13 textos para refletirmos sobre o que é ser MULHER ainda hoje

Laerte, gênio.

Laerte, gênio.

Ontem foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e acabei não abordando o assunto no blog. Mas, embora eu não seja uma feminista típica, o respeito às mulheres e a busca pela igualdade de gêneros e pelo fim do machismo são temas corriqueiros neste espaço. São assuntos que abordo com grande frequência, justamente porque acho que ainda temos um longo caminho pela frente e sempre há o que se dizer.

Quando uma atriz que leva o Oscar faz um discurso pregando que os salários de homens e mulheres sejam iguais, podemos perceber que nem na rica Hollywood o problema está solucionado. No Brasil, as mulheres ainda recebem, em média, 26,3% menos que os homens, segundo dados da Pnad divulgados no ano passado. Ou seja, se o homem recebe, em média, R$ 1.890, a mulher recebe apenas R$ 1.392 – R$ 498 a menos. E essa diferença ocorre mesmo em cargos ou funções equivalentes dentro de uma empresa.

Fora a questão do dinheiro, as mulheres ainda sofrem muito mais com a violência doméstica, com os estupros, com assédios no ambiente de trabalho e, claro, com a patrulha moralista do dia a dia. Não adianta a mulher trabalhar desde cedo (ganhando menos que os colegas homens), pagar as contas, ter um alto grau de escolaridade: ela não pode morar sozinha, não pode ter uma vida sexual ativa, não pode usar as roupas que quiser, porque tudo isso será vigiado e condenado pelo restante da sociedade. E principalmente pelas outras mulheres, porque o que mais existe neste mundo é mulher machista.

Enfim, acho que alguns posts que escrevi nos últimos anos merecem ser relidos neste “mês das mulheres” (calma, homens, vocês ainda têm 11 meses só para vocês), porque os assuntos debatidos neles ainda estão longe de terem sido contornados. Ou seja, eles continuam pertinentes e atuais. Separei meus 13 favoritos para nos ajudar nesta reflexão:

  1. Sim, existe machismo — detecte-o e combata-o neste “Dia das Mulheres” e nos demais, em que listo um apanhado de “pérolas” que as mulheres temos que ouvir todos os dias e registro situações machistas vivenciadas por amigas e amigos.
  2. Duas cenas de machismo em um dia qualquer – e a vingança de uma mulher, em que compartilho minha reação a dois episódios em que fui vítima de machismo, numa mesma manhã.
  3. A era da homofobia e do machismo incontestados, em que uma mulher apanha em pleno bar, à vista de todos, por ter se recusado a beijar um homem à força, e ainda fica se culpando.
  4. O machismo à espreita na primeira esquina, em que conto o diálogo que quase toda grávida de menina escuta.
  5. Sentaço em homenagem a Letícia Sabatella, em que participo de uma campanha pelo direito de as mulheres poderem fazer o que quiserem sem virarem motivo de chacota ou deboche de colunistas sociais e internautas mal-intencionados.
  6. Os estupros coletivos de jovens meninas ocorrem debaixo do nosso nariz, em que falo dos estupros nas repúblicas universitárias de Ouro Preto (que também acontecem em festas de universidades de todo o país).
  7. Foi estuprada? A culpa é sua!, em que compartilho um vídeo genial feito por indianas, que traz uma mensagem universal ironizando a ideia idiota de que a vítima do estupro “incitou” o estuprador.
  8. “É pelas mulheres que estão me agredindo que eu estou lutando”, em que entrevisto a ativista Nana Queiroz, que criou o movimento “Eu Não Mereço ser Estuprada” e passou a ser vítima do ódio de outras mulheres.
  9. Homenagem às mulheres guerreiras, em que compartilho o texto escrito por mulheres da periferia paulistana.
  10. Você sabe conversar com meninas de 5 anos?, em que compartilho um texto que critica a forma como incutimos valores machistas em crianças, desde pequenas.
  11. “Mamãe não trabalha”, em que compartilho um texto que nos faz valorizar o trabalho das donas de casa.
  12. Por que não devemos nos preocupar com a opinião dos outros, em que falo sobre a liberdade que temos quando paramos de nos preocupar com o julgamento alheio.
  13. O que todos os pais deveriam aconselhar a seus filhos, em que compartilho uma carta que F. Scott Fitzgerald escreveu a sua filha quando ela tinha 11 anos.

