O inverno da nossa desesperança (nos noticiários)

Foto: Pixabay

O inverno começou ontem e me lembrou o nome desse clássico de John Steinbeck, “O Inverno da Nossa Desesperança”, um dos livros mais belos que já li. Este post nada tem de belo, mas peço licença a um dos meus escritores favoritos para pegar a ideia emprestada.

A cada vez que entro em um site de notícias, meu coração se enche de desesperança. E, nesta época do ano, isso tem acontecido com mais frequência.

Não estou só me referindo às notícias políticas e econômicas, que, neste campo, já estamos todos muito calejados. Mas principalmente a notícias como estas:

E olha que hoje o noticiário estava até leve.

Mas estas são algumas amostras, colhidas numa olhada rápida por alguns sites que leio, de como nossa sociedade anda doente, sob vários aspectos. Tudo bem dirigir bêbado, tudo bem xingar uma mulher por ela ser negra, tudo bem bater num cara por causa de rixa de futebol, tudo bem a prostituição de menores? Agora até ameaçar um bebê de morte para ganhar curtidas numa rede social já está rolando! Onde vamos parar?

É por me sentir tão desesperançada que tenho escrito bem menos neste blog em 2017. Não é só falta de tempo, maternidade etc. É falta de vontade mesmo de escrever sobre o mundo. Meu pai sempre diz: “Isso também passa”. Concordo com ele. Talvez seja apenas um longo inverno, e logo chegue a primavera, com notícias mais alegres, com olhares mais leves sobre a vida. Mas, com tanta coisa desanimadora para se ler na internet, tenho evitado tornar este blog mais um reduto para o pessimismo. Vamos ver quando conseguirei retornar à carga…

Quer me dar uma forcinha? Se você leu uma notícia BOA hoje, boa mesmo, algo que tenha te inspirado, que tenha te feito pensar que o mundo não está perdido, que ainda há pessoas bacanas ao nosso redor, me mande o link dessa notícia. Pode ser aí nos comentários, pode ser no meu e-mail, nas redes sociais do blog, como preferir. Acreditar é preciso.

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As doses amargas de cada dia (e o silêncio que prejudica)

Estou no supermercado, 20h45 de segunda-feira. Meu carrinho tem cerca de 20 itens. Existem três caixas ainda abertos: o caixa-rápido (até 15 itens), o preferencial e um terceiro, que tem um sujeito levando compras para um orfanato, pela quantidade. Dirijo-me ao preferencial, eu e minha barriga de oitavo mês de gestação. Lá está uma moça e seu marido, descarregando cervejas, Coca Zero, mais 100 itens, sem qualquer sinal de gravidez, de deficiência ou de ter mais de 60 anos de idade. Ela me vê, dá uma corada básica, mas finge que não é com ela. O que eu faço?

a) Pergunto a ela, educadamente, se ela viu que o caixa é preferencial e se posso passar em sua frente;

b) Pergunto à funcionária do mercado se ela viu que uma cliente que não é preferencial está usando o caixa preferencial;

c) Choro e vou pra trás do cliente que está comprando os mantimentos do trimestre todo, no caixa ao lado.

Talvez surpreenda a alguns de vocês, os que não me conhecem pessoalmente, mas eu sou uma negação com discussões verbais. Eu até sei escrever (um pouco, né?) e travar discussões por meio de textos, mas, quando preciso verbalizar algo, não sai. É uma deficiência terrível que eu tenho, um dos meus defeitos que mais me incomodam e prejudicam. Dito isso, sim, eu tomei o rumo da opção “c”.

Ao não dizer o que eu gostaria, retrucando no momento em que ouço algo desferido contra mim, eu fico com aquilo entalado na garganta — por horas, às vezes até dias. Fico reimaginando a cena, repetida ad nauseam, mas sempre com um desfecho diferente: em que eu falei o que queria ter falado, em vez de apenas ouvir ou não fazer nada, em silêncio. Se isso não faz um mal danado, de envenenar a alma, não sei o que faz. Por isso, muitas vezes choro, ou até apelo para um recurso que eu usava muito quando era mais nova: sento e escrevo tudo o que queria ter dito, e encaminho ao remetente certo.

