Reflexão para as pessoas ‘cheias de si’

cheio de si

No meio jornalístico há muitas pessoas que podem ser chamadas de “cheias de si”. Por sempre ter de tratar de todos os assuntos, muitos jornalistas se veem como experts em tudo! Como também estou nessa categoria, preciso fazer um exercício diário para não cair na mesma besteira.

É claro que esse mal da arrogância intransigente não atinge só os jornalistas. Tenho uma porção de amigos e parentes, das mais variadas classes profissionais, que também agem como se fossem “cheios de si”. No fundo, esse tipo de comportamento pode ser apenas uma defesa pessoal, num mundo de tantas pessoas se exibindo a todo momento, nesta competição feroz que encontrou sua vitrine ideal em redes sociais como o Facebook.

De vez em quando me pego refletindo nessas coisas. Hoje em dia, não é visto como sábio “aquele que nada sabe”, como definiu Sócrates. Não é muito estimulado que pensemos em nós, humanos, como poeiras microscópicas e insignificantes do universo, como escancarou Carl Sagan. O melhor, o mais prudente para sobreviver a esta sociedade, costuma ser o oposto: se vender, a cada instante, como alguém único, especial, alguém cheio de si até a tampa, transbordante de conhecimentos, de bem estar e de felicidade. Este é o ser bem-sucedido: o que arrota conhecimentos, sejam eles supérfluos ou não.

Como já disse, como parte desta sociedade — e, especialmente, da classe dos jornalistas –, vira e mexe me pego fazendo o mesmo. Por isso, tenho que me policiar. Ao menos, ficar atenta para evitar cair numa situação que penso, do fundo do coração, ser muito ridícula.

Nessas horas, em que estou muito pensativa, às vezes leio trechinhos do Tao-Te-Ching, livro chinês escrito no século 6 a.C, e que tenho numa versão explicada, para leigos, chamada em português de “O Caminho Sábio” (Roberto Otsu; Editora Agora). É um livro que nos estimula a buscar um jeito mais simples e menos arrogante de encararmos a vida. Selecionei abaixo o aforismo que mais me encantou, para que vocês também possam consultar sempre que quiserem aliviar um pouco essa cobrança por superioridade, ou se quiserem encaminhar àquele amigo mais intransigente, como uma mensagem para levá-lo à reflexão:

O Caminho é um recipiente que se utiliza se não estiver cheio.”

Conta-se que um professor, que era um grande erudito, sentiu necessidade de procurar um famoso sábio para aprofundar seus conhecimentos.

Ao chegar ao templo, o professor apresentou-se ao sábio falando de sua formação acadêmica, dos seus títulos, de suas ideias, de seus livros e de seus objetivos. “Mestre, estudo a doutrina há vários anos e sempre ouvi falar de sua sabedoria. Gostaria muito de poder aprender mais com o senhor”, disse o professor. O sábio ouviu tudo com respeitosa atenção e convidou-o para um chá. Lisonjeado, o erudito aceitou o convite prontamente.

O mestre e o professor sentaram-se um de frente para o outro. O velho colocou um xícara para o visitante e outra para si, e, em seguida, pegou o bule para servir o professor. Pouco a pouco a xícara ficou cheia. Mesmo assim, o mestre não parou de servir e o líquido começou a transbordar. O visitante achou tudo aquilo muito estranho e, depois de alguns momentos de hesitação, comentou: “Mestre, a xícara está totalmente cheia, não cabe mais nada!” Nisso, o sábio parou de servir, olhou para o erudito e disse com suavidade: “Caro professor, isso também está acontecendo com você.”

Ao ouvir isso, o visitante levou um choque e compreendeu o que o mestre queria dizer: sua mente estava cheia de conceitos e erudições, e não teria condições de absorver mais nada a menos que se esvaziasse. Era preciso não se dar tanta importância, desfazer-se de seu brilho, de seu orgulho e de sua agudeza intelectual. Sua cabeça estava ocupada demais!

Quanto mais vazio interior tivermos, mais espaço teremos para a profundidade e menos importância daremos às coisas superficiais.”

