‘Mr. Holmes’: um Sherlock com muito mais humanidade

Para ver na Netflix: SR. SHERLOCK HOLMES (Mr. Holmes)
Nota 9

Antes de mais nada, é preciso declarar que sou fã das histórias de Conan Doyle e de seu personagem maravilhoso, que tantos filmes e séries já rendeu. Já li os principais romances (Um Estudo em Vermelho, O Signo dos Quatro, O Cão dos Baskerville, O Vale do Terror) e contos com Sherlock Holmes e seu inseparável amigo dr. Watson. Adorei a recente série “Sherlock“, com toda a sua ação e adrenalina, numa velocidade estonteante. Quando vi este “Mr. Holmes” na Netflix, imediatamente fui assistir.

O mais interessante deste filme é que o Holmes interpretado pelo septuagenário Ian McKellen nada tem a ver com o jovial de Benedict Cumberbatch ou com o que imaginamos ao ler as novelas de Doyle. Aqui, ele é um senhor de 93 anos lutando contra a senilidade, contra o apagão que surgiu em suas memórias. Solitário, já há quase 30 anos sem a companhia do dr. Watson, aposentado numa mansão no interior, cuidando apenas de abelhas, Holmes se aproxima do garotinho Roger, filho da governanta. E essa relação quase que de avô-neto dá mais força e lucidez ao famoso detetive.

Desta vez, ele não está tentando desvendar um crime, mas tentando desvendar o que sua memória já apagou. O roteiro vai e volta ao sabor dessas lembranças meio caducas, mas num ritmo muito bem encadeado, com montagem precisa e envolvente. É como ler “Leite Derramado“, de Chico Buarque, que vai revelando as coisas com a instabilidade típica de um narrador com mais de 100 anos de idade. Neste filme, também temos uma narrativa instável, à mercê do que Holmes vai sendo capaz de se recordar do passado, muito graças às experiências do presente.

Por tudo isso, este filme é encantador. Porque é um mistério bem típico de Doyle, nos deixando em suspense sobre como as coisas se desenrolaram. Porque tem um Holmes que quase não guarda semelhança com o superconfiante e arrogante das outras histórias, agora fragilizado pela demência e pela idade avançada. Porque tem um Roger com a curiosidade das crianças e com essa capacidade mágica que têm de mudar coisas que já pareciam assentadas nas vidas ao seu redor. Porque tem muito poucos atores, mas do naipe de Ian McKellen e Laura Linney. E porque tem esse roteiro de idas e vindas, que ajuda a manter o suspense, numa narrativa nada linear. O que era pra ser apenas um mistério ganha ares de drama. Às vezes você não sabe se está vendo um Sherlock Holmes ou um daqueles vários filmes sobre jovens que dão um novo fôlego para a vida de pessoas mais velhas ou debilitadas (ex.: Intocáveis, Um Momento Pode Mudar Tudo, Up: Altas Aventuras, e tantos outros). E achei essa mescla improvável um ótimo diferencial.

O efeito é nos fazer esquecer daquele Holmes que parece um computador, aquele gênio com péssimas capacidade sociais, que muitas vezes apelava para o ópio para “hibernar”. E nos apresentar a um Holmes totalmente diferente, mais verossímil, mais humano.

(Quem sabe até não concordemos que toda aquela ficção era pura invencionice do dr. Watson, que não faz jus ao herói de verdade…)

Assista ao trailer do filme:

Leia também:

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Os 25 melhores filmes que já encontrei na Netflix, com resenhas e trailers

A partir de amanhã, este blog entra de férias, retornando só daqui a umas duas semanas. Eu de férias desligo celular, me desligo do noticiário, e me concentro em fazer duas coisas: descansar bastante e me divertir. Para isso, além de passear com minha família e butecar (e acompanhar o que resta da Copa do Mundo), outras duas coisas vão certamente fazer parte da minha rotina nos próximos dias: livros e filmes.