Na verdade, o silêncio não é uma má resposta a várias discussões. Admiro imensamente quem sabe usá-lo como resposta, sem depois ficar se culpando por não ter verbalizado os sentimentos. São pessoas mais sábias, que sabem dar de ombros e voltar à leveza pré-discussão.

Mas não é meu caso: eu sou uma pessoa das palavras, mas, como só sei usá-las no papel (ou tela de computador), como não sei me expressar pela oratória, meu silêncio sempre me parece incompleto, insuficiente, insatisfatório.

Isso é um problema comum aos tímidos, embora eu não seja uma pessoa exatamente tímida (às vezes sim, mas não é uma condição marcante da minha personalidade). Os tímidos me entendem. Como fazem para passar por um comentário humilhante ou desdenhoso sobre sua pessoa, sem conseguir responder à altura?

Ontem foi um dia especialmente difícil. Antes dessa cena no mercado, eu já tinha engolido sapos anteriores, vindos de uma pessoa com quem preciso conviver todos os dias e que já me desrespeitou em diversas outras ocasiões. Como na fila do caixa, escutei calada, enquanto meu coração batia com força, doido para responder como queria. Minha razão e minha timidez controlando tudo, como fiscais, e me empurrando para o silêncio e para a apatia — que eu não sentia.

Quantos de vocês já passaram por isso? No mercado, no escritório, em família, numa reunião de condomínio? Como fizeram ou fazem para lidar com isso?

Meu primeiro impulso (agravado pelos malditos hormônios da gravidez) é chorar. Meu segundo é ficar arquitetando planos de fuga para as montanhas, para algum lugar onde eu nunca mais precise conviver com pessoas escrotas — bichos escrotos –, do tipo que só querem fazer mal aos outros. O terceiro é a conformação com o fato de que vivemos em uma sociedade que tem um aspecto cruel, e o esforço para que nunca nos curvemos a ele, mesmo que não tenhamos a última resposta na ponta da língua. O melhor é nos apoiarmos naqueles seres especiais (eles também existem!), que tornam a vida mais leve que dura, e podem renovar nosso otimismo diante dessas doses amargas de cada dia.

aliceecila.tumblr.com

Melhor pensar: “Isso vai importar pra você daqui a um ano?” Tirado de: aliceecila.tumblr.com

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Quem são nossos moradores de rua? – parte 3

Morador de rua em Belo Horizonte. Foto: Leo Fontes

Morador de rua em Belo Horizonte. Foto: Leo Fontes/O Tempo

Em maio do ano passado, quando a Prefeitura de Belo Horizonte divulgou o terceiro censo dos moradores de rua que vivem na cidade, eu me debrucei sobre os números e os trouxe para o blog, na tentativa de fazer um retrato, ainda que tímido, dessas pessoas. Depois obtive mais números e complementei num segundo post.

Faltava uma coisa para o raio X ser completo: conversar com essas pessoas que moram nas ruas — que já são mais de 1.800! — e com os responsáveis pelas políticas públicas voltadas para elas.

Agora não falta mais: no último domingo, foi publicada no jornal “O Tempo” uma série de reportagens muito completa e sensível, apurada e escrita pela repórter Juliana Baeta.

Clique AQUI para ler todo o especial.

Ao fim da leitura, constatamos o que já intuíamos: que ninguém quer morar nas ruas e que a solidariedade dos voluntários e das pessoas que se sensibilizam com a situação dos moradores de rua é fundamental para que eles sobrevivam. (Ao contrário do que sugeriu o prefeito Marcio Lacerda, em mais uma de suas declarações infelizes, ao pedir aos moradores (com teto) da cidade que não ajudassem os moradores de rua com “objetos, comida ou dinheiro, para que eles dependam da assistência social da prefeitura e possam ser convencidos a deixar a rua”. Como se se tratasse apenas de uma questão de convencimento…)

No final do meu primeiro post sobre o censo, escrevi: “Eles se concentram na região mais rica da cidade, a Centro-Sul, não por acaso: contam com a solidariedade dos mais afortunados, com suas doações e esmolas, com ajuda dos comerciantes e donos de bares e restaurantes. Que tal retribuirmos esse voto de confiança?”

