15 resenhas de filmes sobre mulheres fortes ou inspiradoras

Para começar a ver no Dia Internacional da Mulher e terminar de ver no fim deste mês de março, dedicado a nós. Em ordem cronológica:

  1. Mary Poppins (1964)
  2. Adoráveis mulheres (1994)
  3. Minha vida sem mim (2003)
  4. Há tanto tempo que te amo (2008)
  5. Histórias Cruzadas (2011)
  6. Philomena (2013)
  7. Livre (2014)
  8. Para sempre Alice (2014) – tem na Netflix
  9. Um Momento Pode Mudar Tudo (2014)
  10. Cake (2014)
  11. A Garota Dinamarquesa (2015) – tem na Netflix
  12. Estrelas Além do Tempo (2016)
  13. Três Anúncios para um Crime (2017)
  14. The Post (2017)
  15. Eu, Tonya (2017)

Que pena, só dois dos meus 15 filmes selecionados estão na Netflix!

Bônus Continuar lendo

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‘Estrelas Além do Tempo’: barreiras sendo derrubadas, além do tempo

Para ver no cinema: ESTRELAS ALÉM DO TEMPO (Hidden Figures)
Nota 10

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Na década de 1960, auge da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, um grupo de mulheres negras quebra inúmeras barreiras dentro da NASA e se torna essencial para o sucesso dos Estados Unidos na corrida espacial que era travada com a União Soviética.

Mulheres. Negras. Em um ambiente majoritariamente masculino como é, ainda hoje, o universo da engenharia/física/matemática. Nos anos 60.

O último parágrafo foi repetitivo, eu sei, mas é que acho que valia a pena destacar com bastante ênfase esse contexto, que justifica, por si só, o entusiasmo que provoca a história contada em “Hidden Figures”. Quando o filme acabou, vi a sala de cinema explodir em palmas — algo que eu não presenciava há tempos.

O filme é sobre a história real de três mulheres geniais: Katherine G. Johnson (interpretada brilhantemente por Taraji P. Henson, que, injustamente, não foi indicada ao Oscar), Dorothy Vaughan (a sempre ótima Octavia Spencer, que levou o Oscar por “Histórias Cruzadas” e foi indicada de novo agora) e Mary Jackson (papel da cantora Janelle Monáe*).

Pergunta: se elas eram tão geniais e foram tão importantes na história do homem do espaço, por que nunca ouvimos seus nomes antes? Todos nós, superleigos, crescemos ouvindo falar de Yuri Gagarin, John Glenn, Alan Shepard, Neil Armstrong e até da cadelinha Laika. Mas nada de Katherines, Dorothys e Marys em nossos repertórios. Continuar lendo

‘Pelos direitos das meninas’, por Sílvia Amélia de Araújo

Tenho três sobrinhas e espero algum dia ainda ter o privilégio de ter uma filha. E quero ajudar a construir entre essas meninas da família, que são as mais próximas, a consciência de que podem ser livres. L-i-v-r-e-s. Para casarem ou não. Na igreja ou não. Para morarem sozinhas ou não. Para terem profissões em que há pouco espaço para as mulheres — ou não. Para serem as melhores em suas áreas profissionais. Para gostarem de homens, de mulheres, de nada, do que quiserem. Para seguirem a moda, serem vaidosas, ou não. Para terem uma religião o não. Para terem filhos ou não. Etc.

A leitura do texto que a Sílvia Amélia (que tanto cito aqui no blog) escreveu deveria ser obrigatória. Mas é bom que não seja: até nisso devemos ter liberdade, né? Então fica como sugestão para que todos os pais, mães, tios, professores, avós, irmãos, primos e amigos de meninas — e as próprias meninas! —  leiam com muita atenção e repassem adiante, numa grande corrente do bem (corrente também não cai bem nesse contexto de liberdade… Que seja uma roda do bem! ;)).

Em tempo: o Dia Internacional das Meninas foi comemorado em 11 de outubro agora tendo o Brasil na situação vergonhosa de ser um dos 50 piores lugares do planeta para as meninas, segundo a ONG Save The Children. Bora melhorar esse futuro das minhas sobrinhas e do meu filho, pessoal!

Agora vamos ao texto que realmente interessa: Continuar lendo

13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje

Laerte, gênio.

Laerte, gênio.

Ontem foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e acabei não abordando o assunto no blog. Mas, embora eu não seja uma feminista típica, o respeito às mulheres e a busca pela igualdade de gêneros e pelo fim do machismo são temas corriqueiros neste espaço. São assuntos que abordo com grande frequência, justamente porque acho que ainda temos um longo caminho pela frente e sempre há o que se dizer.

