Alcino Leite Neto fala o que é preciso para ser jornalista

Continuo com o resgate da série do blog Novo em Folha, hoje com o vídeo do jornalista Alcino Leite Neto, então editor de Moda da “Folha de S.Paulo”:

Hoje Alcino é editor-executivo da revista “piauí”.

Veja outros vídeos da série:

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Mônica Bergamo fala o que é preciso para ser jornalista

Há exatamente 1 mês, por ocasião da morte do jornalista Clóvis Rossi, recordei aqui:

“Quando eu trabalhava na Editoria de Treinamento da Folha, fiz cerca de 100 vídeos, que foram divulgados no blog Novo em Folha e na intranet do jornal. Eu tinha separado esses vídeos aqui no blog, para quem tivesse interesse em assistir (principalmente estudantes de jornalismo), mas descobri recentemente, com pesar, que não só o blog praticamente sumiu do mapa como todos os vídeos também desapareceram.

Por sorte, eu sou a pessoa mais organizada do universo e tenho todos esses vídeos salvos no meu computador. Um dia em que eu estiver bem à toa, vou colocá-los um por um no YouTube, para que não se percam, porque tem muita história bacana ali.”

Ainda não estive à toa o suficiente para fazer o upload de todas aquelas dezenas de vídeos que gravei e editei, mas decidi começar a subir aos pouquinhos, para que esse material possa ser recuperado, principalmente no interesse dos jornalistas mais jovens e estudantes de jornalismo. Vou tentar subir pelo menos um por semana aqui no blog.

Abro meu esforço com o vídeo da Mônica Bergamo, por ser uma jornalista que eu admiro pra danar, e acho que deus e o mundo também. Ainda na série “O que é preciso para ser jornalista”:

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Febeapá comemora a morte de Paulo Henrique Amorim (1943-2019)

Vai fazer falta, PHA!

Texto escrito por José de Souza Castro:

Comecei a prestar atenção em Paulo Henrique Amorim em 1972, ano em que iniciei minha carreira profissional no Jornal do Brasil e em que ele ganhou o Prêmio Esso por uma reportagem sobre distribuição de renda, publicada pela Veja. Uma revista que, naquela época, era impossível de se imaginar que viesse a se transformar naquele “detrito sólido de maré baixa”, satirizado por PHA no seu Conversa Afiada.

Muito aprendi com PHA nos oito anos em que convivemos no JB, quando ele chefiava a redação no Rio e eu a redação da sucursal mineira. Muito antes de o jornal lançar seu primeiro manual de redação, em julho de 1988 (quatro anos depois de Paulo Henrique Amorim ter sido demitido por Nascimento Brito), ele redigiu algumas normas para melhorar o jornal. Apesar dos vários defeitos apontados pelo rigoroso Chefe de Redação, o JB era considerado desde muitos anos o melhor jornal do país.

“Nos últimos tempos”, escreveu PHA no começo da década de 1980, “se tem observado que as entrevistas restringem-se, cada vez mais, a informações reveladas pelo entrevistado. Na verdade, além de tornarem-se áridos à leitura, esses textos não transmitem ao leitor as circunstâncias em que os fatos foram anunciados. Muitas vezes, os ambientes em que se dão as entrevistas – pelo que possam conter de bizarro, de inusitado ou mesmo de adequado – encerram informações tão valiosas quanto as que são fornecidas pelo entrevistado. Esses detalhes dificilmente serão o lead da notícia, mas servirão, certamente, para transmitir ao leitor um quadro completo do acontecimento”.

Os leitores e ouvintes contumazes do Conversa Afiada, como eu, sabem que ele continuava acreditando nisso. E o sucesso do seu blog comprova que estava certo. Nisso e em muitas outras coisas, como a indispensável coragem com que exercia a profissão.

