Também está órfão do Google Reader? Conheça as 7 alternativas que testei

Nem faz tanto tempo assim que comecei a usar o Google Reader. Foi em 2009, pela mesma época em que a Ana criou um tutorial explicando como se usa ele, no blog “Novo em Folha“, que eu ajudava a editar.

Hoje considero essa uma das ferramentas mais essenciais para os jornalistas, tanto repórteres quanto redatores e editores. Lembra da máxima de que todo jornalista deve ler os jornais impressos e principais revistas semanais do país (e, em alguns casos, até de outros países)? Pois é, ainda deve mesmo. Mas, além disso, é preciso estar ligado nas notícias que saem pela internet. E elas estão não apenas nos sites de notícias, mas também nos blogs (como aqui ;)).

Pelo Google Reader, eu podia acompanhar todas as notícias do meu interesse – sem enlouquecer –, devidamente organizadas em pastinhas temáticas, e saber delas assim que fossem publicadas (com um pequeno delay). Isso era essencial no tempo em que fiquei na internet, por exemplo (G1), e cadastrei os “feeds” dos sites concorrentes, mas também do MPE, MPF, TJ, TST, STF, ALMG, TCU… todas essas sopas de letrinhas que compõem nossos órgãos oficiais, em todas as esferas, que também estão cheios de notícias importantes. Na “Folha”, quando eu cobria transporte ou ambiente, também tinha uma lista de blogs ligados ao assunto. Agora, na redação de Economia e Tecnologia de “O Tempo”, fico ligadíssima o dia inteiro nos feeds ligados à área.

Não sei se o interesse é tão amplo, mas tenho certeza que pelo menos vários jornalistas ficaram órfãos quando o Google anunciou o fim do GReader. Eu fiquei. E, desde então, tenho experimentado várias alternativas para buscar um bom substituto. Nenhum me pareceu tão bom quanto, principalmente pela falta da ferramenta de busca entre os feeds, que é fundamental para meu trabalho. Só por causa dela, acabei me fixando no “The Old Reader”, que tem a desvantagem de ser o mais lento de todos. Mas a grande maioria escolheu o Feedly, que já recebeu mais de oito milhões de novos usuários desde o anúncio do Google Reader. Meu amigo Alexandre Giesbrecht explica como migrar para lá.

Se você também está em dúvida, talvez a matéria que fiz para a edição de hoje do jornal te ajude. Escolha logo, porque amanhã é o último dia para a migração. Na segunda-feira, adiós Google Reader! 😦

CLIQUE AQUI para ler.

Atualização em 2 de agosto: hoje descobri o InoReader! Rápido para importar o XML de outros leitores de feeds, rápido de navegar, simples, clean, COM BUSCA INTERNA DE FEEDS (o maior defeito do Feedly, disparado!) e SEM PAUS E TRAVAS TODA HORA (o maior defeito do The Old Reader, disparado!). Trata-se do Reader DEFINITIVO na minha vida agora! Mais que recomendo! (Pena que não descobri a tempo pra matéria… =/)

reader

Clique aqui para ver o infográfico em tamanho maior.

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Muito cansada (mas sempre os protestos)

garfielddescanso3721

Nos últimos dias, este blog publicou 14 textos dando um resumo e trazendo bastante análise sobre os protestos em todo o país. Estão listados abaixo e venho atualizando o mais recente a cada vez que governos, legislativos e judiciário dão mais uma resposta às reivindicações das ruas.

Na última quarta, vi cenas de guerra, bastante tristes, na minha cidade. Um grupo de cerca de 500 passando por cima de um acordo feito poucas horas antes entre representantes do Copac e o governo Anastasia, e atacando policiais. Estes, revidando com bombas que atingiam gente que nada tinha a ver com a briga. Um menino perdendo a visão ao tomar bala de borracha da PM no olho. Outros dois caindo de um viaduto de onde seis já caíram — um deles, ao perder massa encefálica, morreu aos 21 anos (já são cinco mortos nos protestos do país; além deste, três foram atropelados e uma morreu após inalar gás lacrimogêneo). Em seguida, policiais apenas observaram enquanto, por horas, o mesmo grupo minoritário fazia fogueiras, incendiava lojas (colocando em risco seus funcionários), um tentou atear fogo a um posto de gasolina (!), também com funcionários dentro (!!), lançava pedras, promovia saques. Já escrevi aqui no blog que a agressão contra seres humanos, promovida pela PM, é incomparável em nível de grandeza à depredação de bens inanimados, como vitrines. Mas o que se viu na quarta também colocou em risco seres humanos e partiu de parte dos manifestantes, enquanto policiais ficaram, por um bom tempo, à distância. E a depredação também atingiu bens públicos, como ônibus. Enfim, injustificável sob qualquer ponto de vista.

