Bolsonaro, o filho embaixador e os limites do poder

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Sob a ameaça de termos o filho de 35 anos do presidente Jair Messias Bolsonaro embaixador do Brasil nos Estados Unidos, lembrei-me de um artigo que escrevi aqui em junho de 2016, dois meses antes de Michel Temer tomar posse com sua “Ponte para o Futuro”.

Os Estados Unidos eram presididos pelo democrata Barack Obama, que se destacou por tentar manter o império por meio da persuasão, de preferência ao uso do poderio militar.

Em três anos, muita coisa mudou. No mundo, por influência do republicano Donald Trump, no poder desde 20 de janeiro de 2017; no Brasil, por influência de Trump e, desde o começo do ano, pelas bobeiras de Bolsonaro.

O que era ruim com Obama e Temer, pode piorar muito com Trump e Jair Messias, os líderes maiores do possível futuro embaixador nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro.

A Pax Americana, instituída desde 1991, na qual os Estados Unidos presidiam um grande projeto de convergência político-econômica e integração comumente referida como globalização, não foi abandonada por Trump. Mas a persuasão, agora, mais do que antes, se baseia na ameaça, por enquanto, do uso da força.

Jair e Eduardo Bolsonaro, ao se jogarem sob a proteção de Trump, não estarão ao abrigo das intempéries políticas e econômicas que rondam o Brasil e o mundo. Porque o poder formidável do presidente dos Estados Unidos tem seus limites, como bem definiu o professor Andrew J. Bacevich no livro “The Limits of Power – The End of American Exceptionalism”, lançado em 2008, por ocasião do início da grande crise financeira mundial.

“Oscilamos à beira da insolvência, tentando desesperadamente fechar as contas confiando em nossas presumivelmente invencíveis forças armadas. No entanto, aí também, tendo exagerado o nosso poder militar, cortejamos a bancarrota”, escreveu Bacevich. Já então, ele antevia uma gradual erosão do poder dos EUA no mundo.

Aparentemente, uma erosão não percebida, até agora, pelos Bolsonaros.

“Os americanos precisam reassumir o controle sobre seu próprio destino, acabando com sua condição de dependência e abandonando suas ilusões imperialistas”, prescreveu Bacevich em 2008.

Será que Trump percebeu isso? Bolsonaro, certamente não. O sonho de Bolsonaro talvez seja transformar o Brasil numa grande colônia, na qual poderá mandar e desmandar, até mesmo nomeando um filho ignorante para embaixador, sob o olhar autorizativo dos patrões do Norte, da complacência da imprensa tupiniquim e da ajuda inigualável das forças armadas brasileiras e americanas.

E do nosso judiciário.

Leia também:

 

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

Anúncios

‘A Morte da Verdade’, uma resenha em cinco pontos

Texto escrito por Douglas Garcia, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e colaborador frequente deste blog, sobre o livro ‘A Morte da Verdade’:

1. Quem é a autora?

É a norte-americana (de origem japonesa) Michiko Kakutani, jornalista e escritora, crítica de literatura do “New York Times” por longo tempo. Ganhadora de um Prêmio Pulitzer por sua crítica literária.

2. De que trata o livro?

O tema do livro fica claro em seu subtítulo: “Notas sobre a mentira na Era Trump”. Sua motivação é estabelecida em sua dedicatória: “Para os jornalistas em todo o mundo que trabalham para noticiar os fatos”. São nove capítulos que podem ser lidos de maneira independente, com títulos como “As novas guerras culturais”, “O desaparecimento da realidade”, “Propaganda e fake news” e “Filtros, bolhas e tribos”. Tendo sido publicado em 2018, o livro aborda as práticas de Donald Trump nas eleições de 2016, bem como as estratégias de comunicação em sua administração, iniciada em 2017.

3. Por que vale a pena ler?

O livro merece ser lido porque, em primeiro lugar, é rico em referências a eventos, agentes e práticas relacionadas à propaganda política da maior democracia do mundo, a americana, e o modo como ela se transformou a partir das tendências na comunicação em escala planetária, pela internet. Além disso, o livro trata de fenômenos que vão além das fronteiras americanas, como as práticas de agentes cibernéticos russos em diversas eleições ao redor do mundo e a tendência de políticos autoritários criarem narrativas desestabilizadoras da imprensa, da ciência e das instituições políticas democráticas. [Nota da Kika: assim como Jair Bolsonaro faz no Brasil]

4. Quais são as áreas de interesse relacionadas ao livro?

As áreas de interesse deste livro abrangem, sobretudo, as de Relações Internacionais, Estudos de Comunicação e Ciência Política. O livro tem apelo, além disso, a todo aquele interessado na política e na cultura americanas mais recentes, bem como nas tendências antidemocráticas presentes na política contemporânea, não só nos EUA.