Charge do Latuff

Coragem que lhe rendeu, como prêmio adicional, a condenação, por exemplo, de pagar indenização de R$ 150 mil ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a quem chamava de “ministrário”. A condenação foi por ter PHA anunciado o “lançamento comercial do ano”, o “cartão Dantas Diamond”, em referência ao banqueiro Daniel Dantas, que havia sido beneficiado por dois habeas corpus do “ministrário” em 2008.

Desde o início do governo Bolsonaro, eu temia que ele passaria a enfrentar novos processos judiciais, dada a ousadia com que vinha atacando o capitão e seus seguidores. Paulo Henrique Amorim teve a sorte de morrer, por enfarte, antes que a milícia bolsonariana, judiciária ou não, o atacasse. Seu afastamento, há alguns dias, do Domingo Espetacular, o mais assistido dos programas jornalísticos da tevê do bispo Edir Macedo, era um prenúncio do que viria a seguir.

A morte do jornalista será motivo para muito pesar para seus leitores e amigos. Mas também de comemoração para muitos inimigos. Não podemos ter ilusão: quanto melhor o jornalismo que se faz, mais os inimigos que se cria.

Paulo Henrique Amorim morreu aos 76 anos, deixando uma filha e a mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro. O blog Conversa Afiada postou a noticia com as primeiras repercussões da morte por enfarte, durante a madrugada, de um dos maiores jornalistas da atualidade.

Resta-nos o sentimento de que o destino escolheu um péssimo momento para obrigar Paulo Henrique Amorim a afastar-se de nós. Sem ele, vai crescer o Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá).

Charge do Pires publicada no Charge Online.


Nota da Cris: No livro “Sucursal das Incertezas”, meu pai relembra histórias de seus tempos de “Jornal do Brasil”. Paulo Henrique Amorim é citado no livro três vezes. Numa delas, meu pai conta o motivo pelo qual ele acabou demitido do JB. Você pode baixar o livro gratuitamente na Biblioteca do Blog

 

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O jornalismo como conheci está com os dias contados

Quando eu era criança, sempre que me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, respondia: “Quero ser autora!” Achava que autora era mais chique que escritora.

O fato é que eu queria escrever histórias, contar histórias. E o fazia, desde bem cedo. Dia desses, meu pai encontrou na casa dele meu primeiro livro: “A Festa Encantada”. Fiz ilustração para meu texto e, no fim, escrevi, como estava acostumada a ler nos meus livrinhos da época: “A autora – Cristina tem 8 anos e esse foi o primeiro livro dela. Ela nasceu em 27 de março de 1985. Tem 25 parágrafos.” E pus a data: 16 de agosto de 1993.

Depois deste, não parei mais. “O Terremoto”, segundo me conta a última folha de papel almaço em que ele está grampeado, foi meu quarto livro. “A autora – Ela fez esse livro porque gosta de histórias. Fez porque gosta de ler”, escrevi, referindo-me a mim mesma em terceira pessoa. E prossegui, sem modéstia nenhuma: “Tinha hora que ela ficava com dúvida do que escrever, mas no final dava um livro bom e bonito”.

Depois de um tempo, em vez de imaginar que eu queria ser escritora, passei a me imaginar jornalista. “Ser escritora não dá dinheiro”, ouvi por aí – e isso ficou marcado na minha alma. “Nem profissão é.” E jornalista era a profissão do meu pai. O melhor de tudo: eu seria remunerada para contar histórias!

Fiz jornalismo para escrever textos e contar boas histórias.

Na “Folha de S.Paulo”, meu primeiro emprego como jornalista, pude mesmo contar boas histórias. Eu trabalhava em Cotidiano, a editoria que era a clássica editoria de Cidades, mas que, como seu nome diz, agregava um pouco mais que isso. Ali entravam, por exemplo, discussões que corriam no STF e poderiam impactar todo o Brasil. Notícias de comportamento. Não era só o que estava acontecendo na avenida Paulista ou no Jardim Pantanal, embora, é claro, essas histórias da cidade de São Paulo coubessem muito bem ali dentro.

