Eu acredito e confio nas urnas eletrônicas

Ao contrário da turma do Bolsonaro, que até orquestrou uma mentira hoje, e do Aécio Neves, que bateu nessa tecla de “fraude” ad nauseam em 2014, eu acredito e confio nas urnas eletrônicas.

Se quase metade dos brasileiros quer ter esse sujeito que tem tanto apreço pela ditadura militar no poder, eu entendo isso: quase metade dos brasileiros querem isso, no dia de hoje, 7 de outubro. Como bem escreveu o Antonio Prata em texto que compartilhei mais cedo, essas pessoas votam sabendo tudo o que Bolsonaro representa, não estão ingênuas e iludidas, não. Espero que um dia a consciência doa, mas hoje devem estar celebrando.

Se um sujeito como Flávio Bolsonaro é eleito, pelas urnas eletrônicas, para o Senado, é isso também: ele foi eleito legitimamente. Se Dilma é derrotada nas urnas para o Senado em Minas, vale o mesmo: foi derrotada legitimamente. Os brasileiros elegeram um dos legislativos mais reacionários da história. Elegeram. Via urnas eletrônicas, que já são usadas há 22 anos no país.

Agora haverá segundo turno presidencial e em vários Estados. Farei o que estiver ao meu alcance para tirar votos do Bolsonaro (acho que as pessoas têm que começar a dar nome aos bois, viu? Chega de coiso e afins, tinha gente usando o #elenão como se fosse sobre o Lula, vamos falar o nome que deve ser falado!). O fato é que “nunca antes na história do Brasil” houve viradas no segundo turno, ainda mais com 14 pontos percentuais de diferença (estou somando os votos da “direita” e da “esquerda” no retrato de agora, enquanto escrevo este texto). Mas pra tudo existe uma primeira vez. E, quando se trata de uma disputa entre um governo fascista e um governo democrático, sempre pode haver lugar para um restinho de esperança. Para gente que votou no Amoedo não votar no Bolsonaro porque sabe o que está em risco. Para gente que se absteve ou votou nulo ir marcar presença e ajudar a fazer a diferença, porque sabe o que está em risco. Para o Bolsonaro criar coragem e ir participar dos debates, para expor seu programa de governo (vergonhoso, diga-se de passagem) para todo o Brasil e todo o mundo. Afinal, se ele pode ir até a Record dar uma entrevista (ilegal, diga-se de passagem), por que não teria saúde para ir a um debate?

Retomando o que eu disse no parágrafo sobre o texto do Antonio Prata, acho difícil que um cara que votou no Bolsonaro mude de repente para o Haddad, porque esse cara votou exatamente sabendo no tipo de projeto que estava votando. Mas ainda restam 52% de brasileiros para ajudarem a virar esse jogo. Vamos juntos? 🙂

 


P.S. Para os amigos que ainda caem na conversa de que o PT “vai transformar o Brasil numa Venezuela” (Cuba saiu de moda, né?), um lembrete e uma recomendação: 1) Lembrete: O PT ocupou o poder por 12 anos, com vários defeitos, mas o Brasil esteve longe de virar uma Venezuela. Aliás, os bancos nunca lucraram tanto quanto na Era Lula. 2) A recomendação: leia este texto AQUI e entenda por que o risco de termos uma ditadura com Bolsonaro no poder é muito maior do que com Haddad no poder. É bem didático 😉

Leia também:

  1. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  2. Brasil, o ex-país do Carnaval
  3. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  4. Mais posts sobre as eleições
  5. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas

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O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança

 

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Reproduzo aqui um texto que postei no meu Facebook pessoal no dia 27 de setembro. Meu desânimo daquele dia não arrefeceu nadica desde então, mesmo vendo as pessoas maravilhosas que participaram dos protestos no dia 29:

 

Tem tanto material bom sendo apurado, escrito e publicado nos veículos demonstrando os absurdos que essa turma do fascismo prega ou tenta resgatar que às vezes volto a ter otimismo e penso: “Poxa, alguém deve se dar ao trabalho de ler pelo menos um desses textos, não?” Ler, não só o título, até o fim, e interpretar direito e parar e pensar. E discernir um trem que teve apuração real, baseada em fatos, de um youtube fake, de um discurso gritado pra disfarçar o tanto que é vazio.

Será? O que mais me desanima nestas eleições não é nem um fascista ganhando as graças do povo, inclusive de gente que admiro, mas o tanto que ficou escancarado que parcela importante do brasileiro não se dá mais ao trabalho nem de fazer o mínimo antes de sair passando vergonha batendo boca sobre nazismo com a embaixada alemã etc. O estrago de décadas sem investir em educação tá feito. E ainda tem a pós-verdade blabla. E ainda tem estas redes sociais dos infernos, que ajudaram imensamente a radicalizar os discursos, a criar bolhas, a simplificar os debates.

Tou aqui escrevendo este textão-desabafo, num dia difícil, que deve ser lido por 5 pessoas que pensam exatamente como eu. Ou seja: e daí? Fico curtindo tudo o que vejo pela frente porque, volto a dizer, é muito material bom sendo produzido e com competência. The Intercept e DW, por exemplo, estão se fortalecendo no Brasil nestas eleições graças a materiais que vêm publicando. Mas é tudo gente que pensa como eu, na minha bolha, postando textos pra quem já está com a missa decorada. Não convertem ninguém da seita oposta.