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A Petrobras, a bolsa e os cães de guerra

Charge de Latuff

Charge de Latuff

Texto escrito por José de Souza Castro:

Em abril próximo, completam-se dois anos desde que este blog publicou um artigo com críticas à 11ª rodada de leilões de blocos para exploração e produção de petróleo marcado para os dias 14 e 15 de maio de 2013 pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). No artigo, eu resumia os argumentos de Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia, fundado em 1880 no Rio de Janeiro. O governo Dilma Rousseff havia criado todas as facilidades imagináveis para atrair investidores, como se isso fosse necessário num mundo faminto de petróleo. Mas deixara de fora do leilão as áreas do pré-sal.

Talvez tenha sido esse “o erro” de Dilma. Ou um deles. A explicar, em parte, o que se lia ontem nas manchetes dos jornais “Folha de S.Paulo” (“Crise e corrupção tiram selo de bom pagador da Petrobras”), e “O Estado de S. Paulo” (“Crise faz Petrobras perder o grau de investimento”). “O Globo”, que forma a trinca dos grandes jornais mais oposicionistas ao governo petista, relegou o assunto a uma chamada de uma coluna, “Petrobras é rebaixada para grau especulativo”, ao lado da manchete de capa: “Inflação dispara e protesto nas estradas é nova ameaça”.

Petrobras rebaixada para grau especulativo tem duplo sentido, mas a imprensa só trata de um deles. Este, como se lê na “Folha”: “A Moody’s cortou a nota da Petrobras de Baa3 para Ba2 – o que corresponde a perda de dois níveis na escala de notas da agência. Dessa forma, a petroleira, alvo de investigações sobre corrupção, passa para o chamado grau especulativo (com alta probabilidade de calote)”.

O outro sentido é o que os grandes investidores, como George Soros, mais gostam de fazer: especular na bolsa de valores com papéis de grandes empresas, como a Petrobras. Ontem, no UOL, lia-se, às 11h56: “As ações da Petrobras caem cerca de 7%. Papéis preferenciais, mais negociados, caem 7,09%, a R$ 9,16. Ações ordinárias, com direito a voto, têm perda de 6,87%, a R$ 9,07.”

Pequenos investidores, que entram em pânico com tais manchetes, correm para vender suas ações da Petrobras, depois de resistirem durante meses ao fogo cerrado da imprensa contra nossa maior estatal e à consequente baixa do valor de suas ações. E haverá sempre quem queira comprá-las. Gente mais bem informada sobre as condições e perspectivas do mercado internacional do petróleo.

Paulo Metri, que não é petista e não sei se investe em bolsas, parece bem informado. Escreveu ele, pouco antes da ação da Moody’s, uma das que erraram feio ao avaliar grandes bancos às vésperas do início da última crise financeira mundial que nos custou tão caro:

“O setor do petróleo fornece um farto material para a constatação da ganância humana. Com a pretensão de trazer alguma explicação para o que acontece nestes dias com o Brasil, sem existir preocupação alguma da mídia para explicar, defendo a tese de que ocorreu uma rápida ascensão do nosso país no ranking daqueles atrativos para o capital internacional. Até 2006, era um país com abundância de recursos naturais, território e um razoável mercado consumidor. Mas ele não possuía petróleo em quantidade suficiente para se tornar grande exportador. Era fornecedor de minérios e grãos não tão valiosos no mercado internacional quanto o petróleo. Implícito está que o preço do barril irá subir brevemente para algum valor, pelo menos, em torno de US$80.

A partir dos anos 90, o Brasil perdeu graus de soberania e passou a ser um exemplar subalterno do capital internacional. Por exemplo, tem uma lei complacente de remessa de lucros, permite livre trânsito de capitais, não protege a empresa nacional genuína, tem uma política de superávit primário e câmbio que tranquiliza os rentistas, permite a desnacionalização do parque industrial, oferece a subsidiárias estrangeiras benefícios fiscais e creditícios, tem uma mídia hegemônica pertencente a este capital, que aliena a sociedade, e possui uma defesa militar incipiente. Assim, pode-se dizer que, após 1990, a sociedade brasileira passou a ter uma maior sangria de suas riquezas e seus esforços para o exterior. Este era o Brasil subalterno, que só tinha 14 bilhões de barris de petróleo, suficientes somente para 17 anos do seu consumo.

