150 coisas que aprendi em quatro anos de maternidade: dicas práticas para mães e pais

Maio está chegando ao fim, mas não sem antes eu falar alguma coisa sobre maternidade. Afinal, dizem que este é o “mês das mães” e, desde 2015, a maternidade se tornou mais um tema frequente no blog, com a chegada do Luiz. Virou uma categoria e, vez por outra, em meio a posts sobre política, literatura e cinema, compartilho nela minhas experiências e aprendizados como mãe de primeiríssima viagem.

Neste post, fiz um compilado de algumas coisas que aprendi nestes quatro anos (contando a gestação, que também é um aprendizado à parte). Espero que possam ser úteis a outras mães e pais que passarem por aqui 😉

 

Durante a gestação:


Para recém-nascidos e bebês de até 1 ano:


Para bebês de 1 a 2 anos:


Para crianças de 2 a 3 anos:


Bônus:

 

 


Leia sobre outros aprendizados:

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‘Tully’: Um filme curto, de roteiro simples e, ao mesmo tempo, profundo

Vale a pena assistir: TULLY
Nota 8

Numa época em que todos os filmes estão ultrapassando as duas horas de duração – inclusive as animações destinadas ao inquieto público infantil –, é bom demais quando surge um filme como este “Tully“, que, em apenas 1h35min, consegue amarrar um roteiro cheio de drama, suspense, reflexões importantes sobre o universo da maternidade e sobre a vida a dois, e ainda umas poucas pitadas de humor.

Estamos falando de um filme com a seguinte sinopse: uma mãe, completamente exausta após o nascimento da terceira filha, resolve acatar o conselho do irmão rico e contratar uma babá noturna, que tem a missão de facilitar sua vida e propiciar momentos de descanso e de noites bem dormidas. A chegada de Tully causa uma reviravolta da vida desta mãe. Fim.

Seria um filme entediante e talvez interessante só para o público restrito daquelas mães que já passaram pela extenuante tarefa de trocar mil fraldas/amamentar o tempo todo/sentir dores/administrar a casa/etc, que só quem teve um recém-nascido em casa sabe como é, mas “Tully” acerta ao trazer reflexões mais amplas e ainda abrir o leque do gênero drama, com suas pitadas de mistério.

Uma das reflexões que o filme traz é sobre a necessidade de a mulher-mãe se cuidar, e sobre como isso é importante inclusive para que ela tenha condições, físicas e psicológicas, de cuidar também das crianças. Há ainda a abordagem da participação paterna na criação dos filhos, além de outros temas paralelos, como as preocupações extras que um filho com espectro autista traz para a mãe. Mas eu diria que o mote principal do filme é uma palavrinha: EXAUSTÃO.

Em dado momento, a personagem interpretada pela sempre ótima Charlize Theron diz que às vezes a exaustão é tão grande que ela não sente forças nem para trocar de roupa. Abre o guarda-roupa e pensa: “Nossa, não fiz isso ainda?”. A frase é algo nesta linha. Eu me identifiquei demais. Já tive fases da minha vida, inclusive no período logo após o retorno da licença-maternidade, em que eu só conseguia me definir como uma pessoa exausta. Até que um dia dei um tilt no meu emprego e decidi inclusive iniciar a busca por um novo trabalho. Quando não sobram forças nem para pensar, estamos no limite da exaustão. E muitas mães de crianças recém-nascidas passam por isso e certamente vão se identificar com a protagonista e sonhar com uma babá supostamente perfeita, como é a Tully (Mackenzie Davis) para ela.

Mais do que isso, acho melhor eu não contar, para não estragar as surpresas que são reservadas para os espectadores.

Acredito que a lista de indicados ao Oscar, que vai ser divulgada amanhã, deve trazer Charlize Theron no páreo das melhores atrizes, assim como o Globo de Ouro já tinha feito. Ela, que já foi indicada duas vezes antes e levou uma estatueta para casa, engordou 22 kg para o papel, e está muito convincente. Mas torço ainda para que esse roteiro tão singelo, e ao mesmo tempo tão profundo, que consegue se amarrar tão bem em apenas 1h35min, também seja valorizado pela academia. O mérito aqui é da escritora Diablo Cody, que já havia escrito o roteiro do aclamado “Juno”, do mesmo diretor, Jason Reitman (que também dirigiu outros filmaços, como “Amor sem escalas” e “Obrigado por fumar”). Veremos amanhã.

