Minhas apostas para o Oscar 2019

Neste ano, consegui assistir a apenas 11 filmes indicados ao Oscar 2018 (embora minha meta fosse ver os 20 principais), nas categorias mais importantes da maior premiação do cinema (melhor filme, direção, atuações e roteiros, dentre outras). Até comecei bem, em janeiro, mas a barragem da Vale em Brumadinho se rompeu, matando mais de 300 pessoas, e isso me desnorteou. De lá pra cá, vi bem poucos filmes, e sempre de forma muito corrida e intermitente.

Dentre os realmente mais importantes, faltou ver “Pantera Negra”, com 7 indicações, que fui deixando para o fim por ter um pouco de preguiça de filme de super-herói (até hoje não vi “Logan”, que estava na minha lista do ano passado).

Apesar desses buracos, mantenho a tradição do blog, e vou fazer minhas apostas para meu bolão do Oscar — que não levam em conta o meu gosto pessoal, traduzido nas notas que dei para cada filme, mas o que considero que a academia vai preferir. No ano passado, acertei 15 de 16 categorias (93% de aproveitamento). Quanto será que vou acertar neste ano, em que estou com zero clima tanto para Oscar quanto para Carnaval (e para quase qualquer coisa leve da vida)?

Aí estão minhas fichinhas:

  1. Melhor ator coadjuvante: Mahershala Ali, de Green Book
  2. Melhor maquiagem: Vice
  3. Melhor figurino: A Favorita
  4. Melhor edição de som: Bohemian Rhapsody
  5. Melhor mixagem de som: Bohemian Rhapsody
  6. Melhor direção de arte: A Favorita
  7. Melhor filme de língua estrangeira:Roma
  8. Melhor atriz coadjuvante: Neste o páreo está duríssimo e, pra piorar, não vi a atuação de Regina King, que é uma das grandes favoritas ao prêmio. Mas vi as atuações de Emma Stone e Rachel Weisz e, como frisei na resenha, não acho que elas vão levar o prêmio. Amy Adams, que está em sua sexta indicação ao Oscar, não me pareceu excepcional em “Vice”, como em filmes anteriores. E Marina de Tavira não tem a menor chance. Por isso, vou votar na única atriz à qual não assisti, por eliminação: arrisco em Regina King, de “Se a rua Beale falasse”.
  9. Melhor animação: Os Incríveis 2
  10. Melhor edição: Bohemian Rhapsody
  11. Melhor roteiro adaptado: Vou apostar no meu favorito dentre os indicados, porque o páreo está duro e não consegui assistir a dois dos concorrentes: dá-lhe “Infiltrado na Klan“!
  12. Melhor roteiro original: Mesma coisa do que disse acima: vou no meu favoritíssimo dentre os roteiros, “Green Book“!
  13. Melhor fotografia: Guerra Fria
  14. Melhor canção original: Minha favorita é “When A Cowboy Trades His Spurs for Wings”, de Buster Scruggs, mas acho que a pop-chiclete “Shallow”, de Nasce uma Estrela, vai levar.
  15. Melhor diretor: Alfonso Cuarón, de “Roma
  16. Melhor ator: Rami Malek, de Bohemian Rhapsody
  17. Melhor atriz: Uma pena eu não ter visto a atuação de Glenn Close ainda, o que prejudica meu julgamento. Mas vou de Olivia Colman, de A Favorita
  18. Melhor filme: Neste ano, três filmes mexeram muito comigo, a ponto de eu dar nota 10 a eles: Green Book, Infiltrado na Klan e Bohemian Rhapsody. Apesar disso, acho que o filme que vai levar o prêmio principal da noite será “Roma“. Veremos!

E você? Concorda com minhas notas para cada um dos 11 filmes? E com minhas apostas nestas 18 categorias acima? Participe do bolão aí na parte de “Comentários” do blog! Depois da cerimônia vou publicar aqui o resultado da premiação e meu desempenho neste ano de tantas dúvidas 😀

Na noite do Oscar, se eu conseguir me manter de pé, vou comentar freneticamente, durante toda a cerimônia, lá no Twitter! Comentem comigo 😉

Leia também:

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‘O Primeiro Homem’: um herói americano, ou não

Vale a pena assistir: O PRIMEIRO HOMEM (First Man)
Nota 7

Não foi à toa que deixei para ver este filme quase por último. É que não sou lá muito fã de histórias de astronautas, esta é a verdade. Sempre gostei muito mais da “Viagem ao Centro da Terra”, ou da “Volta ao Mundo em 80 Dias” do que do clássico “Da Terra à Lua”, de Julio Verne. É por uma questão meramente de gosto, portanto, que não consigo dar muito mais do que uma nota 7 a “First Man”, mesmo ele tendo cumprido todos os requisitos para um bom filme de biografia.

