Os posts mais lidos do primeiro semestre de 2019

Os posts mais lidos deste início de 2019, e escritos neste ano, são especialmente sobre duas tragédias que se abateram sobre o Brasil em janeiro: a de Brumadinho, com mais de 200 mortos, e a do governo Bolsonaro, com mais de 200 milhões de feridos. Entre mortos e feridos, sobrou vontade de assistir a alguma coisa na Netflix para espairecer.

Pra quem ainda não leu, pra quem gostaria de reler:

#1

Um poema para Brumadinho (ou: ‘O segundo crime da Vale’)

#2

Tragédia em Brumadinho: uma escolha humana

#3

Em 1 mês de governo Jair Bolsonaro, pelo menos 40 retrocessos e absurdos; veja a lista

#4

Para ver em 2019: as melhores séries da Netflix, segundo os leitores do blog

#5

UFMG não é espaço de balbúrdia, é espaço do saber; balbúrdia é este governo federal!

Teve outro post favorito neste ano? Conte aí qual foi! 😉 


Leia também:

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#PérolasDoLuiz – Entrevista com a pediatra

Luiz estava na consulta da pediatra, com o pai.

No meio da conversa, ao ser questionada sobre a tosse frequente dele, a pediatra pergunta:

– Ele está roncando à noite?

O Luiz, que estava brincando quietinho numa mesinha no canto, ouviu a pergunta e, antes que o pai tivesse tempo de responder qualquer coisa, declarou:

– Eu não, dra. Rita. Quem ronca é o papai!

 

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‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’: um livro sobre todas nós

“A Vida Invisível de Eurídice Gusmão” é sobre um Rio de Janeiro dos anos 40. É sobre o conservadorismo da sociedade brasileira naquela época. É sobre, obviamente, a submissão das mulheres (ou a opressão dos homens) dentro daquele contexto. É sobre família. É sobre casamento. É sobre mãe e filhos. Mas é, sobretudo, sobre a submissão das mulheres (ou a opressão dos homens), naturalizada, entranhada na sociedade brasileira desde os anos 40.

Porque não é só sobre os anos 40. É sobre os 50, os 60. Sobre hoje, plenos anos 20 do século 21. Quase um século passou desde o retratado neste livro de Martha Batalha. Muita coisa mudou, mas quase nada mudou.

É menos difícil de as mulheres trabalharem, como tanto queria a inteligente Eurídice. Mas é tão comum quanto antes serem julgadas por questões de costumes. “Deu antes do casamento?” “É puta.” “Não casou na igreja?” “É vadia.” “Não seguiu o que estava no script?” “É burra.” Exótica, vá lá.

Curioso que nenhum desses rótulos é aplicado quando o julgado da vez é homem.

Este livro pequeno, de apenas 188 páginas (que são plenamente possíveis de ler em um só dia, mas que eu, com minha rotina extenuante trabalho-filho-filho-trabalho, levei quase um mês pra ler, poucas páginas por noite, logo antes de dormir), traz muitas passagens preciosas, e de linguagem ágil, fluida, coesa, que nos transporta para vidas de personagens que surgem do nada, sem pedir licença. Mas uma de minhas favoritas é esta:

“Que linda”, disse um anjo que estava por perto.

“Linda, eu?”, disse Filomena, e o anjo disse “linda sim, você”, e lhe entregou um espelhinho. Filomena viu sua pele perfeita e seus dentes brancos. Ficou tão feliz que deu um beijo no primeiro que viu na frente.

“Isso são modos, Filomena?”

“São modos sim, o senhor sabe que são!”, ela disse, gargalhando.

“Tá certo, Filomena”, disse São Pedro. “Seja bem-vinda. Seus oito anjinhos estão ali na frente te esperando.”

Ele sabia que sim, aqueles eram os modos no céu. São Pedro também riu muito quando chegou e viu sua própria cara limpa. Precisava ver como eram seus dentes na Terra. Ou suas marcas de sífilis.

Tem duas coisas de que eu gosto nesta passagem, em especial. Uma, o destaque para as pessoas que gargalham, as pessoas que sabem ser felizes e fazer o bem aos outros, mesmo quando não têm nem o mínimo. De todas as personagens espetaculares deste livro, Filomena ganhou um lugar especial no meu coração. Minha favorita, por sua leveza, por sua alma de Luiza.

A outra é o tapa na cara que a autora dá nos católicos mais ensandecidos, aqueles bem fanáticos mesmo, destes da era do Bolsonaro, que não se lembram das passagens da Bíblia que mostram Jesus abraçando prostitutas e mendigos com humildade e afeto. São Pedro tinha sífilis, diz a autora do livro, o que não tem nada a ver com a bondade de seu coração. Viva santa Filomena!

E Santa Guida! E Santa Eurídice! As duas protagonistas desta história, que tem várias histórias dentro de si, são irmãs mas quase opostas em personalidade, em destino, em objetivo de vida. Mas, ao mesmo tempo, têm tanto em comum – como, de resto, quase todas as mulheres, de todas as épocas, lugares e gerações.

Cena do filme.