Dou meus parabéns às mulheres que enfrentam, todos os dias, esse “carma” de ter nascido mulher, e o fazem com altivez, com determinação e sem sucumbir às agressões e críticas externas. Não dou parabéns e não acho que este 8 de março seja para aquelas outras mulheres que apenas reforçam e repisam o machismo do mundo. Tenho um pouco de pena de vocês, mas acho que todas podem agir diferente, se quiserem.

faceblogttblog

Anúncios

O dia em que fui recebida em casa por um misterioso cheiro

Anteontem às 22h, quando voltei do trabalho para meu apezinho, fui recebida por um cheiro.

Melhor dizendo, um fedor de lascar.

Nunca fui boa de olfato (assim como nunca prestei para identificar a origem das dores: será dor de dente, de cabeça ou de ouvido?), então não consegui distinguir qual tipo de cadáver empesteava de tal forma o ambiente vedado por janelas fechadas.

Seriam os restos do almoço de domingo apodrecendo na geladeira? A lixeira do banheiro, talvez há muito sem ser trocada? Esqueci de dar a descarga de manhã? Algum problema no esgoto? A água suja nas vasilhas acumuladas sobre a pia, há vários dias sem lavar? Algum chulé desprevenido daquelas sandálias hippies de couro que só servem pra dar chulé?

Sim, porque seres humanos são fonte inesgotável de cheiros ruins, próprios ou provocados.

Primeira providência: abri as janelas. Tenho a sorte de ter duas janelas bem grandes, uma de frente pra outra, formando uma corrente de ar de deixar qualquer um empneumoniado.

Segundo passo: tirei de casa o lixo do banheiro (que nem estava tão cheio assim) e o da cozinha. Primeira descoberta concreta: a alface e o tomate nesse lixo estavam com um aspecto péssimo, escorrendo uma aguinha preta que pingou no chão branco da cozinha, deixando manchinhas.

Terceiro passo: examinei cautelosamente todos os itens da minha geladeira, que não eram muitos. Tudo certo.

Quarto passo: escorri a água suja das vasilhas e lavei todas aquelas panelas engorduradas, uma a uma.

Antes que eu percebesse, o monstro das donas de casa, que os comerciais chamam de “neura” e afins, me amordaçou. Comecei a lavar as roupas sujas, passar aquelas que estavam há uma semana ganhando poeira no varal, varri a casa, descartei os jornais velhos, praticamente refiz a faxina que já tinha feito logo antes, no sábado. Só fui dormir às 2h da madrugada.

Ontem à noite, quando voltei do trabalho, o cheiro que me recebeu era apenas da baunilha do aromatizador que deixo no banheiro.

Não me conformei: em meio à neura de me livrar do fedor, nem percebi que tinha perdido para sempre a chance e o prazer de solucionar um pequeno mistério da vida, dentre os poucos que nos encucam de vez em quando. Fiquei sem saber qual era, afinal, a origem do mau cheiro da véspera — e nunca mais descobrirei!

Três ideias e uma quarta, em prol da produção

Quando comprei minha máquina de lavar, fiz essa pose de dona-de-casa dos anos 50 com ela 😉

Hoje eu tive três ideias para postar neste blog.

Antes que me esquecesse delas (vivo esquecendo), já gravei no meu Gmail para futuras oportunidades.

Porque hoje tenho uma pilha de roupas para passar e a roupa de cama está batendo na máquina de lavar e ainda tinha que treinar o meu francês e continuar a ler meu Henry James 😉

E isso tudo faltando 50 minutos pra meia-noite! =O

Então deixo os jornalistas (ou curiosos com o jornalismo) que lêem este blog com um post fresquinho, recém-publicado no Novo em Folha. Vejam AQUI.