A linguagem imprópria de Aécio na conversa com o dono da Friboi

Michel Temer e Aécio Neves. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/31.8.2016

Texto escrito por José de Souza Castro:

Foram divulgados na tarde desta sexta-feira (19) documentos relativos à delação de Joesley Batista, presidente do Grupo J & F (Friboi), homologada pelo Supremo Tribunal Federal, e que podem ser lidos AQUI. Fiz um resumo, concentrando-me nas denúncias contra o ex-governador de Minas, Aécio Neves, sobre quem tenho escrito com alguma frequência.

Primeiro, devo dizer que não reconheço nas palavras dele, mais parecidas com políticos dos romances de Nelson Rodrigues, algo semelhante ao que eu ouvia do avô, Tancredo Neves, nas muitas vezes em que o entrevistei para o “Jornal do Brasil”.

Na gravação da conversa de Joesley com Aécio, no Hotel Unique, em São Paulo, dia 24 de março, o senador fala sobre a Operação Carne Fraca, que atingia, entre outros, o Friboi. “Confusão filha da puta”, comenta o então presidente do PSDB. “Eu estava falando com o Trabuco hoje de manhã, fomos apertar o Michel agora, a Polícia Federal tinha que fazer uma mea culpa pública e pedir desculpa”.

Sua linguagem senatorial, porém, fica melhor quando Joesley e Aécio falam sobre a necessidade de impedir que as investigações da Lava Jato avancem.

Conforme a Procuradoria Geral da República (PGR), no pedido de abertura de inquérito contra Aécio Neves, Michel Temer e o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR), o senador mineiro teria tentado organizar uma forma de impedir tal avanço, “por meio de escolha dos delegados que conduziriam os inquéritos, redirecionando as distribuições, mas isso não teria sido finalizado entre ele, Michel Temer e o ex-Ministro da Justiça e atual Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes”.

Aécio comenta com Joesley: Continuar lendo

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Aécio Neves e o que não se lia na imprensa mineira até recentemente sobre ele

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Em 2010 resolvi ajuntar num livro os artigos que eu vinha escrevendo no blog Tamos com Raiva, precursor deste, e no blog do Massote, sobre o governo Aécio Neves.

O livro nunca foi publicado, nem na biblioteca do blog.

Acho que chegou a hora de fazê-lo, neste momento em que muitos mineiros, que ao longo dos anos em que Aécio governou Minas nada leram contra ele e seu governo na imprensa mineira, devem estar surpresos com as denúncias que surgem com as delações da Lava Jato, sobretudo as da JBF.

Finalmente, parece que se rompeu o impenetrável manto de proteção que a imprensa brasileira vinha dando ao neto de Tancredo Neves e à irmã dele, Andréa Neves, que teve papel importantíssimo no governo Aécio Neves. E que foi presa hoje.

Os blogs independentes, em Minas, não têm condições de suprir o papel da imprensa, sobretudo nas televisões e rádios, dado o seu pouco alcance. Mesmo sabendo disso, Cris e eu decidimos fazer a nossa parte, como jornalistas e cidadãos que prezam a democracia e o Estado de Direito, ambos muito sofridos neste grande e bobo país.

Na introdução do livro, explico melhor minhas motivações ao escrever os artigos e juntá-los num livro.

CLIQUE AQUI para fazer o download gratuito do livro com 165 páginas. E boa leitura!

Veja também:

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Uma viagem sentimental ao Vale do Jequitinhonha e ao sertão

Estrada mineira próxima ao parque nacional Grande Sertão Veredas. Foto: Wikimedia

Texto escrito por José de Souza Castro:

Quarenta e quatro anos depois de me casar, conheci finalmente Salinas, onde minha mulher, Ivona, viveu quando menina. Viajamos no carro de Josires, o irmão caçula dela. Dormimos uma noite em Teófilo Otoni, cidade em que minha mulher se formou professora e começou a lecionar. Conosco ia Márcia, prima dos dois.

A parte mais desagradável da viagem de cinco dias ocorreu em Teófilo Otoni, quando a Cris telefonou para comunicar que resolvera suspender a publicação deste blog no portal do jornal O Tempo, pois não queriam que escrevêssemos sobre política.

Já sabíamos, com Guimarães Rosa, que “viver é muito perigoso…”. Preferimos continuar vivendo assim, sem censura. “O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.” Obrigado, João.

Só me lembrei dele quatro dias depois daquele telefonema, quando passávamos sobre o Rio das Velhas, perto de Corinto, após uma noite dormida em Montes Claros. Nada a ver com palavras. O sentimento de perigo foi mais intenso durante as três horas e meia que foram gastas para percorrer pouco mais de 200 quilômetros entre Salinas e Montes Claros, numa rodovia atravancada por caminhões e carros dirigidos por suicidas.

Acho que o autor de “Grande Sertão: Veredas” não reconheceria o cenário de seus contos e romances escritos entre 1936 e 1967. O sertão que eu vi pareceu-me muito diferente daquele que conheci nos livros lidos na minha juventude. As veredas se tornaram escassas. Os eucaliptos dominam a paisagem, apesar das leis de proteção dos pequizeiros e outras árvores nativas. Vaqueiros tocando boiadas pelas estradas, nem pensar. Continuar lendo