Privatização da Eletrobrás: a hora do espanto

Charge do Duke publicada no jornal ‘O Tempo’ em 25.8.2017

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Ao pesquisar para escrever este artigo no dia em que brasileiros lembram que há 63 anos Getúlio Vargas se suicidou esperando que, com esse gesto, poderia ajudar o Brasil a cair na real e tornar-se finalmente um país independe, encontrei uma reportagem informando que o senador Aécio Neves se encontrou com o presidente Temer, no dia 15 de agosto, para salvar a Cemig de perder metade de seu parque gerador.

“Nós sabemos que, em razão de uma iniciativa desastrada e irresponsável da presidente Dilma em 2012, a Cemig vê hoje a possibilidade de perder 50% de seu parque gerador de energia porque as hidrelétricas de Jaguara, de São Simão, e Miranda estão com leilão marcado para o mês que vem”, disse. “O que nós estamos buscando é uma alternativa, que permita ao governo receber — mesmo que não integralmente — uma parcela daquilo que seria previsto num eventual leilão”, completou o ex-governador de Minas, pelo que li.

A Cemig está quebrada, conforme seu presidente, Bernardo Alvarenga, em entrevista feita no final de junho à Rádio Itatiaia. Quer vender a Light e outras subsidiárias para pagar uma dívida de R$ 16 bilhões. O presidente estima que, entre este ano e o ano que vem, a empresa tenha que pagar R$ 9 bilhões.

Culpa da Dilma? Ou culpa de Aécio e seu substituto no governo de Minas, Antonio Anastasia, que resolveu, em dezembro de 2012, não renovar antecipadamente os contratos de concessão das hidrelétricas de São Simão, Salto Grande e Volta Grande, porque faziam oposição à presidente da República?

Continuar lendo

Anúncios

O repórter Jorge Bastos Moreno e seus amigos

O jornalista Jorge Bastos Moreno | Foto: Reprodução

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma das últimas notícias publicadas pelo Blog do Moreno, dia 12, tem como título “Quadrilha’ de Aécio perde integrantes”. Dois dias depois, o dono do blog, Jorge Bastos Moreno, morreu – e me lembrei do dia em que conheci esse jornalista muito conhecido por seu trabalho no jornal “O Globo” e noutros veículos do grupo de Roberto Marinho.

Moreno foi muito elogiado, nesta quarta-feira, como um dos maiores repórteres brasileiros, sobretudo na TV Globo e na Globo News. Ao morrer, estava com 63 anos. Quando o conheci, ele tinha 36; eu, dez anos mais velho, nunca havia encontrado um repórter com tanta garra na busca da notícia exclusiva.

Encontrei-o em São João Del Rei, no dia 8 de dezembro de 1990, para cobrir, pelo “O Globo”, a solenidade de inauguração do Memorial Tancredo Neves. Dias antes, eu estivera lá para escrever sobre esse memorial que estava sendo organizado por Andrea Neves, a neta de Tancredo, hoje presa numa penitenciária mineira como cúmplice do irmão, o senador afastado Aécio Neves.

Andrea não ficou nem um pouco satisfeita, naquele dia, quando me apresentei como repórter do Globo e informei sobre a pauta recebida da redação, no Rio.

— Quem te mandou aqui? — perguntou.

— Um editor que ficou sabendo, provavelmente por você, desse museu Tancredo Neves.

Seguiu-se uma discussão. Continuar lendo

Aécio Neves dá a receita do discurso de mentirinha do PSDB aos correligionários

Este slideshow necessita de JavaScript.

Pouco antes das eleições de 2014, escrevi aqui no blog cerca de 30 razões para não votar em Aécio Neves, incluindo algumas denúncias bem graves que já tinham sido reveladas, palidamente, até aquele momento. Quem se informava só pelos jornais nacionais da vida, achou que eu estava ficando doida — afinal, estava apontando crimes cometidos pelo senador queridinho da República, era isso mesmo?! Praticamente nenhuma daquelas denúncias havia tido grande repercussão nos grandes veículos e, quando tinha, o “outro lado” era maior do que a denúncia propriamente dita, com Aécio sempre desmentindo tudo com a cara mais lavada do universo, ou o Bonner lendo a nota limpinha e perfumada do PSDB durante longos minutos.

Eis que, agora, todo o país fica sabendo aquilo que eu e meu pai vínhamos falando sobre Aécio há 14 anos, desde que ele assumiu seu primeiro governo em Minas. (É óbvio que houve uma ruptura tremenda entre Aécio/Andrea e o grupo dos Marinho, mas ninguém ainda nos contou qual foi o grande bastidor, então não serei eu a especular.)

E agora não tem muito jeito de a irmãzona, já presa, inventar uma desculpa qualquer, ou usar um batalhão de assessores de imprensa para fazer a defesa do presidente (afastado) do PSDB em todos os meios possíveis, inclusive em comentários orquestrados em portais e redes sociais. Está tudo gravado, filmado, rastreado e documentado, com provas tão cabais que até os donos dos carrões de Beagá tiveram que correr para arrancar os adesivos “a culpa não é minha, votei no Aécio” já na quinta-feira seguinte ao furo do jornalista Lauro Jardim.

(Parêntesis para dizer que, embora uma força-tarefa cabulosa tenha tentado de todas as formas produzir provas assim tão cabais contra a turma do Lula, elas ainda não apareceram de jeito nenhum. E Dilma acabou caindo por causa de pedaladas fiscais… Mas vai saber, vai que algum dia aparecem essas provas cabais contra a presidente derrubada também.)

Mas sabem o que eu, como jornalista, estou achando mais divertido nessa história toda? A cada novo áudio (cheio de palavrões cabeludos) de Aécio Neves vazado, mais ele nos dá a cartilha de como funcionava a contrapropaganda em seu governo em Minas, e depois no Senado. Pois vejam este trecho da hilária conversa entre Aécio e Perrella, por exemplo, em que o primeiro orienta o segundo sobre o que ele deveria ter falado quando surgiram as denúncias da lista da Odebrecht: Continuar lendo