Duas iniciativas que valorizam o espaço público, em BH e SP

Praça da Savassi em 30 de abril. Foto: CMC

Há dois domingos, estive na praça da Savassi e presenciei a seguinte cena:

palco montado com vários shows de jazz, com bandas da maior qualidade; crianças andando de bike, skate e patinete com os pais; carrinhos com comidinhas gostosas e cervejas artesanais geladinhas; bebês brincando na fonte de água entre a Getúlio e a Cristóvão Colombo; cachorrinhos passeando, gente de cabelos brancos, casais jovens e crianças de todas as idades; gente fazendo fotos em carros antigos sensacionais; bolhas de sabão, cadeiras ocupadas, sol e sombra disputados, multidão de pé. Tudo grátis!

Foi uma cena bonita de se ver! O espaço público sendo utilizado pelo povo. As ruas cheias de gente, de pedestres, e não de carros. Música, em vez de buzinas. Aplaudo de pé a iniciativa “A Savassi é Nossa”, que fecha aquele cruzamento para carros durante boa parte do domingo. Se você mora em outro canto da cidade, não deixe de conhecer também, de curtir, de aproveitar seu espaço na cidade.

***

No último domingo, estive na avenida Paulista e presenciei a seguinte cena:

uma banda diferente a cada 10 passos; showzinhos de rock, blues, country, jazz, música nordestina, o escambau. Cover de Elvis Presley e um Freddy Krueger posando pra fotos. Centenas de pessoas andando de bike na ciclofaixa. Crianças pequenas andando de bike, skate e patinete. Artesãos vendendo todo tipo de arte. Uma manifestação contra a obesidade, outra manifestação contra o descuido no trânsito (neste caso, pessoas vestidas de focas e segurando a placa “FOCA NO TRÂNSITO!”), outra manifestação de evangélicos. Uma bateria de escola de samba universitária. Tudo grátis!

Foi uma cena bonita de se ver! O espaço público sendo utilizado pelo povo. As ruas cheias de gente, de pedestres, e não de carros. Música, em vez de buzinas. Aplaudo de pé a iniciativa que fecha a avenida Paulista para carros durante boa parte do domingo. Se você mora em outro canto da cidade, não deixe de conhecer também, de curtir, de aproveitar seu espaço na cidade.

Les Souvenirs, uma das mil bandas se apresentando na av. Paulista no dia 7 de maio. Foto: CMC

Parabéns, Beagá! Parabéns, Terra Cinza!

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Criança namora ou não namora? E agora?

Foto: Pixabay

Já contei aqui a história do meu primeiro namoradinho. Como foi um dos primeiros posts do blog, escrito em 2010, vou reproduzir o trechinho aqui:

“Aos 6 anos eu também tinha um namoradinho, desses que davam tênis da Xuxa no dia 12 de junho. (…) Nos conhecemos aos 3 anos, vizinhos de prédio e colegas de maternal 🙂

Deve ter sido amor à primeira vista – dos nossos pais, já que eu não saberia o que é amor àquela idade e nem me lembraria disso, anyway.

Quando mudei de colégio, para ir ao pré-primário, ele mudou junto. Naquela altura já tínhamos 6 anos. Era um romance maduro, como se vê.

Um belo dia, a sala de aula numa bagunça danada, a professora fazendo algo do lado de fora, os capetinhas gritando e pulando e fazendo coisas que crianças fazem, quando meu namoradinho me chamou: vamos lá pra frente, quero falar uma coisa com você.

Cochichando no meu ouvido, longe da balbúrdia do resto da sala, ele me perguntou: “Vamos terminar?” E eu respondi, solícita: “Tudo bem!”. Seria minha primeira DR, daquele jeito direto e descomplicado.

Tudo teria ficado bem se, no recreio, eu não tivesse visto meu ex-namoradinho de mãos dadas com a Ju, minha melhor amiga. Aos 6 anos, descobri o que era deslealdade. E esse tipo de lição, por mais que envolta no clima de brincadeira, a gente carrega pela vida afora.