A direção do prodígio Damien Chazelle (La La Land e Whiplash) é impecável. O roteiro, baseado na obra do biógrafo de Neil Armstrong, James R. Hansen, segundo consta, é o mais acurado possível. A atuação de Ryan Gosling é, como sempre, perfeita. Claire Foy, que interpreta sua mulher, também está ótima – ela é responsável por gerar o contraste entre o que a corrida espacial estava tentando fazer e o que a vidinha terrestre exigia naquele momento. Apesar disso tudo, “O Primeiro Homem” só concorre a prêmios técnicos no Oscar: efeitos visuais, edição de som, design de produção e mixagem de som.

Mas, para mim, o maior mérito deste filme é a honestidade na construção da imagem de um dos grandes heróis norte-americanos, ao nos fazer conhecer um Armstrong que nada tem de heróico realmente – que era bastante obstinado, severo, às vezes perturbado, humilde e esforçado. São alguns adjetivos que, embora não representem tampouco um anti-herói, não costumam ser atribuídos aos heróis de cinema, convenhamos. Passamos estas mais de duas horas de sessão experimentando o medo que aqueles astronautas sentiam em missões que resultavam muitas vezes em mortes prematuras. A ida à lua, naquele 1969, era praticamente um suicídio. Tudo dentro de um programa que era muito mais político do que realmente científico. Contestadíssimo nas ruas dos Estados Unidos. Mas que resultou – e todo mundo sabe o final – em um passo histórico.

Aqui cabe destacar um spoiler que você pode ficar à vontade para saltar, indo direto ao próximo parágrafo. Mas é que os produtores do filme optaram por não colocar aquela cena de Neil e Buzz fincando a bandeira dos Estados Unidos no solo lunar. E a explicação que Ryan Gosling deu para isso diz muito da intenção do filme, que elogiei há pouco: “O feito transcendeu países e fronteiras… Eu acho que isso foi amplamente considerado no final como uma conquista humana [e] foi assim que escolhemos vê-lo. Eu também acho que Neil foi extremamente humilde, assim como muitos desses astronautas, e muitas vezes ele retirou o foco de si mesmo para voltá-lo às 400.000 pessoas que tornaram a missão possível. Eu não acho que Neil se via como um herói americano. De minhas entrevistas com sua família e pessoas que o conhecia, era exatamente o oposto. E queríamos que o filme refletisse Neil.”

Penso que, no final, algumas cenas se delongaram demais, alguns diálogos foram técnicos demais, alguns silêncios foram incômodos demais. Mas essa narrativa foi construída para nos permitir entender um pouco dessa personalidade sisuda e obstinada que pode ter sido decisiva para o sucesso de Apollo 11, contra todas as expectativas da própria Nasa. Confesso que terminei o filme ainda sem entender muito bem quem foi e o que queria Neil Armstrong. Ou mesmo Janet, sua mulher. Terá alguém conseguido algum dia?

Assista ao trailer do filme:

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‘A Favorita’: longe de ser meu favorito

Em cartaz nos cinemas: A FAVORITA (The Favourite)
Nota 7

Assisti ao filme “A Favorita” poucas horas depois de terminar de ver o belíssimo “Roma”. No filme que vi primeiro, e sobre o qual ainda vou escrever, temos fotografia em tons de cinza, muitos silêncios, muitas cenas estáticas, espaço de sobra para deixar as emoções fluírem. Já em “A Favorita”, temos excesso de tudo: cores, móveis, maquiagens, roupas. Todo aquele excesso exaustivo da monarquia inglesa, empoada e bolorenta, do início do século 18. Também há espaço para cenas estáticas, mas as emoções são duras. Ficamos com o rosto tenso durante as duas horas de filme, perplexos diante de tantas frivolidades e frugalidades que podem ter sido responsáveis por moldar a História naquele período. Há, sobretudo, um excesso de trilha sonora, uma trilha sonora incômoda, alta, irritante, às vezes repetitiva, como uma tecla de piano estragada.