Quando uma atriz que leva o Oscar faz um discurso pregando que os salários de homens e mulheres sejam iguais, podemos perceber que nem na rica Hollywood o problema está solucionado. No Brasil, as mulheres ainda recebem, em média, 26,3% menos que os homens, segundo dados da Pnad divulgados no ano passado. Ou seja, se o homem recebe, em média, R$ 1.890, a mulher recebe apenas R$ 1.392 – R$ 498 a menos. E essa diferença ocorre mesmo em cargos ou funções equivalentes dentro de uma empresa.

Fora a questão do dinheiro, as mulheres ainda sofrem muito mais com a violência doméstica, com os estupros, com assédios no ambiente de trabalho e, claro, com a patrulha moralista do dia a dia. Não adianta a mulher trabalhar desde cedo (ganhando menos que os colegas homens), pagar as contas, ter um alto grau de escolaridade: ela não pode morar sozinha, não pode ter uma vida sexual ativa, não pode usar as roupas que quiser, porque tudo isso será vigiado e condenado pelo restante da sociedade. E principalmente pelas outras mulheres, porque o que mais existe neste mundo é mulher machista.

Enfim, acho que alguns posts que escrevi nos últimos anos merecem ser relidos neste “mês das mulheres” (calma, homens, vocês ainda têm 11 meses só para vocês), porque os assuntos debatidos neles ainda estão longe de terem sido contornados. Ou seja, eles continuam pertinentes e atuais. Separei meus 13 favoritos para nos ajudar nesta reflexão:

  1. Sim, existe machismo — detecte-o e combata-o neste “Dia das Mulheres” e nos demais, em que listo um apanhado de “pérolas” que as mulheres temos que ouvir todos os dias e registro situações machistas vivenciadas por amigas e amigos.
  2. Duas cenas de machismo em um dia qualquer – e a vingança de uma mulher, em que compartilho minha reação a dois episódios em que fui vítima de machismo, numa mesma manhã.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que uma mulher apanha em pleno bar, à vista de todos, por ter se recusado a beijar um homem à força, e ainda fica se culpando.
  4. O machismo à espreita na primeira esquina, em que conto o diálogo que quase toda grávida de menina escuta.
  5. Sentaço em homenagem a Letícia Sabatella, em que participo de uma campanha pelo direito de as mulheres poderem fazer o que quiserem sem virarem motivo de chacota ou deboche de colunistas sociais e internautas mal-intencionados.
  6. Os estupros coletivos de jovens meninas ocorrem debaixo do nosso nariz, em que falo dos estupros nas repúblicas universitárias de Ouro Preto (que também acontecem em festas de universidades de todo o país).
  7. Foi estuprada? A culpa é sua!, em que compartilho um vídeo genial feito por indianas, que traz uma mensagem universal ironizando a ideia idiota de que a vítima do estupro “incitou” o estuprador.
  8. “É pelas mulheres que estão me agredindo que eu estou lutando”, em que entrevisto a ativista Nana Queiroz, que criou o movimento “Eu Não Mereço ser Estuprada” e passou a ser vítima do ódio de outras mulheres.
  9. Homenagem às mulheres guerreiras, em que compartilho o texto escrito por mulheres da periferia paulistana.
  10. Você sabe conversar com meninas de 5 anos?, em que compartilho um texto que critica a forma como incutimos valores machistas em crianças, desde pequenas.
  11. “Mamãe não trabalha”, em que compartilho um texto que nos faz valorizar o trabalho das donas de casa.
  12. Por que não devemos nos preocupar com a opinião dos outros, em que falo sobre a liberdade que temos quando paramos de nos preocupar com o julgamento alheio.
  13. O que todos os pais deveriam aconselhar a seus filhos, em que compartilho uma carta que F. Scott Fitzgerald escreveu a sua filha quando ela tinha 11 anos.

Dou meus parabéns às mulheres que enfrentam, todos os dias, esse “carma” de ter nascido mulher, e o fazem com altivez, com determinação e sem sucumbir às agressões e críticas externas. Não dou parabéns e não acho que este 8 de março seja para aquelas outras mulheres que apenas reforçam e repisam o machismo do mundo. Tenho um pouco de pena de vocês, mas acho que todas podem agir diferente, se quiserem.

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Fora, Bolsonaro!

