‘The Post’, filme sobre jornalismo que já não se pratica mais, merecia 8 em vez de 2 indicações

Para ver no cinema: THE POST: A GUERRA SECRETA (The Post)
Nota 9

A partir de agora, todos os estudantes de jornalismo passarão a assistir a este filme em seus cursos de graduação, assim como já deviam ver Spotlight, Todos os Homens do Presidente, e tantos outros filmes clássicos nostálgicos sobre um jornalismo que já não se pratica mais. Mas não se iludam, caros aspirantes a repórteres e editores: vocês não encontrarão mais, em nenhuma Redação, esse nível de comprometimento com a notícia e descomprometimento com o governante da vez.

Talvez por isso mesmo, cheguei a chorar em determinado ponto do filme, saudosista de um jornalismo que nunca cheguei a viver, fora do meu sonho e da minha imaginação. Que me fez mergulhar nesta profissão tão cheia de altos e baixos, em constante montanha-russa. Saudosista ainda de um tempo em que as pessoas faziam manifestações nas ruas em defesa da liberdade de imprensa, em que os jornais se preocupavam em ter uma equipe de repórteres de grande qualidade, que ganharia salários decentes e teria até três meses para mergulhar numa história de forma aprofundada, para realmente soltar uma manchete de impacto. E que ocuparia até seis páginas de jornal, que depois seria lido e relido por todos, em todos os lugares.

Hoje temos Redações sucateadas, pequenas, jornalistas pouco preparados, com tempo corrido demais para fazer qualquer coisa realmente aprofundada, e leitores pouco interessados nessa leitura mais árdua, em tempos de tweets e zaps curtíssimos.

Enfim. Já estou mudando de assunto.

Voltando ao “The Post”, ficou claro que um dos motivos pelos quais adorei o filme Continuar lendo

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Vamos abraçar o Setembro Dourado?

A pequena Sophia, de 3 anos, foi prejudicada pelo diagnóstico tardio, por culpa de médicos despreparados. Por isso a campanha Setembro Dourado é tão importante: até a comunidade médica não dá a devida atenção aos sintomas do câncer infantojuvenil! Foto: Gustavo Andrade / Canguru

Pra quem não sabe, começou hoje o mês para se falar sobre as crianças com câncer.

São muitos os meses “coloridos” que criaram para tudo quanto é causa, o que acho que enfraquece as campanhas que realmente importam, mas o Setembro Dourado, o Outubro Rosa e o Novembro Azul têm toda a minha atenção.

Você quer ler uma reportagem sobre o câncer infantojuvenil que vai realmente te sensibilizar para o assunto? Recomendo a leitura da revista “Canguru” deste mês, que foi a que mais gostei de editar desde que comecei a trabalhar lá, há um ano e um mês. A reportagem de capa, assinada pela excelente Rafaela Matias, está emocionante. De quebra, nos mostra como podemos ajudar — são muitas as formas!

CLIQUE AQUI e boa leitura 😉 ❤ Ah, não se esqueça de compartilhar.

Minha seleção pessoal de notícias boas que ajudei a divulgar

Foto: Nidin Sanches / Canguru

 

Na semana passada, compartilhei aqui minha exasperação ao ler apenas notícias tenebrosas no noticiário em geral. Crimes e outros relatos, principalmente nas editorias de Cidades, de fazer a gente perder a fé na humanidade. Tipo tatuagem na testa de garoto e afins.

Instei os leitores a procurarem notícias boas nos sites e jornais e me ajudarem a formar uma coleção de histórias bacanas e inspiradoras aqui no blog – mas recebi pouquíssimo retorno, porque a maioria só encontrou notícias péssimas mesmo.

Por fim, meu pai escreveu ontem um contraponto a essas divagações, em que contou do esforço dos governos, desde sempre, em comprarem a imprensa para apenas noticiarem coisas boas sobre o país/Estado/cidade e sobre o interesse maior dos leitores em lerem noticias ruins do que boas.

Pra fechar o assunto, que já está rendendo demais, quero apenas deixar claro que as notícias boas que eu defendo no noticiário não são aquelas pagas ou encomendadas pelo governante-anunciante da vez, mas as várias histórias incríveis que pululam ao nosso redor, e que cabe ao repórter com alguma sensibilidade conseguir descobrir e recontar.

