‘Pelos direitos das meninas’, por Sílvia Amélia de Araújo

Tenho três sobrinhas e espero algum dia ainda ter o privilégio de ter uma filha. E quero ajudar a construir entre essas meninas da família, que são as mais próximas, a consciência de que podem ser livres. L-i-v-r-e-s. Para casarem ou não. Na igreja ou não. Para morarem sozinhas ou não. Para terem profissões em que há pouco espaço para as mulheres — ou não. Para serem as melhores em suas áreas profissionais. Para gostarem de homens, de mulheres, de nada, do que quiserem. Para seguirem a moda, serem vaidosas, ou não. Para terem uma religião o não. Para terem filhos ou não. Etc.

A leitura do texto que a Sílvia Amélia (que tanto cito aqui no blog) escreveu deveria ser obrigatória. Mas é bom que não seja: até nisso devemos ter liberdade, né? Então fica como sugestão para que todos os pais, mães, tios, professores, avós, irmãos, primos e amigos de meninas — e as próprias meninas! —  leiam com muita atenção e repassem adiante, numa grande corrente do bem (corrente também não cai bem nesse contexto de liberdade… Que seja uma roda do bem! ;)).

Em tempo: o Dia Internacional das Meninas foi comemorado em 11 de outubro agora tendo o Brasil na situação vergonhosa de ser um dos 50 piores lugares do planeta para as meninas, segundo a ONG Save The Children. Bora melhorar esse futuro das minhas sobrinhas e do meu filho, pessoal!

Agora vamos ao texto que realmente interessa: Continuar lendo

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13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje

Laerte, gênio.

Laerte, gênio.

Ontem foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e acabei não abordando o assunto no blog. Mas, embora eu não seja uma feminista típica, o respeito às mulheres e a busca pela igualdade de gêneros e pelo fim do machismo são temas corriqueiros neste espaço. São assuntos que abordo com grande frequência, justamente porque acho que ainda temos um longo caminho pela frente e sempre há o que se dizer.

Quando uma atriz que leva o Oscar faz um discurso pregando que os salários de homens e mulheres sejam iguais, podemos perceber que nem na rica Hollywood o problema está solucionado. No Brasil, as mulheres ainda recebem, em média, 26,3% menos que os homens, segundo dados da Pnad divulgados no ano passado. Ou seja, se o homem recebe, em média, R$ 1.890, a mulher recebe apenas R$ 1.392 – R$ 498 a menos. E essa diferença ocorre mesmo em cargos ou funções equivalentes dentro de uma empresa.

Fora a questão do dinheiro, as mulheres ainda sofrem muito mais com a violência doméstica, com os estupros, com assédios no ambiente de trabalho e, claro, com a patrulha moralista do dia a dia. Não adianta a mulher trabalhar desde cedo (ganhando menos que os colegas homens), pagar as contas, ter um alto grau de escolaridade: ela não pode morar sozinha, não pode ter uma vida sexual ativa, não pode usar as roupas que quiser, porque tudo isso será vigiado e condenado pelo restante da sociedade. E principalmente pelas outras mulheres, porque o que mais existe neste mundo é mulher machista.

Enfim, acho que alguns posts que escrevi nos últimos anos merecem ser relidos neste “mês das mulheres” (calma, homens, vocês ainda têm 11 meses só para vocês), porque os assuntos debatidos neles ainda estão longe de terem sido contornados. Ou seja, eles continuam pertinentes e atuais. Separei meus 13 favoritos para nos ajudar nesta reflexão:

  1. Sim, existe machismo — detecte-o e combata-o neste “Dia das Mulheres” e nos demais, em que listo um apanhado de “pérolas” que as mulheres temos que ouvir todos os dias e registro situações machistas vivenciadas por amigas e amigos.
  2. Duas cenas de machismo em um dia qualquer – e a vingança de uma mulher, em que compartilho minha reação a dois episódios em que fui vítima de machismo, numa mesma manhã.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que uma mulher apanha em pleno bar, à vista de todos, por ter se recusado a beijar um homem à força, e ainda fica se culpando.
  4. O machismo à espreita na primeira esquina, em que conto o diálogo que quase toda grávida de menina escuta.
  5. Sentaço em homenagem a Letícia Sabatella, em que participo de uma campanha pelo direito de as mulheres poderem fazer o que quiserem sem virarem motivo de chacota ou deboche de colunistas sociais e internautas mal-intencionados.
  6. Os estupros coletivos de jovens meninas ocorrem debaixo do nosso nariz, em que falo dos estupros nas repúblicas universitárias de Ouro Preto (que também acontecem em festas de universidades de todo o país).
  7. Foi estuprada? A culpa é sua!, em que compartilho um vídeo genial feito por indianas, que traz uma mensagem universal ironizando a ideia idiota de que a vítima do estupro “incitou” o estuprador.
  8. “É pelas mulheres que estão me agredindo que eu estou lutando”, em que entrevisto a ativista Nana Queiroz, que criou o movimento “Eu Não Mereço ser Estuprada” e passou a ser vítima do ódio de outras mulheres.
  9. Homenagem às mulheres guerreiras, em que compartilho o texto escrito por mulheres da periferia paulistana.
  10. Você sabe conversar com meninas de 5 anos?, em que compartilho um texto que critica a forma como incutimos valores machistas em crianças, desde pequenas.
  11. “Mamãe não trabalha”, em que compartilho um texto que nos faz valorizar o trabalho das donas de casa.
  12. Por que não devemos nos preocupar com a opinião dos outros, em que falo sobre a liberdade que temos quando paramos de nos preocupar com o julgamento alheio.
  13. O que todos os pais deveriam aconselhar a seus filhos, em que compartilho uma carta que F. Scott Fitzgerald escreveu a sua filha quando ela tinha 11 anos.

Dou meus parabéns às mulheres que enfrentam, todos os dias, esse “carma” de ter nascido mulher, e o fazem com altivez, com determinação e sem sucumbir às agressões e críticas externas. Não dou parabéns e não acho que este 8 de março seja para aquelas outras mulheres que apenas reforçam e repisam o machismo do mundo. Tenho um pouco de pena de vocês, mas acho que todas podem agir diferente, se quiserem.

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O gênio mais injustiçado da História

Não deixe de assistir: O JOGO DA IMITAÇÃO (The Imitation Game)
Nota 10

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Fazia tempos que eu não via um filme biográfico (ou ao menos baseado em fatos reais) TÃO bom como este.

Comecei assistindo com a vaga ideia de que era uma história sobre o pai da computação, Alan Turing, e que teria alguma coisa a ver com a guerra. (Parêntesis para dizer que, de uns tempos para cá, tenho optado por ver filmes às cegas, com o mínimo de informação possível sobre eles, para me surpreender mais. E procuro evitar estragar as surpresas também ao escrever a respeito deles aqui nas renhas do blog, viu?).

Mas o que vi, nas pouco menos de duas horas de filme, foi uma história instigante que mudou totalmente o meu conceito de como as guerras são vencidas no mundo e, pra falar a verdade, me fez entender até melhor a importância de denúncias como as feitas por Edward Snowden em 2013. Depois de ver este filme, fiquei com vontade de rasgar muitos dos livros de História que me ensinaram sobre as batalhas épicas de Stalingrado e mesmo da Normandia, o famoso Dia D da Segunda Guerra Mundial. Enfim, é um filme que merece ser assistido por todos aqueles que gostam de filmes históricos.

Ao contrário de “Sniper Americano“, que critiquei aqui no blog nesta semana, este “Jogo da Imitação” não peca pelo excesso de homenagem ao protagonista, mas, ao contrário, faz justiça a um personagem que passou batido no que diz respeito à vitória dos Aliados na guerra e que foi tratado, de certa forma, como um pária, mesmo tendo sido um herói (um herói ambíguo, como vocês verão no filme, mas, para se constar nos anais da História, ainda seria uma definição de herói). Ao terminar de ver o filme, fiquei com a impressão de que Turing é um dos gênios mais injustiçados da História.

Para melhorar, o filme também explora bem o lado humano do matemático, com todas as deficiências sociais que ele possui (e que todos os gênios costumam ter), sua dificuldade em entender piadas (me lembrou imediatamente do Sheldon, de Big Bang Theory), e seu sofrimento por ser homossexual numa época em que isso era considerado crime, punido com cadeia e até com a forca na Grã Bretanha. Com esses ingredientes, o roteiro ganha pelo drama humano, retratado de forma excepcional pelo ator candidato ao Oscar Benedict Cumberbatch, mas também agrega em outro viés histórico, o do preconceito aos homossexuais (e também às mulheres, que não deixa de ser abordado).