Assista ao trailer do filme:

Leia também:

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As 20 coisas que já fiz e as 25 que ainda não fiz com meu filho

Há mais de quatro anos, escrevi aqui no blog o post “As 34 coisas que já fiz e as 17 que ainda não fiz“. Que, aliás, se fosse atualizado para hoje, já estaria em 37 coisas feitas e 14 não feitas. (E troquei tantas fraldas de lá pra cá que até acho graça que, naquele momento, ainda não tivesse trocado nenhuma.)

Eis que me cai no colo, ou melhor, ganho de presente de um amigo, o livro “101 Coisas Para Fazer com as Crianças Antes que Elas Cresçam“, de Roberta Faria.

Muito legal, com ilustrações bacanérrimas, este livreto tem sido vendido nos caixas de lojas de brinquedos pelo país afora, geralmente a um preço bem cabível no bolso de qualquer um (R$ 6,50). As vendas são revertidas para o Instituto Ayrton Senna, então, além de virar presente para alguém, o livro também é uma forma de exercer a solidariedade.

Para mim, que adoro esses joguinhos, serviu ainda para montar a lista abaixo, do que já consegui fazer nos 2 anos de vida do Luiz e do que ainda espero conseguir nos anos seguintes, durante a infância dele.

Veja aí e depois me conte nos comentários o que você já fez ou ainda ficou devendo fazer com seu filhote 😉

O que já fiz: Continuar lendo

Meu filho de 2 anos é tímido. E agora? (Ou: e daí?)

“Ele está com sono, né?”

Desde que o Luiz nasceu, há mais de dois anos, esta é uma das frases que mais escuto nas ruas, quando passeio com ele.

Motivo: a pessoa (geralmente desconhecida) brinca com ele, ou manda um beijo para ele, ou diz como ele é lindão, e ele esconde o rosto com a mão, seriíssimo.

Isso quando não são mais diretos:

“Nossa, ele tem a cara fechada!”

“Ele está bravo, hein!”

“Não quer conversa, não!”

E por aí vai.

Quase sempre, eu me dou ao trabalho de responder: “Não está com sono, não.” E acabo caindo na armadilha de completar: “É que ele é tímido.”

Sei que não posso ficar rotulando meu filho assim. Ele é tímido mesmo, mas pra que martelar na testa dele a plaquinha com o adjetivo, que ele provavelmente vai carregar por uns bons anos?

Tenho mudado um pouco a fórmula, quando consigo me lembrar a tempo: “Ele está com vergonha”. Com isso, ele muda do ser para o estar. Estar é transitório, ser é permanente.

Tem vez que minha vontade é ser mais rude: “Ele não quer conversar com você, ele não te conhece, por que ele teria que dar confiança para você? Ele não tem obrigação de te responder, nunca te viu na vida!”

Mas a gente vive em sociedade, etc e tal.

O fato é que nem eu mesma, do alto dos meus quase 33 anos, sei lidar com minha própria timidez; como saberia o que é melhor para fazer a respeito da timidez do meu filho?

“VOCÊ, TÍMIDA?!”. Nossa, quantas vezes já ouvi isso também!

As pessoas confundem meu jeito despachado e risonho de ser com aqueles que eu já conheço/tenho intimidade com ser extrovertida sempre.

Você pode ser extrovertida com seus amigos e ser tímida com desconhecidos. Falar pelos cotovelos com os colegas de escritório e tremer diante de um auditório lotado. Ambas as personalidades coexistem num mesmo complexo ser humano.

(Às vezes acho que sou até um bocado anti-social, mas isso seria tema para outro post…)

Voltando ao meu pequeno: Continuar lendo

No dia da maior birra, fiz uma coisa simples — e a reação do meu filho foi surpreendente

Meu filhote ainda não chegou aos temidos 2 anos, mas já aprendeu a fazer um pouco de birra. Ou manha, ou pirraça, chame como preferir.

Nada como lemos em vários relatos por aí, de se deitar no chão da fila do supermercado e espernear por alguma coisa, ou de ficar 5 minutos inteiros gritando a plenos pulmões, ou de prender a respiração até desmaiar, ou de se bater, ou de bater em mim.

Nada tão dramático. Mas ele já faz aquela manha básica e esperada para a faixa de idade. Que a gente lê que é um grande marco do desenvolvimento da criança, porque mostra que ela chegou ao ponto de querer marcar posição, de querer testar seus limites, de querer tentar ser mais independente. Legal, legal, mas que é uma fase danada de chata, isso é. Daí porque ganhou o apelido de “terrible two”.