Felizmente, tive a oportunidade de tomar conhecimento de algumas dessas histórias, nos veículos onde trabalhei, e sempre gostei de valorizá-las em minhas sugestões em pauta. Em meio ao negativismo majoritário, dos acidentes, crimes, desvios e cagadas em geral dos governantes, acho que cabe um respiro de humanidade.

Compartilho aqui 20 reportagens que gostei de ter feito e que, mesmo quando não se tratam 100% de “notícias boas”, muitas vezes carregam histórias curiosas que fazem os olhos da gente brilharem um tiquinho: Continuar lendo

O repórter Jorge Bastos Moreno e seus amigos

O jornalista Jorge Bastos Moreno | Foto: Reprodução

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma das últimas notícias publicadas pelo Blog do Moreno, dia 12, tem como título “Quadrilha’ de Aécio perde integrantes”. Dois dias depois, o dono do blog, Jorge Bastos Moreno, morreu – e me lembrei do dia em que conheci esse jornalista muito conhecido por seu trabalho no jornal “O Globo” e noutros veículos do grupo de Roberto Marinho.

Moreno foi muito elogiado, nesta quarta-feira, como um dos maiores repórteres brasileiros, sobretudo na TV Globo e na Globo News. Ao morrer, estava com 63 anos. Quando o conheci, ele tinha 36; eu, dez anos mais velho, nunca havia encontrado um repórter com tanta garra na busca da notícia exclusiva.

Encontrei-o em São João Del Rei, no dia 8 de dezembro de 1990, para cobrir, pelo “O Globo”, a solenidade de inauguração do Memorial Tancredo Neves. Dias antes, eu estivera lá para escrever sobre esse memorial que estava sendo organizado por Andrea Neves, a neta de Tancredo, hoje presa numa penitenciária mineira como cúmplice do irmão, o senador afastado Aécio Neves.

Andrea não ficou nem um pouco satisfeita, naquele dia, quando me apresentei como repórter do Globo e informei sobre a pauta recebida da redação, no Rio.

— Quem te mandou aqui? — perguntou.

— Um editor que ficou sabendo, provavelmente por você, desse museu Tancredo Neves.

Seguiu-se uma discussão. Continuar lendo

Natal no pé de amora

Um dos motivos que me motivaram a entrar nesta vida maluca do jornalismo foi a possibilidade de ouvir e transmitir boas histórias. Contar causos, eis a primeira função do repórter. Se eles vão derrubar ministros ou apenas emocionar e provocar reflexões no leitor, para mim é uma questão secundária.

Quando uma boa história cai no meu colo, não sossego até apurar tudinho e escrever o texto que transmita com maior riqueza de detalhes possível aquela história. Foi o que aconteceu quando soube que uma moradora de rua tinha tido seu bebê debaixo de um pé de amora, numa calçada do nobre bairro Santo Antônio.

Na mesma noite em que ouvi esta história pela primeira vez, entrei em contato com a fonte para pegar mais informações. Não consegui nem dormir. Nos dias seguintes, fui correndo atrás e descobrindo todos os detalhes que pude sobre o episódio. Até a velocidade do vento naquele horário específico em que a pequena bebezinha veio ao mundo, sem qualquer apoio médico ou hospitalar, me interessava. Contei com a ajuda da excelente repórter Rafaela Matias para buscar informações sobre as mulheres em situação de rua na capital.

Meus pais, que tinham ouvido a história antes de mim e se emocionaram com ela, ficaram satisfeitos com a reportagem final. Isso pra mim foi um termômetro importante. Por isso, resolvi recomendar a todos a leitura, como já fiz em outras ocasiões 😉

CLIQUE AQUI para ler o “Natal no Pé de Amora”.

 

Foto: NIDIN SANCHES / Revista Canguru

Foto: NIDIN SANCHES / Revista Canguru

P.S. Que tal aproveitar o espírito natalino para praticar o bem, e ajudar crianças (e adultos) de rua ou outras pessoas em situação de vulnerabilidade? Veja AQUI 10 instituições de confiança, que estão arrecadando doações para fazer a alegria dessas pessoas no Natal.

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