Enfim, é um filme completo, seja por nos fazer pensar, chorar e vibrar com seu roteiro (que concorre ao Oscar), seja pelas brilhantes atuações, especialmente de Cumberbatch e também de Keira Knightley (indicada ao Oscar mais uma vez), seja pelo capricho na direção de arte, que reproduz os anos 40 e 70 com exatidão desde a dentadura do ator principal até o maquinário que ele inventou, ou pela direção geral do norueguês desconhecido Morten Tyldum. Merece cada estatueta para o qual foi indicado e é um filme que ainda quero rever várias vezes, com algum livrinho de palavras cruzadas no colo 😉

Veja o trailer:

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O machismo à espreita na primeira esquina

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Minha irmã mais velha, a jornalista Viviane Moreno — mãe de uma linda menina –, estava andando na rua na última quinta-feira quando ouviu duas mulheres travando o seguinte diálogo:

— É menino ou menina?
— Menina.
— Bom, o importante é vir com saúde…
— Eu queria menina.
— Mas e o seu marido, não achou ruim?

Não é a primeira vez que ouço falar de mulheres e homens que falam que gostariam de ter um menino, que ter um bebê homem é melhor do que uma bebê mulher e outras coisas como esta entreouvida acima. Mas nunca tinha realmente escutado uma conversa tão surreal como esta.

Minha pergunta é: POR QUÊ?!?!?!?!? Tem certas coisas que não cabem na minha cabeça nem se empurrar com força, viu.

Aguardo as explicações dos leitores mais espertos que eu que conseguirem vislumbrá-las.

Laerte, gênio.

Laerte, gênio.

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“Sentaço” em homenagem a Letícia Sabatella

Na semana passada, fomos invadidos por duas notícias muito malas, que chegaram também pelas redes sociais.

  • A primeira: Grazi Massafera estava com as axilas maldepiladas em um evento de que participou. E nem foi a primeira vez que “noticiaram” isso.
  • A segunda: Letícia Sabatella bebeu demais e “deu vexame” (nas palavras do colunista-pop), tendo que ser carregada para se levantar do chão.

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Não vi o que Grazi, linda, deslumbrante e querida por milhares de fãs, disse sobre essa notícia idiota. Toda mulher agora tem que se depilar com cera, e ficar sem nem um micropêlo, pra não incomodar os olhares dos machões? AQUI procês, ó! 😛

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Já Letícia, também linda, deslumbrante, e com mais de 50 mil fãs só no Facebook, resolveu mostrar uma banana pra esses moralistas de plantão. No dia 5 de novembro, ela escreveu em seu Facebook:

“Que auê por causa de uma noitada de cantoria e pisco sauer com os amigos! Deitar no chão de tanto rir, e beber do céu as estrelas! Quem não precisa rir de si mesmo de vez em quando? Me recuso a sentir vergonha com esta pedra(bosta) moralista com que tentam me atingir. A vocês, queridos acusadores, ofereço Um Brinde!”

A publicação já teve mais de 20 mil curtidas, mais de 1.900 compartilhamentos, e rendeu até um evento no Facebook, Deitaço no asfalto com Letícia Sabatella, que, até a noite de domingo, já tinha 17 mil participantes. Minha veterana de faculdade Sílvia Amélia foi quem criou o grupo e diz TUDO na descrição:

“A atriz Letícia Sabatella saiu com amigos e bebeu, e cantou e se divertiu. E até deitou com eles no chão no meio de uma crise de riso. Ou seja, teve uma experiência feliz daquelas que todo mundo deveria experimentar na vida. Mas algo tão simples assim teve cobertura de parte da imprensa como se fosse um “vexame” e provocou comentários dos moralistas, sempre de plantão. Esse evento organizado por feministas pretende reunir admiradoras e admiradores de Letícia Sabatella que adorariam beber, bater papo, rir e deitar no asfalto com ela!”

Fico feliz que esses colunistas que adoram apontar o dedo para as celebridades (e levaram muitas delas ao inferno, como Amy Winehouse) estejam recebendo essa resposta criativa, imediata e SÓBRIA dos leitores. Não queremos mais ler isto, baby.

Grazi, Letícia e mulheres em geral: depilem como, onde e quando quiserem, bebam o quanto quiserem, continuem rindo de si mesmas! Não devemos satisfações a ninguém, não. E, se o machismo apertar, o bom humor será ainda o melhor remédio 😉

 

Eu chorando de rir depois de levar um tombo, em foto tirada por amigos, em abril de 2010. Arquio pessoal :)

Eu chorando de rir depois de levar um tombo, em foto tirada por amigos, em abril de 2010. Não cheguei a deitar, mas estou sentada no chão, e fica como solidariedade à grande Letícia, que também prefere rir dos momentos divertidos da vida 🙂 Foto: Arquivo pessoal

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