Em 2006, descobre-se o Pré-Sal, que pode conter de 100 a 300 bilhões de barris de petróleo, dos quais 60 bilhões já foram descobertos – e em menos de dez anos. Ao mesmo tempo, começou-se a recuperar a proteção à industria nacional, com a proibição da compra de plataformas de petróleo no exterior. Também, decidiu-se recompor as Forças Armadas, com o desenvolvimento de submarinos e caças no país, e, também, novos equipamentos de defesa para o Exército. Recentemente, decidiu-se desenvolver um avião militar de transporte de carga. (…)

Com a descoberta do Pré-Sal, abandona-se o modelo das concessões, que permitia a quase totalidade do lucro e todo o petróleo irem para o exterior. Adota-se o modelo do contrato de partilha para esta área, que é melhor do que a concessão. No contrato de partilha, uma parte adicional do lucro, acima do royalty, vai para o fundo social e parte do petróleo vai para o Estado brasileiro. Decidiu-se também escolher a Petrobras para ser a operadora única do Pré-Sal, o que é importante para maximizar a compra de bens e serviços no país. No leilão de Libra, foi formado um consórcio com a participação de duas petrolíferas chinesas, fugindo-se ao esquema de só participarem empresas ocidentais. No final do ano de 2014, quatro campos do Pré-Sal, que somam cerca de 14 bilhões de barris, foram entregues diretamente à Petrobras, sem leilão, o que contrariou as petrolíferas estrangeiras que desejavam vê-los leiloados.

A partir da descoberta do Pré-Sal, a Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos é reativada em 2009, o presidente norte-americano Barack Obama vem ao Brasil em 2011 e seu vice-presidente se transforma em figura fácil de ser encontrada aqui. Ele se reúne diretamente com a presidente da Petrobras, o que é muito estranho. (…)

O tempo passa e chega o momento de nova eleição presidencial no Brasil. O capital internacional de forma geral e, especificamente, o capital do setor petrolífero, com grande influência na Casa Branca, quiseram aproveitar esta eleição para mudar algumas regras de maior soberania, estabelecidas nos últimos anos, inclusive as do Pré-Sal. Além disso, o capital internacional quer eleger um mandatário do Brasil mais subserviente. Assim, explica-se a campanha de muito ódio e enorme manipulação executada pela mídia deste capital no período eleitoral. Possivelmente, a NSA e a CIA, utilizando empresas estrangeiras aqui estabelecidas, devem tê-las incentivado a contribuir com recursos para eleger os seus candidatos em 2014, formando uma bancada no Congresso Nacional que é um misto de entreguistas com alienados corruptos, porém, muito fiéis aos doadores de campanha.

Com o acontecimento independente da descoberta dos ladrões na Petrobras, aliás, muito bem-vindo pelos estrategistas do roubo do petróleo nacional, o terceiro turno da campanha presidencial tomou corpo na mídia, assim como a tarefa de confundir a população para acreditar que a Petrobras rouba dinheiro do povo e não são os ladrões ocupantes de cargos nela que roubam.

Com uma Petrobras fraca, de preferência até privatizada, fica mais fácil levar o petróleo do Pré-Sal. (…)

Enfim, para o bem ou para o mal, tudo mudou de figura. Morreu o Brasil de só 14 bilhões de barris de petróleo. Ele terá, brevemente, uma reserva de 200 bilhões de barris, que corresponderá a uma das três maiores do mundo e irá requerer muitas medidas de soberania, se é que a sociedade brasileira deve usufruir desta riqueza. Assim, agora, na visão do capital internacional, o Brasil não chega a estar se tornando um país antagônico, como China, Rússia, Irã e Venezuela, mas está criando regras e tomando medidas hostis a este capital. Está-se no estágio da busca da cooptação dos poderes e do controle da população pela mídia do capital.

Contudo, a população não está, na sua imensa sabedoria, acreditando tanto na mídia. Se a população não der apoio para o plano do impeachment da presidente, novas tramas poderão acontecer, como uma “primavera brasileira para tirar os ladrões da Petrobras do governo”. Eventualmente, será um golpe de Estado dado pelo Congresso com o apoio da mídia. O povo precisa não dar apoio à quebra do regime democrático e não apoiar também governantes que permitam a perda do Pré-Sal.”

