lendo

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Imperdível! Últimos dias de Los Carpinteros em Beagá

De cara, já confesso minha ignorância: nunca tinha ouvido falar do coletivo cubano Los Carpinteros.

Nem mesmo tinha lido na imprensa sobre a exposição que está no CCBB desde o início de fevereiro.

Foi por acaso, ao decidir mostrar o lado turístico de Beagá para a amiga carioca que estava hospedada em casa, que fui parar nesta exposição interessantíssima que mistura carpintaria, arquitetura e design.

Lá, vi violões simulando as fases da lua, vi outros instrumentos musicais derretendo, vi referências políticas, frases bem-humoradas, duas camas de solteiro entrelaçadas como se fossem um viaduto, e mais uma porção de objetos reinventados de maneira, acima de tudo, irreverente. Mas também imaginativa e instigante. Em tempos de tanto mau humor, achei essa exposição cheia de um frescor muito bem-vindo.

Aí estão algumas poucas fotos que fizemos durante o percurso de uma hora: Continuar lendo

Moro e o blogueiro Eduardo Guimarães: quem cometeu crime?

Eduardo Guimarães fala a Laura Capriglione, do Jornalistas Livres, sobre condução coercitiva. Foto: Reprodução

Texto escrito por José de Souza Castro:

O blogueiro Eduardo Guimarães foi acordado na manhã desta terça-feira em sua residência em São Paulo por agentes da Polícia Federal que receberam do juiz Sérgio Moro a ordem para que fizessem condução coercitiva dele à delegacia e a apreensão de seu computador, notebook e celular – inclusive o de sua mulher. O juiz da Lava Jato, que já abrira um processo contra o blogueiro por se sentir ameaçado por ele, queria a confirmação do nome da fonte do Blog da Cidadania que há um ano deu o furo sobre a condução coercitiva de Lula.

Ao ser liberado, depois de prestar depoimento, sem confirmar ou negar o nome da fonte já identificada pela Lava Jato, Eduardo Guimarães estava acompanhado por seu advogado, Felipe Hideo, para quem a iniciativa buscava ilegalmente “violar o sigilo da fonte”. Eles foram entrevistados ali pelo site Jornalistas Livres, que divulgou um vídeo que se espalhou rapidamente pela blogosfera [nota da Kika: o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas também emitiu nota oficial se posicionando. Leia AQUI. Mais tarde, a jornalista Laura Capriglione também gravou vídeo de Eduardo Guimarães sobre o ocorrido. Assista AQUI].

O deputado Paulo Teixeira (PT-S) perguntou a Sérgio Moro sobre a legalidade de exigir do blogueiro o nome da fonte e ouviu do juiz o seguinte: “Ele não é jornalista”. O juiz parece desconhecer que no Brasil não se exige o diploma de jornalista e que Eduardo Guimarães, formado em Direito, criou o blog há 12 anos, onde faz jornalismo.

O comportamento do juiz foi muito criticado por blogueiros, aos quais me alio, e seu gesto interpretado como uma tentativa de calar os críticos da Lava Jato na Internet. Como exemplo, Continuar lendo

Stefan Salej: ‘Do pobre, nobre e podre’

Fotos: Pixabay

Texto escrito por Stefan Salej*

“A frase de Hamlet, na peça teatral do inglês William Shakespeare de mesmo título, “há algo podre no Reino da Dinamarca”, pode ser mais uma vez repetida para os momentos de hoje no Brasil: há algo de podre neste país. O mais recente escândalo da “carne fraca”, ou seja, carne podre que pobre come, adiciona mais um capítulo à novela de podridão e corrupções que vivemos no país. A cada momento aparece um escândalo, os políticos de todos os partidos ficam mais enlameados, e as condenações cada vez mais longe. Ninguém sabe onde isso vai parar e quando vai parar. E a razão é simples: a podridão é de tal tamanho que o país precisa de um renascimento, surgir das cinzas como Fênix para recomeçar. É uma transição dolorosa na qual a parte mais triste é que, mesmo com um processo como a Lava Jato, em curso há três anos, parece que ninguém se assusta e que não mudam os hábitos, sejam nas empresas, na administração pública ou entre políticos. Se para um respeitado deputado que vira ministro, um simples superintendente do Ministério da Agricultura no seu Estado é chamado de Grande Chefe, então a escala de valores está de cabeça para baixo e quem manda mesmo e vale alguma coisa na hierarquia do poder é o Grande chefe e não o tal do deputado.

A operação da Carne Fraca traz muitas lições. Continuar lendo

O dia em que nosso bebê adoece pela primeira vez

Meu filhote chegou aos 15 meses de idade sem nunca ter tomado antibiótico. Sempre foi muito saudável, e isso sempre foi motivo de alívio para nós.

Mas, com a escolinha, chegou junto o primeiro resfriado, que, sei-lá-se-tem-a-ver, logo virou uma baita sinusite com tosse catarrenta por um mês seguido.

Como sou da turma que detesta tomar remédio, também fui adiando o momento de levar Luiz ao médico. Ele ficava bom durante o dia, e eu sempre me enchia de esperança de que ele já estava sarando sozinho, só com os próprios anticorpos e tal. Mas à noite voltava a tosse, até o dia em que tivemos mesmo que levá-lo à pediatra.

No meio disso tudo, ele teve que tomar as quatro vacinas próprias da idade. Quase sempre que Luiz toma vacinas, fica meio “chatinho” até o dia seguinte, sentindo dor no local da injeção e até com uma febre baixinha. Mas desta vez foi punk: Continuar lendo