Me dá uma desesperança, uma sensação de inutilidade… Acho que a única coisa que iluminaria meus dias nestas pré-eleições seria ver um eleitor convicto do fascista se tocando que autogolpe não é legal, ameaçar a mulher de morte é crime, mandar as minorias se curvarem às maiorias é coisa do Hitler, se tocando que, além do discurso hidrófobo que casou com o emputecimento geral da nação, sobra um sujeito patético, que nada entende de economia, de educação, de saúde – de nada, a bem da verdade. E que também é corrupto.

Meus amigos inteligentes eu já sei que sabem interpretação de texto, mas e os que estão na bolha ao lado? Cadê? Não resta mesmo nenhuma esperança? E não estou nem falando de vitória nas eleições, mas de falência da sociedade brasileira, independente do resultado final.

É isso. Bom dia de voto para vocês e boa sorte para todos nós nos próximos anos.

Leia também:

  1. Brasil, o ex-país do Carnaval
  2. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  3. Fanatismo é burro, mas perigoso
  4. Para uns, para outros e para mim
  5. Tem certeza absoluta? Que pena
  6. Post especial para quem se acha com o rei na barriga
  7. Reflexão para as pessoas cheias de si
  8. A saudável loucura de cada um de nós
  9. Qual é a sua opinião, cidadão?
  10. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  11. Mais posts sobre fanatismo
  12. Mais posts sobre as eleições
  13. Fanatismo é burro, mas perigoso
  14. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas
  15. Há um Jair Bolsonaro entre meus vizinhos?

As capas dos jornais nos protestos do #EleNão

O jornalista José Roberto de Toledo escreveu na “piuaí“, no sábado, que os protestos daquele dia contra o candidato fascista do PSL foram históricos, “menos na tevê”.

Um trecho:

“A falta de cobertura ao vivo dos atos do #EleNão e, mais grave, a ausência de contextualização e ênfase nas raras reportagens sobre a mais importante manifestação de rua da campanha eleitoral de 2018 até agora não se deve ao departamento jurídico das emissoras. O movimento não é partidário nem promove nenhuma candidatura específica. É contra um candidato, sim, mas não prega que é melhor votar neste ou naquele outro.

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.”

Se ele destaca a cobertura da tevê, eu destaco, como sempre faço aqui no blog, as capas dos jornais.

Separei sete publicações de relevância: “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “O Tempo”, “O Estado de S. Paulo”, “Zero Hora”, “Correio Braziliense” e “Jornal do Commercio”.

Coloco abaixo um ao lado do outro, primeiro a edição de domingo, que poderia repercutir os protestos anti-Bolsonaro, e depois a edição de segunda-feira, que podeira trazer os protestos pró-Bolsonaro:

 

E aí, o que acharam da cobertura? Equilibrada? Proporcional aos tamanhos de cada manifestação? Qual jornal se saiu melhor e qual foi decididamente pior?


Ainda sobre o protesto suprapartidário do #EleNão, recomendo este texto da BBC e vídeo do UOL, com imagens no Brasil e no mundo:

Leia também:

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Cada um fazendo sua parte: adesivaço para as manifestações de 29 de setembro

Vejam que incrível esta iniciativa que o Rafael Mendonça e sua esposa, de Goiânia, estão organizando: um adesivaço para fortalecer a resistência na capital do Goiás contra o candidato fascista destas eleições, que é o boçal Jair Bolsonaro.

Recebi um e-mail do Rafael dizendo que encontrou meu post no blog com as 25 artes de #EleNão e perguntando se podia usá-las para fabricar adesivos, pagos com o próprio bolso, para disseminar a campanha. Expliquei a ele que as artes não foram feitas por mim, que fui coletando na internet nos últimos dias (e já surgiram várias outras, excelentes!), mas que tenho certeza que os autores não se importarão em ver o que fizeram sendo usado por uma boa causa.

Vejam que bacana o resultado:

Torço para que sirva de inspiração para que outras pessoas, de outros cantos do país, tenham iniciativas parecidas. E bora lotar as ruas amanhã, em todo o Brasil, contra um projeto de governo fascista, seja qual for seu candidato! #EleNão, #EleNunca!

 

Leia também:

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25 artes para a campanha #EleNão: escolha a sua!

Já que é inescapável participar do processo eleitoral também no campo virtual, abracemos as campanhas que estão sendo feitas com objetivos importantes: como, por exemplo, combater o fascismo e esse ovo de serpente dos que querem a volta de uma ditadura militar, que vem sendo chocado desde 2013.

Nos últimos dias, milhares de pessoas aderiram à hashtag #EleNão, para se posicionarem contra o fortalecimento do único candidato que não pode ganhar de jeito nenhum, pelo bem da já frágil democracia brasileira (para não falar da economia, da saúde, da segurança pública, dos direitos trabalhistas, dos direitos humanos etc). Essa campanha une pessoas de todos os matizes ideológicos: de direita, de centro, de esquerda, eleitores de Ciro, de Haddad, de Alckmin, de Marina, de João Amoedo, de Boulos, de Henrique Meirelles, de quem for: a ideia geral é “vote em quem quiser, menos naquele candidato militar completamente boçal do PSL”.

Vale lembrar o que eu disse ontem: nesta altura do campeonato, quem cala consente. Não dá para ficar em cima do muro, não dá para não se posicionar. Porque o que está em jogo é muito sério.

Por isso, escolha sua arte favorita e abrace também esta campanha!

Lembrando que no dia 29 de setembro vai haver protestos ao redor do país contra esse candidato que não merece nem ter o nome citado:

Leia também:

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