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Carta de uma mãe imperfeita e insuficiente

Eu e meu companheirinho!

Querido Luiz, melhor filhinho do mundo.

Todos os dias eu fico triste porque te digo, ao sair de casa, que não vou “agarrar” no trabalho — e acabo chegando mais tarde sempre. Por mais que eu tente ser a melhor mamãe do mundo pra você, sempre estou insatisfeita, querendo ser mais, estar mais presente, fazer mais e mais, até depois do limite da exaustão.

Acho que ser mãe é isso aí: tentar fazer o melhor possível e sempre sentir que está insuficiente.

Mas também tenho um grande orgulho do percurso até aqui. Você já tem 5 anos e 5 meses, um rapazinho, e se tornou um menino companheirão, inteligente, alegre e carinhoso. Obstinado com as próprias ideias, mas sempre aprendendo coisas novas. Amante dos livros, lendo e escrevendo com cada vez mais confiança. Fã de dinossauros, com o vocabulário cheio de palavras difíceis do universo paleontológico. Agora com mania de dizer a palavra inventada “tabori” toda hora, uma espécie de grito de guerra misturado a uma veia cômica que nos faz gargalhar no meio das conversas. Uma figurinha! Que com certeza vai agregar muito a este mundão, porque você tem o coração bom. Parte disso deve ser mérito meu também, apesar de toda a minha inexperiência…

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Fico feliz da vida quando diz que sou a mãe mais engraçada e a mais doida do mundo. Porque ninguém quer ser só uma mãe normal, né mesmo? Fico triste é quando você me acha brava. Porque ninguém gosta de ficar nervoso, mas o excesso de trabalho e as chaturas da vida adulta — e a responsa de ter que te chamar a atenção quando faz alguma besteira — às vezes nos deixam nervosos. Eu queria sempre falar com você com o tom de voz baixinho, ou com aquele outro tom brincador que te faz morrer de rir, mas às vezes sai o tom mais ríspido ou mais impaciente, de que eu não gosto nada.

Como é difícil ser sempre a melhor mamãe do mundo! Às vezes a mãe exausta, a brava ou a preguiçosa, que só quer sentar no sofá e ver desenho animado em vez de brincar,  é a que dá as caras. Isso quando não é a mãe pior de todas, a ausente, que trabalha pra burro e chega em casa mais tarde do que gostaria, dia após dia. Que às vezes engole o almoço tão rápido, em 15 minutos, que esquece de fazer a preciosa videochamada diária pra ver sua carinha e dizer que está com saudades. Que espécie de mãe pode esquecer de fazer uma ligação diária pro filho, né? A pior mãe do mundo — ou a mãe que no dia está mais cansada, mais louca, mais estressada.

Mesmo nesses dias, você sempre me recebe em casa aos gritinhos de alegria, com mil abraços e beijos (“Espera a mamãe tomar banho, filho, tou vindo da rua cheia de corona”), e sempre me acha a melhor mamãe do mundo. Sempre compreensivo com minhas falhas (“Hoje mamãe tá muito cansadinha, né”). Sempre carinhoso e companheirinho. Melhor companheiro do mundo!

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Eu e Luiz na Praça do Papa, em BH.

É por isso que, toda noite, quando você me pede pra ficar ao lado da sua cama te dando a mãozinha até você pegar no sono, eu vou com prazer. Você já aprendeu a fazer tanta coisa sozinho! Já toma banho, come, põe roupa, escolhe as roupas, faz a malinha pra ir ao sítio, escolhe seus desenhos na TV, acorda cedo e vai pra sala pra não nos acordar no fim de semana — tudo sozinho. Recentemente aprendeu até a ler e escrever sozinho. Mas dormir ainda é um momentinho de nós dois, de conversinha, de “só sonha sonho bom”, de “eu te amo mais”, “não, eu que amo!”, da mãozinha até pegar no sono — e muitas vezes eu que durmo primeiro. E sei que em breve você não vai mais precisar de mim, sua mamãe, nem para isso. Então não tem problema, eu fico com você, meu amor, mesmo no dia em que só quero mesmo desabar na minha cama logo. Porque sei que vou sentir falta desses nossos momentos um dia.

(Já estou chorando aqui…)

O que importa, melhor filho do mundo, Pic-pic, Tico-tico, Luiz, Tabori, o que importa, eu dizia, é que você saiba que poderá sempre-sempre contar comigo. Serei sempre sua mamãe e estarei sempre ao seu lado. Seja para a mãozinha da hora de dormir, como hoje, ou pra quando precisar desabafar sobre as chaturas da vida adulta, quando chegar sua vez. Conte sempre comigo, porque ser sua mãe é a coisa mais irreversível e maravilhosa que já me aconteceu na vida.

“Você vai ser minha mãe pra sempre?”, ouço sua vozinha me perguntar.

Pra sempre, filho. Até quando você já estiver bem velhinho e eu não estiver mais aqui.  Imperfeita, insuficiente, mas sempre tentando ser a melhor mamãe do mundo pra você.

Te amo! Seja muito feliz!

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

6 comentários em “Carta de uma mãe imperfeita e insuficiente Deixe um comentário

  1. Texto lindo! Parabéns pelo seu dia, Cris!
    Luiz tem muita sorte de ter uma mãe tão carinhosa e amorosa como você!

    Curtir

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