Post para as mães desesperadas porque o filho não come nada

Olá, querida mãe de bebê que chegou até aqui.

Imagino que esteja passando por uma situação que vivi até muito pouco tempo atrás: seu filho come mal pra chuchu.

Ele rejeita os pratos que você prepara com o maior carinho e tem recusado tanta coisa que você praticamente limitou o menu a três ingredientes que dão mais ou menos certo: ovo, arroz e macarrão.

E olhe lá.

Porque tem aquele dia em que você esquenta o arroz e ele rejeita, daí oferece macarrão e ele diz que quer, você prepara um delicioso e ele rejeita. Daí pede ovo e você faz, mas ele recusa. Desesperada, tenta inovar nos tipos de ovos: de codorna, frito, omelete, mexido.

Não, não é porque você é péssima mãe e cozinheira, você não acha a menor graça em desperdiçar comidas, não é porque não tem pulso, não é porque faz tudo errado, porque ele se distrai, não é por nada disso. É simplesmente porque não cogitamos a ideia de amarrar o menino, abrir a boca bem larga e pregar com durex e despejar alimentos lá dentro à força até ele engolir tu-di-nho! (Claro que às vezes dá vontade, mas a gente não cogita).

Não podemos obrigar alguém a comer, simples assim.

Daí você escuta ou lê milhões de relatos dizendo que é assim mesmo, que essa fase da vida é difícil, que as crianças não querem saber de comer, que estão descobrindo o mundo, que o importante é não estarem perdendo peso, o importante é ter saúde, não fique neurada – etcs mil.

Mas você não acredita em nada disso, porque vê seu filho magrelo e a tal fase já está durando um ano e ele chegou até a perder um pouco de peso sim, e nunca está naquela curva verde maravilhosa dos gráficos, e os bebês das amigas e parentes estão tão maiores e mais fortes – e tal.

Eu vivi tudo isso. Inclusive, é óbvio que esta minha carta também pode e deve se dirigir aos pais, Continuar lendo

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Chego aos 33 anos de idade e o que aprendi é: precisamos mudar mais

Chego aos 33 anos de idade hoje e a única palavra que passa pela minha cabeça ao tentar me definir, neste momento, é esta:

cansada.

Sim, também estou feliz com algumas conquistas pessoais, estou cada dia mais encantada com meu pequeno filhote, estou ainda na batalha por um jornalismo decente e por um mundo melhor, amo meu marido, e acho que estou aprendendo a valorizar mais essas coisas básicas, como a família e os amigos de verdade. São muitos sentimentos bons passando pelas minhas veias, apesar da inevitável preocupação com os rumos políticos do país.

Ainda assim, sou puro cansaço. Enquanto escrevo estas linhas, são apenas 22h e já estou pescando na frente do computador. Só quero dormir. Vou lá pra cama assim que terminar.

E hoje, neste 27 de março, quando o post vai ao ar, estarei fazendo mais uma mudança de endereço. Nos últimos 10 anos, eu me mudei 8 vezes:

  1. Da casa dos meus pais em Beagá para um hotel em São Paulo, onde vivi por 5 meses durante o trainee da “Folha”;
  2. Do hotel para uma kitnet compartilhada, onde vivi por outros 5 meses;
  3. Da kitnet compartilhada pra uma kitnet onde morei sozinha, durante 18 meses;
  4. Desta para outra kitnet maior e mais barata, quando me avisaram que o aluguel iria dobrar (!);
  5. Desta para uma kitnet em Beagá, para onde voltei depois de quase 5 anos na Terra Cinza;
  6. Desta para um apartamento onde fui morar, já casada;
  7. Deste para outro apartamento, onde fui morar, já com filhote;
  8. E agora que o contrato de aluguel venceu, para um outro apartamento.

Só de lembrar de todas estas mudanças, eu me canso mais. Mas mudar é bom. Seja de profissão, de hábitos, de rotina, ou de vizinhança.

Hoje, estarei off-line, no caos das caixas por fazer e desfazer, dos utensílios por guardar em armários, sem poder receber cumprimentos virtuais de parabéns. Estarei vivendo mais uma mudança. E mudar dá um trabalho do cão, cansa mesmo. Mas também rejuvenesce. Reorganiza. Várias coisas serão doadas ou jogadas fora nesse processo. Só o necessário permanecerá.

Com a vida, quero que o mesmo se dê, cada vez mais. Nesses 33 anos, já desfiz várias amizades que estavam me fazendo mais mal do que bem. Já pedi demissão de três empregos, que também estavam me fazendo mais mal do que bem – um deles era inclusive concurso público disputado. Coisas e pessoas foram dispensadas da minha jornada, por razões diferentes, mas parecidas. Seguirei nesse processo de reciclagem constante, para que os próximos 33 anos, se eu tiver a sorte de vivê-los, tenham a bagagem mais leve possível.

