Noam Chomsky: Bolsonaro e Trump são piores que Hitler

Noam Chomsky, 90, é um respiro de lucidez em meio a este mundo insano e azedo em que estamos vivendo.

Sua entrevista concedida à repórter especial da “Folha” Patrícia Campos Mello foi uma das coisas mais interessantes que li nos últimos dias.

Minha recomendação é que você CLIQUE AQUI e leia do início ao fim.

Mas coloco abaixo alguns trechos favoritos:

“Dez anos atrás, o Brasil era um dos países mais respeitados do mundo, e Lula era um dos principais estadistas no palco global. Agora, o Brasil virou motivo de chacota.”

(…)

“Nos EUA, [Donald] Trump é muito eficiente, sabe como deixar as multidões inflamadas e direcionar o ódio e o ressentimento das pessoas para bodes expiatórios. Bolsonaro faz o mesmo.”

(…)

“Steve Bannon articulou de forma clara um esforço para criar uma Internacional Reacionária liderada pela Casa Branca, e que inclui gente como as ditaduras do Golfo, como a Arábia Saudita, o país mais reacionário do mundo, Egito sob a ditadura de Abdul Fatah al-Sisi, Israel que migrou para a extrema-direita, [Narendra] Modi na Índia, Bolsonaro, Orbán, Salvini e Nigel Farage [defensor do brexit].”

(…)

“Minha impressão é que a esquerda brasileira está completamente desordenada, há muita apatia, as pessoas estão apenas assistindo a tudo que está acontecendo, pensando “não podemos fazer nada então vamos esperar passar”.”

(…)

“O Brasil ainda não desenvolveu uma oposição [a Bolsonaro]. Talvez agora, no contexto de duras críticas internacionais à destruição da Amazônia, isso surja. Talvez a partir disso surja a oposição real que deveria estar sendo feita. É preciso que a crise na Amazônia funcione como um ponto de inflexão para a oposição. Se a crise na Amazônia continuar, o mundo inteiro vai sofrer.”

“Estamos chegando a um ponto em que os danos ambientais são irreversíveis. Se passar disso, será o fim da vida humana organizada no planeta. E temos gente como Trump e Bolsonaro negando que exista aquecimento global e adotando políticas que o exacerbam. Para mim, eles são os maiores criminosos da história. Hitler queria matar todos os judeus, mas essas pessoas estão dizendo: “Vamos matar toda a sociedade, destruir tudo e ter lucros”.”

 

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O grande blefe do ministro Guedes

Texto escrito por José de Souza Castro:

Ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes blefa

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu paciência, durante “um ou dois anos”, para que o Brasil volte a crescer em razão de suas medidas ultraliberais. Terão os brasileiros mais paciência que os chilenos?

Os chilenos, depois de 17 anos submetidos à ditadura Pinochet que ainda orgulha Bolsonaro e Guedes – este, um admirador das reformas defendidas pela Escola de Chicago, que na época era o templo mundial do ultraliberalismo –, perderam a paciência, botaram o general para correr, e voltaram a ser governados pela socialdemocracia.

Para manter os chilenos “pacientes”, a ditadura assassinou 3.200 opositores, prendeu e torturou 38 mil pessoas e 100 mil foram obrigados a se exilar. Durante os primeiros 12 anos da ditadura, os mais brutais, o governo militar impôs “toque de recolher” a todos, de 10 da noite às 6 da manhã.

Esses dados, tirei-os de um artigo, assinado pelo cientista político José Luís Fiori. Tem como título “O ditador, a sua ‘obra’, e o grande blefe do senhor Guedes”. O blefe é apostar que o Chile de Pinochet teve um modelo econômico que deve ser imitado.

Na verdade, um modelo catastrófico, sustenta Fiori, contrapondo-se ao que diz toda a imprensa conservadora e o que expressa o “superministro” de Economia do capitão.

Os economistas da Escola de Chicago imperaram no Chile de 1973, ano do golpe militar, a 1982, quando uma crise catastrófica obrigou Pinochet a estatizar o sistema bancário chileno, demitir o seu superministro da Economia e reverter várias reformas, como a desregulamentação do setor financeiro e da própria política cambial que vinha sendo praticada pelo Banco Central do Chile.

Em 1982, o PIB chileno caiu 13,4%, o desemprego chegou a 19,6% e 30% da população chilena se tornou dependente dos programas de assistência social que foram criados ad hoc, para enfrentar a crise. “E assim mesmo, quatro anos depois, já em 1986, o PIB per capita chileno ainda era de apenas US$ 1.525, inferior ao patamar que havia alcançado em 1973”, diz Fiori.