Agora que o outono já começou, e a vida dos moradores de rua ficará duplamente mais difícil, com o frio (que, em cidades mais geladas, como São Paulo, leva vários à morte), essa solidariedade é ainda mais importante.

Se tememos contribuir com dinheiro, pelo fato de um percentual não desprezível dessa população recorrer às drogas, podemos ajudar com comida, agasalhos, roupas, sapatos e outro bem valiosíssimo e muito raro para eles: água. Já repararam que não existem muitos bebedores públicos em Belo Horizonte (e em quase nenhuma cidade)? Lembro que a primeira vez que isso me chamou a atenção foi graças a uma reportagem da “Folha de S.Paulo”, de 2009. Ou seja, até 2009, nunca tinha me ocorrido como era difícil que um morador de rua conseguisse um bem tão básico como água potável. E que existissem pessoas que negassem um copo de água para eles. Copo de água não se nega, gente!

A reportagem da Juliana ainda vai além, ao mostrar que, se fôssemos seguir a cartilha do prefeito Marcio Lacerda, os moradores de rua estariam lascados, porque o número de vagas em albergues só dá conta de receber metade deles. Pra piorar, os moradores de rua sofrem com uma prática absurda, cometida por agentes públicos: têm seus poucos bens (como cobertores e até remédios) confiscados, numa tentativa de “higienizar” as ruas. Tipo assim: sem a caixa de papelão e o cobertor, ele terá de sair daqui! Mesmo após decisão judicial proibindo a prática, em julho de 2013, vi o problema se repetir um ano depois. Então, não duvido que continue acontecendo até hoje.

Vale lembrar que, se os moradores de rua recebem o devido apoio, podem voltar a ser “humanos” como qualquer um de nós, com todos os potenciais que temos. Lembram do caso da fada madrinha que tirou o poeta Raimundo das ruas? Levou 18 anos, mas aconteceu.

Helena Pereira, ex-moradora de rua de BH, hoje trabalha para ser fada madrinha dos atuais homens e mulheres nesta situação degradante. O vídeo contando sua história é a cereja do bolo da reportagem de Juliana, com imagens de Leo Fontes:

“Eles às vezes nem água têm. E a gente tem isso tudo: teto, cobertor…”

Pois é, dona Helena 😦

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13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje

Laerte, gênio.

Laerte, gênio.

Ontem foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e acabei não abordando o assunto no blog. Mas, embora eu não seja uma feminista típica, o respeito às mulheres e a busca pela igualdade de gêneros e pelo fim do machismo são temas corriqueiros neste espaço. São assuntos que abordo com grande frequência, justamente porque acho que ainda temos um longo caminho pela frente e sempre há o que se dizer.

Quando uma atriz que leva o Oscar faz um discurso pregando que os salários de homens e mulheres sejam iguais, podemos perceber que nem na rica Hollywood o problema está solucionado. No Brasil, as mulheres ainda recebem, em média, 26,3% menos que os homens, segundo dados da Pnad divulgados no ano passado. Ou seja, se o homem recebe, em média, R$ 1.890, a mulher recebe apenas R$ 1.392 – R$ 498 a menos. E essa diferença ocorre mesmo em cargos ou funções equivalentes dentro de uma empresa.

Fora a questão do dinheiro, as mulheres ainda sofrem muito mais com a violência doméstica, com os estupros, com assédios no ambiente de trabalho e, claro, com a patrulha moralista do dia a dia. Não adianta a mulher trabalhar desde cedo (ganhando menos que os colegas homens), pagar as contas, ter um alto grau de escolaridade: ela não pode morar sozinha, não pode ter uma vida sexual ativa, não pode usar as roupas que quiser, porque tudo isso será vigiado e condenado pelo restante da sociedade. E principalmente pelas outras mulheres, porque o que mais existe neste mundo é mulher machista.