Já bradei contra o bloqueio de ruas públicas promovido pela Fifa no entorno do Mineirão. Hoje dou graças a deus por ele existir (como, aliás, é comum acontecer em volta de vários grandes eventos, como as cúpulas do G-8 e G-20, encontros sobre questões ambientais, grandes shows etc). Meu medo maior não era a depredação do recém-reinaugurado Mineirão, mas a segurança de 60 mil (mais que os 50 mil lá fora) que estavam lá dentro assistindo ao jogo e nada tinham a ver com os brados anti-Fifa. Muitos dos quais pessoas também do povão, que ganharam ingressos pra ver o jogo. Muitas crianças, adolescentes, idosos. Ficariam acuados, sem ter pra onde correr, caso os caras que criaram um campo de guerra lá fora tivessem conseguido passar lá para dentro. E o principal: pra quê? A mensagem passada a um quilômetro do estádio é tão eficaz quanto seria dentro dele — ainda vejo uma possibilidade séria de a Fifa anunciar, depois de domingo, que a Copa do Mundo não será mais no Brasil.

Dito tudo isso, estou bem cansada. Acho desgastante discutir com pessoas que defendem que “o fim justifica os meios” — um pensamento nazista. Nem no Facebook se encontra mais um respiro para falar de outros assuntos (assim como nem neste blog). E, claro, também não tenho opinião totalmente formada sobre nada. Enquanto a História acontece cada dia de um jeito, só consigo pensar, repensar e mudar de opinião a todo momento. E não acho isso um problema, tampouco. Suspendam-se as certezas! Quem tem certeza demais das coisas, costuma ter uma capacidade de reflexão limitada e perfil absolutista.

Meu palpite é que, passada essa História, olharemos pra trás mais enxergando o saldo positivo das manifestações (políticos se mexendo para aprovar propostas de interesse geral e conscientização política do povo ex-apático) do que o negativo (violência, feridos, mortos, truculência policial, bandidagem). Mas só aguardando pra ver.

Por enquanto, como eu ia dizendo, estou cansada. Ia postar só meu Garfield, o refúgio para não postar nada, mas acabei deixando um post inteiro. Fica sendo o 15º sobre os eventos, então. Mas agora só retomo este assunto no blog de novo se algo muito extraordinário acontecer (tipo o cancelamento da Copa no Brasil). Quero realmente me esforçar para poupar e dar um respiro aos que passam por aqui 🙂

Quem não leu, leia abaixo, especialmente o sempre-atualizado post mais recente:

  1. Já são 20 respostas de Executivos, Legislativos e STF ao povo
  2. Tem certeza absoluta? Que pena!
  3. Com este pronunciamento, pauso meu protesto particular
  4. Ou o rumo ou a pausa
  5. Melhores charges e quadrinhos sobre os protestos
  6. As primeiras vitórias importantes, em mais um dia histórico
  7. 20 vídeos da violência da PM durante os protestos pelo país
  8. Um poema em homenagem aos que gritam
  9. Tentando entender os protestos, nesta barafunda de interpretações
  10. Cenas do protesto com milhares de pessoas em BH
  11. O brasileiro trabalha mais para pagar seu ônibus
  12. O mundo grita
  13. O vômito entalado o dia todo no meu cérebro borbulhante
  14. 10 observações sobre os protestos contra a tarifa de ônibus

Já são mais de 20 respostas de Executivos, Legislativos e STF ao povo

gomez

Apesar de eu ter dito aqui que ia virar o disco ou mudar a estação, as últimas vitórias conquistadas pelos protestos nas ruas de todo o país não me deixam ficar em silêncio.

Já mudei de ideia e de opinião no mínimo umas dez vezes sobre tudo o que está acontecendo no meu país. Já fiquei apreensiva com as quatro mortes, os vários feridos, a repressão policial, os ataques gratuitos à imprensa e a pessoas que tinham empunhado bandeiras de partidos políticos. Já fiquei apreensiva com os grupos, de diversos matizes ideológicos, que estavam tentando se aproveitar da multidão para levar o movimento de acordo com seus interesses, inclusive de golpearem nossa frágil democracia. E temi que o caos levasse o governo a decretar estado de sítio, o que seria um perigo. Mas, como sempre falei por aqui, minha impressão geral sempre foi de um saldo positivo.

E não só no campo das ideias, pelo fato de pessoas que sempre foram apáticas e lidaram com a política do país de maneira fleumática, anulando seus votos a cada dois anos (ou votando sem qualquer tipo de acompanhamento anterior ou posterior, o que dá na mesma que anular) estarem discutindo e pensando política. Mas também porque, felizmente, os poderes Executivos, Legislativos e o STF resolveram dar respostas concretas ao que estava sendo pedido nas ruas – sem falar da resposta da imprensa, que mudou radicalmente sua cobertura inicial, para cada vez melhor. A democracia se fortalece quando o povo e a imprensa procuram saber o que é PEC 37, o que é reforma política, o que é plebiscito e quando uma assembleia constituinte pode ou não ser convocada.