5. Qual é o nível de acessibilidade da leitura?

Trata-se de uma leitura acessível, por contar com muitas exposições de casos concretos da política americana, das quais a autora parte para considerações mais gerais sobre política, comunicação e cultura.

A Morte da Verdade: Notas Sobre a Mentira na Era Trump
Autora: Michiko Kakutani
Tradução:  André Czarnobai e Marcela Duarte
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2018
272 páginas
Preço: R$ 39,90

 

Você também quer enviar sua contribuição ao blog? CLIQUE AQUI e saiba como!

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

Dilma e o sári vermelho

Texto escrito por José de Souza Castro:

Acabei de ler “O Sári Vermelho”, livro de Javier Moro (nada a ver com o juiz), publicado em 2009 pela Editora Planeta do Brasil. A história da pobre italiana Sonia Maino, casada com o indiano Rajiv Ghandi, filho da primeira-ministra Indira Ghandi que também foi primeiro-ministro. Depois que o marido e a sogra foram assassinados durante campanhas eleitorais, Sonia só não se tornou a dirigente mais poderosa da Índia porque não aceitou sua nomeação, preferindo continuar presidindo o socialista Partido do Congresso, criado por Mahatma Ghandi e seu amigo Jawaharlal Nehru, que se tornou primeiro-ministro depois de declarada a independência em agosto de 1947.

Uma baita história – o que justifica as 540 páginas do livro. Ser publicado no Brasil, onde o que mais se lê é o WhatsApp e suas fake-news, faz todo o sentido pela semelhança entre o drama brasileiro pós-impeachment de Dilma Rousseff e o neocolonialismo a Donald Trump e entre uma Índia nascida da luta contra os colonizadores britânicos e do esforço para se manter uma nação unida.

Nehru morreu em 1964, ainda primeiro-ministro. Três anos depois, a filha Indira se tornou a primeira mulher a ocupar, democraticamente, o cargo mais importante de um país de 500 milhões de pessoas e que se destacava pela imensa maioria de indianos pobres ou miseráveis.

Desde a independência, sob Nehru, houve muito progresso econômico, mas o problema da corrupção, endêmico na Índia, parecia invencível. Rajiv calculava que 85% de todos os gastos de desenvolvimento acabavam nos bolsos dos burocratas. Sonia e o primeiro-ministro Manmohan Singh, indicado por ela quando desistiu do cargo, conseguiram aprovar uma lei “que permite a qualquer cidadão examinar as ofertas dos contratos de licitação pública e evitar, assim, a prevaricação e o suborno”, escreveu Moro – o outro.

O governo socialista conseguiu que o país avançasse muito, investindo em educação, ciência e tecnologia. A Índia foi o país que mais rapidamente cresceu no mundo, depois da China, mas falta muito ainda para que fosse deixado para trás o seu passado arcaico, como sonhava Nehru.

A distribuição da riqueza é tão ruim como no Brasil. Em Bombaim, que em 2008 se tornara a quarta do planeta em número de bilionários, contava com a maior favela da Ásia e a maior concentração de prostitutas infantis do mundo. Enquanto isso, um bilionário presenteou sua mulher com… um Airbus!

A situação havia piorado quando a direita nacionalista venceu as eleições depois do assassinato de Rajiv Ghandi, filho de Indira, em maio de 1991. O Partido do Congresso só voltou ao governo em maio de 2004, graças à campanha eleitoral liderada por Sonia Ghandi.

A Índia estava então com mais de 1 bilhão de habitantes e 670 milhões de eleitores. O país tinha 30 milhões de celulares, contra cerca de 1,5 milhão cinco anos antes. Quatro milhões de funcionários públicos foram mobilizados em 700 mil mesas eleitorais. Votos em papel. A eleição ocorreu no dia 10 de maio e o resultado final foi conhecido cinco dias depois.

Apesar da vitória, Sonia Ghandi não aceitou a oferta de se tornar primeira-ministra, para não acirrar ainda mais os ânimos da oposição que não se conformava em ser governada por uma católica italiana. A questão religiosa já havia causado centenas de milhares de mortos, num país que deveria, conforme Ghandi e Nehru inscreveram na Constituição, ter um governo laico. Mas a direita oposicionista vinha fomentando e se aproveitando eleitoralmente dos conflitos religiosos geralmente sangrentos.

