Mais um ano que acaba (e haja notícia!)

Salvador Dali

Salvador Dali

Rio das Ostras, fogos de artifício, mar azul. Marchinhas politizadas de Carnaval. Vejo todos os filmes do Oscar. Morre jornalista Santiago Andrade. Facebook compra aplicativo WhatsApp por US$ 16 bilhões. Morrem Philip Seymour Hoffman e Eduardo Coutinho. Carnaval. Avião da Malásia desaparece com 239 a bordo. Fui para o portal. Operação Lava-Jato revela esquema de corrupção na Petrobras e ex-diretor é preso. 29 anos de idade. Eu não mereço ser estuprada. Doença em família. Semana Santa no Ceará. Morre Gabriel García Márquez, José Wilker, Luciano do Valle. Férias on the road: São Paulo, Santa Catarina, Minas. Copa do Mundo. No Mineirão. Família ganha novo bebê. Tragédia em BH, viaduto cai, 2 morrem e 22 ficam feridos. Avião é abatido com 298 passageiros na Ucrânia. Revelado aeroporto que governo de Minas construiu para família de Aécio. Morrem Ariano Suassuna, Rubem Alves, João Ubaldo Ribeiro, Plínio de Arruda Sampaio. Vexame na Seleção, 7 a 1 pra Alemanha. Galo campeão da Recopa. Morre Robin Williams, captain, my captain. Morre Eduardo Campos, ressurge Marina Silva. Roger Abdelmassih é preso. Eu me casei. Ilha Grande, paraíso. Blog no Brasil Post. Fernando Pimentel é eleito no primeiro turno e põe fim a 12 anos de dinastia tucana em Minas. Eleições do ódio. Dilma é reeleita, com vitórias em Minas (onde Aécio governou), Rio (onde Aécio mora) e Pernambuco (de Eduardo Campos). Show de Luiz Melodia. Ineditamente, executivos de grandes empreiteiras são presos por oferecerem propina. Galo campeão da Copa do Brasil vencendo por 3 a 0 seu maior rival. Chaves morre, morre Manoel de Barros. Família ganha outro bebê. Perdi 7 kg sem perder a cabeçaEstados Unidos e Cuba se reaproximam após 53 anos. Morre Joe Cocker. Natal (e aniversário do blog). Serra do Cipó. Avião desaparece na Indonésia com 162 a bordo. Ano do ebola. Ano de crise hídrica sem precedentes.

Uma coisa que não faltou neste ano foi notícia, né? A matéria prima dos jornalistas esteve mais ativa que nunca.

Fora este parágrafo de retrospectiva, pessoal, nacional e mundial, eu também quero destacar um desafio que o “Brasil Post” propôs a seus blogueiros e que publiquei por lá nesta semana: eles perguntaram para quem tiro o chapéu e para quem enterro o chapéu bem fundo em minha cabeça neste 2014. CLIQUE AQUI para ver o que respondi 😉

E você, o que achou deste 2014? Quais fatos mais marcaram sua vida, pessoalmente ou não? Para quem você tira o chapéu neste ano?

Feliz ano novo! Que sua passagem de ano seja bem alegre e divertida e que 2015 seja um ano ainda melhor e mais agitado do que foi este 😀

Leia também:

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Filmes em 2014, melhores e piores

filmes2014

Neste ano, assisti a 48 filmes. Desses, 8 eu vi no cinema (e tudo no segundo semestre, vejam só!). O restante, em DVD. Vou juntar todos numa lista só e ficam como sugestão para vocês assistirem, mantendo mais uma tradição deste blog em dia 😉 A grande maioria merece ser vista. Abro com os que concorreram ao Oscar. E, entre parêntesis, em boa parte dos casos, você pode acessar o link para a resenha completa de cada filme:

Vale a pena ver:

