O repórter Jorge Bastos Moreno e seus amigos

O jornalista Jorge Bastos Moreno | Foto: Reprodução

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma das últimas notícias publicadas pelo Blog do Moreno, dia 12, tem como título “Quadrilha’ de Aécio perde integrantes”. Dois dias depois, o dono do blog, Jorge Bastos Moreno, morreu – e me lembrei do dia em que conheci esse jornalista muito conhecido por seu trabalho no jornal “O Globo” e noutros veículos do grupo de Roberto Marinho.

Moreno foi muito elogiado, nesta quarta-feira, como um dos maiores repórteres brasileiros, sobretudo na TV Globo e na Globo News. Ao morrer, estava com 63 anos. Quando o conheci, ele tinha 36; eu, dez anos mais velho, nunca havia encontrado um repórter com tanta garra na busca da notícia exclusiva.

Encontrei-o em São João Del Rei, no dia 8 de dezembro de 1990, para cobrir, pelo “O Globo”, a solenidade de inauguração do Memorial Tancredo Neves. Dias antes, eu estivera lá para escrever sobre esse memorial que estava sendo organizado por Andrea Neves, a neta de Tancredo, hoje presa numa penitenciária mineira como cúmplice do irmão, o senador afastado Aécio Neves.

Andrea não ficou nem um pouco satisfeita, naquele dia, quando me apresentei como repórter do Globo e informei sobre a pauta recebida da redação, no Rio.

— Quem te mandou aqui? — perguntou.

— Um editor que ficou sabendo, provavelmente por você, desse museu Tancredo Neves.

Seguiu-se uma discussão. Continuar lendo

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Aécio Neves dá a receita do discurso de mentirinha do PSDB aos correligionários

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Pouco antes das eleições de 2014, escrevi aqui no blog cerca de 30 razões para não votar em Aécio Neves, incluindo algumas denúncias bem graves que já tinham sido reveladas, palidamente, até aquele momento. Quem se informava só pelos jornais nacionais da vida, achou que eu estava ficando doida — afinal, estava apontando crimes cometidos pelo senador queridinho da República, era isso mesmo?! Praticamente nenhuma daquelas denúncias havia tido grande repercussão nos grandes veículos e, quando tinha, o “outro lado” era maior do que a denúncia propriamente dita, com Aécio sempre desmentindo tudo com a cara mais lavada do universo, ou o Bonner lendo a nota limpinha e perfumada do PSDB durante longos minutos.

Eis que, agora, todo o país fica sabendo aquilo que eu e meu pai vínhamos falando sobre Aécio há 14 anos, desde que ele assumiu seu primeiro governo em Minas. (É óbvio que houve uma ruptura tremenda entre Aécio/Andrea e o grupo dos Marinho, mas ninguém ainda nos contou qual foi o grande bastidor, então não serei eu a especular.)

E agora não tem muito jeito de a irmãzona, já presa, inventar uma desculpa qualquer, ou usar um batalhão de assessores de imprensa para fazer a defesa do presidente (afastado) do PSDB em todos os meios possíveis, inclusive em comentários orquestrados em portais e redes sociais. Está tudo gravado, filmado, rastreado e documentado, com provas tão cabais que até os donos dos carrões de Beagá tiveram que correr para arrancar os adesivos “a culpa não é minha, votei no Aécio” já na quinta-feira seguinte ao furo do jornalista Lauro Jardim.

(Parêntesis para dizer que, embora uma força-tarefa cabulosa tenha tentado de todas as formas produzir provas assim tão cabais contra a turma do Lula, elas ainda não apareceram de jeito nenhum. E Dilma acabou caindo por causa de pedaladas fiscais… Mas vai saber, vai que algum dia aparecem essas provas cabais contra a presidente derrubada também.)

Mas sabem o que eu, como jornalista, estou achando mais divertido nessa história toda? A cada novo áudio (cheio de palavrões cabeludos) de Aécio Neves vazado, mais ele nos dá a cartilha de como funcionava a contrapropaganda em seu governo em Minas, e depois no Senado. Pois vejam este trecho da hilária conversa entre Aécio e Perrella, por exemplo, em que o primeiro orienta o segundo sobre o que ele deveria ter falado quando surgiram as denúncias da lista da Odebrecht: Continuar lendo

‘Só trafico drogas’, diz senador Zezé Perrella em conversa com Aécio Neves

Momento da prisão dos envolvidos no transporte de 445 kg de cocaína, em 2013. (Foto: Reprodução/TV Gazeta)

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Não faço nada de errado, só trafico drogas”, diz o senador Zezé Perrella ao ouvir uma dura do senador Aécio Neves, num áudio divulgado dia 30 de maio pelo jornal “Hoje em Dia”. Aécio ligou às vésperas da Semana Santa, para reclamar de uma entrevista dada pelo seu vice no governo de Minas à Rádio Itatiaia. Foi antes da divulgação da “colaboração premiada” de Joesley Batista, mas Aécio já era denunciado na Lava Jato.

A assessoria de Perrella tenta explicar ao jornal:

“Basta ouvir o áudio na íntegra e contextualizar a expressão mencionada.

Durante o diálogo, o senador Zezé Perrella cita o episódio do helicóptero referindo-se ao fato de que, mesmo após ter sido comprovada sua inocência, lamentavelmente, a imprensa ainda insiste em associar o seu nome ao caso.

Seu incômodo está explícito no áudio, antes mesmo do momento em questão. Fica óbvia, inclusive pela reação do interlocutor, a ironia expressa pelo Senador Zezé Perrella em relação à forma criminosa e caluniosa que abordam o assunto”.

Não foi uma confissão de culpa, talvez – você decide, após ouvir o vídeo. E Aécio, na conversa, tenta se desvencilhar da companhia de políticos que pediram dinheiro a empresas para se enriquecer. Disse que pediu apenas para a campanha política, sua e de outros correligionários do PSDB, como Perrella.

A divulgação dessa conversa entre dois senadores mineiros é ilustrativa, mas não é o fato mais grave do dia. Vamos a outros: Continuar lendo