Quando a ditadura acabou, em 1990, o PIB real per capita médio do Chile havia crescido apenas 1,6% ao ano. A taxa de desemprego estava em 18%. E 45% da população viviam abaixo da linha da pobreza.

Guedes tenta impor ao Brasil, um país de mais de 200 milhões de habitantes e uma indústria relevante, um modelo que fracassou no Chile, que tinha apenas 10 milhões de habitantes em 1973 e uma única indústria importante, a do cobre. É uma indústria estatal que nem mesmo os “Chicago Boys”, em seu auge, ousaram privatizar.

Mas eles, ao longo da ditadura, conseguiram realizar reformas, que se repetiram no mundo, em governos neoliberais: flexibilização ou precarização do mercado de trabalho; privatização do setor produtivo estatal; abertura e desregulação de todos os mercados, e em particular, do mercado financeiro; abertura comercial radical e fim de todo tipo de protecionismo; privatização das políticas sociais de saúde, educação e previdência; e finalmente, privatização inclusive dos serviços públicos mais elementares, tipo água, esgoto, e de fornecimento de energia e gás.

No Brasil de Bolsonaro, elas avançam muito. Bem mais que no de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer.

Impulsionadas pelo presidente direitista dos Estados Unidos, que nesta semana impôs condições para fechar um acordo comercial com o Brasil. Tais como: proteção à propriedade intelectual americana, redução de barreiras às empresas americanas e restrição do papel das estatais brasileiras.

É um modelo que está levando a Argentina ao fracasso e à derrota eleitoral de seu presidente e que vem se mostrando ineficiente em todos os países que o adotaram. Mas Guedes e seus amigos economistas não desistem. Em suas análises, quando falam do Chile, sempre se esquecem de dizer que esse país só se tornou o que é hoje depois do fim da ditadura e a partir do momento em que voltou a ser governado pela socialdemocracia.

Fazendo lobby pela aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, nomeado por Guedes e Bolsonaro, disse na última terça-feira, no Senado, que sem essa aprovação, que autorizaria a União a fazer pagamento de US$ 9 bilhões em indenização à estatal, esta não poderá participar do leilão da cessão onerosa de áreas do pré-sal, previsto para o início de novembro.

Uma boa desculpa para vender tudo às multinacionais do petróleo, como exige Trump, que só quer em seu quintal uma única potência – os Estados Unidos.

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Filho de Bolsonaro é um embaixador ideal para Trump

Texto escrito por José de Souza Castro:

O deputado federal Eduardo Bolsonaro com boné “Trump 2020”. Foto: Paola de Orte/Agência Brasil

Em pouco mais de 3.000 palavras, Samuel Pinheiro Guimarães, que foi secretário geral do Itamaraty (2003-2009) e ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010) no governo Lula, explica como a Operação Lava Jato se incluiu entre os objetivos dos EUA para a América Latina e, em especial, para o Brasil. Entre estes, está o acordo de livre comércio Brasil-Estados Unidos, anunciado na última terça-feira por Jair Messias Bolsonaro como um dos objetivos de seu governo.

A eleição de Bolsonaro, por sua vez, atingiu o principal objetivo estratégico dos Estados Unidos: eleger líderes políticos favoráveis aos objetivos americanos. Antes com Temer e agora com o Jair Bolsonaro, estão alcançando todos os demais objetivos econômicos.

O artigo foi publicado no dia 29 de julho AQUI. Sei que os mais interessados vão preferir ler o original. Mas, para quem não tem tempo, faço abaixo um resumo.

Desde 1823, com a chamada Doutrina Monroe, a América Latina foi declarada zona de influência exclusiva dos Estados Unidos, que desde então defendem o que consideram seu direito ao exercício de uma hegemonia natural sobre a América Latina. Isso ficou explícito em 1904 com o chamado “Corolário Roosevelt”.

Já então, os EUA, por meio de várias guerras, haviam excluído as potências europeias de seu território continental, tinham expulsado os povos indígenas das terras dos antepassados e, com intervenções e ocupações militares, por vezes longas, e o patrocínio de ditaduras sanguinárias, haviam consolidado a influência econômica, política e militar americana sobre a América Central e os países do Caribe.