O bom é que naquela época não existia no meu vocabulário a palavra fossa. A Ju continuaria sendo minha melhor amiga e eu gastava os recreios seguintes brincando de aprontar planos mirabolantes contra uma turma rival, só de meninos.”

Mais tarde, quando eu tinha 9 anos, participei do filme “Menino Maluquinho”. Meu papel era de Julieta, apresentada para mim como “a namoradinha do Menino Maluquinho”.

Reprodução

Como se vê, cresci achando a coisa mais normal do mundo uma criança namorar. Bom, não namoraaaar de verdade, como adultos namoram, mas namorar como criança namora, como Julieta e Menino Maluquinho, como eu e meu amiguinho que me dava tênis da Xuxa. Mãos dadas, posar pra foto, essas coisas.

Para mim, era algo corriqueiro como uma criança brincar de casinha ou uma criança calçar o sapato do pai ou da mãe: é tudo brincadeirinha, brincar de ser adulto, parte do processo de imaginar e de amadurecer.

Eis que uma campanha, iniciada lá no Amazonas e repercutida em todo o Brasil graças às redes sociais, deu uma sacudida em meus pensamentos. A campanha parte da hashtag #criançanãonamora e prossegue com um “nem de brincadeira!”. A discussão que se levanta é que incentivar uma criança a achar que tem namorado ou namorada é incentivar a sexualização e erotização precoce, é incentivar casos de abusos sexuais contra crianças e até mesmo pedofilia.

Na primeira vez que vi a campanha, fiquei cabreira. Afinal, tenho todo esse histórico me dizendo que a brincadeirinha não me fez mal algum. E olha que sou o oposto da menina que queria virar adulta logo: fui criança até uns 15 anos de idade, meu sonho era ser criança pra sempre, como Peter Pan.

Meu segundo olhar mudou depois de ler os argumentos dos entendidos do assunto, como o pessoal do CNJ, que endossou a campanha. Afinal, sou uma mera jornalista, não sou entendida de nada. Se há quem veja o namoro de crianças com preocupação, os mais entendidos devem ter motivos para isso.

No meu atual terceiro olhar, sigo um pouco em cima do muro, na tendência da não radicalização e da ponderação, que vem sendo minha tendência pra muita coisa ultimamente. Só um ponto já me parece bem razoável na minha cabeça: os adultos não devem ESTIMULAR que a criança pense que está namorando, não devem incitar a ideia, fazer uma criança dizer para a outra que é namorado ou namorada dela, essas coisas. Mas daí a condenar veementemente se a própria criança resolver se imaginar namorando, aí eu já não sei. Tenho medo de que isso gere o efeito reverso, de fazer a criança se preocupar com algo que deveria ser apenas a brincadeira inocente dela. Volto à estaca zero da minha ignorância nessas horas.

E você, o que pensa desse assunto? Tem uma enquete rolando sobre isso no Facebook da Canguru, e você pode registrar seu voto clicando AQUI. Mas melhor ainda se deixar um comentário 😉

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Por menos gritos, muros e ódio nos discursos dos meus amigos de Facebook

Não posso simplesmente deletar minha conta do Facebook, porque trabalho com o Facebook. Faz parte das minhas funções profissionais. Também é por esta rede social que melhor divulgo os posts deste blog de estimação.

Mas, se pudesse, já teria mandado esse circo do tio Zuckerberg pelos ares!

A culpa não é do Facebook, é claro. Ele é apenas um espelho (meio retorcido) da sociedade do lado de cá das telas. E é claro também que leio muitos textos legais ali dentro. Saio curtindo uma porção de fotos incríveis de pôr-do-sol lindo na praia tal, de bebê fofo fazendo uma estripulia, de casais apaixonados celebrando a vida. Dá até para ficar relativamente por dentro da vida de meia dúzia de amigos sumidos que os robozinhos do Facebook permitem que eu veja com frequência em minha timeline.

Essa parte é a parte boa.

Mas quando, vez ou outra, resolvo ler mais a fundo os textões e textinhos que são compartilhados ali, saio meio zonza, com uma sensação de embrulho no estômago, de ter levado mil pauladas. Mal estar danado. Continuar lendo