  1. Ela (mais AQUI)
  2. Clube de Compras Dallas (mais AQUI)
  3. Nebraska (mais AQUI)
  4. O Lobo de Wall Street (mais AQUI)
  5. Capitão Phillips (mais AQUI)
  6. 12 Anos de Escravidão (mais AQUI)
  7. A Menina que Roubava Livros (mais AQUI)
  8. Relatos Selvagens (mais AQUI)
  9. Jersey Boys
  10. Amores inversos (mais AQUI)
  11. Última Viagem a Vegas (mais AQUI)
  12. Trapaça (mais AQUI)
  13. Gravidade (mais AQUI)
  14. O Juiz (mais AQUI)
  15. Lucy (mais AQUI)
  16. O Doador de Memórias (mais AQUI)
  17. À Beira do Caminho (mais AQUI)
  18. Nação Fast Food (mais AQUI)
  19. Jobs (mais AQUI)
  20. A Vida Secreta de Walter Mitty
  21. Na Natureza Selvagem (já vi várias vezes; mais AQUI)
  22. Histórias Cruzadas (segunda vez que vi; mais AQUI e AQUI)
  23. Gonzaga (segunda vez que vi; mais AQUI)
  24. Mary Poppins (Um clássico! Mais AQUI)
  25. Forrest Gump (Um clássico! [2] Mais AQUI)
  26. Os Fantasmas de Scrooge (terceira vez que vi; mais AQUI)
  27. Jogos Vorazes
  28. Garotas Malvadas
  29. As Duas Faces de Um Crime (segunda ou milésima vez que vi)

Veja se estiver com tempo sobrando:

  1. Álbum de Família
  2. Blue Jasmine (mais AQUI)
  3. O Despertar de um Homem (mais AQUI)
  4. Inside Llewyn Davis
  5. A Culpa é das Estrelas
  6. Meu Malvado Favorito 2
  7. Cine Holiúdy (mais AQUI)
  8. O Amor é Cego
  9. As Aventuras de Paddington
  10. Anjos e Demônios
  11. Divã do Amor
  12. Miss Simpatia
  13. Entrando Numa Fria Maior Ainda
  14. O primeiro mentiroso

Não veja!

  1. O Som ao Redor (mais AQUI)
  2. O Conselheiro do Crime
  3. O Julgamento do Diabo
  4. Vizinhos
  5. Qualquer gato vira-latas

Concorda com a listinha? Recomenda mais algum? Fique à vontade para compartilhar sua própria lista aí nos comentários 😀

Leia também:

Melhores livros de 2014

Continuando uma tradição deste blog, segue uma lista dos 10 livros mais divertidos deste ano:

sempreemdesvantagem

 

Sempre em desvantagem, de Walter Mosley, 236 págs. 14 capítulos, que também podem ser lidos como contos separados, sobre a história de Sócrates, um ex-presidiário que mora em Los Angeles, nos Estados Unidos. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

ogoano

 

O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, 410 págs. Esotérico, mas muito muito bom e bem escrito, com um narrador-personagem engraçado, irônico e sombrio ao mesmo tempo. Este não virou best-seller por acaso, não. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

xadrez

 

A Máquina de Xadrez, de Robert Löhr, 351 págs. História real, de um barão do século 18 que enganou toda a corte imperial de Viena ao anunciar ter criado uma máquina que consegue jogar xadrez — um autômato que pensa. Na verdade, era um anão genial, escondido dentro do mecanismo. As consequências da fraude e a ansiedade gerada por ela são muito boas. Leia mais sobre ele AQUI.

 

holocausto

 

Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex, 255 págs. Uma história pouco conhecida dos brasileiros, embora tenha sido uma tragédia — praticada com o aval do Estado — que resultou na morte de ao menos 60 mil pessoas em 50 anos. Um livro-reportagem que, embora relate o horror, sabe amenizá-lo com histórias emocionantes e muito humanas. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

cuco

 

O Chamado do Cuco, de Robert Galbraith (JK Rowling), 447 págs. Um detetive que investiga um assassinato de top model confundido com suicídio. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

 

pelefria

 

A Pele Fria, de Albert Sánchez Piñol, 239 págs. Um homem que decide, por conta própria, passar um ano inteiro numa ilha minúscula perto da Antártica, onde só vive mais um habitante. Mas aí, logo no começo, descobrimos que a ilha não é assim tão desabitada, e nosso protagonista terá de lutar diariamente, com todas as suas forças e recursos escassos, para salvar a própria pele. Leia mais sobre ele AQUI.

 

 

dan

 

Inferno, de Dan Brown, 446 págs. Imaginei que seria um best-seller chato, mas, além de ser muito bem escrito, traz reflexões interessantes sobre a superpopulação, embora não seja este seu objetivo principal. Pode ser encontrado por a partir de R$ 19,14.

 

 

leitederramado

 

Leite Derramado, de Chico Buarque, 195 págs. Leia sobre ele AQUI, é muito difícil resumir em poucas linhas.

