Cada um fazendo sua parte: adesivaço para as manifestações de 29 de setembro

Vejam que incrível esta iniciativa que o Rafael Mendonça e sua esposa, de Goiânia, estão organizando: um adesivaço para fortalecer a resistência na capital do Goiás contra o candidato fascista destas eleições, que é o boçal Jair Bolsonaro.

Recebi um e-mail do Rafael dizendo que encontrou meu post no blog com as 25 artes de #EleNão e perguntando se podia usá-las para fabricar adesivos, pagos com o próprio bolso, para disseminar a campanha. Expliquei a ele que as artes não foram feitas por mim, que fui coletando na internet nos últimos dias (e já surgiram várias outras, excelentes!), mas que tenho certeza que os autores não se importarão em ver o que fizeram sendo usado por uma boa causa.

Vejam que bacana o resultado:

Torço para que sirva de inspiração para que outras pessoas, de outros cantos do país, tenham iniciativas parecidas. E bora lotar as ruas amanhã, em todo o Brasil, contra um projeto de governo fascista, seja qual for seu candidato! #EleNão, #EleNunca!

 

Leia também:

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O fanatismo e o ódio de um país que está doente

Charge do Duke!

Charge do Duke!

Nesta quarta-feira, completamente apertada com o fechamento da revista, não consegui acompanhar o noticiário geral do país e do mundo, como faço todos os dias. À noite, já em casa, liguei no “Jornal Nacional” para tentar pegar pelo menos uma lasca de informação do que aconteceu no dia. Em um mesmo bloco, vi manifestantes de extrema-direita invadindo a Câmara, interrompendo uma sessão legislativa, e gritando por um golpe militar. Em seguida, pancadaria em frente à Alerj, com manifestantes perseguindo e agredindo o repórter Caco Barcellos.

Juca Kfouri, a quem muito admiro, resumiu bem a situação bipolar NESTE POST.

Luiz estava dormindo no meu colo, enquanto eu via o noticiário. Observei sua carinha inocente, chupeta indo e voltando, e meus olhos se encheram de lágrimas. Em que mundo cão ele veio parar!

Desde as eleições de 2014, o Brasil se tornou um imenso ringue, se tornou um estádio de futebol em dia de clássico, se tornou um conto do Steinbeck. O cúmulo da situação de ódio e fanatismo é quando um pai mata o filho único por discordar de ele participar de ocupações em protesto contra o (des)governo Temer. A tragédia familiar, que termina com o suicídio do pai, é um retrato de um país doente, nas palavras do jurista Eugênio Aragão.

Eu já vinha alertando para isso há muito tempo aqui no blog (veja os links ao pé deste post). A situação está fora de controle, degringolando. Será que ainda dá tempo de respirar fundo e lembrar que, opa, aquele ali é seu filho único e não um inimigo? Ou, opa, aquele outro sujeito é um jornalista exercendo sua profissão?

Ou é isso ou logo não conseguiremos nem respirar mais.

Leia também:

  1. Manifesto a favor do direito de divergir
  2. Fanatismo é burro, mas perigoso
  3. O anarquista que enxerga
  4. Para uns, para outros e para mim
  5. Tem certeza absoluta? Que pena
  6. O vizinho que pensa diferente de você
  7. Post especial para quem se acha com o rei na barriga
  8. Reflexão para as pessoas cheias de si
  9. A saudável loucura de cada um de nós
  10. Qual é a sua opinião, cidadão?
  11. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo

Contribuição de leitor: ‘Enquanto’

Protesto contra Dilma Roussef no Rio de Janeiro, em março. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Protesto contra Dilma Roussef no Rio de Janeiro, em março. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Recebi o poema abaixo, bastante pertinente para o atual momento político do Brasil, enviado pelo leitor Ângelo Novaes.

Você também quer ter seu texto publicado pelo blog? ENTRE EM CONTATO e, se seu texto tiver a ver com a proposta do blog, poderá entrar no blog! Pode ser poemaresenha de filmeanálise política, conto, crônica, ensaio fotográfico, dicas práticas etc. VEJA AQUI outras contribuições enviadas por leitores do blog.

ENQUANTO

Enquanto os canalhas prosperam,
A cor das camisas preocupa.
A dona de cara amarrada
Empurra o carrinho na pressa.

Avança adiante limpando
Seu mundo de outros passantes.
Não espere que os outros te esperem,
O ódio é um esporte invejável

Trocando insultos aqueles
Que soltam seus cães na pracinha.
Crianças são prendas vistosas,
Mas cães garantem distância

A moça grita com a “velha”
Que passa na faixa sem pressa.
O carro é a faca na testa
De quem se antecipa na mesa.

Como são lindos os burgueses,
Diria um poeta baiano.
Ainda que a mofa da pena
Descubra também outras vestes.

Enquanto os canalhas prosperam,
As facas se mostram nas caras,
Nos carros, nos dentes das bestas,
Nas belas camisas amarelas.

Leia também:

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Em 1 mês de governo de Michel Temer, ao menos 30 retrocessos; veja a lista

temer

Ontem o governo interino de Michel Temer completou 1 mês. E, como prometido, fui atualizando a lista de retrocessos que aconteceram no país desde então. Confesso que chegou um momento em que passei a atualizar menos, porque meu tempo anda escasso. Além disso, agendei este post na última sexta-feira, então não contém eventuais novidades do fim de semana. Por esses motivos o “ao menos” do título deste post. Porque deve ter acontecido bem mais coisas frustrantes/previsíveis do que estas 30 que eu relacionei. Fique à vontade para acrescentar mais itens aí na parte dos comentários.

Segue a lista que eu fiz: Continuar lendo

BH em pé de guerra pelos 20 centavos

Foto: Cristiano Trad / O Tempo

Foto: Cristiano Trad / O Tempo

Beagá está em pé de guerra por causa do aumento de 20 centavos na passagem de ônibus. E porque:

  1. esse aumento foi calculado com base em uma consultoria contestada por movimentos da sociedade civil e pelo Ministério Público;
  2. a Justiça concordou com o MP e suspendeu a cobrança até que uma perícia fosse feita no estudo, mas, mesmo assim, as empresas de ônibus peitaram a decisão por mais de um dia (embolsando, indevida e impunemente, 20 centavos x todos os passageiros transportados), enquanto o prefeito veio a público dizer que o reajuste é “justo“;
  3. os ônibus continuam péssimos e os do Move viraram moeda de troca para os consórcios barganharem lucros maiores — enquanto o trânsito segue insolúvel;
  4. foi por causa de aumentos de ônibus que os protestos começaram a acontecer em junho do ano passado (ganhando força com os ingredientes repressão policial + cobertura intensa da mídia e transmissão forte via redes sociais + presença da Fifa para a Copa das Confederações, que são um ensaio para a contestada Copa do Mundo no país) e estamos a menos de 100 dias da Copa, quando os movimentos voltarão a se organizar cada vez mais para protestar de novo e de novo, em nome de seus interesses vários.

Enfim, por enquanto há trégua. Mas, daqui a 30 dias, novos protestos devem acontecer. E, a esta altura, estaremos a um mês da Copa. E os movimentos estarão mais organizados. Fico me perguntando como estão as reuniões de gerenciamento de crise na prefeitura e no Estado, para conter eventuais fervuras na sociedade? Ou apostam alto que nada na dimensão do que aconteceu em 2013 irá se repetir e, por isso, dão de ombros e insistem no aumento das passagens de ônibus? (OBS.: Em Minas nós falamos “passagem”, não “tarifa”. Não sei de onde tiraram o nome do movimento Tarifa Zero, mas deve ter sido de outro lugar).

Eu, pessoalmente, não acredito que teremos protestos daquele tamanho de novo. E acredito que, em 30 dias, ou pouco mais, as passagens de ônibus de BH estarão devidamente mais caras, em 20 centavos ou pouco menos, ou até pouco mais.

E também acredito que, passados 30 anos, ou pouco mais, ou pouco menos, nossos ônibus seguirão com prioridade zero e com todos os defeitos, falhas e problemas que possuem hoje, mas embebidos em um trânsito muito mais caótico.

Quem viver, verá.

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