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A eugenia branca no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

A luta pelos direitos humanos dos negros no Brasil será cada vez mais árdua. The Wall Street Journal publicou na última quinta-feira reportagem revelando que as clínicas de fertilização brasileiras procuram nos Estados Unidos doadores de esperma que sejam brancos e de olhos azuis, pois essa é a principal demanda da clientela.

Enquanto negros e mulatos são progressivamente mortos pela violência, como a vereadora do Rio de Janeiro que lutava pelos direitos das mulheres negras, a eugenia branca ganha um novo aliado. Segundo o jornal dos Estados Unidos, aumentou em 3.000% o número de brasileiros que preferem doadores brancos e de olhos azuis.

Eu não assino o jornal e não tenho acesso à reportagem completa, mas o blog Socialista Morena traduziu parte da reportagem, com a seguinte introdução:

“Parece a Alemanha nazista, mas é o Brasil de 2018: o Wall Street Journal traz nesta quinta-feira uma reportagem sobre como a procura por sêmen importado dos Estados Unidos explodiu em nosso país nos últimos anos, graças ao interesse de gente que deseja “branquear” os filhos e garantir que tenham olhos claros e aspecto europeu. Em outras palavras, eugenia. Hitler ficaria orgulhoso.”

E prossegue: Continuar lendo

#Playlist: Todos gostam

Sabe aquela banda, artista ou música de que todo mundo gosta? Pode até não ter um fã-clube para essa banda, mas, se tocar na rádio, ninguém muda a estação. No mínimo, “não fede nem cheira”. Eu acho que o maior representante dessa categoria, internacionalmente, é a banda Dire Straits. No Brasil, uma banda como Cidade Negra representa bem também. Geralmente são artistas ou canções mais escolhidos pelos músicos de buteco, justamente porque querem agradar a todos, ou ao máximo possível de pessoas.

Esta playlist reúne só músicas assim. Boas para ouvir num fim de semana qualquer, como este 😀

Bom proveito!

Qual outra banda ou canção você colocaria nesta playlist? Ela tende a ser infinita…!

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‘The Big Sick’: é preciso rir para poder bem chorar

Vale a pena assistir: DOENTES DE AMOR (The Big Sick)
Nota 8

Eu fico doente com as traduções dos nomes de filmes no Brasil. Alguns conseguem manter uma certa dignidade, mas casos como de “Doentes de Amor” são (des)exemplares. Me vêm à cabeça imediatamente as tirinhas do Liniers sobre “o senhor que traduz os nomes dos filmes”:

Só nos resta rir, não é mesmo? “The Big Sick” virou “Doentes de Amor”. Isso sem falar em “Darkest Hour“, que virou “O Destino de Uma Nação”, e – horror dos horrores! – “Mudbound“, que virou “Lágrimas sobre o Mississippi”.

Mas sabe uma coisa que The Big Sick nos ensina de muito legal? Que devemos rir até nos momentos de maiores desgraças. Que o humor alivia a barra pesada, embora nem sempre seja possível recorrer às piadas nas horas de tristeza. Mas, quando for possível, tudo bem fazer isso.

Esse filme foi catalogado como comédia, mas também drama e romance. E é um pouco disso tudo mesmo: uma história de amor tragicômica – como boa parte das histórias de amor reais. Vale dizer que foi só no fim do filme que me dei conta de uma informação que boa parte das resenhas já divulgava livremente: que o filme é baseado em uma história de amor real. Que seu roteirista e protagonista, Kumail Nanjiani, interpreta ele mesmo: um paquistanês que mora nos Estados Unidos, tenta ganhar a vida como comediante, mas sua família quer que ele mantenha as tradições muçulmanas e de seu país de origem, pelas quais ele simplesmente não se interessa. No meio do caminho, conhece Emily – americana, loira, branca, não-muçulmana –, que confunde ainda mais seus sentimentos e convicções. Não bastasse essa excelente história de amor a la Romeu e Julieta, Emily entra em coma.

A Emily do filme é baseada na esposa real de Kumail, a escritora Emily V. Gordon, que assina com ele o roteiro do filme, indicadíssimo ao Oscar. O roteiro é tão forte e a história é tão bem contada que foi disputado a tapa por nada menos que Sony, Focus Features, Netflix e Amazon – sendo que esta acabou levando os direitos de distribuição por US$ 12 milhões. (O roteiro de “Corra!” levou a melhor no Oscar, e era realmente outra história arrebatadora. Páreo duro.)

Ainda é bem legal o elenco do filme, com os veteranos Holly Hunter e Ray Romano (de Everybody Loves Raymond) em papéis cruciais. Trata-se de uma verdadeira homenagem ao universo do humor, ainda que num pano de fundo de grandes questões dramáticas, como religião, conflitos familiares, doenças, traição etc. Afinal, são as tristezas da vida os maiores combustíveis para o humor, não é mesmo?

Assista ao trailer do filme:

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