O melhor programa para os cinéfilos

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Sábado à noite. Acabou o plantão. Vamos ao cinema? Fila do ingresso, fila da pipoca. Fileira K, cadeiras 9 e 10. Mais perto do fundo, bem no centro, o melhor lugar. A sala não está tão cheia, mas também não tão vazia como esperávamos. A sessão é a das 23h55. As luzes já estão apagadas, começa a voar a peninha, enquanto passa o letreiro, com a linda trilha sonora composta por Alan Silvestri. No telão, começamos a ver o clássico “Forrest Gump“.

Não, não estou relembrando uma ida ao cinema em 1994 ou 95. Estou falando do último sábado, 26 de julho de 2014. E a sessão foi no Cinemark do Pátio Savassi, com cadeiras reclináveis e não aquelas de madeira dos anos 90.

A experiência foi tão emocionante, rever “Forrest Gump” no cinema, que, ao final da sessão, todos aplaudiram. Já tínhamos rido e chorado bastante e, às 2h30 de domingo, o sono ainda não batera. Foi o melhor programa de sábado à noite dos últimos tempos.

Foi por causa de um trailer que descobri que o Cinemark está fazendo essas sessões de clássicos, não sei desde quando. Aparentemente, é apenas a segunda rodada. Depois de exibirem Táxi Driver, Pulp Fiction, Laranja Mecânica, Os Embalos de Sábado à Noite, Grease e Bonequinha de Luxo, agora eles exibem, a cada fim de semana, até 27 de agosto, filmes como Império do Sol, A História sem Fim, Quanto mais Quente Melhor, Lawrence da Arábia. E um dos melhores filmes de todos os tempos, Forrest Gump. Os filmes são em alta definição e os ingressos custam R$ 14 (a inteira) — bem menos que os absurdos valores cobrados em estreias hoje em dia.

Em Beagá, é possível assistir aos clássicos em três cinemas: no Pátio, no BH Shopping e no Diamond Mall. É possível ver todas as salas participantes no país NESTE LINK. O problema é que, como vocês podem ver pelo link em questão, nem o próprio Cinemark valoriza um projeto tão bom como este. Afinal, até hoje eles não colocaram a nova lista de filmes em cartaz, que é possível ver AQUI no Catraca Livre. Divulgam pouquíssimo e só exibem os filmes em horários muito alternativos, como meia-noite ou meio-dia.

Por isso, como achei a iniciativa muito boa, resolvi divulgar aqui no blog. Já estou planejando me emocionar de novo, vendo no telão o clássico “A História Sem Fim”, que será exibido no dias 9, 10 e 13 de agosto. Fica a dica para todos os cinéfilos que me leem por aqui 😉

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As Stars Hollow de Minas

Gonçalves, em Minas, uma das cidadezinhas encantadoras onde eu adoraria viver. Foto: CMC

Gonçalves, em Minas, uma das cidadezinhas encantadoras onde eu adoraria viver. Foto: CMC

Quem nunca pensou em morar numa cidadezinha, em algum momento da vida?

Eu adoro morar na capital, em uma cidade com boa infraestrutura e quase tudo de que preciso, mas, vez por outra, preciso me refugiar em alguma rocinha para descansar de um jeito que em Beagá eu não consigo. Ir para o sítio, a Serra do Cipó ou algum mato qualquer, onde dê para enxergar mais estrelas durante a noite, menos prejudicadas pelo excesso de luzes no chão.

Quando chego nessas cidades, fico encantada com a tranquilidade, com a sensação de que todos se conhecem, com o artesanato local, com as comidas deliciosas e simples, com o preço mais barato de tudo. As pessoas se cumprimentam mais, são mais cordiais, menos apressadas. Há um outro ritmo, outros passos para a vida.

Mas logo sinto necessidade de me acelerar de novo e voltar à minha rotina frenética.

Fico me perguntando se um dia, quando eu tiver me aposentado, vou querer me esconder em um desses recantos pacatos. Se sim, vou buscar a lista de possíveis cidades para morar nesta reportagem AQUI, que fala das 156 cidades mineiras que não tiveram nenhum homicídio registrado em cinco anos, segundo os dados do Mapa da Violência.

