Pelos “valores da família”

Familias

Não consigo entender por quê, mas toda vez que ouço alguém pregar pelos “valores da família”, geralmente o discurso vem acompanhado de afirmações intolerantes contra as preferências sexuais das pessoas, contra os homossexuais (e bi, trans, etc), contra outras visões de mundo fora daquelas tradicionalmente enquadradas no conceito da Tradição-Família-Propriedade, sejam religiosas ou políticas. Nunca vi alguém defender os valores da família e anunciar, num mesmo parágrafo, que dará amor, respeito e proteção ao filho se ele se descobrir gay, ou se decidir seguir o umbanda.

Outra coisa que me incomoda nessa expressão tão em voga em tempos de Silas-Malafaia-com-Twitter é a ideia de que existe um “valor da família” universal e absoluto. É a ideia de que você sabe o que é o melhor para todos, que você conhece a única verdade possível e que, no máximo, convive bem com a divergência por ser um sujeito condescendente. Tipo assim: “acho que gays são aberrações, mas te aceito como gay porque você não sabe o que está fazendo”. Ou ainda: “você está doente, mas ainda poderá se tratar e ficar curado” (e, por “cura”, entende-se alguém que tenha a mesma preferência religiosa, política e sexual que você, que compartilhe 100% dos seus valores; aí é curado, é do bem). Faz-me rir!

Para mim, existem dezenas, quiçá milhares, de valores de família. Cada família, a bem da verdade, tem seu próprio valor, tem aquilo que considera importante de se repassar para as gerações futuras. E muitas vezes aqueles valores que são sagrados para você não coincidem com os valores da família vizinha, sabe?

Eu tenho meus “valores de família” também. São aqueles valores que quero ensinar a meus filhos e netos e que torço para que eles absorvam, embora também possa acontecer de eles nascerem com outras visões de mundo e discordarem de mim. Alguns desses valores estão listados abaixo:

  1. Respeitar as divergências de opiniões e de visões de mundo
  2. Respeitar as diferenças de personalidade ou de crenças dos outros
  3. Respeitar as pessoas independente de suas raças, cor de pele, condições sociais, contas bancárias, escolaridade, local de origem e preferências sexuais etc
  4. Respeitar homens e mulheres e repudiar os sexismos
  5. Ser otimista e cultivar o bom humor
  6. Praticar o bem e a tolerância
  7. Ser honesto e sincero, inclusive consigo mesmo

Espero que, no mundo dos meus filhos, as pessoas já tenham aprendido a deixar os gays se amarem em paz e formarem suas famílias e a punir aqueles intolerantes que cometerem homofobia (torcendo para que, até lá, homofobia já seja considerada um crime – assim como o racismo, que demorou demais, mas finalmente é crime em boa parte do planeta).

Se eu conseguir incutir esses meus valores na minha família, ficarei feliz demais. E eles não têm nada a ver com a sexualidade alheia. Têm a ver com respeito pelo ser humano, com toda a sua complexidade e ignorância.

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O vizinho que pensa diferente de você

Charge do Duke, publicada no jornal "O Tempo" de 27.10.2014

Charge do Duke, publicada no jornal “O Tempo” de 27.10.2014

 

Em tempos de brigas entre amigos, parentes, vizinhos e ilustres desconhecidos por causa de divergências políticas e ideológicas, vale a pena reler um post que coloquei originalmente no blog há um ano e meio e que tinha sido escrito pelo jornalista Beto Trajano em 2007: o manifesto a favor do direito de divergir. Que sirva como reflexão para tantas pessoas que estão com os ânimos acirrados:

Não sou igual a você

Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.

Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada têm a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.

O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão – isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.

Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?

Que tal compartilhar em seu Facebook e contribuir para essa campanha de fim da guerra eleitoral? 😉

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Um CD dos Beatles sob encomenda

Esse pianista tocando um Ticket to Ride tão gostoso e jazzístico é o premiadíssimo mineiro Túlio Mourão. Ele vai lançar um CD só com músicas dos Beatles, que vai ficar pronto em dezembro.

Para isso, ele lançou um projeto de crowd funding (“vaquinha”), em que os fãs e potenciais consumidores contribuem com um dinheirinho para que o CD seja produzido. Mas o legal desse projeto dele é que, ao contribuir com uma quantia pré-determinada, a pessoa escolhe o que quer ganhar em troca, como recompensa.