Enfim, acho que alguns posts que escrevi nos últimos anos merecem ser relidos neste “mês das mulheres” (calma, homens, vocês ainda têm 11 meses só para vocês), porque os assuntos debatidos neles ainda estão longe de terem sido contornados. Ou seja, eles continuam pertinentes e atuais. Separei meus 13 favoritos para nos ajudar nesta reflexão:

  1. Sim, existe machismo — detecte-o e combata-o neste “Dia das Mulheres” e nos demais, em que listo um apanhado de “pérolas” que as mulheres temos que ouvir todos os dias e registro situações machistas vivenciadas por amigas e amigos.
  2. Duas cenas de machismo em um dia qualquer – e a vingança de uma mulher, em que compartilho minha reação a dois episódios em que fui vítima de machismo, numa mesma manhã.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que uma mulher apanha em pleno bar, à vista de todos, por ter se recusado a beijar um homem à força, e ainda fica se culpando.
  4. O machismo à espreita na primeira esquina, em que conto o diálogo que quase toda grávida de menina escuta.
  5. Sentaço em homenagem a Letícia Sabatella, em que participo de uma campanha pelo direito de as mulheres poderem fazer o que quiserem sem virarem motivo de chacota ou deboche de colunistas sociais e internautas mal-intencionados.
  6. Os estupros coletivos de jovens meninas ocorrem debaixo do nosso nariz, em que falo dos estupros nas repúblicas universitárias de Ouro Preto (que também acontecem em festas de universidades de todo o país).
  7. Foi estuprada? A culpa é sua!, em que compartilho um vídeo genial feito por indianas, que traz uma mensagem universal ironizando a ideia idiota de que a vítima do estupro “incitou” o estuprador.
  8. “É pelas mulheres que estão me agredindo que eu estou lutando”, em que entrevisto a ativista Nana Queiroz, que criou o movimento “Eu Não Mereço ser Estuprada” e passou a ser vítima do ódio de outras mulheres.
  9. Homenagem às mulheres guerreiras, em que compartilho o texto escrito por mulheres da periferia paulistana.
  10. Você sabe conversar com meninas de 5 anos?, em que compartilho um texto que critica a forma como incutimos valores machistas em crianças, desde pequenas.
  11. “Mamãe não trabalha”, em que compartilho um texto que nos faz valorizar o trabalho das donas de casa.
  12. Por que não devemos nos preocupar com a opinião dos outros, em que falo sobre a liberdade que temos quando paramos de nos preocupar com o julgamento alheio.
  13. O que todos os pais deveriam aconselhar a seus filhos, em que compartilho uma carta que F. Scott Fitzgerald escreveu a sua filha quando ela tinha 11 anos.

Dou meus parabéns às mulheres que enfrentam, todos os dias, esse “carma” de ter nascido mulher, e o fazem com altivez, com determinação e sem sucumbir às agressões e críticas externas. Não dou parabéns e não acho que este 8 de março seja para aquelas outras mulheres que apenas reforçam e repisam o machismo do mundo. Tenho um pouco de pena de vocês, mas acho que todas podem agir diferente, se quiserem.

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#PorUmaComemoraçãoSemBombas

bombas

Eu adoro fogos de artifício, daqueles que enchem o céu de luzes coloridas, indispensáveis nas viradas de ano. Mas já não curto os fogos que são apenas bombas, que só fazem barulho, como se estivéssemos num campo de guerra.

Esperei meu Galo ganhar a Copa do Brasil para abordar o assunto, porque o que vou defender a seguir diz respeito a todos os times de futebol, está longe de ser exclusividade de uma torcida ou outra.

O negócio é o seguinte: é mais que normal haver alegria, festa e comemoração no dia que nosso time vence um título importante, como a Libertadores, o Brasileirão e a Copa do Brasil. Tudo bem soltarem uns foguinhos logo que o jogo termina, passarem pelas avenidas (não ruas de bairro) buzinando logo que o jogo termina, vizinhos gritarem um “Viva o Time Tal!” ou “Perdeu, Time Qual!” nas janelas logo que o jogo termina. Mas tudo tem limite — o limite do bom senso.