Segundo Pinheiro Guimarães, os objetivos estratégicos permanentes dos Estados Unidos para a América Latina são:

1. impedir que Estado ou aliança de Estados possa reduzir a influência americana na região;
2. ampliar sua influência cultural/ideológica sobre os sistemas de comunicação de cada Estado;
3. incorporar todas as economias da região à economia americana;
4. desarmar os Estados da região;
5. manter o sistema regional de coordenação e alinhamento político;
6. impedir a presença, em especial militar, de Potências Adversárias na região;
7. punir os Estados que contrariam os princípios da liderança hegemônica americana;
8. impedir o desenvolvimento de indústrias autônomas em áreas avançadas;
9. enfraquecer os Estados da região;
10. eleger lideres políticos favoráveis aos objetivos americanos.

Para alcançar seu objetivo, tratam os Estados Unidos de manter e ampliar sua presença cultural/ideológica nos sistemas de comunicação de cada país da região, de modo a aumentar sua capacidade de obter melhores condições legais (fiscais e regulatórias) para a ação de suas megaempresas (petroleiras, por exemplo); para obter contratos de venda de equipamentos militares; para lograr alinhamento e apoio às iniciativas americanas em nível mundial; para promover a “simpatia” pelos Estados Unidos na sociedade local; para obter o apoio da sociedade e dos governos para seus objetivos estratégicos.

Este objetivo tem como instrumentos a defesa da mais ampla liberdade de imprensa e de internet e para a livre ação das ONGs “internacionais” e “altruístas”; dos programas de formação de pessoal, desde os institutos de língua aos intercâmbios; às bolsas de estudo; ao recrutamento de talentos; à aquisição de editoras para publicações de livros americanos; a hegemonia na programação de cinema e de TV; os programas de formação de oficiais militares e lideranças políticas; e recentemente a aquisição de instituições de ensino, em todos os níveis.

Outro objetivo é incorporar todas as economias dos países da América Latina à economia norte-americana, de forma neocolonial, no papel de exportadores de matérias primas e importadores de produtos industriais.

“O instrumento para alcançar este objetivo são os acordos bilaterais de livre comércio que levam à eliminação das tarifas aduaneiras e à abertura dos mercados dos Estados subdesenvolvidos nas áreas de investimentos; de compras governamentais; de propriedade intelectual; de serviços; de crédito e, às vezes, incluem cláusulas investidor-Estado”, relata Pinheiro Guimarães.

Na sua opinião, “o acordo Mercosul/União Europeia será instrumental para a abertura de mercados para os Estados Unidos sem ônus político pois, após sua entrada em vigor, estarão criadas as condições para os Estados Unidos reivindicarem ao Brasil e ao Mercosul igualdade de tratamento. Outros países altamente industrializados como o Japão, a Coréia do Sul, o Canadá e a China farão o mesmo e o Brasil não terá mais a tarifa como instrumento de política industrial”.

Para atingir outro objetivo estratégico – desarmar os Estados da região – os EUA promovem “o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e de outros tratados na área química e biológica, e mesmo sobre armas convencionais; a venda de equipamentos militares defasados a preços mais baixos e o “estrangulamento” de eventuais indústrias bélicas locais; os acordos de associação à OTAN; a transformação das Forças Armadas nacionais em forças de caráter policial, voltadas para o combate ao narcotráfico e a crimes transnacionais e, portanto, necessitando apenas de equipamento leve”.

Outro instrumento para alcançar este objetivo é promover a dissolução da UNASUL, como foro de solução de controvérsias concorrente da OEA e como organização de cooperação em defesa, da qual os Estados Unidos não participam.

A estratégia prevê ainda impedir a presença, na região, de países adversários de sua hegemonia, como Rússia e China.  A presença russa e chinesa é especialmente temida na área militar, inclusive por ameaçar a Costa Sul do território dos Estados Unidos e os acessos ao Canal do Panamá, uma via comercial e militar estratégica.

Para demonstrar sua determinação de exercício de hegemonia na América Latina, os EUA têm como objetivo punir, dentro ou fora do sistema da OEA, com ou sem o apoio de outros Estados da região, aqueles governos que contrariarem, em maior ou menor medida, os princípios da liderança mundial americana. Tais princípios, são:

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Bolsonaro, o filho embaixador e os limites do poder

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Sob a ameaça de termos o filho de 35 anos do presidente Jair Messias Bolsonaro embaixador do Brasil nos Estados Unidos, lembrei-me de um artigo que escrevi aqui em junho de 2016, dois meses antes de Michel Temer tomar posse com sua “Ponte para o Futuro”.

Os Estados Unidos eram presididos pelo democrata Barack Obama, que se destacou por tentar manter o império por meio da persuasão, de preferência ao uso do poderio militar.

Em três anos, muita coisa mudou. No mundo, por influência do republicano Donald Trump, no poder desde 20 de janeiro de 2017; no Brasil, por influência de Trump e, desde o começo do ano, pelas bobeiras de Bolsonaro.

