‘O advogado rebelde’ de John Grisham e os males da Justiça, lá e cá

Texto escrito por José de Souza Castro:

advogadoJohn Grisham bate duro em “O advogado rebelde”, seu 28º romance ambientado no meio jurídico dos Estados Unidos. Lançado em dezembro de 2015, ocupa desde então listas de mais vendidos em seu país. No Brasil, o livro foi publicado há um mês pela Rocco.

Os leitores da transcrição que faço abaixo, com vários cortes, encontrarão na fictícia Milo uma cidadezinha do interior brasileiro. No réu Gardy e nos policiais e promotores de Justiça, alguém que conhecemos de perto. No crime hediondo do acusado, a mesma sopa que nos é servida aqui, com tempero brasileiro, pela imprensa e pela justiça nossa de cada dia.

Cada uma das 400 páginas desse “thriller” é um convite irresistível à leitura. Dito isso, vamos ao autor – o advogado Sebastian Rudd, o personagem novo e inesquecível de Grisham. É Rudd quem “escreve” o livro, traduzido por Geni Hirata:

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Para que as crianças aprendam desde cedo a valorizar o cabelo que têm

Foto: Pixabay

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Mais uma vez, me vi na obrigação de compartilhar aqui um dos textos da escritora e jornalista Sílvia Amélia.

Ela escreveu sobre um assunto que já abordei aqui no blog: a importância de valorizarmos os diversos tipos de cabelos e pararmos com essa história (idiota) de que um tipo de cabelo é “bom” e o outro é “ruim”. História que, infelizmente, é imposta às crianças desde bem pequenas.

Calma, vou compartilhar o texto inteirinho da Sílvia. Mas quero destacar um dos itens que ela elencou na reflexão da vez:

“Você fala para uma criança de cabelos lisos “nossa, seu cabelo é lindo” diante de uma criança de cabelos cacheados?”

E aí? Já fiz isso alguma vez? Várias vezes? Será que não está na hora de mudar esse comportamento ridículo? Como essa criança deve ter se sentido com a comparação nonsense?

Agora vamos ao texto na íntegra, que vale a leitura do início ao fim:

silvia

CLIQUE AQUI para ler até o fim.

 

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13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje

Laerte, gênio.

Laerte, gênio.

Ontem foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e acabei não abordando o assunto no blog. Mas, embora eu não seja uma feminista típica, o respeito às mulheres e a busca pela igualdade de gêneros e pelo fim do machismo são temas corriqueiros neste espaço. São assuntos que abordo com grande frequência, justamente porque acho que ainda temos um longo caminho pela frente e sempre há o que se dizer.

Quando uma atriz que leva o Oscar faz um discurso pregando que os salários de homens e mulheres sejam iguais, podemos perceber que nem na rica Hollywood o problema está solucionado. No Brasil, as mulheres ainda recebem, em média, 26,3% menos que os homens, segundo dados da Pnad divulgados no ano passado. Ou seja, se o homem recebe, em média, R$ 1.890, a mulher recebe apenas R$ 1.392 – R$ 498 a menos. E essa diferença ocorre mesmo em cargos ou funções equivalentes dentro de uma empresa.

Fora a questão do dinheiro, as mulheres ainda sofrem muito mais com a violência doméstica, com os estupros, com assédios no ambiente de trabalho e, claro, com a patrulha moralista do dia a dia. Não adianta a mulher trabalhar desde cedo (ganhando menos que os colegas homens), pagar as contas, ter um alto grau de escolaridade: ela não pode morar sozinha, não pode ter uma vida sexual ativa, não pode usar as roupas que quiser, porque tudo isso será vigiado e condenado pelo restante da sociedade. E principalmente pelas outras mulheres, porque o que mais existe neste mundo é mulher machista.

