Caminhada ecológica

Todas as fotos: CMC

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A crueldade no olhar da inocência

Imagine a morada/esconderijo de um rei do narcotráfico, com toda a violência esperada num ambiente assim.

Agora pense que quem descreve esse ambiente é um criança de estimados 7 anos, filho do bandido.

Você vai chegar ao ótimo livro “Festa no Covil“, dica do meu amigo Fábio Chiossi.

Toda a linguagem da história é infantil, com as limitações em vocabulário e interpretação próprias de uma criança.

Por mais esperta que seja a criança, com vocabulário “precoce”, como ela diz logo no início (suas palavras favoritas, que se repetem em várias páginas, são “patético”, “pulcro”, “fulminante”, “sórdido” e “nefasto”), as coisas do mundo adulto são, muitas vezes, enigmáticas e misteriosas para serem alcançadas por sua inocência.

E essa é justamente a graça do livro: nós entendemos o que passa desapercebido pelo narrador mirim e lamentamos por ele estar ali naquele meio e por crescer aprendendo qual a melhor maneira de matar alguém e quais os tipos de armas que existem no mundo.

Pior ainda: crescendo numa solidão imensa, tendo contato com apenas “14 ou 15” pessoas, nenhuma outra criança.

O livro ainda permite tiradas cômicas muito boas, como o trecho sobre os carecas, que já postei aqui no blog.

Enfim, é mais um livreto com potencial de virar clássico da literatura latino-americana, que já nos trouxe tantos autores maravilhosos e agora nos apresenta mais um, o mexicano Juan Pablo Villalobos.

“Festa no Covil”
Juan Pablo Villalobos
Companhia das Letras
88 páginas
De R$ 20 a R$ 29,50.

A menina de 4 anos mais esperta do mundo

Vira e mexe eu faço referências à minha espertíssima sobrinha-afilhada aqui no blog, que já nasceu humorista.

Hoje resolvi criar um blog para ela, com suas melhores pérolas.

Está tão engraçado e legal que já atraiu mais visitantes e seguidores do que este blog da “tia doida” (ou está prestes a atrair :D).

Capaz de render um bom livro algum dia…

Confiram AQUI!

“Carecas são pessoas muito sortudas”

Acho que essa idade em que estou é a que começa a preocupar os homens quanto à calvície. Tenho um monte de amigos já usando a famosa Finasterida, para inibir a queda dos cabelas e aquelas temidas “entradas”. Bobagem! Sempre falei aos meus amigos e namorados: se for ficar calvo, melhor rapar tudo de uma vez. Vai ficar estiloso e ainda economizar xampu pro resto da vida.

E há quem seja ainda mais favorável à calvície, quase com nojo de cabelos. Vejam só o trecho que li ontem do livro “Festa no Covil” (muito bom; quando eu acabar de ler, coloco a resenha aqui no blog), cujo narrador é uma criança:

“Os chapéus também servem pra isso, pra esconder o cabelo. E não só quando o penteado é feio, porque sempre é bom esconder o cabelo, até com penteados que todo mundo acha bonitos. O cabelo é uma parte morta do corpo. Por exemplo: quando você corta o cabelo, não dói. E, se não dói, é porque está morto. (…) O cabelo é que nem um cadáver que você carrega na cabeça quando está vivo. Além do mais é um cadáver fulminante, que cresce sem parar, o que é muito sórdido. Vai ver que quando você vira cadáver o cabelo deixa de ser sórdido, mas antes ele é, sim. É isso que os hipopótamos anões da Libéria têm de melhor, que eles são carecas.

Por isso eu não uso cabelo. O Yolcaut me rapa  com uma máquina quando ele começa a crescer. É uma máquina igual aos cortadores de grama do Azcatl, só que pequena. E o cabelo é que nem as ervas daninhas, que devem ser combatidas. Às vezes o Yolcaut fica bravo porque eu peço pra ele cortar meu cabelo muitas vezes. Definitivamente os carecas são pessoas muito sortudas.”

😀

Exposição do Angeli, o melhor chargista do Brasil

Eu também, Angeli, eu também 🙂

Está em cartaz no Itaú Cultural uma excelente exposição sobre o melhor chargista/cartunista/quadrinista do Brasil, Angeli.

Lá estão diversas charges, tirinhas, capas de revistas, exemplares de Chiclete com Banana e fotos do artista. Também tem um vídeo com ele contando como ajudou a mudar a cara das charges feitas no Brasil, tornando-as muito mais políticas e provocativas.

O espaço reservado para a exposição do projeto “Ocupação”, do Itaú Cultural, é bem pequeno. Mas tão bem aproveitado, com tantas imagens grudadas umas às outras, e até dentro de várias gavetas em cômodas, que gasta-se pelo menos uma hora para olhar razoavelmente metade de tudo o que está ali.

Algumas das ótimas charges que pude rever (porque a maioria eu já tinha visto no jornal), selecionadas a dedo:

Enfim, vale a pena ir — e é de graça! 😉

Mas tem que ir logo, porque termina no próximo domingo, dia 29.

Mais informações AQUI.

Não percam 🙂