O que era ruim com Obama e Temer, pode piorar muito com Trump e Jair Messias, os líderes maiores do possível futuro embaixador nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro.

A Pax Americana, instituída desde 1991, na qual os Estados Unidos presidiam um grande projeto de convergência político-econômica e integração comumente referida como globalização, não foi abandonada por Trump. Mas a persuasão, agora, mais do que antes, se baseia na ameaça, por enquanto, do uso da força.

Jair e Eduardo Bolsonaro, ao se jogarem sob a proteção de Trump, não estarão ao abrigo das intempéries políticas e econômicas que rondam o Brasil e o mundo. Porque o poder formidável do presidente dos Estados Unidos tem seus limites, como bem definiu o professor Andrew J. Bacevich no livro “The Limits of Power – The End of American Exceptionalism”, lançado em 2008, por ocasião do início da grande crise financeira mundial.

“Oscilamos à beira da insolvência, tentando desesperadamente fechar as contas confiando em nossas presumivelmente invencíveis forças armadas. No entanto, aí também, tendo exagerado o nosso poder militar, cortejamos a bancarrota”, escreveu Bacevich. Já então, ele antevia uma gradual erosão do poder dos EUA no mundo.

Aparentemente, uma erosão não percebida, até agora, pelos Bolsonaros.

“Os americanos precisam reassumir o controle sobre seu próprio destino, acabando com sua condição de dependência e abandonando suas ilusões imperialistas”, prescreveu Bacevich em 2008.

Será que Trump percebeu isso? Bolsonaro, certamente não. O sonho de Bolsonaro talvez seja transformar o Brasil numa grande colônia, na qual poderá mandar e desmandar, até mesmo nomeando um filho ignorante para embaixador, sob o olhar autorizativo dos patrões do Norte, da complacência da imprensa tupiniquim e da ajuda inigualável das forças armadas brasileiras e americanas.

E do nosso judiciário.

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‘A Morte da Verdade’, uma resenha em cinco pontos

Texto escrito por Douglas Garcia, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e colaborador frequente deste blog, sobre o livro ‘A Morte da Verdade’:

1. Quem é a autora?

É a norte-americana (de origem japonesa) Michiko Kakutani, jornalista e escritora, crítica de literatura do “New York Times” por longo tempo. Ganhadora de um Prêmio Pulitzer por sua crítica literária.

2. De que trata o livro?

O tema do livro fica claro em seu subtítulo: “Notas sobre a mentira na Era Trump”. Sua motivação é estabelecida em sua dedicatória: “Para os jornalistas em todo o mundo que trabalham para noticiar os fatos”. São nove capítulos que podem ser lidos de maneira independente, com títulos como “As novas guerras culturais”, “O desaparecimento da realidade”, “Propaganda e fake news” e “Filtros, bolhas e tribos”. Tendo sido publicado em 2018, o livro aborda as práticas de Donald Trump nas eleições de 2016, bem como as estratégias de comunicação em sua administração, iniciada em 2017.

3. Por que vale a pena ler?

O livro merece ser lido porque, em primeiro lugar, é rico em referências a eventos, agentes e práticas relacionadas à propaganda política da maior democracia do mundo, a americana, e o modo como ela se transformou a partir das tendências na comunicação em escala planetária, pela internet. Além disso, o livro trata de fenômenos que vão além das fronteiras americanas, como as práticas de agentes cibernéticos russos em diversas eleições ao redor do mundo e a tendência de políticos autoritários criarem narrativas desestabilizadoras da imprensa, da ciência e das instituições políticas democráticas. [Nota da Kika: assim como Jair Bolsonaro faz no Brasil]

4. Quais são as áreas de interesse relacionadas ao livro?

As áreas de interesse deste livro abrangem, sobretudo, as de Relações Internacionais, Estudos de Comunicação e Ciência Política. O livro tem apelo, além disso, a todo aquele interessado na política e na cultura americanas mais recentes, bem como nas tendências antidemocráticas presentes na política contemporânea, não só nos EUA.

5. Qual é o nível de acessibilidade da leitura?

Trata-se de uma leitura acessível, por contar com muitas exposições de casos concretos da política americana, das quais a autora parte para considerações mais gerais sobre política, comunicação e cultura.

A Morte da Verdade: Notas Sobre a Mentira na Era Trump
Autora: Michiko Kakutani
Tradução:  André Czarnobai e Marcela Duarte
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2018
272 páginas
Preço: R$ 39,90

 

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