E também se fortalece quando vê reivindicações gritadas tão alto conquistarem respostas dos representantes conduzidos pelo voto popular ao poder.

Estou atualizando cada uma delas no post de 19 de junho. Pelas minhas contas, passaram de 20 vitórias, em todas as esferas. Clique AQUI para ler e acompanhar. Sempre vou atualizar, à medida que novas vitórias surgirem. E vão surgir, porque acredito que os protestos não vão acabar tão cedo.

P.S. Quem não der nenhuma resposta vai sofrer as consequências em 2014 (ou antes). Fiquem espertos, Sérgio Cabral e Marcio Lacerda.

Leia também:

Tem certeza absoluta? Que pena!

Laerte de 23/6/2013.

Laerte de 23/6/2013.

 

Tive uma excelente professora na UFMG, a Simone Maria Rocha, que, logo no primeiro dia de aula, me sacudiu com a seguinte frase, dita naquele tom forte e articulado peculiar a ela:

– Suspendam-se as certezas!

Taí um exercício que todos deveríamos fazer, especialmente os jornalistas, hoje e sempre. Deixo registrado aqui, para também sacudir um tiquim meus amigos da internet 😀

O amor na dor

Para pegar na locadora: AMOR (Amour)

Nota 9

amor

É fácil amar quando somos jovens, saudáveis e estamos no começo de um relacionamento. Tudo anda às mil maravilhas. Mas e quando já passamos dos oitenta, temos netos e vivemos sob o mesmo teto há décadas? E quando, numa manhã corriqueira, um dos dois sofre um derrame e fica com metade dos membros paralisados, passando a depender do outro para tudo, inclusive ir ao banheiro, virar na cama e se locomover?

Eis um teste por/em que poucos casais passam. Anne e George são submetidos a isso. Sua vida ia bem e leve, embora com todos os percalços de uma vida como casal. Às vezes, a pessoa mais doce e gentil também age como um monstro, observa Anne — isso é da natureza humana. Mas a vida segue com seus concertos (os dois são professores de música, afinal), livros, filha distante, fatos preenchendo álbuns de fotografia empoeirados. “A vida é bonita. E longa”, resume Anne.

A prova de amor se torna especialmente árdua quando a dignidade é posta em jogo, dá vazão à depressão e torna uma pessoa totalmente dependente de outra. “Promete não me levar ao hospital?”, pede ela. O filme é sobre essa promessa de amor. “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, entoa o hino de amor dos rituais católicos. Quantos, ao trocarem suas promessas, vão cumpri-las com amor até depois dos 80?

O que vemos nessas duas horas e sete minutos de filme é o casal que cumpriu sua promessa. “Se tivesse acontecido comigo, você teria feito o mesmo”, afirma, numa interrogação, George. É a pergunta que deve pairar sobre a cabeça dele durante as noites de insônia. E, ao mesmo tempo, não importa.

Como viver o amor durante a dor, a dependência, a perda da dignidade?

“É sobre um drama que todos nós vivemos ou vamos viver. Todos temos um mal, uma doença, uma fragilidade. Como lidamos com elas é que nos faz diferentes”, disse a atriz Emmanuelle Riva, 86, brilhante na pele de Anne.

“Não é a idade dos personagens que importa, mas como vivem o drama. Envelhecer, e por vezes adoecer, faz parte da vida. Cabe a nós escolher como vamos encarar a experiência. Temos de tentar ser felizes”, disse o ator Jean-Louis Trintignant, 83, o comovente George.

Diante disso, as intromissões da filha, Isabelle Huppert, 60, parecem até agressivas. Nós, espectadores, estamos naquele apartamento com o casal, vivendo sua intimidade difícil e tocante, minuto após minuto, ou dia após dia, pelo tempo do filme. E ela vem de fora querer dar palpite?

O filme mexe com quem o assiste porque nos dá a expectativa de uma vida finita, que é algo que poucas vezes cruza nossos cérebro, talvez até por uma defesa natural do nosso organismo contra a sensação de impotência gerada pela morte. Ao mesmo tempo, nos faz desejar ter um George para tornar nossa morte, quando vier dolorosa e lentamente, mais suave.

(Não se preocupem, não estou estragando o fim: desde o primeiro minuto do filme, sabemos que Anne vai morrer. Mas queria que os leitores deste blog comentassem abaixo o que acharam do destino de George, pelo qual esperei em todo o filme.)

Afortunados os que podem viver o amor até na dor…