As capas de jornal, as charges e o melhor discurso sobre a prisão de Lula

Hoje é um daqueles dias em que eu me vejo na obrigação de ver como estão as primeiras páginas dos jornais do Brasil. Porque é daqueles dias que entram para a História, que serão estudados futuramente pelo meu filho na escola. Lembram o que escrevi no dia 16 de fevereiro? Que estamos caminhando para a volta da ditadura militar no Brasil? Naquele post, contei 10 passos preocupantes. De lá pra cá, outros tantos ocorreram:

1- Marielle Franco foi executada no Rio da intervenção militar

2- Sua memória foi difamada por uma desembargadora e um deputado federal impunemente

3- Um general do Exército dá declarações absurdas (que até a “Folha” viu como perigosas) e não recebe qualquer punição pelo presidente da República

4- O STF decide contra um habeas corpus sem antes votar as ações diretas de inconstitucionalidade que dizem respeito diretamente ao mesmo assunto, e atropela a Constituição Federal – algo que até o Reinaldo Azevedo, que praticamente cunhou o termo “petralha”, admite que aconteceu

5- Um juiz de primeira instância, Sergio Moro, determina a prisão de um ex-presidente da República contrariando o acórdão da segunda instância que previa que a prisão só poderia ocorrer depois de esgotados todos os embargos naquela instância

Já estamos em plena ditadura, meus amigos. Porque o Estado Democrático de Direito foi ferido, a Constituição foi rasgada, e todos nós estamos sujeitos a ter nossa presunção de inocência substituída, arbitrariamente, por presunção de culpa. Ninguém está acima da lei, mas ninguém deveria estar abaixo dela também – como sabiamente disse um senador que voltarei a citar mais abaixo.

Ao ver as capas dos jornais de hoje, não me surpreendi: todas completamente acríticas, como era de se esperar de uma imprensa que tem contribuído com o golpe desde que ele se instalou no Brasil, em 2016. Aí estão algumas delas: Continuar lendo

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A execução de Marielle, as capas de jornais e o Estado paralelo

Marielle Franco no plenário da Câmara Municipal do Rio, no último dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Foto: Reprodução / Facebook

 

Escrevi agora no meu Facebook:

“Passei o dia lendo as manifestações dos meus amigos sobre a morte de Marielle. (Todos muito sensatos, aliás. Devo ter bloqueado os imbecis em 2013). E eu muda, aqui. Nem um post no blog. Ainda estou tentando processar a gravidade do que está acontecendo no Brasil. Só sei que é grave, bem grave mesmo, pessoal.”

Apesar de ainda estar processando tamanha gravidade, resolvi que este blog não poderia deixar passar batido um episódio como este, um crime de execução de uma representante política eleita pelo povo, em plena democracia.

Primeiro, vale registrar as capas dos principais jornais do Rio e do Brasil nesta quinta-feira. Apesar de o crime ter ocorrido tarde da noite, na quarta-feira, dava tempo de a maioria dos veículos ter corrido para manchetar, ainda que fosse no segundo clichê. No entanto, acho que muitos simplesmente não perceberam a gravidade do problema naquele momento. Foi o caso da “Folha”, por exemplo, que deu uma chamadinha minúscula na dobra de cima da primeira página. Os jornais mineiros “O Tempo” e “Estado de Minas” nem sequer registraram na capa. O “Estadão” não manchetou, mas deu com um destaque melhor. Já os cariocas “Extra”, “Meia Hora”, “O Dia” e “Metro” reservaram o espaço adequado para a dimensão da notícia: a manchete. “O Globo” e “JB” deram espaço nobre, no alto de página, mas não a manchete. (Clique em qualquer imagem para ver em tamanho ampliado): Continuar lendo