Havia um campo fértil para o dissenso. Em 1967, quando Indira se tornou primeira-ministra, aos 48 anos, a Índia era um país de maioria hindu, mas com mais de 100 milhões de mulçumanos, 10 milhões de cristãos, 7 milhões de siques, 200 mil parses e 35 mil judeus. No imenso território indiano conviviam 4.635 comunidades diferentes e línguas tão antigas como diversas, uma Babel em que eram usados 845 dialetos e 17 línguas oficiais. E cerca de 330 milhões de divindades.

“Talvez a maior conquista dessa nação forjada por Nehru e Gandhi seja que continuava sendo livre a despeito do rosário de maldições e de terríveis problemas herdados dos colonizadores britânicos”, analisa o escritor espanhol Javier Moro.

Num cenário como esse, o leitor brasileiro chega ao final do calhamaço aliviado com a situação do Brasil. Apesar de Bolsonaro e de seus fanáticos de todas as crenças, de Deus acima de tudo, de Trump e dos bilionários gananciosos que comandam a economia e a política aqui e no mundo, há esperança. Se a Índia pôde, o Brasil pode.

Ameaçada de morte tantas vezes, Sonia Ghandi continua viva, aos 75 anos. Em 2013, foi apontada pela revista “Forbes” como a terceira mulher mais poderosa do mundo, atrás da chanceler alemã Ângela Merkel e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Há 11 meses, seu filho Raul Gandhi a sucedeu como presidente do Partido do Parlamento. E Dilma Rousseff, em outubro, não se elegeu senadora pelo PT mineiro. Nada que cause desesperança.

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

O que Bolsonaro e seus eleitores não sabem do nosso futuro

Texto escrito por José de Souza Castro:

Chineses em meio a nuvem de poluição. A China é o maior emissor de gases do efeito estufa, seguida dos Estados Unidos. O Brasil é o sétimo país da lista dos maiores poluentes. Foto: Damir Sagolj/Reuters

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um grupo de cientistas encarregado pela ONU de orientar os líderes mundiais, divulgou no último dia 8 um relatório afirmando que em 2040, antes do previsto, o mundo estará sofrendo de escassez de comida, os incêndios florestais se agravarão e recifes de corais morrerão em escala maciça.

Esse relatório é o primeiro feito a pedido de líderes mundiais que assinaram, em 2015, o Acordo de Paris, um pacto de combate ao aquecimento global. Pacto que está sendo combatido por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, um dos países signatários. O Brasil, que também assinou, só espera a eleição de Jair Bolsonaro para também se retirar do acordo.

Trump e Bolsonaro não acreditam em aquecimento global, ao contrário, entre outros, dos prêmios Nobel de Economia deste ano, William Nordhaus e Paul Romer, que dedicaram décadas ao estudo dos impactos do clima na economia e ao papel da tecnologia na sustentabilidade.

O IPCC recebeu em 2007 o prêmio Nobel da Paz, juntamente com o americano Albert Gore, como reconhecimento pelo trabalho deles na orientação de governos. Donald Trump, porém, não se orienta pelo IPCC e Bolsonaro já deu mostras de se orientar por Trump.

Com a retirada desses dois gigantes da humanidade, ficará impossível evitar a tragédia prevista para 2040. Conforme o relatório, para evitar os danos previstos com o aquecimento global, seria necessário transformar a economia mundial em velocidade e escala sem precedentes na história.

Se continuarem as emissões dos gases causadores do efeito estufa no mesmo ritmo de agora, a atmosfera da terra estará 1,5 graus centígrados acima do que se registrava no período pré-industrial. Essa elevação da temperatura causaria inundação de áreas costeiras e aumento das secas e da pobreza no mundo. Um dano estimado em US$ 54 trilhões (cerca de R$ 199 trilhões).

Para evitar isso, seria necessário transformar a economia mundial em poucos anos. O relatório supõe que, tecnicamente, é possível realizar as mudanças necessárias, mas, politicamente, parece impossível.

Quando elaboraram o relatório, os autores nem sabiam que Bolsonaro poderia ser o próximo presidente do Brasil, a reforçar a posição política e igualmente imbecil de Trump.

Ao invés de impostos pesados sobre emissões de dióxido de carbono, como já fizeram legisladores de todo o mundo, incluindo China e União Europeia, para conter o aquecimento global, Trump prometeu queima intensificada de carvão nas usinas de energia dos Estados Unidos.

