‘O alvo somos todos nós’: leia o manifesto contra a censura na Bienal do Livro e veja o vídeo de escritores lendo ‘Apesar de você’

Clique na imagem para ver o vídeo.

 

“A Bienal Internacional do Livro Rio é a oportunidade que temos, a cada dois anos,
de nos reunirmos, encontrar nossos públicos, nos inspirar e debater livremente
sobre todo e qualquer tema, sem restrições e com empatia. Um evento de conteúdo
qualificado e diverso, reconhecido nacional e internacionalmente como o maior
festival cultural do Brasil.

Nos últimos dias, a Bienal se tornou um abrigo democrático, ao lado de 600 mil
pessoas que prestigiaram o evento, contra as insistentes tentativas de censura.
Se engana quem pensa que o alvo é a Bienal Internacional do Livro. O alvo somos
todos nós, cidadãos brasileiros, pois não precisamos ter quem determine o que
podemos ler, pensar, escrever, falar ou como devemos nos relacionar. O brasileiro
não precisa de tutor. Precisa de educação para que cada um possa fazer suas
escolhas com consciência e liberdade.

Foi com alívio e muito orgulho que recebemos as duas decisões de ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (8/9), impedindo que a Bienal
Internacional do Livro continuasse sofrendo assédio à literatura e aos seus leitores.
Do contrário, se criaria uma jurisprudência que colocaria todos os eventos
culturais, autores, editoras e livrarias do Brasil à mercê do entendimento do que é
próprio ou impróprio a partir da ótica de cada um dos 5.470 prefeitos do país.

Encerramos essa edição histórica da Bienal Internacional do Livro Rio com o
coração cheio de orgulho e determinação. A Bienal não acaba hoje. Ela seguirá em
cada um de nós todos os dias. O festival foi memorável. Deu voz e ouvidos a todos
os públicos. Reuniu e celebrou a cultura junto com autores, artistas, pensadores,
líderes sociais, religiosos, jornalistas, acadêmicos, ativistas, e muitos outros.
Viva a Bienal do Livro Rio! Viva a cultura! Viva a liberdade e a democracia!!

 

Assino embaixo! (Grifos meus).

 

 

Leia também:

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Pensei em escrever sobre a censura às biografias, só pensei

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Pensei em escrever sobre a proposta trazida a público pela empresária Paula Lavigne (esta que perdeu a razão tão fácil), que virou uma baita polêmica, debatida até mesmo na Feira de Frankfurt (e aqui). Mas me bateu muita preguiça de ver gente que nada entende de como é produzida uma biografia (que é material de jornalismo investigativo dos mais trabalhosos que existem) e que nada entende de como é difícil até sobreviver como escritor no Brasil vir defender a privacidade de figuras públicas sobre as quais elas adoram ler. Me bate preguiça ainda maior ver gente inteligente defendendo que exigir autorização prévia para publicação de um livro (o que subentende a possibilidade de desautorização, de autorização parcial, de autorização apenas após leitura, edição e cortes a bel-prazer das figuras públicas perfiladas em questão) não é censura. A defesa da livre publicação de retratos de personagens que ajudam a compor a história do nosso país (seja na cultura, na política ou no esporte, por exemplo) é um pilar tão básico e sagrado da minha profissão — e tão previsto em nossa Constituição — que chega a me abater ter que entrar nesse tipo de discussão. Assim como me abate ver tanto anacronismo em nossas leis, tanta contradição de códigos com os princípios básicos da democracia, que já estão previstos em nossa jovem Carta de 25 anos de idade.

Por isso, não vou aprofundar num debate que, para mim, nem deveria existir em uma democracia (e não existe, em outros países). Prefiro listar abaixo alguns textos que li, de gente muito mais inteligente e mais paciente do que eu:

Eu só digo uma coisa mais, para encerrar a questão: assisti ao show de Caetano, babando, extasiada de admiração. Desde que me inteirei de sua posição a respeito da censura prévia às biografias, não consigo nem mesmo ouvir uma música inteira dele tocando na rádio. Estou tomada por antipatia e ainda na esperança de que o grande músico e artista assuma a sabedoria de voltar atrás como pensador, voltar justamente àquela época em que ele bem defendeu a livre-prática do jornalismo, a livre-expressão e a real democracia neste país tão afeito a coisas escondidas e obscuras.

Gênio Angeli, na "Folha" de hoje.

Gênio Angeli, na “Folha” de hoje.