A tabela é a seguinte:

Apoiar com Recompensa:
R$ 30,00 Você recebe um CD autografado, enviado pelo correio para sua casa!
R$ 50,00 Você recebe dois CDs autografados, enviados pelo correio para sua casa!
R$ 70,00 Você recebe um CD autografado e ingresso para o show de lançamento em BH (local ainda a ser definido), que será realizado em dezembro de 2014.
R$ 130,00 Você recebe 5 CDs autografados (enviados para o seu endereço pelo correio). Opção perfeita para presentear os amigos no Natal! Além disso, você também entra nos créditos de agradecimento do CD.
R$ 280,00 Você recebe 10 CDs autografados (enviados para o seu endereço pelo correio). Essa é pra você que tem muitos amigos que gostam de Beatles, ou uma pequena empresa e quer presentear seus funcionários ou parceiros. Seu nome entra nos créditos de agradecimento do CD.
R$ 1.500,00 Você recebe 50 CDs, com capa especialmente confeccionada para se transformar no brinde de final de ano da sua empresa! Seu nome e o nome da sua empresa entram nos créditos de agradecimento do CD.
R$ 7.000,00 Você recebe 100 CDs, com capa especialmente confeccionada para se transformar no brinde de final de ano da sua empresa, além de um show exclusivo para seus funcionários, amigos e colaboradores! (a oferta cobre os custos de cachê do grupo, e você será responsável por providenciar transporte, hospedagem e alimentação do grupo, além de palco, luz, sonorização e todos os itens necessários para a realização do show). Seu nome e o nome da sua empresa entram nos créditos de agradecimento do CD.

Eu acabo de contribuir com R$ 30 e vou ganhar, em troca, um CD entregue na minha casa, em dezembro. Se você for mais endinheirado, pode contribuir até com R$ 7.000 😉

Para participar, basta acessar AQUI, escolher a quantia, a forma de pagamento (cartão, boleto ou débito bancário) e preencher seus dados. Todo o processo não leva nem três minutos.

Fica a dica! Inclusive porque o Natal está aí e você já pode ir encomendando os presentes, hein! 😉

beatles

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A amarílis e os ciclos da vida

Conhece alguma Amarílis? Cumprimente essa sua amiga, porque o nome dela é inspirado em uma flor lindíssima, que põe no chinelo a Rosa, a Violeta, a Hortênsia, a Margarida, a Dália etc…

Tou sorrindo de uma orelha à outra porque minha amarílis, que só brota uma vez ao ano, deu as caras nesta semana:

amarilis

É ou não é uma belezura? 😀

Pena que ela dure pouquinho e, em mais uma semana, provavelmente já esteja murcha de novo. Mas essa beleza cíclica também me encanta! Mesmo que soe clichê, é verdade: a vida é um amontoado de ciclos, não é mesmo? Vamos aproveitar enquanto as coisas estão em seu auge 😉

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Acabou

Não foi o Nordeste. Não foi o Bolsa Família. Não foram os analfabetos e ignorantes. Uma parte significativa do Brasil, de mais de 54 milhões de pessoas, reelegeu, por maioria simples, a candidata do PT, presidente Dilma Rousseff. O mapa abaixo mostra como não há essa divisão idiota entre Norte e Sul que as pessoas dizem, está tudo bem mais diluído:

O Brasil é um país-continente, nada por aqui pode ser simplificado assim. Se for colocar na conta de um Estado, pode-se dizer que Minas Gerais foi o principal peso da balança — e os eleitores mineiros, melhor do que ninguém, conhecem Aécio Neves, então votaram com consciência. Não são mais burros que você, você não é dono da verdade — ninguém é.

O negócio é que Dilma ganhou na eleição mais polarizada de todos os tempos e terá de fazer muitas melhorias em sua gestão, para agradar à quase-metade do Brasil que preferiu o outro candidato. Isso é bom: tivesse ganhado de lavada, talvez vivêssemos um segundo mandato acomodado. Mas, como foi de raspão, terá de ser um segundo mandato muito melhor que o primeiro.

E agora este blog voltará à programação normal 😀 Vou continuar a postar algumas coisas sobre política, mas também sobre cinema, literatura, música, poesia, fotografia, futebol, culinária, turismo e todos os outros assuntos que costumo abordar aqui neste espaço 😉

Estou feliz porque, nas últimas semanas, produzi 19 (com este, 20) posts sobre assuntos relacionados à eleição (veja abaixo), especialmente depois que Eduardo Campos morreu e mais intensamente ainda quando o pleito foi para o segundo turno. Abri espaço para a divergência, sempre defendi a serenidade nas discussões, me coloquei fora dessa guerra que estava acontecendo nas ruas e nas redes sociais. E cá estou, neste 27 de outubro, sem ter perdido um único amigo por causa dessa futebolização besta da política, que só acontece pelo fato de 99% das pessoas serem muito despolitizadas na maior parte do tempo.

Agora acabou. Vai ter gente juntando os caquinhos, buscando reconciliações, por causa de brigas imaturas e por não terem sabido entender que cada um vota em quem quiser, e o voto dos outros é pensado, ponderado de acordo com as prioridades de cada um, e, por isso mesmo, precisa ser respeitado. Eu vou continuar com meu trabalho, que nunca acaba: acompanhar de perto os governos de Dilma Rousseff e de Fernando Pimentel e escrever sobre eles quando for preciso, nos avanços e nos deslizes. E recomendo a mesma atenção e crítica a todos os brasileiros, que precisam aprender a ser cidadãos todos os dias, não só de quatro em quatro anos.

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