Ajudei a fazer a matéria e, enquanto procurava as fotos dessas cidades, me espantei com a tranquilidade que existe até nas imagens. A padaria chama só “padaria”, o casamento é um evento local que lota a igreja, a iluminação da pracinha é amarela, há pessoas sentadas nos banquinhos das praças, namorando ou conversando — e uma infinidade de belezas naturais.

Todas elas, com cerca de 4.600 habitantes em média, lembram a cidade fictícia de Stars Hollow, do meu seriado favorito, “Gilmore Girls”, onde a graça da vida está fundamentalmente nas pessoas, nos doidinhos e estranhos, e nos festivais locais, que mobilizam todo mundo. Também me lembram as cidadezinhas que eram cenários dos livros de Agatha Christie — onde, curiosamente, os piores assassinatos aconteciam.

Pode ser que o mundo da ficção seja melhor do que a realidade que eu encontraria nesses refúgios, mas, pelo menos, tenho certeza que lá não ouvirei o barulho de britadeiras em todas as esquinas. E passarinhos são muito mais inspiradores do que marteladas de obras, então é possível que, morando lá, eu finalmente encontre um jeito de escrever meu livro. Quem sabe quando eu me aposentar…

E você, tem um refúgio favorito? É uma dessas cidades da reportagem?


 

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Virou arte! A conquista da Recopa pelo Galo

Pela terceira vez, fiz uma parceria muito produtiva com o grande ilustrador Acir Galvão. Ele ilustrou o poema que escrevi sobre a última conquista do Galo, ainda com Ronaldinho: a taça da Recopa, na última quarta-feira.

O resultado virou um wallpaper em três tamanhos, para todo mundo que quiser baixar e guardar de lembrança desse momento histórico.

CLIQUE AQUI para baixar em três tamanhos de fundo de tela e clique na imagem abaixo para vê-la em tamanho real, em altíssima resolução:

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“New York Times” defende a produção e o uso da maconha

Foto: Stockxpert

Foto: Stockxpert

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma posição que eu gostaria de ter defendido nos dois anos em que redigi os editoriais de um jornal mineiro, entre junho de 2012 e junho de 2014, passa a ser defendida nesta semana, numa série de editoriais, pelo “New York Times”: a legalização da maconha. A notícia pode ser lida AQUI.

Nunca fui usuário, mas meu interesse pela droga vem de muito tempo. Logo no início de meu curso de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1968, descobri que havia entre meus colegas alguns maconheiros – como eram chamados pejorativamente os usuários. Eles eram incentivados principalmente pelo desejo de contestação à ditadura, que travava dura batalha contra a maconha, e pelo movimento da juventude, em vários países, contra a guerra do Vietnam.

No curso, os maconheiros eram minoria. Chamavam de “caretas” os outros, e faziam proselitismo, tentando sair da posição incômoda de minoria pelo menos ali, na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, a mais ligada às questões políticas e sociais entre todas as unidades da UFMG.

Desde adolescente, resolvi não experimentar cigarros, para não me viciar como meu pai. E estendi a decisão à maconha, mesmo acreditando, na faculdade, que seus males eram menores que os do tabaco. O professor José Elias Murad, um especialista em drogas, a quem entrevistei para o “Jornal da Universidade”, tinha uma posição parecida. A entrevista causou polêmica, e anos mais tarde parece que esse médico e farmacêutico mudou de opinião.

Como também mudou, mas inversamente, o “New York Times”, que é agora o maior jornal dos Estados Unidos a assumir a defesa da legalização da maconha, embora ache legítimas as preocupações da população quanto aos malefícios do vício. “Nós acreditamos que, em todos os aspectos — efeitos para a saúde, impacto na sociedade e temas de ordem pública — a balança pende para o lado da legalização nacional”. No outro prato da balança, o álcool e o tabaco.

A posição foi tomada depois de uma grande discussão entre os membros do conselho editorial do jornal, “inspirado num movimento que vem se expandindo rapidamente entre os Estados por reformas das leis sobre maconha”. Dos 50 Estados norte-americanos, 34 já adotaram alguma mudança sobre o uso e a produção e existem dois projetos de lei no Congresso dos Estados Unidos para alterar a lei que há mais de 40 anos aprovou a proibição da maconha, “prejudicando a sociedade ao proibir uma substância tão menos perigosa que o álcool”, diz o editorial.

