Por que ainda pretendo que meu filho estude em uma escola pública

Foto que fiz de um dos pátios internos do Barão, no fim de 2012.

 

O post abaixo foi publicado originalmente em maio de 2012, muito antes de eu sequer pensar em ter filho. Hoje, com o Luiz prestes a completar 2 anos, o debate que meu post proporcionou na época se faz ainda mais importante lá em casa. O que muitos leitores argumentaram naquele post mexeu comigo, ao me fazer perceber que a escola pública em que eu estudei era uma exceção, uma excelente escola, e que também existem excelentes escolas particulares que proporcionam experiências enriquecedoras para as crianças em vez de educá-las dentro de uma redoma de vidro.

Se me perguntarem hoje se ainda quero que meu filho estude em escola pública, a resposta agora é “sim, desde que eu consiga uma vaga em uma boa escola pública”. E os motivos são parecidos com os que elenquei há mais de cinco anos atrás. Vamos a eles:

 

Hoje ouvi “Maria Maria”, do Milton Nascimento, e lembrei que esta foi uma das músicas mais antigas que aprendi de cor.

Eu tinha 8 ou 9 anos de idade quando a Escola Estadual Barão do Rio Branco, onde eu estudava, resolveu fazer uma festa de despedida para a Maria, a servente (ainda se usa esse termo?) mais antiga do colégio, que estava prestes a se aposentar.

Maria era baixinha, enrugadinha, negra, cabelos brancos — ao menos na minha memória.

O Barão tinha costume de promover festas em datas cívicas, nos aniversários da escola e em comemorações como o Dia das Mães, das professoras etc. Eles postavam todos os alunos em filas, no pátio central, hasteavam a bandeira, cantavam o hino nacional, e tinha sempre a turminha que gostava de apresentar poemas e peças de teatro (como eu).

A aposentadoria da Maria foi um evento à parte. Não era 7 de Setembro, nem 90 anos do Barão: era a aposentadoria da senhorinha da limpeza, que eu, até então, não conhecia.

Mas as professoras do Barão nos fizeram decorar “Maria Maria”, do Milton Nascimento, para cantarmos, em coro, pátio lotado de crianças, no dia da festa.

(A festa era surpresa!)

E ainda pediram que levássemos produtos de cesta básica e presentes, que eles embrulharam com carinho e arrumaram em várias cestas, para presentear Maria.

Depois que todos cantamos as quatro estrofes, lembro que fui lá na varanda, onde estava Maria, e recitei um poema que fiz para ela (estou triste porque não consigo mais encontrá-lo). Também teve discurso da diretora, de professores e outras apresentações de alunos.

E, no final, com ela já toda emocionada e chorando, aplaudimos de pé Maria.

Lembrei disso tudo hoje, enquanto ouvia a música.

E fiquei feliz por ter estudado no Barão.

Há quem diga que o ensino público do Brasil é um lixo. Pode ser. Tive muitas greves e entrei no ensino médio sem saber nem o básico de geometria, por exemplo. Mas a melhor professora de português que tive na vida foi do Barão (a Beth Gressi, por três anos seguidos). E foi lá que aprendi a fazer poesia, a escrever peça de teatro, a organizar as coisas, com os poucos recursos disponíveis. E convivia com gente de todas as camadas sociais, cores, idades, condições de vida. Não era uma redoma de vidro, uma bolha, como alguns colégios que existem por aí.

E via todos os alunos e professores e demais funcionários da escola aplaudindo, de pé, reunidos no pátio, após o hino nacional e um coro de vozes do Milton, a servente Maria.

Por isso, não importa o que digam. Se um dia eu tiver filhos, vou colocá-los em escola pública. Porque o que eu aprendi no Barão é muito mais importante que matemática e português. Aprendi a aplaudir Maria 😉

 

E você, concorda? Discorda? Também teve boas experiências em escolas públicas? Conte aí nos comentários 😉

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Crônica de Eduardo Augusto: ‘Os filhos. E nós.’

Meu filhote Luiz e seu sorriso espontâneo

Hoje compartilho aqui no blog o texto do escritor, mineiro de Ouro Preto, Eduardo Augusto. Casado com a Ana e pai da Clara, de 10 anos, Eduardo é escritor e cronista, com diversos textos publicados em sites, jornais e revistas. Em 2014 lançou seu primeiro livro infantil, Marioleia, a pulguinha que gostava de ler (editora Impressões de Minas). Prepara um livro de crônicas para 2018.

Aí vai o texto dele:

OS FILHOS. E NÓS.

Desde que minha filha nasceu, fui percebendo pouco a pouco como é dinâmico o processo de educar uma criança. Quando você acha que já sabe alguma coisa, o processo muda. Já não é mais você quem ensina ao seu filho, e sim, ele. Quando você acredita que chegou a um denominador comum sobre algumas questões, eis que o inusitado surge: uma explosão de raiva, uma pirraça por causa de algo banal, uma teimosia das grandes.

Filhos nos ensinam o que não sabemos ainda de nós. Sequer suspeitamos. Mas acredito também que o amor é o melhor combustível dessa relação. Com amor, o sono se dissipa, a preguiça dá lugar a uma ida ao parquinho, a chateação pode virar nada, diante de um sorriso meigo e feliz.

Então, você se vê diante da necessidade de se melhorar, de encontrar mais tempo para o seu filho, de tentar compreendê-lo mais, de cativar, de acolher. E isso, não tem hora para terminar.

Por isso, esteja por perto quando o seu filho quiser brincar! E há de querer centenas de vezes. Néctar da atenção. Escute, fale. Descubra junto com ele que existe beleza nas coisas pequenas e grandes. E que o tempo guarda seus mistérios! Pule, corra, role! Distenda os seus músculos, relaxe a cabeça; esqueça as preocupações. Depois, deixe caber tudo num abraço. Olho no olho, de coração pra coração! Estamos aqui!

Guia de 21 dicas especiais para curtir Porto de Galinhas com filho pequeno

Viva Porto de Galinhas! Lindo lugar! Todas as fotos deste post são minhas (CMC) ou do Beto Trajano, exceto pelas fotos de Divulgação do artesanato Palmeiral e pela foto do Marcelo, identificadas mais abaixo.

 

Como já fiz outras vezes aqui no blog, vou compartilhar minha experiência na viagem para Porto de Galinhas (PE) e trazer o máximo possível de dicas que possam ser aproveitáveis a quem pretende passear por lá — e curtir bastante sem gastar muito dinheiro. Vou tentar detalhar tanto quanto fiz nos posts sobre Ilha Grande (RJ) e Itacaré (BA), mas, desta vez, com um diferencial: meu foco será nos leitores que pretendem viajar com crianças, já que nossa experiência foi com nosso filhote Luiz, de 1 ano e 10 meses de idade.

Vamos lá: Continuar lendo