O Brasil é o sétimo maior emissor de gases causadores do efeito estufa e Bolsonaro já disse que também tem planos para abandonar o Acordo de Paris assinado por Dilma Rousseff. Ele sabe mais que os 91 cientistas de 40 países que analisaram mais de seis mil estudos científicos que resultaram no relatório do IPCC.

Os eleitores de Bolsonaro que se deixam guiar pelas mentiras, agora mais conhecidas como “fake-news”, que não se preocupam com o futuro da Terra – e do Brasil, em primeiro lugar –, só vão descobrir que seu ídolo não sabe tanto assim, quando, se ainda vivos, tiverem que fugir das águas do mar, dos incêndios e da extrema pobreza.

Paulo Migliacci traduziu uma reportagem do “The New York Times” sobre o relatório do IPCC. Os interessados podem ler AQUI ou no original, AQUI.

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

A facada em Jair Bolsonaro – e a facada em Donald Trump

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Quem semeia vento colhe tempestade”, diz o provérbio bíblico. Não digo isso como introdução a um artigo sobre Jair Bolsonaro e o que aconteceu a ele durante campanha em Juiz de Fora na véspera do 7 de Setembro. Muito já se falou sobre isso e muito será dito por analistas mais bem informados do que eu.

Vou falar do vento semeado por Donald Trump, um político mais importante do que o pobre Bolsonaro, pelo fato de presidir os Estados Unidos, país que aos poucos vai se apossando política e economicamente do Brasil como nos bons tempos coloniais. “Quem semeia o mal recebe maldade e perde todo o poder que possuía”, acrescenta aquele provérbio.

Não sei se esta parte se aplica a ambos os políticos. Mas vamos em frente.

A facada recebida por Bolsonaro teve repercussão imediata por estas plagas. A imprensa e as redes sociais se encarregaram disso.

A facada em Trump doeu menos, pois nem sangue correu. Foi dada por alguém da Casa Branca, não identificado pelo “New York Times”, que publicou no dia 5 de setembro um artigo em sua página Op-Ed. O jornal garantiu que o autor permanecerá anônimo, assegurando, porém, que se trata de um Oficial Sênior do governo Trump.

Imediatamente iniciou-se a busca, a começar por Trump. A Fox News, apoiadora desse governo direitista, declarou: “Trump Wants a Name”. Quem não deseja saber quem é o autor de um artigo que mereceu enorme atenção no mundo inteiro? Repórteres e comentaristas na Internet começaram logo a dissecar cada palavra, para tentar descobrir indícios que identifiquem a autoria.

Dan Bloom, um produtor da Panoply, empresa de podcast, observou que a palavra “lodestar”, que se lê em “We may no longer have Senator McCain. But we will always have his example — a lodestar for restoring honor to public life and our national dialogue”, é frequente em pronunciamentos do vice-presidente Mike Pence.

Se a facada foi dada no presidente Trump pelo vice-presidente dos Estados Unidos, qual a novidade, Temer? Porém, Mike Pence negou, na quinta-feira, ter escrito o artigo.

Em certo ponto, lê-se ali que, em razão da instabilidade de Trump que muitos na Casa Branca testemunharam, ocorreram no início sussurros dentro do Gabinete para se invocar a Emenda 25 da Constituição, o que desencadearia um processo complexo para remover o presidente (tal como o impeachment de Dilma). “But no one wanted to precipitate a constitutional crisis”, diz o articulista, e assim faremos o que pudermos para rumar o governo na direção certa até que, de um modo ou de outro, ele acabe.

Sem precipitar uma crise constitucional – o que, no Brasil, poucos, muito menos o vice-presidente, pensaram em evitar no caso Dilma Rousseff. E deu no que deu.

Quem se interessou pelo artigo do New York Times pode ler aqui, em inglês. Um trecho:

“The bigger concern is not what Mr. Trump has done to the presidency but rather what we as a nation have allowed him to do to us. We have sunk low with him and allowed our discourse to be stripped of civility.

Senator John McCain put it best in his farewell letter. All Americans should heed his words and break free of the tribalism trap, with the high aim of uniting through our shared values and love of this great nation.

We may no longer have Senator McCain. But we will always have his example — a lodestar for restoring honor to public life and our national dialogue. Mr. Trump may fear such honorable men, but we should revere them.”

Não encontrei no Google uma tradução em Português. Mas não duvido que o Inglês seja a segunda língua dos leitores deste blog. E, pelo andar da carruagem, de todos os brasileiros, no devido tempo.

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog