Sobre a avenca, a leveza e a sorte

Postei no meu Instagram e compartilho também aqui:

Eu me dei de presente de aniversário esse vasinho de avenca. 🌿🌿🌿 Achei tão linda, tão delicada, tão leve – e leveza é tudo o que espero deste próximo ano de vida 💚 Já em casa, fui ler sobre a planta no oráculo Google. Descobri que ela é muito usada na medicina fitoterápica e que seu chá é bom calmante, bom diurético e bom expectorante, indicado para curar tosse e rouquidão. Já nas páginas mais místicas, disseram que a avenca dá boa sorte e traz muita paz para o lar. Poxa, eu só queria uma decoração pra alegrar a casa (e os olhos) e acabei ganhando um presente completo! Viva a natureza!

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64 nunca mais!

É tão surreal, mas tão surreal que o presidente da República determine a CELEBRAÇÃO de um golpe militar que torturou pessoas e cerceou a liberdade de imprensa, de expressão e de manifestação no país, que me faltam palavras para comentar.

Ainda bem que existem os chargistas, que sempre falam o que estou sentindo e pensando:

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Espero que o STF proíba esse descalabro a tempo.

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Mais um ano de vida. E a mesma alma de anos atrás

À esquerda, eu aos 26 anos, em 2011. À direita, eu deitada na rede, olhando a paisagem, neste ano de 2019. Diferente, mas igual.

Sempre que chega meu aniversário, gosto de fazer um balanço da vida. Ver os rumos que estou tomando, as curvas ou atalhos que peguei no caminho, os destinos aos quais pretendo chegar algum dia. Desde que este blog foi criado, já fiz sete balanços do tipo (só pulei o de 2016, no auge da licença-maternidade, quando o blog teve que ficar meio abandonado).

Hoje chego aos 34 anos com um certo desânimo, mais ou menos inédito na minha vida. Provavelmente agravado pelo momento político absurdo, surreal, que estamos vivendo, com verdadeiros patetas nas três esferas do poder, fazendo pataquadas diárias, ou várias por dia – e depois tendo que recuar, numa rotina que deprime até os mais otimistas.

Depois de muitos percalços na minha vida, estou com o campo profissional e pessoal finalmente serenos. Ufa. Mas não dá pra dizer que eu esteja “de bem com a vida”. Como em outras ocasiões, resolvi fazer o que faço melhor: arregacei as mangas e tomei providências. Decidi cuidar mais de mim. No início do mês, fiz um check-up na saúde (está tudo bem), me inscrevi em uma atividade física, voltei a fazer reeducação alimentar. Comecei a cortar a internet no momentos de lazer, a trabalhar menos fora do expediente de trabalho. Agora estou batalhando para trabalhar minha cuca, para que se estresse menos, se deprima menos, se abale menos. Quero ser mais zen. Tão pilhada como sou? É tudo um caminho a se perseguir, enfim.

Falei, falei e não falei nada. É que o balanço deste ano está bem menos inspirado que nos outros sete anos. No ano passado, refleti sobre as tantas mudanças pelas quais passei na última década e sobre como é bom mudar para que, no processo, possamos jogar fora os caquinhos guardados inutilmente.

Em 2017, contei a história de uma velhinha que muito me inspirou, e sobre como eu queria poder ser eternamente jovem, como ela, esteja eu em qual idade estiver.

Em 2015, refleti sobre o suposto “divisor de águas” que é chegar aos 30 anos de idade: “Não sou a correspondente internacional, autora de best-sellers, viajante do mundo inteiro, como eu previa que ia ser, quando eu tinha apenas uns 15 anos. Mas aprendi a ser feliz com menos, a curtir minha própria companhia, a gostar de ficar em casa numa sexta à noite, só conversando com meu amor, a gostar de passar uma tarde de domingo com a família, em vez de num churrascão. São coisas prosaicas que, chegados os 30 anos, me parecem o maior dos luxos. E outros sonhos vão surgindo no lugar dos antigos.”

Em 2014, meu texto foi cheio de gratidão pelo caminho percorrido até os 29 anos e, principalmente, pelas pessoas (ou “poeiras cósmicas”) que cruzaram minha jornada.

Em 2013, eu parecia estar explodindo de felicidade. Certa de que todas as mudanças que tinha enfrentado antes tinham culminado no melhor dos mundos.

Em 2012, escrevi, após um período de grande melancolia que eu vivia naquele começo de ano: “A tristeza é útil, para nos fazer reconhecer a alegria. Assim como a morte existe para destacar e distinguir a vida.”

E em 2011, fiz um poema que tentava traduzir minha vida até aquele momento, aos 26 anos. Engraçado que, de todos esses balanços, é esse mais antigo, de quase uma década atrás, o que mais me trouxe identificação neste 2019. É por isso que decidi, nesta noite pouco inspirada, reproduzir o poema daquele ano aqui. Só tomando a liberdade de atualizar a conta de dias, horas e minutos vividos e de destacar meus trechos favoritos:

“Ri, sorri
(fotogenicamente)
Chorei
(de acordar com duas bolas nos olhos)
Quis morrer
(e fiz poema, instead)
Quis chegar aos cem
(como a Maude e a Luísa)
Fiz o bem
(ou o tentei, sempre)
Perdi amigos
(que viraram em outras curvas)
Dispensei outros
(que mostraram não valer o título)
Conquistei pessoas
(mas me conquistaram em cheio)
Amei
(sofri)
Trabalhei e venho trabalhando
(aventuras ou percalços)
Envelheci:

Já tenho cabelos brancos,
barriga de chopp,
linhas de rugas na testa,
olheiras,
mas ainda assim me dão a idade certa
(e há os que suspeitam que minha idade mental seja de criança).

A impressão que tenho é que nunca vou viver o bastante
para o tanto que quero fazer e tentar
(e, ao mesmo tempo, me canso de tanta vida.)

À beira dos 12.410 dias
Mais de 290 mil horas
E de 17 milhões de minutos
Que interferem, como estrelas,
em outras constelações paralelas.
De forma luminosa, pois sim,
mas absolutamente insignificante no todo.

A vida é isso:
um amontoado de insignificâncias,
de encontros e desencontros,
de apontamentos e desapontamentos,
de convivências certas e erradas,
de fugas e momentos de audácia,
de liberdade sempre contida
e felicidade sempre instável.

Seguirei sendo esse ser fundamentalmente bipolar
um poço de defeitos feios
mas de intenções sinceramente boas
(como as que povoam o inferno.)

Que o deus do bom humor me guie,
porque é só dele que precisamos
para que a dura vida dure sendo leve.”

É engraçado pensar que minha vida, hoje, nada tem a ver com aquela da Cris de 2011, de 26 anos, morando sozinha em São Paulo, vivendo exclusivamente para trabalhar, sem marido, sem filho, “foca” na profissão. E que, ao mesmo tempo, tenhamos tanto ainda em comum. Ou seja: a gente cresce, amadurece, vira uma profissional experiente, se casa, publica livros, vira mãe, muda de cidade, muda mil vezes de lar, muda mil vezes de emprego, leva calotes, contrai dívidas, engorda, emagrece, engorda de novo, muda de hábitos, volta a hábitos antigos, lê dezenas de livros, assiste a centenas de filmes. Mas, ainda assim, nossa alma dá um jeito de continuar a mesma.

Torço para que minha alma ainda conserve a alegria e entusiasmo da Cris menina, hoje e para sempre! Como dizia meu pai, “Peter Pana”. Lutando bravamente para transformar este mundo insano numa Terra do Nunca decente.

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‘Akva’: um livro para conscientizar as crianças sobre as questões ambientais

Já faz um tempo que meu primo, o também jornalista Bruno Moreno, me contou sobre a história de Akva, a pequena molécula de água que roda o planeta em uma grande aventura. É um livro voltado para crianças acima de 8 anos, ou seja, que já encaram uma boa quantidade de páginas, e que já conseguem entender, se isso for bem contado, conceitos importantes como o das mudanças climáticas. Passando, de forma divertida e lúdica, por conhecimentos de geografia, história, biologia, química, meio ambiente e física.

Agora o que era um projeto do meu primo tornou-se uma publicação prontíssima, só esperando o dinheiro para chegar às estantes das livrarias. E foi na última sexta-feira, no Dia Mundial da Água, que Bruno Moreno resolveu lançar uma campanha de financiamento coletivo, para ajudar a bancar este projeto tão maravilhoso de educação ambiental.

Como acontece em outras “vaquinhas” do tipo, as pessoas não estão apenas doando um dinheiro para um projeto ganhar vida: elas estão antecipando uma compra. Ou seja, a cada dinheiro doado, você já faz uma reserva de uma recompensa, que, no caso deste projeto, inclui o próprio livro, um quebra-cabeça, um pôster da artista plástica Anna Cunha (ilustradora de mais de 20 livros, e que também abraçou “Akva”) ou, para quem quiser fazer uma doação mais generosa, um combo que inclui uma oficina de literatura e artes e mais 15 exemplares do livro, que será lançado entre setembro e outubro deste ano.

Como já fiz em outras ocasiões aqui no blog, achei bacana o projeto e por isso resolvi apoiá-lo e divulgá-lo por aqui e em minhas redes sociais. Se tem uma coisa que eu desejo para meu filho, hoje com 3 anos, é que ele cresça com consciência ambiental. Ou ciente de que “o planeta é um só, e tudo está integrado”, como bem disse meu primo. “Akva” (palavra em esperanto que quer dizer “aguado”) pode dar um primeiro empurrãozinho nesse sentido.

Ficou interessado? CLIQUE AQUI e reserve seu exemplar, contribuindo também com o financiamento do projeto.

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‘Antes da Queda’: para quem gosta de suspense e de refletir sobre o jornalismo

“Antes da Queda” poderia ser só mais um thriller, mas não é. Poderia (e imagino que será, algum dia) facilmente ser roteirizado para o cinema, para um suspense cheio de ação. A sinopse: um jatinho particular de luxo cai com 11 pessoas dentro. Duas sobrevivem. Investigações começam para tentar descobrir o que causou a queda. Falha mecânica? Falha humana? Um atentado terrorista?

(Lembra alguma notícia recente, não?)

Mas o mais legal desse suspense-ação sobre um avião que cai logo nas primeiras páginas (ou poderia cair nos primeiro minutos do blockbuster) é que o autor, Noah Hawley, não se atém ao esperado para o gênero. Ele acrescenta muitas reflexões interessantes, de todos os tipos – e a maior e mais frequente delas é sobre o jornalismo espetacularizado, sobre programas de TV que misturam reportagem a entretenimento, sobre a ultraexposição de personagens de tragédias (e temos vivido tantas tragédias no Brasil, que fica fácil transportar para nossa realidade). Sobre, em última instância, como o consumidor de notícias não necessariamente está interessado nos fatos, na verdade, mas no espetáculo, no que “dá audiência”, “dá clique”, “dá leitura”.

Trata-se de uma discussão maravilhosa para entusiastas do jornalismo (como eu). O que é realmente interesse público, quando se trata da cobertura de uma grande tragédia? O que é mero entretenimento?

O livro aprofunda (ou afunda) ainda mais a discussão, ao tratar das maneiras antiéticas com as quais alguns jornalistas/jornais trabalham – lembrando os vários tabloides ingleses que já foram pegos grampeando telefones etc.

Mas, mesmo que você não seja diretamente interessado em discussões sobre o fazer jornalístico, certamente vai se entreter muito com essa leitura. Porque, pra melhorar, “Antes da Queda” é muito bem escrito, muito bem construído. Ele intercala a ordem cronológica das coisas com breves históricos dos principais personagens, o que: 1) cria pausas longas até a continuação da narrativa, no capítulo seguinte, nos levando a querer ler rápido para descobrir o que vai acontecer; 2) permite que a gente vá conhecendo melhor o passado dos personagens, o que vai, ao mesmo tempo, trazendo informações reveladores para o mistério do presente. Essa técnica narrativa faz com que a gente fique preso ao livro o tempo todo e deixa a leitura muito ágil.

Sobre as reflexões que o autor faz, como comentei no início, o bacana é que elas invadem o texto sem pedir muita licença. E às vezes são verdadeiras digressões – mas isso, não incomoda, pelo contrário. Dois trechos abaixo servem de exemplo:

“Depois de ser alçada ao posto de herói pelo resto da humanidade, a pessoa perde o direito à privacidade. Torna-se um objeto despido de uma parte incalculável de sua humanidade, como se tivesse ganhado uma loteria cósmica e acordado um dia como uma divindade menor. O patrono da sorte. O que você queria para si para de importar. Tudo o que importa é o papel que você tem na vida dos outros. Você é uma borboleta rara levemente erguida no ângulo certo em relação ao sol.”

“Um nascer do sol, uma rajada de vento no inverno, aves voando e formando um V perfeito. Eram coisas que existiam. A verdade visceral e sublime do universo era que elas existiam se as testemunhássemos ou não. Majestade e beleza eram qualidades que projetávamos nelas. Uma tempestade era apenas uma manifestação climática. Um nascer do sol era simplesmente um padrão celestial.”

Enfim, por tudo isso, “Antes da Queda” foi eleito por vários veículos (como o “New York Times”, por exemplo) um dos melhores thrillers de 2016. Se você gosta de suspense com um quê cinematográfico e gosta de notícias, certamente apreciará a leitura em dobro.

Antes da Queda
Noah Hawley
Tradução de Carolina Selvatici
Editora Intrínseca, 2017
366 páginas
De R$ 20 a R$ 34,90

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