Leio que Martha Batalha, a tataraneta do criador da cerveja Tupã (e autora deste livro incrível), largou a vida que levava para escrever um livro. Ou alternou a rotina que tinha com os tec-tecs da máquina de escrever. Este é seu livro de estreia. E o trem é tão bom que de cara já virou filme e o filme já ganhou um prêmio importante no mais importante prêmio do cinema mundial, o Festival de Cannes. Não é pouca porcaria, não!, diria (ou talvez dirá) minha mãe.

Já a Eurídice do livro de Martha tem ideias suficientes para livros dignos do Nobel e filmes dignos do Oscar e fica sempre empacada pelo marido tacanho, pela sociedade tacanha, pelo mundo apertado para as mulheres, que vigora até hoje. Eurídice tem potencial para conquistar o mundo. Sua irmã Guida também, à sua maneira. Mulheres guerreiras, inteligentes, lindas. Mas tolhidas. Como somos tantas de nós, com nossos potenciais represados.

Quantas décadas terão que se passar para que isso mude? Desconfio que todas, todas as décadas.

(E cada vez mais todas, com este mundo em retrocesso.)

“A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”
Martha Batalha
Companhia das Letras
188 páginas
De R$ 30.65 a R$ 47,90

 

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#Playlist: Chico Buarque e Bob Dylan, os dois mestres da palavra

Fazia tempos que eu não montava uma playlist no meu canal do Deezer.

Fui inspirada agora pela eleição por unanimidade de Chico Buarque, recentemente, para o Prêmio Camões, o maior de literatura em língua portuguesa, pelo conjunto de sua obra.

Como bem colocou Antonio Cícero em comentário para a “Folha de S.Paulo”: “Evidente que esse prêmio é um reconhecimento pela poesia dele nas letras de música, que também são literárias, não só pelos livros. São poemas. Grandes poemas. A música ‘Construção’, por exemplo, é um poema até raro de se fazer. Os primeiros poemas ocidentais conhecidos, alguns dos melhores já feitos, que são os gregos, com os épicos de Homero e os líricos como os de Safo, eram poemas musicados. A palavra lírica vem de lira. A poesia lírica era toda cantada. Seria uma tolice pretender que a letra de música [não seja vista] como grande poema.”

A mesma percepção teve a Academia Sueca, ao premiar Bob Dylan, em 2016, com o Nobel de Literatura. E acho uma bobagem essa comparação que se fez dos dois. Ambos são gênios da poesia, ambos merecem os prêmios que ganharam, e Chico, é claro, poderia e ainda pode ganhar um Nobel de Literatura a qualquer momento, com a maior justiça do mundo.

Minha playlist de hoje mescla canções desses dois grandes poetas universais, grandes letristas, grandes músicos. Viva a poesia cantada!

Aumente o som:

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A magia dos parques de diversões (e como ela permanece inalterada há décadas)

Dia desses escrevi sobre a magia do circo e sobre como uma das coisas mais charmosas nos circos é justamente seu clima de passado, suas tradições conservadas apesar de todas as mudanças tecnológicas, seu ar nostálgico. Escrevi:

Nos circos, parece que estamos em antigamente. Entramos naquelas tendas e é como se tivéssemos sido transportados para o passado. Lá estão as maçãs-do-amor, as pipocas e algodões-doces. Lá está o “respeitável público!”. E os palhaços, acrobatas, equilibristas, trapezistas e malabaristas. O figurino brilhante e colorido.

Se você olha fotos antigas de circos, no Brasil e no resto do mundo, e as compara com apresentações atuais, verá que quase nada mudou. E ainda tem esse caráter universal do circo: ele é quase igual seja no sertão do Ceará ou em um parque da Califórnia. É como se fosse mesmo um universo paralelo, um mundo mágico, um portal para a felicidade e a admiração, que percorre o mundo e, de vez em quando, estaciona em algum lugar para provocar aplausos e “uaus!” do público da vez.

Pois bem, isso não é privilégio dos circos. Os parques de diversões também têm a mesma atmosfera, sem contar que muitos deles também são itinerantes. Por mais que os brinquedos tenham se modernizado, um bom parque sempre terá uma roda gigante, um trem-fantasma, uma casa dos espelhos, um carrossel e um carrinho bate-bate. Algodão-doce e pipoca. Luzes invadindo a noite. Você assiste a filmes como “Roda Gigante“, de Woody Allen, e o terror “Nós“, de Jordan Peele, e, por mais distantes que sejam, inclusive nos gêneros, os parques de diversões mostrados neles têm a mesma cara. Mudam os tamanhos dos parques, as cidades e os países em que estão, mas todos carregam uma atmosfera parecida – e isso é muito legal!

Neste post, trago algumas fotos que fiz em minha mais recente ida a um dos parques mais tradicionais de Belo Horizonte, o Guanabara (que foi fundado em 1951 como parque itinerante, chegou a BH em 1964 e fixou-se na Pampulha em 1970).

Clique sobre qualquer foto da galeria para ver todas em tamanho real:

SERVIÇO:
Parque Guanabara
Endereço: Avenida Otacílio Negrão de Lima, 3333, Pampulha
Contato: 31-3439 7300
Funcionamento: Varia; o melhor é conferir o calendário atualizado no site
Preços: Para entrar, R$ 2 e gratuito em muitos casos (dias úteis, idosos e crianças pequenas). Valor dos brinquedos varia de R$ 4 a R$ 8.


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