Depois deste parágrafo, há quem possa pensar que detestei este filme, que concorre a 10 estatuetas do Oscar. Bom, ele está longe de ser meu favorito, e certamente não acho que mereça o prêmio de melhor filme, mas tem, sim, seus méritos. O mais interessante deles é mostrar como três mulheres – veja bem, mulheres – podem ter sido tão poderosas no ano de 1708. A rainha Ana, interpretada de forma impressionante por Olivia Colman, é retratada como uma mulher de temperamento explosivo, muito mimada e volúvel, mas também extremamente frágil e deprimida (inclusive pelo fato de ter perdido 17 bebês, que já nasciam mortos ou morriam pouco depois de nascer). A nobre Lady Sarah Churchill (parente do futuro premiê), que exercia influência sobre o governo e sobre as decisões da rainha. E Abigail Hill, que aparece para embolar a história.

Se a intenção era destacar a importância dessas mulheres, o filme consegue até com certo exagero, ao, por exemplo, ignorar completamente a figura do rei, que, segundo consta, ainda estava vivo quando Abigail apareceu, e cuja morte agravou a depressão da rainha Ana. Os outros homens, de resto, aparecem quase que como meros figurantes.

A gente sempre imagina as cortes daquela época cheias de intrigas, traições, mesquinharia etc (como, aliás, também acontece com as repúblicas). O filme retrata essa sordidez com requinte de detalhes, de forma até exaustiva. Talvez seu grande mérito seja despertar nossa curiosidade de querer saber mais sobre aquela época, sobre a rainha Ana, nem que seja lendo mais numa Wikipédia da vida.

Olivia Colman deu vida à rainha Ana e ficou até parecida fisicamente com ela.

“A Favorita” é o filme com mais indicações do ano (empatado com “Roma”), o que não quer dizer absolutamente nada. Em 2014, o filme “Trapaça” (ao qual também dei nota 7) liderava a lista, também com dez indicações – e não ganhou nada. Já em 2017, “Estrelas Além do Tempo” foi o segundo filme com mais indicações – oito! –, e também não levou nada. As três protagonistas de “A Favorita” (as outras são Emma Stone e Rachel Weisz) estão muito bem, mas acho que apenas Olivia Colman deve levar o prêmio de melhor atriz. O filme também deve emplacar com figurino e direção de arte. E acho que só. Quem viver, verá.

Assista ao trailer do filme:

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‘Green Book’: para mudar o mundo, e as outras pessoas, é preciso coragem

Vale a pena assistir: GREEN BOOK
Nota 10

Escrevo este texto logo após assistir a “Green Book”, e estou completamente arrebatada. Acho que fazia tempos que eu não via um filme que conseguia me enternecer, me fazer rir e chorar ao mesmo tempo, como este fez. Talvez, com a mesma intensidade, tenha ocorrido com “Intocáveis“, que também é sobre a amizade improvável entre um patrão rico (no filme francês, cadeirante, neste, negro em plena América segregacionista dos anos 60) e um funcionário divertido, durão, ignorante em vários sentidos, mas com grande sensibilidade.

“Green Book” é uma espécie de “Intocáveis” e, como naquele filme, também é baseado em fatos reais. Além da temática fortíssima, que alterna socos no estômago da gente com momentos de grande suavidade, temos dois atores que estão entre os melhores do cinema atual: Mahershala Ali, que já levou um Oscar por sua performance maravilhosa em “Moonlight” e levou o Globo de Ouro agora, e o experiente Viggo Mortensen, que foi indicado ao Oscar em 2017 por sua atuação no ótimo “Capitão Fantástico“. Os dois voltam a concorrer ao Oscar agora em 2019, fortíssimos no páreo. O filme também foi indicado à categoria principal, a melhor roteiro original e melhor edição.

Já falei sobre o tema, comparei com “Intocáveis”, mas tem mais coisas legais no roteiro de “Green Book”: é um clássico road movie, é baseado em história real, é sobre um dos maiores pianistas da história da humanidade, que, apesar disso, sofreu preconceitos absurdos nos Estados Unidos dos anos 60, é uma história de como duas pessoas excepcionalmente diferentes podem se mudar para melhor. E, apesar de ter tudo pra cair em muitos clichês, trata-se de um filme de diálogos inteligentes, que transcorre de forma agradável, passando as mensagens nas horas certas.