Enfim, acho que alguns posts que escrevi nos últimos anos merecem ser relidos neste “mês das mulheres” (calma, homens, vocês ainda têm 11 meses só para vocês), porque os assuntos debatidos neles ainda estão longe de terem sido contornados. Ou seja, eles continuam pertinentes e atuais. Separei meus 13 favoritos para nos ajudar nesta reflexão:

  1. Sim, existe machismo — detecte-o e combata-o neste “Dia das Mulheres” e nos demais, em que listo um apanhado de “pérolas” que as mulheres temos que ouvir todos os dias e registro situações machistas vivenciadas por amigas e amigos.
  2. Duas cenas de machismo em um dia qualquer – e a vingança de uma mulher, em que compartilho minha reação a dois episódios em que fui vítima de machismo, numa mesma manhã.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que uma mulher apanha em pleno bar, à vista de todos, por ter se recusado a beijar um homem à força, e ainda fica se culpando.
  4. O machismo à espreita na primeira esquina, em que conto o diálogo que quase toda grávida de menina escuta.
  5. Sentaço em homenagem a Letícia Sabatella, em que participo de uma campanha pelo direito de as mulheres poderem fazer o que quiserem sem virarem motivo de chacota ou deboche de colunistas sociais e internautas mal-intencionados.
  6. Os estupros coletivos de jovens meninas ocorrem debaixo do nosso nariz, em que falo dos estupros nas repúblicas universitárias de Ouro Preto (que também acontecem em festas de universidades de todo o país).
  7. Foi estuprada? A culpa é sua!, em que compartilho um vídeo genial feito por indianas, que traz uma mensagem universal ironizando a ideia idiota de que a vítima do estupro “incitou” o estuprador.
  8. “É pelas mulheres que estão me agredindo que eu estou lutando”, em que entrevisto a ativista Nana Queiroz, que criou o movimento “Eu Não Mereço ser Estuprada” e passou a ser vítima do ódio de outras mulheres.
  9. Homenagem às mulheres guerreiras, em que compartilho o texto escrito por mulheres da periferia paulistana.
  10. Você sabe conversar com meninas de 5 anos?, em que compartilho um texto que critica a forma como incutimos valores machistas em crianças, desde pequenas.
  11. “Mamãe não trabalha”, em que compartilho um texto que nos faz valorizar o trabalho das donas de casa.
  12. Por que não devemos nos preocupar com a opinião dos outros, em que falo sobre a liberdade que temos quando paramos de nos preocupar com o julgamento alheio.
  13. O que todos os pais deveriam aconselhar a seus filhos, em que compartilho uma carta que F. Scott Fitzgerald escreveu a sua filha quando ela tinha 11 anos.

Dou meus parabéns às mulheres que enfrentam, todos os dias, esse “carma” de ter nascido mulher, e o fazem com altivez, com determinação e sem sucumbir às agressões e críticas externas. Não dou parabéns e não acho que este 8 de março seja para aquelas outras mulheres que apenas reforçam e repisam o machismo do mundo. Tenho um pouco de pena de vocês, mas acho que todas podem agir diferente, se quiserem.

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O caráter, o juízo, o legado

Para ver no cinema: O JUIZ (The Judge)
Nota 8

thejudge

Comecei a assistir ao filme sem saber nem do que se tratava, como gosto de fazer quase sempre. Faltavam dez minutos para começar, eu já estava ali mesmo, e era meu dia de folga. Só sabia do nome: “O Juiz”. Seria uma espécie de Law & Order? Filme de tribunal, com enredo à moda John Grisham? No começo, foi o que pareceu. Aos poucos, no entanto, fui descobrindo que trata-se mais de um filme de aceitação do passado, de retorno à família, de lembrança das origens. E de pais e filhos, ressentimentos, rancores, perdão, essa coisa toda. Como em “Nebraska“, sabem?

Não pensem que, ao enquadrá-lo em um modelo pré-formatado, estou querendo desmerecer “O Juiz”. De jeito nenhum. Uma vez enquadrado, o filme pode nos surpreender ou não. E “O Juiz” me surpreendeu em vários momentos.