Eis que, há algumas noites atrás, Luiz fez uma birra maior que de costume. Além de jorrar suco pelo chão da sala — algo que ele sabe que eu detesto que ele faça, e faz, e depois ainda me olha, bem desafiador, mostrando que fez –, de cuspir toda a comida da janta que passei um tempão cozinhando — outra coisa que ele sabe que eu detesto que ele faça –, de repetir o cuspe na segunda tentativa de janta da noite, de jogar comida no chão, ele ainda gritou bem alto quando falei com ele que estava errado etc.

Às vezes dá vontade de apenas chorar. Ou de dar um gritão mais alto que o dele, competindo pra ver quem é a criança mais pirracenta da casa. Ou de dar uma daquelas palmadas dos tempos da geração da minha avó (porque meus pais nunca me bateram). Ou de deixar ele num cantinho, com a porta fechada, chorando até que ele se canse.

Mas aí me lembro que a mãe sou eu, que a adulta sou eu, que a pessoa com um mínimo de maturidade sou eu, que ele não tem nem 2 anos de idade, que se eu gritar ele vai achar que ganha quem grita mais alto, que se eu bater ele vai achar que ganha quem usa a violência, que tem hora que é cansativo, mas ninguém nunca me falou que a maternidade era bolinho.

E o que fiz naquela noite foi o seguinte. E deu certo:

1- Desisti de dar o jantar e fui dar o banho nele enquanto ele chorava, falando (num tom de voz normal) que não tinha por que ele chorar e que eu não tinha gostado nem um pouco do comportamento anterior.

2- Enquanto tomava o banho, cercado de brinquedos, ele foi parando de chorar aos poucos e começou a se acalmar. E eu falando sem parar nem por um minuto. Que não foi legal o que ele fez etc.

3- Ao deitá-lo no trocador para colocar a roupinha, ele já completamente calmo e sem chorar, aproveitei que ele estava mais atento e fiz um longo discurso. Disse que ele tinha feito três coisas erradas: desperdiçado comida que a mamãe tinha cozinhado com todo o carinho; desobedecido a mamãe, ao fazer algo que já falei mil vezes para não fazer (jogar comida e suco no chão); e desrespeitado a mamãe, ao gritar enquanto eu estava corrigindo o que ele tinha feito de errado.

4- Repeti esse discurso com as palavras mais simples que encontrei, da forma mais clara que encontrei, num tom de voz baixo (mas firme), sempre olhando nos olhos do Luiz, enquanto colocava a roupa nele. Quando chegava ao fim do falatório, perguntava: “Entendeu?”. Fiz isso umas quatro vezes, até que, na última, ele acenou positivamente com a cabeça, olhando para mim, e percebi, pelo olhar dele, que ele realmente tinha entendido.

5- Logo em seguida, ele se sentou e disse “Mamãe!”, num tom de voz alegre, pegou no meu rosto com as duas mãozinhas, aproximou os olhinhos dos meus, e fez carinho. Nunca vou me esquecer dessa reação tão espontânea e, ao mesmo tempo, inusitada, depois de ter ouvido quatro ou cinco vezes o mesmo longo e entediante sermão. Foi muito mágico! Depois disso, ele pediu pela comida que tinha jogado no chão antes do banho, e comeu um pouquinho antes de recusar de vez. Era um daqueles dias de pouca fome e eu não sou de ficar forçando a comer quando não tá a fim.

Depois daquela noite, ele não chegou a fazer nenhuma birra que mereça destaque. Ficou naquela. E levei como lição para mim que, por mais difícil que seja, é importante insistir na compreensão. Uma criança de 2 anos tem capacidade de compreensão já impressionante, mas ainda limitada. Cabe a mim, a adulta da família, a mãe, a comunicadora por formação e profissão, achar um jeito de me fazer comunicar, de me fazer entender, de ser compreendida pelo meu pequeno.

Essas ideias que algumas pessoas têm de que crianças de apenas 2 anos estão “manipulando” me parecem completamente nonsense. Para mim, eles são apenas serzinhos em desenvolvimento — e acontece, muitas vezes, de serem mais desenvolvidos do que muita gente que já tem décadas de vida nas costas. Que bom que meu Luiz está me permitindo seguir em constante evolução, ao lado dele!

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P.S. Antes que alguém comente isso: sei que ainda há uma longa jornada da “fase da birra” pela frente. É bem provável que outras birras, mais homéricas, ainda aconteçam, e não sei se minha “fórmula mágica” vai funcionar nas próximas vezes. Simplesmente porque não exitem fórmulas mágicas, não é mesmo? Cada dia é um dia, cada experiência é única, e raramente as reações se repetem. Mas a cada experiência aprendemos um pouquinho mais, Luiz e eu, e o pai dele. Que assim seja!

E você, como lida ou lidou com as birras dos seus filhos? Como passou pela “terrible two”?