Eu fico feliz de fazer parte desse povo, e de não ser tentado a vender ações da Petrobras, pois não as tenho – e de nenhuma outra empresa.

Ouço, vejo e leio as notícias sobre a Petrobras com um pé atrás. Bem atrás. Estou relendo “O Negociador”, de Frederick Forsyth, escrito em 1989 e publicado aqui pela Editora Record.

Forsyth é um ficcionista que se valeu, neste livro, da crise de petróleo, para mostrar como políticos corruptos e grandes capitalistas se entendem para ganhar poder e ficar mais ricos. Um ficcionista que costuma ter um pé fincado na realidade. Bem mais que boa parte da nossa imprensa.

Um dos livros mais conhecidos de Forsyth, “Cães de Guerra”, publicado em 1974, foi inspirado na ditadura corrupta e sanguinária que domina há décadas a Guiné Equatorial, rebatizada pelo autor como Zangaro. Na vida real, é um país africano explorado por um ditador e por petroleiras norte-americanas, chinesas e francesas.

Queremos isso para o Brasil?

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Aviso aos blueseiros e gaiteiros de plantão!

Capa_CD

O gaitista, cantor e compositor Val Tomato pediu para divulgar por aqui, sabendo que há muitos blueseiros que visitam este blog, que ele está lançando seu quinto CD independente, “Vinte Longos Anos”. Dá para comprar pela internet mesmo, a US$ 10 (baixar faixas) ou R$ 30 (CD entregue pelo correio, com o frete incluso).

Ainda não tiver oportunidade de ouvir este novo trabalho do paulistano, mas alguns trechinhos das músicas estão no vídeo abaixo:

Selecionei abaixo alguns vídeos de Val Tomato tocando gaita, para quem não o conhece:

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Tem livro novo na Biblioteca do Blog!

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Todo mundo aqui conhece o trabalho do meu pai, o jornalista José de Souza Castro, nos dias de hoje: ele escreve os melhores posts deste blog, sempre críticos e lúcidos, quase sempre sobre o cenário político do Brasil. Mas nem todos conhecem as reportagens que ele publicou, nos anos 70 a 90, nos jornais “O Globo” e “Jornal do Brasil”. Muitas delas são tão especiais que podem ser lidas em qualquer época, nos ajudando a compreender um pouquinho da história recente do nosso país. Os bastidores dessa produção são contados no livro “Sucursal das Incertezas“, já disponível na Biblioteca do Blog há tempos. Mas as melhores reportagens foram agora transcritas, do papel-jornal para a tela, e reunidas no livro “O Caçador de Estrelas e outras histórias“. E, a partir de agora, podem também ser consultadas e baixadas gratuitamente em nossa biblioteca 🙂

Como amostra do que vocês vão encontrar, republico aqui a reportagem que abre o livro e que inspirou seu título: “Uma estrela com nome brasileiro”, publicada no prestigioso Caderno B do “Jornal do Brasil” em setembro de 1975. É um dos textos favoritos do meu pai e também meu. Vejam como era aquela época em que o repórter tirava um tempo para realmente burilar as palavras e deixar o texto saboroso de ler, quase literário, além de informativo:

“Uma estrela com nome brasileiro

São Francisco de Oliveira, setembro de 1975

Em meio à roça de milho, destroçada, o homem magro assesta a mira de seu telescópio. À noite, isolado – as vacas dormem no pasto ao lado – ele anotará, cuidadosamente, durante horas, o desvanecer do brilho de uma estrela nova, na Constelação do Cisne. Uma estrela que desaparecerá quase tão rapidamente como surgiu, há alguns dias, após uma explosão que ocorreu, na verdade, milhares de anos antes.

Na terra, a paisagem é de desolação: os talos partidos do milharal, a casinha que já perdeu duas de suas quatro paredes, o baque do jatobá ao cair, desgarrado pelo vento das noites de setembro. No céu, porém, há um astro que se consome. Uma bola de fogo 50 mil vezes maior do que a do Sol, ainda incógnita. Mas que talvez receba um nome bem mineiro – o de Vicente Ferreira de Assis Neto, o fazendeiro-astrônomo que, provavelmente, a terá descoberto.