Ficar a noite toda soltando bombas de dez em dez minutos extrapola qualquer limite. Temos que lembrar que um terço da população de Beagá não torce para time nenhum — ou seja, está totalmente alheia ao que motiva a alegria que atleticanos e cruzeirenses viveram nesta semana. Provavelmente só querem uma boa noite de sono antes de encarar a labuta do dia seguinte.

Temos ainda cerca de 60 mil bebês com até 2 anos vivendo na capital mineira. Esses bebês ainda não sabem para que time torcem, querem apenas comer, fazer suas necessidades e dormir — querem sossego, enfim. Imagina como se sentem quando são bombardeados durante o sono? E os pais desses bebês, que precisam acordar de madrugada para acalmá-los, aos berros?

Considerando as crianças com até 4 anos, são 132 mil. Elas ainda não entendem por que diabos estão sendo acordadas com tanto estardalhaço durante a noite, por que algumas pessoas estão fazendo tanto barulho, por que alguns estão gritando de felicidade e outros, de tristeza. O que entendem é que estão com sono e querem dormir.

Existem ainda pelo menos 17 mil grávidas na cidade, que também já sofrem com várias dificuldades próprias do período de gestação, que estão mais suscetíveis ao cansaço e ao estresse, que ainda precisam trabalhar, e certamente querem sossego na hora do sono.

E a população idosa? Cerca de 300 mil pessoas que moram em Beagá têm mais de 60 anos — dessas, 137 mil têm mais de 70 e 45 mil têm mais de 80 anos. São pessoas com mais sensibilidade auditiva e, em muitos casos, com a saúde mais frágil. Também é razoável supor que eles queiram uma boa noite de sono, sem sustos durante a madrugada.

Além disso, são 275 mil cães e 55 mil gatos vivendo em Belo Horizonte. Ao ouvirem os estrondos das bombas, esses pets sofrem com perda auditiva, ansiedade, tremores, taquicardia e, em alguns casos, podem até, literalmente, morrer de medo. Imagine a dor dos donos desses bichinhos que não param de ganir e chorar durante todo o alvoroço? Já me aperta o coração ouvir o cachorro do vizinho chorando, que dirá se fosse o meu.

Minha pergunta é: é indispensável mesmo soltar fogos e bombas para comemorar uma alegria no futebol? Sem os fogos, os rivais já não se sentirão devidamente provocados pela derrota sofrida?Será que não é possível comemorar sem provocar transtornos a milhares de trabalhadores que apenas não gostam de futebol, além de bebês, crianças pequenas, pais de crianças pequenas, grávidas, idosos e donos de pets pela cidade afora? No seu círculo de amigos, quantas pessoas se encaixam em todas essas categorias? Você já conversou com elas sobre isso, para ver o que pensam?

Eu falo por mim. Adoro futebol, acompanho, torço, vibro, comemoro muito quando o Galo vence um jogo ou um campeonato. Mas me incomodo quando vejo que as bombas continuam a estourar durante toda a madrugada, porque lembro das minhas irmãs, com filhas pequenas e com cachorrinhos, reclamando do quanto são afetadas por isso. Tive o azar de estar em São Paulo, a poucos metros do Minhocão, quando o Corinthians foi campeão do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial e posso dizer: foi um INFERNO. Por não ter nenhum interesse no time em questão, foi ainda mais insuportável para mim, e entendi melhor o ponto de vista daquele um terço que não está nem aí para futebol: a festa durou a noite inteirinha, e eu acordava tremendo, morrendo de susto, coração na boca com o som dos rojões, às 2h… 3h… 4h… 5h… 6h da madrugada. Podem me chamar de mal-humorada, mas não acho isso certo. E mais: acho desnecessário.

Por tudo isso, lanço agora uma campanha. Se concordar, embarque nela comigo, ajudando a divulgar por aí e compartilhando com seus amigos que não pararam de reclamar da barulheira dos rojões na última semana: #PorUmaComemoraçãoSemBombas. De quebra, ainda estaremos contribuindo com a tão necessária paz no futebol 😉

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