Tive um pauteiro muito legal, o Guto Gonçalves, que valorizava meus potenciais, ainda que eu fosse só uma repórter iniciante. Ouvi do subeditor Conrado Corsalette que eu tinha grande sensibilidade e grande texto, duas características importantes para um repórter, e isso me deixou muito entusiasmada. Eu não me importava de pegar as histórias que não seriam a manchete do dia seguinte, desde que pudesse escrever um bom texto sobre elas, desde que fossem boas histórias. Claro, eu cobri todo tipo de coisa, não só as boas histórias. Mas é delas que eu mais me orgulho e de que mais me lembro.

Das histórias de personagens como o doutor Ratão, o Bob Chiclete, o detetive Eric, os pais avós e o skinhead gay que luta contra a homofobia. Ou de histórias da cidade mesmo: o lado B da avenida Paulista, os fícus que adoeceram misteriosamente, os prédios que passaram a multar por causa de palavrão, os clubes obrigando as babás a usarem branco, o último bonde de São Paulo. E a história que mais gostei de contar, a dos órfãos do Rodoanel.

Decidi sair da “Folha” por N motivos, deixei São Paulo por outros N e retomei minha vida em Beagá, numa decisão da qual nunca me arrependi, pelo contrário. Aqui na terrinha, tive oportunidade de contar mais algumas histórias e editar outras tantas. O que mais mudou nesses mais de seis anos desde a minha volta a BH não foi a minha vontade de sempre estar perto das boas histórias, foi o jornalismo.

Se antes o bloquinho e a caneta eram os instrumentos mais importantes para um repórter, inseparáveis mesmo, hoje tudo está lá no smartphone. Eu saía às ruas com um gravador de fita K7, hoje os meninos vão com o celular mesmo. Gravam, escrevem, enviam, tudo por ele. Parabéns para os avanços tecnológicos.

Por outro lado, sinto que o interesse pelos textos vem diminuindo proporcionalmente a esse avanço tecnológico. Que o leitor não quer mais, realmente, ler uma boa história, porque contenta-se com um stories curtinho de Instagram, mostrando um clique e uma frase. Um tweet de 140 caracteres resolve, é fácil de compartilhar, então pra que estender demais?

A necessidade de hoje é poder compartilhar, e não absorver internamente. Para compartilhar, basta ler o título. Daí porque ficou tão fácil deturpar as mensagens e criar fake news (mas isso é tema para outros posts).

escrevi sobre isso aqui no blog, mas meu foco era outro. Meu desalento de cinco anos atrás era com o fim das cartas e e-mails e, com isso, o fim de memórias pessoais e coletivas. Hoje minha preocupação é com o fim do jornalismo como eu o conheci e desejei. Afinal, as qualidades mais requisitadas dos jornalistas hoje não são bom faro para pautas, boa apuração e bom texto. Mas sim a capacidade de fazer vídeos para as redes sociais, subir rápido um lide burocrático para alimentar o portal, ter olhar multimídia e ser conhecedor de marketing digital.

E tudo isso mudou em coisa de cinco anos. Um pulo!

As Redações, como as conhecemos, estão com os dias contados. Mas contados MESMO, não tem mais vez. OK, o jornalismo não vai acabar, está se reinventando, o problema é que está virando uma coisa que se distancia cada vez mais do meu objetivo ao me tornar jornalista. Eu não quero ser a tarada das notícias, a pessoa que recebe todos os alertas pelo whatsapp assim que a coisa acontece, que fica sabendo de tudo o tempo todo. Eu queria mesmo era ser aquela pessoa que se debruça sobre uma boa história e vai fundo nela, e trabalha com cuidado no lide, para que o texto seja realmente saboroso para o leitor final.

E eu realmente me esmerava nos lides:





Só que o leitor final parece que não quer mais saber disso, então uma coisa não sustenta a outra.

