Criança namora ou não namora? E agora?

Foto: Pixabay

Já contei aqui a história do meu primeiro namoradinho. Como foi um dos primeiros posts do blog, escrito em 2010, vou reproduzir o trechinho aqui:

“Aos 6 anos eu também tinha um namoradinho, desses que davam tênis da Xuxa no dia 12 de junho. (…) Nos conhecemos aos 3 anos, vizinhos de prédio e colegas de maternal 🙂

Deve ter sido amor à primeira vista – dos nossos pais, já que eu não saberia o que é amor àquela idade e nem me lembraria disso, anyway.

Quando mudei de colégio, para ir ao pré-primário, ele mudou junto. Naquela altura já tínhamos 6 anos. Era um romance maduro, como se vê.

Um belo dia, a sala de aula numa bagunça danada, a professora fazendo algo do lado de fora, os capetinhas gritando e pulando e fazendo coisas que crianças fazem, quando meu namoradinho me chamou: vamos lá pra frente, quero falar uma coisa com você.

Cochichando no meu ouvido, longe da balbúrdia do resto da sala, ele me perguntou: “Vamos terminar?” E eu respondi, solícita: “Tudo bem!”. Seria minha primeira DR, daquele jeito direto e descomplicado.

Tudo teria ficado bem se, no recreio, eu não tivesse visto meu ex-namoradinho de mãos dadas com a Ju, minha melhor amiga. Aos 6 anos, descobri o que era deslealdade. E esse tipo de lição, por mais que envolta no clima de brincadeira, a gente carrega pela vida afora.

O bom é que naquela época não existia no meu vocabulário a palavra fossa. A Ju continuaria sendo minha melhor amiga e eu gastava os recreios seguintes brincando de aprontar planos mirabolantes contra uma turma rival, só de meninos.”

Mais tarde, quando eu tinha 9 anos, participei do filme “Menino Maluquinho”. Meu papel era de Julieta, apresentada para mim como “a namoradinha do Menino Maluquinho”.

Reprodução

Como se vê, cresci achando a coisa mais normal do mundo uma criança namorar. Bom, não namoraaaar de verdade, como adultos namoram, mas namorar como criança namora, como Julieta e Menino Maluquinho, como eu e meu amiguinho que me dava tênis da Xuxa. Mãos dadas, posar pra foto, essas coisas.

Para mim, era algo corriqueiro como uma criança brincar de casinha ou uma criança calçar o sapato do pai ou da mãe: é tudo brincadeirinha, brincar de ser adulto, parte do processo de imaginar e de amadurecer.

Eis que uma campanha, iniciada lá no Amazonas e repercutida em todo o Brasil graças às redes sociais, deu uma sacudida em meus pensamentos. A campanha parte da hashtag #criançanãonamora e prossegue com um “nem de brincadeira!”. A discussão que se levanta é que incentivar uma criança a achar que tem namorado ou namorada é incentivar a sexualização e erotização precoce, é incentivar casos de abusos sexuais contra crianças e até mesmo pedofilia.

Na primeira vez que vi a campanha, fiquei cabreira. Afinal, tenho todo esse histórico me dizendo que a brincadeirinha não me fez mal algum. E olha que sou o oposto da menina que queria virar adulta logo: fui criança até uns 15 anos de idade, meu sonho era ser criança pra sempre, como Peter Pan.

Meu segundo olhar mudou depois de ler os argumentos dos entendidos do assunto, como o pessoal do CNJ, que endossou a campanha. Afinal, sou uma mera jornalista, não sou entendida de nada. Se há quem veja o namoro de crianças com preocupação, os mais entendidos devem ter motivos para isso.

No meu atual terceiro olhar, sigo um pouco em cima do muro, na tendência da não radicalização e da ponderação, que vem sendo minha tendência pra muita coisa ultimamente. Só um ponto já me parece bem razoável na minha cabeça: os adultos não devem ESTIMULAR que a criança pense que está namorando, não devem incitar a ideia, fazer uma criança dizer para a outra que é namorado ou namorada dela, essas coisas. Mas daí a condenar veementemente se a própria criança resolver se imaginar namorando, aí eu já não sei. Tenho medo de que isso gere o efeito reverso, de fazer a criança se preocupar com algo que deveria ser apenas a brincadeira inocente dela. Volto à estaca zero da minha ignorância nessas horas.

E você, o que pensa desse assunto? Tem uma enquete rolando sobre isso no Facebook da Canguru, e você pode registrar seu voto clicando AQUI. Mas melhor ainda se deixar um comentário 😉

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Para os gaiatos que acham que charge é “pra fazer rir”, eu já aviso de uma vez: estas aí vão te fazer chorar:

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O projeto de Temer não é o nosso. Este é?

Texto escrito por José de Souza Castro:

O manifesto do Projeto Brasil Nação, coordenado pelo professor da Fundação Getúlio Vargas Luiz Carlos Bresser-Pereira, veio a público há cinco dias, com 180 signatários originais. Aos poucos, vai se tornando conhecido, apesar de pouco divulgado pelos grandes meios de comunicação. Não deve cair no vazio. Precisa ser discutido com seriedade, pois aponta caminhos para que o Brasil possa sair da crise sem sacrificar mais ainda a maioria dos brasileiros.

Segundo a revista Carta Capital, ao longo “dos últimos meses, economistas, empresários, advogados, sociólogos, embaixadores, artistas e políticos discutiram a dramática situação do País e propostas para a retomada do crescimento consistente, com inclusão e independência. Das conversas nasceu o manifesto Projeto Brasil Nação”.

Entre os signatários originais, não encontrei nenhum que se identificasse como empresário. São 31 economistas, 25 jornalistas, 10 advogados, 9 sociólogos, 8 cientistas políticos, 5 professores, 5 engenheiros e 5 médicos, entre outras profissões, mas nenhum empresário. Há ainda cinco políticos, incluindo dois deputados (nenhum senador) e um possível candidato a presidente da República pelo PDT, Ciro Gomes.

Cadê os empresários que, segundo a revista de Mino Carta, um dos jornalistas signatários originais, teriam participado das reuniões? Bem, muitos apareceram depois, quando o manifesto foi aberto para as adesões, aqui. Até as 19h30 desta segunda-feira (17), havia 90 empresários signatários. E 207 jornalistas, inclusive eu.

Dou-me ao trabalho de destacar alguns pontos, sabendo das dificuldades que muitos leitores têm para ler manifestos na íntegra. Continuar lendo