 

 

 

quebert

 

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, de Jöel Dicker, 572 págs. Tem todos os ingredientes que os bons livros costumam ter, e muito mais: tem suspense, drama, comédia, sátira, história de amor, história policial, várias narrativas entrelaçadas (contadas por personagens diferentes, em formatos diferentes, em épocas diferentes, tudo de forma tão coesa que, mesmo com mil reviravoltas, você nunca perde o fio da meada). Leia mais sobre ele AQUI.

 

dorian

 

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, 298 págs. Um clássico da literatura que questiona a busca incessante pela beleza e pela juventude eternas. O mais interessante do livro, que tem seus momentos entediantes, são as falas de Lorde Henry, que é o personagem mais instigante do livro, e solta muitas pérolas sobre seu modo peculiar de encarar a vida. Mais sobre isso AQUI. Pode ser comprado a partir de R$ 13,80.

 

Leia também:

Receita especial para a ceia de Réveillon

Era dia 24 de dezembro, e tínhamos combinado de levar um lombo para a ceia de Natal da família. Alguém já ia levar o tradicional peru, então o lombo seria um complemento para a comilança. Mas minha irmã telefonou pouco antes do almoço e avisou: “Não vai precisar mais do lombo, Cris.” Beleza, começamos então a prepará-lo para o almoço. Uma hora depois, quando ele já estava prestes a ser devorado, minha irmã ligou de novo para dizer que houve um erro de comunicação e o lombo seria, sim, necessário. Ops, e agora?! Para não desfalcarmos a ceia, improvisamos um filezinho suíno com frutas, que não só substituiu o lombo à altura como foi o prato mais comido da noite 😀

Todas as fotos: CMC

Todas as fotos: CMC

Com tanto sucesso, vale a pena compartilhar a receita — facílima — para que você a experimente em sua ceia de Réveillon. Anote aí:

INGREDIENTES

  • 4 filezinhos de porco (cerca de 2kg)
  • 1 abacaxi médio
  • 2 cebolas
  • azeite
  • molho de soja
  • 1 lata de cerveja
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • frutas para decorar (cerejas, kiwi e ameixa ou nectarina)

MODO DE PREPARO

Para temperar os filezinhos: coloque a carne em uma vasilha ou saco plástico e deixe marinando em molho de soja, cerveja, sal e pimenta do reino. Guarde por cerca de três horas na geladeira.

Depois desse tempo, asse a carne até ela ficar corada, o que deve levar cerca de 1h30 (mas depende do seu forno). Se você preferir assar/grelhar em uma panela-churrasqueira, como esta abaixo, vai levar cerca de 1 hora.

A panela-churrasqueira é esta. Inclusive, fica a dica de presente ideal para os gourmets que você conhecer: ela é prática demaissss e não solta fumaça, então dá pra fazer churrasco até dentro de apês pequenos e sem ventilação.

A panela-churrasqueira é esta. Inclusive, fica a dica de presente ideal para os gourmets que você conhecer: ela é prática demaissss e não solta fumaça, porque vem com uma tampa, então dá pra fazer churrasco até dentro de apês pequenos e sem ventilação.

Quando a carne já estiver quase pronta, comece a preparar o molho, que é rapidinho: refogue com azeite, em uma panela sobre fogo alto, as cebolas picadas em tiras. Depois de um tempo, jogue sobre elas o molho de soja. Pode também colocar um pouquinho do sal e da pimenta por cima. Por último, jogue na panela todo o abacaxi picado em cubos. Misture tudo e, quando começar a ferver, deixe cozinhando em fogo baixo por uns 7 minutos, o que vai deixar o molho menos aguado.

Quando estiver tudo pronto, coloque os filezinhos em uma travessa bonita, já para servir à mesa. O ideal é cortá-los em pedaços de dois a três dedos de largura. Jogue o molho por cima. E use as frutas para decorar.

O prato deve ficar deste jeito, ó:

Foto: CMC

Receita criada por Beto Trajano

Tempo de preparo total: 4 horas e meia a 5 horas (considerando o tempo de descanso na geladeira para temperar)
Rende para 8 a 12 pessoas

CLIQUE AQUI para ver mais receitas do blog, todas fáceis de preparar 😉

Um tempo para profecias (ou a terceira guerra mundial)

terceira-guerra-mundial

Texto escrito por José de Souza Castro:

É tempo de desejar feliz Natal e próspero Ano Novo aos meus poucos leitores. É o que lhes desejo. Apesar disso, é tempo também de pensar um pouco sobre o que o futuro nos reserva, moradores do mundo.