Chego aos 34 anos, mais de 12 de formada, com um bocadinho de experiência em jornalismo tradicional, com passagem por rádio, jornal diário, revista e portal de notícias. Mas, diante do que se espera hoje do jornalismo e dos jornalistas, sinto-me cada vez mais defasada e, ao mesmo tempo, com muitas potencialidades represadas dentro de mim. Com a Cris de 8 anos coçando para continuar perseguindo o sonho de ser “autora”, mas numa realidade em que o que menos se pede e espera é investimento em textos.

Uma verdadeira sinuca, que muito me angustia. Que já me angustiava há uns quatro anos, mas de um jeito diferente, e hoje sinto urgência em encontrar uma saída.

Se alguém esperava um final para este post, pode esperar sentado. Porque o final é esta falta de solução. Talvez valha terminar com um pedido de socorro: alguém tem alguma boa ideia? Uma luz no fim do túnel? Sou toda ouvidos.

 

Leia também:

 

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Clóvis Rossi fala o que é preciso para ser jornalista

Quando eu trabalhava na Editoria de Treinamento da Folha, fiz cerca de 100 vídeos, que foram divulgados no blog Novo em Folha e na intranet do jornal. Eu tinha separado esses vídeos aqui no blog, para quem tivesse interesse em assistir (principalmente estudantes de jornalismo), mas descobri recentemente, com pesar, que não só o blog praticamente sumiu do mapa como todos os vídeos também desapareceram.

Por sorte, eu sou a pessoa mais organizada do universo e tenho todos esses vídeos salvos no meu computador. Um dia em que eu estiver bem à toa, vou colocá-los um por um no YouTube, para que não se percam, porque tem muita história bacana ali.

Hoje eu ainda não estou à toa, mas fiz questão de fazer o upload do vídeo com o jornalista Clóvis Rossi, indiscutivelmente um dos melhores e maiores do Brasil, que morreu aos 76 anos. Ele participou de uma das séries do Novo em Folha, em que um jornalista fera dizia o que era preciso para ser um bom jornalista. Além dele, teve gente como a Mônica Bergamo, a Renata Lo Prete, a Eliane Cantanhêde, a Claudia Collucci, a Elvira Lobato, o Fernando Rodrigues, o Frederico Vasconcelos, o Gilberto Dimenstein, a Laura Capriglione, o Rubens Valente etc. Uns falaram por vários minutos, outros foram mais objetivos.

Clóvis Rossi faz parte do segundo grupo. Apesar de ser repórter especial no jornal e um dos mais premiados jornalistas do Brasil, ele me recebeu com a maior simpatia, simplicidade e falta de vaidade do mundo. Não me lembro exatamente o que disse, mas foi algo na linha de: “Quem sou eu pra falar o que um bom jornalista deve fazer”. Como se fosse um foca, e não o Clóvis Rossi. Zero arrogância, zero antipatia. Quando dei o “rec” na câmera, ele falou sua receita, de uma tacada só, em uma frase só, levando apenas 12 segundos para passar o recado.

Com certeza foi o vídeo mais curto que já fiz. Não por isso o mais raso.

Foi depois de conhecer pessoas como Clóvis Rossi que tive a convicção de que os melhores jornalistas quase sempre são os mais humildes, quase sempre são os menos vaidosos. Pode anotar aí: aqueles que ficam toda hora fazendo autopropaganda não passam de enganadores.

Hoje o site da “Folha” traz vários depoimentos emocionantes de gente que conviveu de verdade com Clóvis Rossi, foi amigo dele, aprendeu com ele. (Até chorei lendo o do Ricardo Kotscho). E todos são unânimes em dizer o quanto ele era generoso. E como esta é uma característica rara, viu! Ainda mais neste meio de vaidades do jornalismo. Por isso, mesmo sem ter realmente convivido com ele, lamento, como leitora de suas colunas, por sua morte. Ainda mais diante do otimismo que ele demonstrou no último texto publicado. Deu até um aperto no coração.

Eu só tenho a compartilhar estes generosos 12 segundos que ele me deu, com muita simpatia, num meio de tarde. Ficam sendo uma lembrança valiosa, que agora volto a compartilhar com todos.

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