Uma estrela nova descobre-se por acaso, dirá Vicente de Assis Neto. O abrir de uma janela de uma casa de fazenda, às 9 h de uma noite de 29 de agosto, um olhar para o alto. Apenas isso. Desde que se conheça o lugar exato ocupado por 5 mil estrelas visíveis a olho nu, de modo a que uma nova não passe despercebida. Fácil, para o homem que começou, aos 16 anos, a plantar nos campos da noite. E que, aos 38, colhe a sua primeira estrela.

No mapa celeste – ele se certifica consultando um de seus 300 livros especializados, a maioria em francês, espanhol e inglês – ali onde agora se acendeu uma lâmpada havia o vazio, o escuro.

Com uma lanterna de mão, lançando uma luz vaga sobre a trilha de terra, Vicente de Assis corre para o seu Observatório do Perau. Atravessa, pulando de pedra em pedra, primeiro o córrego raso e, uns 400 metros adiante, um ribeirão que ele transpõe equilibrando-se sobre um bambu e, a seguir, sobre um tronco caído de árvore. Apressa os passos, morro acima, perturbando, em algum ponto, o sono das vacas.

Abre a porta de uma desgastada casa de roça, onde guarda os dois telescópios de seu observatório, um deles comprado em 1957. Tem diâmetro de 96 mm e pode aumentar até 80 vezes. O outro é um canhão de dois metros de comprimento, de 310 mm, com aumento de 490 vezes. Comprado em 1963. Foi fabricado, sob encomenda especial, pelo Planetário de São Paulo. Rudimentar como parece, é talvez o mais poderoso telescópio hoje em poder um astrônomo amador, no país.

Fascinado, ele estuda a estrela até o amanhecer. Determina primeiro sua posição, anotando num caderno escolar: AR, 21h 09m, D mais 48º10’. Estrela mais próxima: a 63 de Cisne. Por comparação com outras de magnitude conhecida, ele estimou em 2,5 a magnitude da nova, na noite do dia 29.

No dia seguinte a estrela aumentou de brilho, chegando à magnitude 2,2. Dia 31 começou a regredir, caindo sucessivamente para 2,55 e 4,0. Quatro dias após a primeira medida, a magnitude já era estimada pelo astrônomo em 5,4. Ele acredita que esta nova irá se comportar como uma das mais rápidas já estudadas.

Um dos livros de sua estante – Astronomie – LesAstres, L’Universe, da Librairie Larousse – revela que com brilho igual ou superior ao desta nova, foram observadas somente 10, de 1843 até hoje, inclusive a Nova Hércules, de 1937, que permaneceu quatro meses visível a olho nu. Na Constelação do Cisne, registrou-se a ocorrência, antes, de somente duas novae, em 1500 e 1670.

Nova Assis. O nome é ainda apenas uma possibilidade, a ser confirmada, nos próximos dias, pela União Astronômica Internacional, com sede nos Estados Unidos. Até o batismo, vai correr um prazo, para que astrônomos de todo o mundo comuniquem ao Centro de Telegramas Astronômicos o momento em que viram a nova, que receberá o nome do primeiro descobridor.

Nascido num lugarejo que, 12 anos após ser elevado à condição de cidade, conta com pouco mais de 5 mil habitantes na área municipal, Vicente de Assis Neto nunca freqüentou escola. Aprendeu a ler, inclusive em francês, com sua mãe Maria Estela. Só recentemente, para não passar por analfabeto – como quase chegou a ser registrado, ao tirar o atestado de reservista de 3ª Categoria – fez o supletivo de primeiro e segundo graus.

Foi introduzido à Astronomia, em 1952, aos 16 anos, pelo Tesouro da Juventude. Cinco anos após comprou o primeiro telescópio e, em 1963, o segundo. Já então, era um astrônomo experiente, sendo admitido em 1964 na Sociéte Astronomique de France – sócio nº 22.833 – e, nove anos após, na Britsh Astronomical Association. Durante esse tempo, publicou mais de 20 observações sobre cometas – sua especialidade – em revistas estrangeiras, principalmente na L’Astronomie, da sociedade francesa.