Não entram nas minhas preocupações as dificuldades que a presidente Dilma Rousseff terá pela frente, ao iniciar-se seu segundo mandato. E nem as escaramuças dela com os oposicionistas e, principalmente, com os aliados do próprio governo no Congresso Nacional. Isso é fichinha diante do que preocupa, por exemplo, o ilustre sociólogo português Boaventura de Sousa Santos: a terceira guerra mundial.

Em artigo recente, ele adverte que “tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial”. Quem a prepara são os Estados Unidos e seus aliados na Europa, tendo como pretexto a Ucrânia. Os alvos são a Rússia, principalmente, e a China. “A escalada da provocação à Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria”, afirma Boaventura.

Nesta guerra fria, ao contrário da primeira, a Europa é um participante ativo, ainda que subordinado aos EUA, e assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear, diz o sociólogo português. “Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear”, acrescenta.

Eu não tento fazer planos sobre o futuro de meus netos. Haverá por perto alguma caverna suficientemente profunda para que possam se esconder?

Norte-americanos e europeus estão a provocar os russos de três formas, explica Boaventura:

1. Sanções para debilitar a Rússia, como a redução do preço do petróleo, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. E que prejudicarão também outros países considerados hostis aos norte-americanos, como Venezuela, Irã e Equador.

2. Instalação de um governo satélite em Kiev, começando por nomear uma ex-funcionária do Departamento de Estado, Natalie Jaresko, como nova ministra das finanças da Ucrânia. Cidadã americana, presidente de várias empresas financiadas pelo governo dos EUA e criadas para atuar na Ucrânia, Natalie obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo de ministra.

3. A guerra de propaganda, com a grande imprensa sendo pressionada a difundir tudo o que legitime a provocação ocidental e ocultar tudo o que a questione. Boaventura cita o jornalista australiano John Pilger, conhecido mundialmente. Ele afirmou recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram, até recentemente, 1.455.590 iraquianos e 4.801 soldados norte-americanos. “Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?”, indaga Boaventura.

De qualquer forma, tudo será feito em nome da defesa da democracia, como sempre. Não foi assim em 1964, aqui no Brasil, na preparação do golpe militar? Mas, questiona o sociólogo português que viveu sob a ditadura de Salazar, em seu país:

“Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando países da UE membros da NATO (Otan) podem estar a ser conduzidos, à revelia dos cidadãos, a travar uma guerra contra a Rússia em benefício dos EUA, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas de conforto enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?”

Dois fatos, na opinião de Boaventura, explicam o que se passa: o declínio dos EUA enquanto país hegemônico; e o negócio altamente lucrativo da guerra. “Transformar os sinais óbvios de declínio em previsões de agressão visa justificar a guerra como defesa. Ora a guerra é altamente lucrativa devido à superioridade dos EUA na condução da guerra, no fornecimento de equipamentos e nos trabalhos de reconstrução”, afirma o autor.

Boaventura lembra que há pouco mais de dois meses o “New York Times” divulgou relatório da CIA sobre o fornecimento clandestino e ilegal de armas e financiamento de guerras nos últimos 67 anos em muitos países, entre eles, Cuba, Angola e Nicarágua. Esta notícia, acrescentou, serviu para que Noam Chomsky dissesse que aquele só podia ter o seguinte título: “Yes, we declare ourselves to be the world´s leading terrorist state. We are proud of it” (“Sim, declaramos que somos o maior estado terrorista do mundo. E temos orgulho nisso”).

Não é só Boaventura que critica a política dos Estados Unidos. Veja-se Immanuel Wallerstein, pesquisador senior da Universidade de Yale e autor do livro “The Decline of American Power: The U.S. in a Chaotic World”. Vale ler o artigo em inglês, AQUI. Trecho citado por Boaventura:

“Os EUA se transformaram num canhão descontrolado (a loose canon), um poder cujas ações são imprevisíveis, incontroláveis e perigosas para ele próprio e para os outros. A consequência mais dramática é que esta irracionalidade se repercute e intensifica na política dos seus aliados. Ao deixar-se envolver na nova guerra fria, a Europa não só atua contra os seus interesses econômicos, como perde a relativa autonomia que tinha construído no plano internacional depois de 1945”.

Fim de ano é propício a profecias para o ano seguinte. Alguém aí se anima?

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