Receita de guacamole

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Aproveitei a receita do chef Hugo, do restaurante Obá, e fiz algumas adaptações, a partir do meu gosto pessoal. Ficou assim:

Ingredientes:

  • 1 abacate bem grande maduro (ou 3 pequenos)
  • 1 tomate grande, picadinho em cubos pequenos, e sem as sementes
  • 1/2 cebola picadinha em cubos ainda menores
  • 2 ou 3 pimentas malaguetas (ao gosto do freguês) picadinhas bem fininho
  • 1 colher de chá de alho picado (ou um dente de alho, bem picadinho)
  • 5 folhinhas de coentro (ou salsinha, ou cebolinha), não mais que isso, picadinhas
  • meio limão espremido
  • sal a gosto

Modo de fazer:

amasse tudo com o garfo, bem amassadinho, mas pode deixar os pedaços, não precisa ser uma pastona uniforme. Assim, vai ficar como nas fotos deste post.

Coma com Doritos 🙂

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As melhores fotos do mundo (ou não)

Na semana passada saiu o resultado do World Press Photo, o prêmio mais importante de fotojornalismo do mundo.

Os editores de fotografia da “Folha”, Cassiana Der Haroutiounian e Daigo Oliva, fizeram uma boa análise dos premiados em seu blog, Entretempos. Falam do conservadorismo da seleção, que destacou muito mais as fotos clássicas de guerra e de conflitos urbanos, em vez das mais criativas, diferentes ou bem-humoradas, como já ocorreu em edições anteriores do prêmio.

Mas o que mais incomoda, na minha opinião, é o excesso de Photoshop de algumas fotos, inclusive da que levou o prêmio principal:

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Paul Hansen, Suécia, Dagens Nyheter

Os editores da “Folha” só tocam de leve nesse tema, em uma frase: “Outro ponto negativo, ao menos na opinião do blog, é o tratamento de imagem forçadíssimo presente em muitos ensaios, como se estivéssemos olhando para telas de videogame.”

O jornalista Beto Trajano já tinha comentado comigo esses dias: “Parece que estamos diante de uma modelagem de 3D, de tão artificial.”

E o pior é que várias são as fotos deste concurso que estão com o mesmo aspecto, por excesso de Photoshop. O que nos leva a questionar o futuro da fotografia: Será que estamos premiando aqueles que fizeram um recorte do mundo, usarando técnicas de luz, velocidade e tempo para trazer um olhar diferente, ou aqueles que capturaram uma bela cena e a artificializaram completamente com um programa de computador?

Por outro lado, vejam que beleza esta foto do único brasileiro premiado do WPP:

Felipe Dana, da Associated Press, fotografa Natália, uma usuária de crack de 15 anos, no Rio.

Felipe Dana, da Associated Press, fotografa Natália, uma usuária de crack de 15 anos, no Rio.

A vida com direito a imperfeições

 

Para ver no cinema: O LADO BOM DA VIDA (Silver Linings Playbook)

Nota 9

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Ele ficou internado em um manicômio por vários meses e, sem o casamento, a casa e o emprego de antes, tem que recomeçar a vida após ser “libertado” pela sempre preocupada mãe. Sua obsessão, que guia cada um de seus passos, é recuperar o amor da esposa.

E aí mergulha em todos os livros que ela usou para ensinar na escola, começa a correr (envolto em um saco de lixo), para perder peso, quer se centrar, deixar o negativismo de lado etc.

Aos poucos vamos percebendo que esse discurso dele e toda a obsessão são parte de sua doença, diagnosticada tardiamente como transtorno bipolar.  A agressividade latente, a falta de freios na fala e o desespero quando não encontra a fita do casamento ou quando escuta uma música específica também são sintomas.

E esses pequenos sintomas dão um trabalho danado para os pais, interpretados pelos excelentes Robert De Niro e Jacki Weaver. Às vezes nos fazem pensar como eles dão conta do recado. Mas, aos poucos, vamos entendendo: é que ninguém é “normal”. E o Pat, com todos esses problemas, talvez seja tão “anormal” quanto todos os demais.

A atuação de Bradley Cooper (que faz o Pat), muito mais conhecido por filmes leves como “Se Beber, não Case”, está surpreendente, merecedora da indicação que levou. Ele convence como um “bipolar”, sem cair em excessos nem ficar caricatural, além de ser extremamente carismático. A de Jennifer Lawrence, que ganhou o Oscar de melhor atriz, está impecável (ela vai ser a Meryl Streep de sua geração). E todos os maravilhosos coadjuvantes, como os já citados que interpretam os pais de Pat e o sempre engraçado Chris Tucker, que faz o Danny, o mais “doidinho” dos amigos, ajudam a compor a história.

O filme tinha tudo para cair no simplismo de uma comédia romântica, mas vai muito além, ao abordar essa questão das doenças psicológicas. São citados, indiretamente, pelo menos os seguintes: TOC, depressão, ansiedade, consumismo, esquizofrenia e o transtorno bipolar. Os cérebros ao nosso redor são complicados, cheios de imperfeições. Mas é o fato de ninguém ser perfeito e a percepção que as pessoas vão ganhando disso que dá graça a esse filme. Os personagens mostram como o preconceito é burro e como é um imenso entrave para os relacionamentos de todos os tipos. No final, fica até fácil perdoar a tradução do nome para o português com o banal “O Lado Bom da Vida”. Realmente, o melhor lado da vida é este lado livre das amarras da perfeição.