Segundo o “New York Times”, são altos os custos sociais de tais leis contra a maconha. Cita dados do FBI: em 2012, foram feitas nos EUA 658 mil prisões por posse de maconha e 256 mil por uso de cocaína, heroína e derivados. “Para piorar, o resultado é racista, atingindo de forma desproporcional jovens negros, arruinando suas vidas e criando novas gerações de criminosos de carreira”, diz o editorial.

Ele compara com a proibição do álcool nos EUA. Durante 13 anos, a partir de 1920, enquanto vigorou a Lei Seca, as pessoas continuaram bebendo e a criminalidade cresceu, afirma.

A mim, o que preocupava mais, quando desejava escrever a respeito – e não o fiz, porque não havia no jornal um conselho editorial e não me animei a tomar sozinho tal posição – era a corrupção policial gerada pelo suposto combate à maconha. Se dependesse de mim, não apenas a maconha deveria ser liberada. Em vez de gastar recursos com o combate às drogas, o dinheiro seria mais bem empregado com a conscientização das pessoas, por meio da educação e de campanhas bem feitas, sobre os malefícios de seu uso. Eu incluiria o álcool e o tabaco, que são mais prejudiciais que a maconha, mas que, por serem legalizados, não contribuem para a corrupção policial.

Será interessante a leitura desses editoriais do “New York Times”. O jornal anunciou em seu site que serão publicados seis deles, até o dia 5 de agosto, abordando os aspectos criminais, históricos, de saúde e regulamentação da maconha. Como esse jornal dos Estados Unidos pode ter mais influência sobre as autoridades brasileiras que os locais, algumas mudanças talvez venham a ocorrer por aqui.

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Quando não tem post novo, tem o atualizado

Tenho tentado manter o ritmo de postagens do blog sempre em dia, com posts de domingo a sexta, e uma pausa para descanso só aos sábados. Mas o que muitos leitores não sabem é que, às vezes, mesmo com post novo no dia, alguns posts mais antigos também ganham atualizações. Elas são divulgadas na página do blog no Facebook e no meu perfil no Twitter.

Por exemplo, quando artistas admirados por todos nós resolveram nos decepcionar defendendo a censura aos livros biográficos, fiz um post inicial com 10 charges e uns poucos textos interessantes sobre o assunto. Fui atualizando à medida que encontrava novas boas análises e, no fim, o post ficou com 30 textos a respeito da polêmica. (Você pode ver o resultado AQUI).

Na última terça-feira, fiz um post reunindo nove textos e uma charge sobre a denúncia de que Aécio Neves favoreceu parentes ao gastar R$ 13,9 milhões de recursos públicos de Minas para a construção de um aeroporto na cidadezinha de Cláudio, que tem 27 mil habitantes. Avisei lá que faria atualizações diárias e, hoje, passados cinco dias do post e uma semana da revelação feita pela reportagem da “Folha de S.Paulo”, já são 40 textos sobre o assunto, entre novas denúncias, análises, infográficos, charges e opiniões. Você pode ver o resultado final AQUI.

A menos que surja algo muito incrível, não vou mais atualizar o post, porque acho que já está bastante satisfatória essa compilação. Mas a melhor maneira de você saber se algum post antigo foi incrementado é acessando, lá pelo meio do meio do dia, o Twitter e o Facebook do blog 😉 Não é preciso ser assinante, basta ter conta nas redes sociais e acessar o link diretamente.

Também na semana passada comecei a fazer um serviço diário na página do Facebook: uma seleção das melhores reportagens nos jornais e portais do dia. Tem dia que consigo selecionar umas três, mas hoje, por exemplo, pincei 13 bons textos cuja leitura eu recomendo. Tem material sobre política, economia, urbanismo, futebol, comportamento, tecnologia e muito mais. Acho que vale a pena conferir 😉

(E assim vou fazendo o blog me dar mais e mais trabalho, risos. Mas fazer o quê? Este blog é meu xodó :D)

Agora me despeço porque domingo já está a pleno vapor!

Carnaval 2007 113