Primeiro, que logo teremos um crime. E o julgamento desse crime vai tomar o filme todo. Mas, paralelamente a esse julgamento da Lei, haverá o julgamento do pai com o filho, e vice-versa. O julgamento dos homens, das famílias, das lembranças. E esses julgamentos paralelos vão te fazer chorar, se você estiver com o mesmo espírito sensível que eu. Chorei, chorei, chorei, como há tempos não me acontecia vendo um filme. Apesar desse drama todo, também dei boas risadas. Há momentos de dureza e há os de candura, como na vida de todos nós.

Eu e minha mania de querer escrever resenha de filmes contando o mínimo possível! Assim não dá. Mas é que sempre prefiro me surpreender com os filmes, e desejo a mesma preferência a quem chega aqui no blog. O que posso dizer mais? O juiz da história é interpretado por um monstro do cinema, ninguém menos que Robert Duvall, com quase 150 filmes nas costas. Seu filho, que será também seu advogado, é outro cara de que gosto muito, Robert Downey Jr, famoso por fazer papéis de super-heróis e Sherlocks, mas também por atuações tocantes como em O Solista. E os dois conseguiram arrancar de mim muitas reflexões.

Por exemplo:

Será que ninguém é passível de cometer o crime que o juiz cometeu, pelo motivo que ele cometeu? O que define o caráter de uma pessoa? O que é justiça, o que é justo? Será que podemos julgar os outros ao nosso redor, especialmente os que mais amamos, quando não agem conosco da forma como queríamos? E estamos prontos para aceitar o julgamento que fazem de nós?

Muitas vezes não adianta muito ter o melhor emprego, uma Ferrari na garagem, uma mulher com “bumbum de atleta do colegial”, uma filha maravilhosa e um salário com muitos dígitos, se não temos o bom juízo daqueles que consideramos “o” juiz. Ou se não deixamos um legado quando morremos.

Veja o trailer:

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A cadeirante que ficou de pé

Ao escrever o post de ontem, eu disse que acredito na versão do garoto de 15 anos e de seu pai. Isso tem razão de ser: não tenho nenhum motivo para duvidar da vítima e tenho vários motivos para questionar a atuação da PM mineira, como bem mostram os posts linkados ao pé daquele. Entre uma versão e outra, fico com a primeira, no meu livre exercício de pensar e formar meu juízo de valor.

No entanto, também fiz questão de escrever que caberá à Corregedoria da PM investigar os fatos e confirmar ou refutar a tese de que o policial militar que atirou no garoto o fez desnecessariamente.

E por que tomei o cuidado de dizer isso? Simples: porque eu não estava lá. Não vi, não há vídeos, há apenas relatos conflitantes. E as histórias podem ser as mais absurdas ou inusitadas, de vez em quando. Cabe aos jornalistas tomarem esse tipo de cuidado de apurar muito bem uma informação antes de construir uma reportagem, para não correr o risco de imputar a alguém uma responsabilidade que não é daquela pessoa. Já abordei isso AQUI.

E aí eu lembro daquela foto da cadeirante em pé, que circulou violentamente pelas redes sociais nos últimos dias, sempre acompanhada de exclamações sobre como aquela loira é sem-vergonha por se aproveitar das vagas das pessoas com deficiência para ir a uma Copa do Mundo sem ser, na verdade, cadeirante. Afinal, ela está lá de pé, esfregando na nossa cara como é espertalhona e antiética, certo?

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Todo mundo que compartilhou estava genuinamente indignado. Mas não passou pela cabeça de ninguém um fato: alguns cadeirantes conseguem, sim, ficar de pé. Pode ser com o auxílio de uma prótese, como a moça da foto, escorando na grade, ou por algumas frações de segundos ou alguns minutos. E muitos cadeirantes não só conseguem como precisam tentar ficar em pé de vez em quando, para aliviar a dor provocada por ficar sentados por tanto tempo.

Eu também não sabia de nada disso, mas aprendi lendo um post sensacional, que recomendo a todos, publicado por Dani Nobile. CLIQUE AQUI para ler também e aprender que, realmente, mesmo quando há fotos ou vídeos que parecem provas irrefutáveis, as coisas podem ser bem diferentes do que pareciam à primeira vista.

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Nem tudo é o que parece