Além de Ali ter levado o Globo de Ouro por sua atuação (Viggo também concorreu, mas Christian Bale, em “Vice”, levou a melhor), o filme ganhou por melhor roteiro e como melhor filme de comédia. A propósito, “Green Book” é comédia mesmo? Assim como em “Infiltrado na Klan“, o roteiro do filme usa elementos de humor, muito refinado, para aliviar a dureza do racismo que é retratado ali. Mas minhas lágrimas foram mais frequentes que os sorrisos, e eu classificaria este filmaço como um “drama”. OK, vamos de “comédia dramática”, que está bem em voga atualmente.

Confesso que ando meio inconformada, porque sempre fui avarenta para liberar uma nota 10 a um filme e, ultimamente, tenho dado várias notas máximas. Terei virado uma manteiga derretida, que coloca a emoção acima de todos os critérios técnicos? Pode ser. Mas é isso mesmo: filme, para mim, é emoção, e a nota que eu dou é aquela que eu sinto logo que os créditos finais começam a subir, aquela sensação que foi deixada nos segundos após a telona ficar escura. Se é de êxtase, como neste caso, vai um 10, ou pelo menos um 9. Um sorriso bobo, uma vontade de ler mais a respeito, um desejo de escrever logo no blog? É 10, não tem jeito. Assistam.

O trailer do filme tem muito spoiler, mas se quiser ver, aí está:

 

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Os 20 filmes mais importantes do Oscar 2019: resenhas e trailers

Foi dada a largada!

Hoje a Academia divulgou os “nominees” de 2019, finalmente. Confesso que não gostei muito das indicações deste ano que já vi, principalmente pela moral que o filme “Nasce uma Estela”, que achei bem fraco, ganhou, entrando em 9 categorias. E também porque acho que “Tully” merecia aparecer pelo menos no páreo de melhor atriz. Mas ainda tenho muitos filmes para ver e quero encontrar alguns do nível de “Infiltrado na Klan“, “Green Book” e “Bohemian Rhapsody“, todos nota 10, pela frente 😉

Tenho apenas um mês e dois dias até a cerimônia do Oscar, marcada para 24 de fevereiro, para assistir aos principais filmes, listados abaixo. No meu tradicional desafio, selecionei para ver os oito filmes que concorrem à categoria principal, além dos que concorrem a melhor direção, melhores atores e atrizes e melhores roteiros. São, ao todo, 20 filmes, dos quais, até hoje, só assisti a 5.

Faltam, portanto, 15 filmes para eu ver nos meus raros momentos de folga – média de 1 a cada 2 dias. Tentarei ver antes do dia 24/2 pelo menos os 10 principais que faltam, ou 1 a cada 3 dias. Ai, como ADORO esta época do ano…! 😀

Será que vou dar conta neste ano mais uma vez? Espero que sim, porque isso vai fazer aumentarem minhas chances de acertar os sorteados. No ano passado, acertei 15 de 16 categorias, só as principais. Vocês acompanharão tudinho neste post, porque vou acrescentando as resenhas em forma de link na lista abaixo, à medida que for assistindo.

Veja abaixo as resenhas e trailers dos filmes que já vi:

PRINCIPAIS FILMES DO OSCAR 2019:

  1. Roma (10 indicações), nota 9
  2. A Favorita (10 indicações), nota 7
  3. Nasce uma Estrela (9 indicações), nota 6
  4. Vice (8 indicações), nota 6
  5. Pantera Negra (7 indicações)
  6. Infiltrado na Klan (6 indicações), nota 10
  7. Bohemian Rhapsody (5 indicações), nota 10
  8. Green Book – O Guia (5 indicações), nota 10
  9. O Primeiro homem (4 indicações), nota 7
  10. O Retorno de Mary Poppins (4 indicações)
  11. Poderia Me Perdoar? (3 indicações)
  12. Guerra Fria (3 indicações), nota 8
  13. Se a rua Beale falasse (3 indicações)
  14. A balada de Buster Scruggs (3 indicações), nota 8

VEREI TAMBÉM SE SOBRAR TEMPO:

  1. Duas Rainhas (2 indicações, figurino e maquiagem)
  2. No Portal da Eternidade (1 indicação, a melhor ator)
  3. A Esposa (1 indicação, a melhor atriz)
  4. No coração da escuridão (1 indicação, de melhor roteiro)
  5. O Incríveis 2 (1 indicação, melhor animação)
  6. Christopher Robin (1 indicação, efeitos visuais), nota 7

Começa a contagem regressiva! Tic-tac, tic-tac…

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