***

Observação: Pela primeira vez, não ousei fazer as apostas do Oscar, como nos anos anteriores (aqui e aqui). É que neste ano não vi praticamente nenhum filme que concorria ao Oscar. Mas queria fazer alguns comentários sobre a premiação:
1) Não assisti a “Amor”, por exemplo, mas Jennifer Lawrence mereceu sua estatueta. Com apenas 22 aninhos, ela é a atriz mais promissora de Hollywood e ainda vamos ver muito seu nome por aí.
2) Argo é um filmaço, como já escrevi aqui, mas tenho dúvidas se mereceria o Oscar de melhor filme do ano.
3) Preciso urgentemente assistir a “As Aventuras de Pi”.

Decálogo do Contista, por Horacio Quiroga

No final do livro de Quiroga que resenhei ontem, há um “Decálogo do Contista”, em que ele dá as regras para quem quiser arriscar nessa seara. Boa sorte:

I – “Crê em um mestre – Poe, Maupassant, Kipling, Tchecov – como em Deus mesmo.”

II – “Crê que tua arte é um cume inacessível, não sonhes dominá-la. Quando puderes fazê-lo, conseguirás sem ao menos perceber.”

III – “Resiste o quanto puderes à imitação, mas imite se a demanda for demasiado forte. Mais que nenhuma outra coisa, o desenvolvimento da personalidade requer muita paciência”.

IV – “Tem fé cega não em tua capacidade para o triunfo, mas no ardor com que o desejas. Ama tua arte como à tua namorada, de todo o coração”.

V – “Não comeces a escrever sem saber desde a primeira palavra aonde queres chegar. Em um conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas”.

VI – “Se quiseres expressar com exatidão esta circunstância: “Desde o rio soprava o vento frio”, não há na língua humana mais palavras que as apontadas para expressá-la. Uma vez dono de tuas palavras, não te preocupes em observar se apresentam consonância ou dissonância entre si”.

VII – “Não adjetives sem necessidade. Inúteis serão quantos apêndices coloridos aderires a um substantivo débil. Se encontrares o perfeito, somente ele terá uma cor incomparável. Mas é preciso encontrá-lo”.

VIII – “Toma teus personagens pela mão e leva-os firmemente até o fim, sem ver nada além do caminho que traçastes para eles. Não te distraias vendo o que a eles não importa ver. Não abuses do leitor. Um conto é um romance do qual se retirou as aparas. Tenha isso como uma verdade absoluta, ainda que não o seja”.

IX – “Não escrevas sob o império da emoção. Deixe-a morrer e evoque-a em seguida. Se fores então capaz de revivê-la tal qual a sentiu, terás alcançado na arte a metade do caminho”.

X – “Não penses em teus amigos ao escrever, nem na impressão que causará tua história. Escreva como se teu relato não interessasse a mais ninguém senão ao pequeno mundo de teus personagens, dos quais poderias ter sido um. Não há outro modo de dar vida ao conto”.

A bem da verdade, esse decálogo também pode ser aplicado à feitura das boas reportagens… Jornalistas burocráticos deste mundo: bora tentar? 😉

Contos que ficam na memória como um romance

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Quando a gente pensa que já conhece todos os grandes autores do mundo, ao menos os da literatura clássica, vem um Horacio Quiroga, uruguaio, para nos lembrar que essa fonte é (felizmente, embora angustiosamente) infinita e inesgotável.

Quiroga nasceu em 1878, em Salto, e morreu em 1937, não sem antes se tornar um dos maiores contistas do mundo e um dos primeiros representantes do modernismo na América Latina.

Fui ler o primeiro livro de Quiroga agora. São 15 contos reunidos sob o título “Contos de Amor, de Loucura e de Morte”.

E estou encantada.

Não são muitos os contistas que me encantam. Quiroga conseguiu, pela objetividade com que escreve, a concisão, a precisão das palavras escolhidas, a perfeição técnica, o suspense que cria desde o primeiro parágrafo, a tensão criada ao longo de toda a narrativa e, principalmente, o susto com que nos deixa no fim, num estado de atordoamento pela solução encontrada para aquela historieta.

Só ele pode escrever com personagens que são cães, cavalos e vacas, e esses personagens se comunicarem de forma plausível, como se sempre soubéssemos que se comunicam daquele jeito. Só ele aborda a morte, a ruína e o amor de uma forma que ultrapassa qualquer clichê a respeito.

O melhor é que são contos marcantes, que ficam na cabeça da gente para sempre, como só me acontecia com os grandes romances. Mas nunca vou me esquecer do conto “O Travesseiro de Plumas”, do “Os Barcos Suicidas”, do “Os Mensá”, “Yaguaí”, “Nosso Primeiro Cigarro”, “Os Pescadores de Vigas”…

Enfim, não vou entrar no mérito de cada enredo, para não estragar a surpresa que tive com esta primeira leitura — e que deixo para vocês também terem.

“Contos de Amor, de Loucura e de Morte”
Horacio Quiroga
Abril Coleções
208 páginas
De R$ 25,66 a R$ 29,61