Mantendo uma ativa correspondência com astrônomos do mundo inteiro – inclusive do Center for Short-Lived Phenomena, DO Smithsonian Institution (Cambridge, Estados Unidos), do Deutsche Welle (Alemanha), de sociedades da França e Inglaterra, de Feira de Santana, Recife ou São Paulo – Vicente de Assis Neto, no entanto, raramente se afasta de São Francisco de Oliveira, distante 175 km de Belo Horizonte. Aqui se casou com Júnia Batista e está criando os filhos: Cássio (quatro anos), Paulo César (sete) e João Américo (nove).

Herdou do pai, em 1970, uma fazenda de aproximadamente 500 hectares, que vem mantendo, como pode, ajudado pela mãe – 73 anos – e por um administrador. Confessa que não tem muito jeito para a coisa, absorvido que sempre esteve pela Astronomia.

A mãe observa com alguma amargura a decomposição lenta da casa, das pastagens, da estrada que quase já desapareceu (ele vendeu há cerca de um ano o velho carro do pai e freqüentemente faz, a pé, a caminhada de 12 km entre a cidade e a fazenda). A mãe sente a decadência, ao constatar, por exemplo, que já não há mais frutas no quintal mal cuidado. “Nem mesmo uma laranja-da-terra”, queixa-se.

– Coisas da terra, aqui, é meio difícil de encontrar – diz com resignação o filho. – O que tem mais é coisa dos astros.

Ele reclama, entretanto, da falta de recursos. E espera que, confirmada a sua descoberta, a notoriedade seja acompanhada pelo reconhecimento do seu valor, traduzido em verbas. Mas, mesmo sem isso, já faz planos: quer vender um pedaço de terra, que irá herdar de um tio, e com os Cr$ 400 mil comprar um astrógrafo e uma luneta especializada, motorizada.”

Quero um dia aprender a fazer reportagens tão bem como meu pai fazia. Enquanto isso, posso, ao menos, relê-las sempre que quiser 😉 CLIQUE AQUI para baixar o livro e bom proveito!

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Bolão do Oscar 2015: acertei 11 de 15 categorias

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Pela primeira vez, passei de ano no bolão do Oscar! Acertei 11 das 15 apostas, ou 73% do total 😀

Para conferir, os acertos foram:

  1. Melhor ator: Eddie Redmayne.
  2. Melhor atriz: Juliane Moore.
  3. Ator coadjuvante: J.K. Simmons.
  4. Atriz coadjuvante: Patricia Arquette.
  5. Melhor diretor: Alejandro G. Iñárritu
  6. Montagem:Whiplash.
  7. Direção de arte:O Grande Hotel Budapeste“.
  8. Edição de som:American Sniper“.
  9. Mixagem de som:Whiplash“.
  10. Efeitos visuais: “Interestelar“.
  11. Roteiro adaptado: “O Jogo da Imitação“.

E os erros:

  • Escolhi melhor fotografia para O Grande Hotel Budapeste e levou Birdman. Pra falar a verdade, nem sei porque não escolhi Birdman ao fazer minhas apostas, já que, na crítica do filme, escrevi que “a fotografia do filme também é de babar” e o diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki, “já tinha levado o Oscar no ano passado, com “Gravidade”, e é franco favorito à mesma categoria neste ano”. Enfim, deu tilt.
  • Escolhi maquiagem para Foxcatcher e levou o Grande Hotel. Ok, era bom também, mas achei Foxcatcher o injustiçado da noite. A transformação de Steve Carell é muito boa.
  • Roteiro original também tinha escolhido para Foxcatcher, meio na dúvida, e acabou ficando com Birdman.
  • E perdi o prêmio da noite, o de melhor filme. Apostei na originalidade de Boyhood e acabou ficando a originalidade menos original de Birdman. Mas também é um filmaço, então não me incomodou. Só acho que Boyhood merecia mais que o prêmio único que levou.

As outras premiações podem ser vistas AQUI.

Pela primeira vez, ajudei a cobrir o Oscar em tempo real. Quem tiver curiosidade de ver meus comentários durante a cerimônia, pode ver a hashtag #OTEMPOnoOSCAR, no twitter do @PortalOTempo 😉 Interagi com muuuuita gente por lá!

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