Um recorte da vida, em fotos

Meu mais novo álbum!

Meu mais novo álbum!

A gente se acostumou tanto às câmeras digitais, que simplesmente perdemos o costume de revelar (ou melhor, imprimir) as fotografias dos momentos mais importantes.

Falo por mim: fui criando pastas e mais pastas de fotos no meu computador, cada uma mais bagunçada que a outra, e raramente desfruto do prazer de colocar um álbum no colo e sair folheando as imagens, relembrando as histórias por trás de cada uma delas. O excesso de fotos, ocasionado pela facilidade do clique digital, resultou na perda da importância da fotografia, em sua banalização.

Hoje é impossível alguém não conseguir sair bonitão em pelo menos uma foto, já que dá para fazer poses e biquinhos na frente das câmeras em centenas de cliques, e apagar aquelas fotos imprestáveis. Tem que ser muito feio mesmo. Antigamente, as famílias pagavam um fotógrafo para fazer a imagem de todos juntos, e isso era um evento raro, a ponto de todos se emperiquitarem. Se saísse feio, paciência.

Também é raro encontrar alguém que nunca tenha flagrado um passarinho na janela, um pôr-do-sol encantador ou cenas surpreendentes no meio da rua, ainda mais levando em conta que até os celulares, acessíveis de nossos bolsos, vêm com câmeras fotográficas em boas resoluções.

E hoje nem é preciso ser rico para ter celular. Todo mundo tem, e as câmeras deixaram de ser aquele artigo de luxo de nem tantos anos atrás.

Ok, isso tudo é bom. É sim. Mas também sinto uma saudade danada de ter apenas um filme com 36 poses para gastar durante todos os dias de férias, e ter que conviver com a seleção, com um processo de edição mesmo, edição prévia daquelas imagens que realmente valiam a pena de se clicar num universo de 36 possibilidades. E depois o suspense que era mandar para revelar e abrir o envelopinho na loja mesmo, ansiosa para saber como tinham ficado as fotos. Ah, esta queimou… Droga, esta estourou. Mas veja só que beleza! Esta foto merece até um porta-retrato.

Até os porta-retratos viraram um negócio démodé. Outro dia fui à casa de um amigo que tinha um “porta-retratos digital” (afe), em que era possível ver 500 fotos se revezando. Energia elétrica tá barata, né? Pode gastar.

Não é sempre que fico pensando sobre essas coisas. Mas hoje pensei demais. Porque hoje acabei de montar meu álbum — o primeiro desde, pelo menos, minha formatura na faculdade, em 2007! — com uma seleção de 90 fotos de momentos especiais vividos na Terra Cinza.

Veja bem, essa seleção só foi possível porque eu tinha aquelas centenas de pastinhas com centenas de fotos em cada uma, que pude vasculhar, num processo de edição, até chegar à meta das 90 mais significativas. Mas tem coisa melhor que poder folhear um álbum de verdade, com legenda e nome das pessoas que aparecem, em vez de vasculhar essas malditas pastinhas?

E quando foi a última vez que vocês montaram um álbum desses, com um recorte da vida, mostrando que aquele pedaço de história foi bem vivido e valeu a pena? Talvez seja um bom programa para este fim de semana.

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Cachorros são sábios

Se nossos desejos fossem mais simples assim, se nos contentássemos com as pequenas alegrias e prazeres mais rotineiros, talvez a vida fosse um negócio muito mais fácil. (Talvez muito mais monótona também, mas felicidade nem sempre está na grandiosidade.)

 

Uma defesa das caronas

Cena do filme “On The Road”, com sua fartura de caronas.

Há exatamente uma semana, uma conhecida que é de Beagá e mora em São Paulo postou o seguinte comentário em seu Facebook: “Não está chovendo, não é sexta-feira, são OITO da noite, e mesmo assim a Marginal parece um estacionamento. Alguém me explica a lógica dessa cidade??”

Respondi: “Explico: média de 1,4 passageiros por veículo + IPI reduzido + lógica das pessoas e dos governos só voltada para a idolatria dos carros.” E indiquei a leitura DESTE post.

Essa média de 1,4 passageiros por veículo era a informada pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) sempre que perguntada sobre a situação de São Paulo e também me foi informada aqui em Beagá por um engenheiro de transportes mineiro. Ao que parece, é a média de ocupação de veículos em todas as capitais brasileiras, se não for no mundo todo.

Hoje resolvi fazer um pequeno teste, embora não científico, pelo tamanho da amostra. Durante 20 minutos da minha viagem de ônibus de uma região a outra de Beagá, passando pelo centro, anotei quantos carros passaram por mim e qual era a ocupação de cada um. Apenas excluí aqueles que não consegui enxergar com certeza e os que transportam passageiros, como táxis e escolares, que são pontos fora da curva.

O resultado foi o seguinte:

  • 192 carros no período,
  • dos quais 128 tinham APENAS UM PASSAGEIRO (ou seja, só o motorista),
  • 60 tinham DOIS PASSAGEIROS (motorista e mais um),
  • 2 tinham três passageiros e
  • 2 tinham 4 passageiros. Totalizando 262 passageiros distribuídos nos 192 carros.

A média nessa amostra foi, portanto, de 1,36 passageiros por veículos — ou seja, bem próximo da tal média histórica.

O que isso nos diz? Que, muito embora possamos culpar com folga os administradores públicos pela precariedade dos transportes coletivos, pela falta de opções de metrô, trem e ônibus, pela falta de corredores exclusivos que agilizem esse transporte, pelas más condições dentro dos coletivos etc, boa parte da culpa por essa situação caótica em que se encontram as cidades, com suas verdadeiras ruas-estacionamento, diz respeito à cultura de amor ao automóvel em que estamos inseridos e que muitos de nós adotam com prazer (e um certo masoquismo).

Por isso, para conter esse processo,  são válidas medidas restritivas, como rodízio, pedágio urbano, restrição do uso de faixas de rolamento apenas para coletivos ou para carros com caronas etc.

Enquanto elas não são tomadas, podemos fazer nossa parte. ESTE premiado site é uma das iniciativas bacanas que surgiram nesse sentido, que podem ser adotadas pela empresa em que você trabalha, garantindo caronas seguras*. Já até fiz uma materinha sobre ele. Se cada motorista der duas ou três caronas em seu percurso diário, serão duas ou três vezes menos carros nas ruas. Já é alguma coisa 😉

* Numa rápida busca no Google, achei outras opções de sites, que prometem facilitar as caronas seguras: Carona Brasil, Caroneiros, Carona Segura, Caronas, e-Carona, Unicaronas e O Carona.

Receita de bruschettas

Bruschettas feitas pela amiga Clara Machado. (Foto: CMC)

Excelente opção de petisco ou de entrada, que qualquer um é capaz de fazer! A minha é assim:

Ingredientes:

  • Uma bisnaga de pão de sal
  • Dois tomates frescos
  • Um pimentão verde
  • Cebolinha
  • Uma cebola
  • Queijo provolone a gosto
  • Presunto
  • Azeite
  • Orégano

Modo de fazer:

  • Divida a bisnaga transversalmente e em pedaços, de modo a ter uns dez a doze pedaços de meio-pão que vão virar bruschettas.
  • Coloque tomate, cebola, pimentão e cebolinha picadinhos em cima desses pedaços.
  • Em alguns, salpique o presunto picadinho e o queijo. Em outros, só o queijo. O ideal é comprar o queijo já ralado, mas fresco.
  • Por fim, coloque um pouco de azeite e orégano sobre os pães.
  • Leve para assar até dourar o pão e o queijo derreter bem, o que não deve levar mais que 15 minutos, a depender do forno.
  • Pronto!

Tem que comer quentinho pra ficar melhor. Invente sua receita alternando os ingredientes à vontade! Dá pra fazer bruschetta de carne, de salsicha, de bacon, quatro queijos etc…