Daniel Blake: o carrossel do inferno que todos nós podemos viver um dia

Para ver na Netflix: EU, DANIEL BLAKE (I, Daniel Blake)
Nota 8

Em outubro de 2012, quando eu estava recém-mudada de volta para Beagá, escrevi um longo post aqui no blog relatando minha experiência no que chamei de “carrossel do inferno”, entre SACs de empresas de telefonia: “Acho que só existe uma coisa no mundo que é tão ruim quanto a tortura, mas nem é considerada uma tortura pelas entidades de direitos humanos internacionais: o labirinto a que somos submetidos a cada vez que precisamos falar com um serviço de televendas, ou central de atendimento ao consumidor.”

O filme “Eu, Daniel Blake” se inicia com uma dessas conversas surreais entre um cidadão, Dan, e uma atendente de um serviço, no caso, representante do governo. Ao longo de quase 3 minutos iniciais de filme, sofremos com as respostas frias e automáticas que Dan ouve a cada questionamento que faz. Mais adiante no filme, outros diálogos como este se repetirão, alguns por telefone, outros pessoalmente. Todos eles têm em comum a mesma frieza, despreparo e burocracia dos atendentes diante de uma pessoa de carne e osso, com um problema real que precisa ser solucionado.

O filme inteiro é um longo carrossel do inferno, de uma hora e quarenta minutos de duração.

Não quero dizer, com isso, que seja um filme ruim, mas que seja um filme realista ao traçar o retrato de como boa parte da população é (des)tratada, especialmente a população mais necessitada. Daniel é um senhor de 59 anos, carpinteiro, que sofreu um ataque cardíaco e foi proibido pela médica de voltar ao trabalho. Tenta conseguir auxílio-doença para sobreviver, mas a pessoa que faz a perícia nele – que não é médica, diga-se de passagem – diz que ele é apto a trabalhar. E aí ele segue numa luta sem fim para contornar os meandros kafkianos do Estado, verdadeiramente cruéis, e fazer jus ao seu direito, que também é sua sobrevivência.

O filme se passa na Inglaterra, os sotaques são absolutamente britânicos, o frio é até cinza, mas certamente temos vários personagens como este vivendo a mesma luta no sistema brasileiro, nas perícias do INSS e do seguro-desemprego. E em todas as partes do mundo, porque burocracia não é privilégio nosso. O diretor Ken Loach retratou com brilhantismo – talvez apenas com uma certa falta de leveza, uma brutalidade um pouco excessiva – uma situação humana e universal, interpretada pelo ator Dave Johns com grande personalidade.

Daniel Blake é o herói suburbano, é o homem comum que quer desesperadamente voltar a trabalhar, mas não pode, que tenta sobreviver, mas sem nunca esquecer de ajudar aos outros, como a família de Katie (Hayley Squires), ela própria também responsável por muitas das lágrimas que derrubamos ao ver este filme. Dan cativa imediatamente o expectador, que se identifica nele.

Que nunca tenhamos que passar pelo que Dan passou, mas não temos garantias nenhuma disso. Salve-se quem puder!

Assista ao trailer do filme:

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Os 20 melhores filmes de AMOR que vi nos últimos anos

Ainda no clima do Dia dos Namorados, ou já do Dia de Santo Antônio, celebrado neste 13 de junho, trago hoje a listinha com os melhores filmes de amor que vi nos últimos anos, resenhados aqui no blog. Não se iludam quando falo que são filmes “de amor”. Não quero dizer, com isso, que sejam românticos água-com-açúcar, mas que contêm grandes e boas histórias de amor ali dentro (bem ou malsucedidas), mesmo sendo dramas, ou ficções científicas, ou comédias, musicais etc. O único critério em comum foi que dei nota 7 ou mais para todos estes filmes.

Leia as resenhas (basta clicar no link) e escolha seu favorito para ver nesta semana:

  1. La La Land – nota 10
  2. A Teoria de Tudo – nota 10
  3. A Forma da Água – nota 9
  4. A Dançarina e o Ladrão – nota 9
  5. Amor – nota 9
  6. O Lado Bom da Vida – nota 9
  7. Jhonny & June – nota 9
  8. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças – nota 9
  9. Up: Altas aventuras – nota 9 (tem na Netflix)
  10. Ela – nota 9
  11. O Artista – nota 9
  12. Meia-Noite em Paris – nota 9
  13. Doentes de Amor – nota 8
  14. O Amor em 5 Tempos – nota 8
  15. Amores Inversos – nota 8 (tem na Netflix)
  16. Roda Gigante – nota 8
  17. A Garota Dinamarquesa – nota 7 (tem na Netflix)
  18. Trama Fantasma – nota 7
  19. 500 Dias com Ela – nota 7
  20. Brooklyn – nota 7

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Os 20 filmes mais importantes do Oscar 2018: resenhas e trailers

 

Começou uma das épocas do ano de que mais gosto! Não, não é a quaresma: é a época de fazer maratonas de filmes do Oscar, a tempo da cerimônia, que neste ano será no dia 4 de março 😉

Neste ano comecei tarde, então tenho exatamente 17 dias para assistir aos 20 filmes da minha meta, listados abaixo. Ou pelo menos os 11 principais deles. Minha meta leva em conta os prêmios que acho mais legais: melhor filme, direção, atores/atrizes principais e coadjuvantes e melhores roteiros.

Tenho que ver isso tudo paralelamente a muito trabalho, fechamento de revista, filho de 2 anos pra criar, casa pra cuidar etc. Mas todo ano é assim, e esta correria é parte da graça! Será que vou dar conta neste ano mais uma vez? Vocês acompanharão tudinho neste post, porque vou acrescentando as resenhas em forma de link na lista abaixo, à medida que for assistindo aos filmes. Por enquanto, neste 16 de fevereiro, só vi dois da lista: “A Forma da Água” e “Extraordinário”.

PRINCIPAIS FILMES DO OSCAR 2018:

  1. A Forma da Água (13 indicações), nota 9
  2. Dunkirk (8), nota 8
  3. Três anúncios para um crime (7), nota 9
  4. O destino de uma nação (6), nota 7
  5. Trama Fantasma (6), nota 7
  6. Lady Bird (5), nota 7
  7. Corra! (4), nota 8
  8. Mudbound (4), nota 7
  9. Me chame pelo seu nome (3), nota 5
  10. Eu, Tonya (3), nota 9
  11. The Post (2), nota 9

VEREI TAMBÉM SE SOBRAR TEMPO:

  1. Viva! A vida é uma festa (2)
  2. Artista do desastre (1)
  3. Doentes de Amor (1), nota 8
  4. Projeto Flórida (1), nota 4
  5. Todo o Dinheiro do Mundo (1)
  6. Roman J. Israel, Esq. (1)
  7. A Grande Jogada (1), nota 9
  8. Logan (1)
  9. Extraordinário (1), nota 9

Começa a contagem regressiva! Tic-tac, tic-tac…

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