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Ontem, quando eu assistia à sessão para cassação de André Vargas (ex-PT), vi o Jair Bolsonaro tentando se justificar por ter dito, pela segunda vez, que não estupraria Maria do Rosário porque “ela não merece“. Depois de sentir vontade de vomitar com a declaração (será que ele não percebe que, ao dizer isso, ele quer dizer que há que MEREÇA ser estuprado?!), pensei: se os deputados fossem sérios (os outros, quero dizer, porque Bolsonaro não é sério mesmo), interromperiam naquele momento o processo de cassação de Vargas e iniciariam imediatamente a cassação de Jair Bolsonaro, por conduta atentatória ou incompatível com o decoro parlamentar, como é previsto na Constituição (artigo 55) e no regimento da Câmara (art. 10). Depois, continuassem com o caso do Vargas, que também foi cassado.

Jair Bolsonaro não é conhecido só por falar asneiras contra gays, contra negros e contra mulheres. Ele também defende veementemente o período da ditadura militar no Brasil, onde o Estado infligiu pelo menos 19 tipos de tortura diferentes, de acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, divulgado nesta quarta. Você pode ler os detalhes sobre cada um desses métodos asquerosos AQUI. Bolsonaro, aliás, defende a prática da tortura mesmo nos dias de hoje, em plena democracia.

Infelizmente, num ano em que a campanha eleitoral foi bastante acirrada, com pessoas de ânimos muito exaltados e o principal candidato da oposição se aproximando cada vez mais da extrema-direita (inclusive depois de sair derrotado nas urnas), tenho visto muita gente apoiando Jair Bolsonaro. Prefiro acreditar que mais por desconhecimento do discurso dele, por ignorância mesmo, do que por uma defesa consciente desse deputado. Também é o que prefiro acreditar quando lembro que ele foi o mais votado do Rio de Janeiro — assim como já aconteceu no passado com figuras como Tiririca, Garotinho, Ratinho Júnior, Russomano, Pastor Feliciano etc. As pessoas não pesquisam sobre seus candidatos e, não raro, nem mesmo se lembram em quem votaram nas eleições passadas.

Mas não dá, gente. Bolsonaro não dá. Sua mãe merece ser estuprada? Sua filha? Sua mulher ou namorada? Sua irmã? Para Bolsonaro, se “derem um caldo”, podem bem merecer, vejam só. Você odeia a Dilma e ficou chateadíssimo/a que ela venceu as eleições por maioria simples, como mandam as regras? Ficou puto que um monte de gente resolveu abdicar de votar (indo pelo branco ou nulo) em vez de sair de cima do muro? Achava que esse povo daria o voto para Aécio e não para Dilma (mas como saber, né?)? Tudo bem, está no seu direito. Faça sua oposição, acompanhe o governo de perto, faça cobranças, como todo cidadão, eleitor de Dilma ou de Aécio, deveria fazer. Mas não pense que, ao apoiar Bolsonaro, você está atacando Dilma. Não, querido: você está atacando as mulheres, os negros, os homossexuais, os que já sofreram as consequências de policiais mal preparados (que existem, como todo profissional), os que querem ver o progresso da democracia no Brasil, seja nas mãos de qual grupo político for. Sacou?

Você já sabe que o Bolsonaro não está à altura do cargo que infelizmente ocupa? Então faça sua parte repudiando as coisas que este senhor diz e defende, sem nem corar as bochechas, dia após dias. Criticar, contestar, cobrar e exigir também são papel de um cidadão, como você.

Algumas coisas podem ser feitas:

  • Você pode assinar a petição online pedindo a cassação de Bolsonaro. É rápido e fácil e, no momento em que escrevo, já ultrapassou as 70 mil assinaturas.
  • Você pode compartilhar essa petição.
  • Você pode enviar um email para todos os deputados — inclusive aquele em que você já votou — cobrando um posicionamento.
  • Você pode protestar pelo Facebook e pelo Twitter (o auge da campanha será nesta quinta-feira, às 19h)!
  • Você pode conversar com seus conhecidos e amigos que não sabem bem o que andam defendendo por aí, por serem despolitizados (e são a maioria, viu). Comece entrando na página do deputado e vendo quem, dentre seus amigos, já passou por ali “curtindo” o sujeito. E depois dar um toque para esses curtidores inconsequentes. Vale até enviar este post para eles, hein 😉

É isso, pessoal. Não dá mais pra ter um cara como Bolsonaro no Congresso Nacional. Se nada disso valer, vamos pelo menos trabalhar com a conscientização das pessoas para que a catástrofe não se repita nas eleições de 2018, né?

Pra fechar, veja a charge do Duke publicada hoje, que linda:

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