São estes últimos que deixo para vocês, na ausência de novos posts, com a facilidade de estarem disponíveis na Netflix, que hoje quase todo mundo assina em casa. Vamos combinar o seguinte: sempre que sentirem falta de um post novo aqui no blog, vocês escolhem um filme desta lista e vão lá assistir, tá bom? Quando tiverem acabado de ver todos, eu já estarei de volta com certeza 😀

Os filmes listados abaixo foram escolhidos seguindo três critérios:

  1. já assisti a todos eles e dei nota 7 ou mais;
  2. fiz resenhas deles aqui no blog (no caso de três filmes, teci um comentário menor, menos elaborado, mas pelo menos falei sobre eles aqui);
  3. estão disponíveis na Netflix, segundo consulta feita na semana passada (Moonlight, por exemplo, chegou a entrar na rede de streaming, mas hoje não está mais lá).

Ou seja, também há outros filmaços na Netflix além destes 25, mas não foram colocados na lista porque eu não tinha escrito sobre eles ainda. A ideia é que esta lista sirva de ponto de partida para quem quiser ver um filme garantidamente bom, garimpado em meio aos vários títulos fracos existentes ali, com uma resenha sem spoilers e trailer disponíveis para quem quiser saber mais detalhes antes de encarar mais de 100 minutos diante da tela.

Anotem as sugestões:

Concorda com minha listinha? Quais deles você já assistiu? Tiraria algum desse rol de 25? Escreva sua opinião nos comentários 😀

Leia também:

 

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‘George, O Curioso’ e como podemos ensinar educação financeira a uma criança de menos de 3 anos

Dia desses eu estava vendo o desenho “George, O Curioso” com o Luiz. Pra quem não conhece, trata-se de um desenho animado lançado em 2006 e transmitido no Brasil pela Discovery Kids. Está também na Netflix e o listei na minha seleção de melhores séries para crianças de até 3 anos.

O personagem principal é George, um macaquinho muito sagaz, alegre, extremamente inteligente. No episódio a que assistimos naquele dia, ele e o amigo foram a uma loja e ficaram encantados por uma pipa gigante que estava exposta ali. Mas ela era muito cara, eles não tinham dinheiro suficiente para comprá-la.

O que decidiram fazer, então? Fazer bicos para conseguir o dinheiro necessário.

George e o amigo entraram em contato com vários vizinhos oferecendo pequenas tarefas, tais como cortar grama, empilhar latas, passear com cachorros, coletar frutas etc. Conseguiram ser contratados para diversas tarefas.

Eles tinham pouco tempo para executar tudo, porque a pipa só ficaria reservada para eles até a manhã de segunda-feira, e já era sábado. Então, o que fizeram? Traçaram um percurso para aproveitar o tempo ao máximo e estimaram a duração de cada tarefa, para conseguir realizar tudo.

No meio do caminho, tiveram outros desafios e acabaram encontrando novas soluções para seus problemas, como dividir os trabalhos entre si, em vez de fazerem em dupla, e separarem o que era feito ao ar livre do que era a portas fechadas, para aproveitar as condições climáticas.

O desenho inteiro deve durar uns bons 10 minutos, ou mais, com grande aprendizado por parte de George e seu amigo. Ao final, não careço dizer, os dois conseguem fazer tudo e ganham o suado dinheirinho para comprar a desejada pipa.

Agora vamos imaginar se no lugar de George, o personagem principal  fosse alguma das crianças que conhecemos por aí, filhos de amigos e parentes nossos, ou até mesmo muitos dos nossos filhos.

O desenho não ia levar nem dois minutos de duração: a criança chega na loja, olha o preço da pipa, pede para o pai ou a mãe, que desembolsam a grana, e o menino brinca um tempinho antes de enjoar do brinquedo novo. Fim.

Qual aprendizado nossos pequenos estão tendo, quando recebem tudo de bandeja? Quão satisfeitos ficam com a conquista do brinquedo desejado?

Deixo esta reflexão para todos nós. Para quem se interessar, achei o episódio completo no Youtube, em inglês:

 

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