‘Por que você trabalha?’ Me ajude a responder a uma enquete!

Cena do curta argentino de 2008 “El Empleo” (o emprego), que recebeu mais de 100 prêmios internacionais

Acabei de criar uma pequena-nem-tão-pequena enquete que vai me ajudar com algumas reflexões para um futuro artigo para o blog. Se você, assim como eu, é do tipo que adora responder a pequenas pesquisas, que tal tirar 5 minutinhos do seu dia para responder à minha enquete?

É anônima 😉

Aí vai:

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Qual a idade mínima para ensinar sobre a importância de doar?

Com que idade uma criança já consegue entender o conceito de fazer uma doação?

Não sei. Mas sei que, com 2 anos e 8 meses, o Luiz entende. E, se ele entende, certamente outros pequenos como ele também têm a mesma capacidade.

Hoje ele deu mostra disso, e me deixou muito orgulhosa.

Expliquei a ele que no sábado teríamos um piquenique literário em sua escola. Que a gente tinha que levar uns cinco livrinhos de que ele gosta muito para lermos lá, emprestarmos aos coleguinhas e depois trazer de volta pra casa. E, em outra sacola, colocaríamos os livros de que ele já não gostava mais, para serem doados à biblioteca da escola. “Para outras criancinhas também poderem ler”, desenhei.

Primeiro, pegamos todos os livros da pequena biblioteca do Luiz e os colocamos espalhados no chão. Ele me ajudou com tudo. Em seguida, fui apontando os livros aleatoriamente e ele foi dizendo:

– Este é muito legal!

– Este eu acho chato, podemos doar para outras criancinhas.

Depois, elaborou um pouquinho mais ainda:

– Este a gente guarda porque vou gostar quando eu for maior.

E foi colocando os livros favoritos numa pilha maior, deixando os outros em outra pilha.

Quando ele colocava um livro na pilha de doações, eu fazia questão de confirmar várias vezes: “Tem certeza que não gosta mais deste, filho? Podemos dar para ficar com outra criança pra sempre?” Queria ter certeza que ele estava entendendo bem o conceito. Ele sempre confirmava: “Sim, eu já não gosto mais deste livro.” Ou: “Este livro é chato” etc.

Uns três que ele pôs na pilha de doações eu segurei, explicando que tinham sido um presente da vovó ou que ele ainda ia adorar ler quando fosse mais velho ou que tinha sido meu quando eu era criança e guardei por todos esses anos porque considerava especial. Mas, no geral, todos que estavam lá eram mesmo publicações que nunca tinham despertado a atenção ou interesse dele antes. Ou seja, muito bem escolhidos.

Aproveitei o embalo e pedi que ele escolhesse CDs para doar. Ele escolheu sete, eu que guardei dois deles porque pensei que poderia gostar algum dia.

Por fim, a sacola de doação ficou com 11 livros e 5 CDs:

Tenho certeza que farão a alegria de muitas crianças da biblioteca da escolinha!

Ah, depois de separarmos tudo nas duas sacolas, o Luiz me ajudou a organizar de volta a biblioteca. Aproveitamos para reler alguns livrinhos que a gente não via há tempos. Foi um momento muito divertido para nós dois, meu pequeno se sentiu muito importante, e eu fiquei morrendo de orgulho dele!

Se tem duas qualidades que quero passar ao meu filho são a solidariedade e a generosidade. Quero que ele entenda que coisas são coisas, que não é preciso se apegar a elas. E que muitas pessoas podem precisar mais delas do que nós. E que devemos doar a essas pessoas aqueles objetos que já não usamos – mas desde que estejam em bom estado, porque ninguém merece ganhar lixo.

E aí na sua casa, você pratica e incentiva a doação? Conte aí nos comentários 😉

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Tempos de ontem, tempos de hoje. Melhores, piores, ou apenas diferentes?

Hoje reproduzo mais uma valiosa contribuição do historiador e romancista Ricardo de Moura Faria, que também é nosso amigo desde os primórdios da blogosfera 😉 Ele é autor de dezenas de livros didáticos e paradidáticos e dos romances “O amor nos tempos do AI-5” e “Amor, opressão e liberdade”. Boa leitura!

Imagens: Pinterest

Tempos de ontem, tempos de hoje. Melhores, piores, ou apenas diferentes?

“A partir de 1918, os europeus, ainda desnorteados pelos rumos que a guerra havia tomado, com uma mortandade incrível, destruição imensa de cidades etc., começaram a reavaliar o período que antecedeu à Primeira Guerra Mundial, mais especificamente as três décadas anteriores. Cheios de nostalgia, a intitularam como “Belle Époque”.

Eles não se deram, ou não quiseram se dar conta, de que uma época realmente belle não iria produzir uma catástrofe como a de 1914, como argutamente notou a historiadora norte-americana Bárbara Tuchmann, em seu belo livro “A torre do orgulho”.

O mundo que emergiu da guerra era estranho, valores foram ignorados ou desprezados e, portanto, curtir o período anterior era o melhor a se fazer. O tempo dos avós e dos pais era diferente, era considerado melhor do que aquele que tinham de enfrentar.

Estou iniciando estas considerações com esse episódio, para tentar desenvolver uma ideia, a de que todas as épocas anteriores à nossa realmente eram diferentes e é assim em todos os tempos. Nós, historiadores, sabemos que sempre é uma palavra muito difícil para ser usada porque tudo se move, e nada permanece “para sempre”. Ou quase nada. As mudanças podem, talvez, não ser muito perceptíveis no momento em que estão ocorrendo, principalmente aquelas que estão relacionadas às mentalidades que, como já disse o historiador francês Lucien Febvre, se constituem dos comportamentos e formas de pensar. E essa concepção estava imbricada nas relações da Psicologia com a História.

Como já estou chegando aos 70 anos, começaria por dizer que os meus tempos de infância e adolescência (décadas de 1950 e 1960), com certeza, foram substancialmente diferentes do que vivem as crianças e adolescentes nessas primeiras décadas do século XXI. Morando numa cidade pequena do interior, os divertimentos eram na praça enorme que havia em frente à nossa casa. Ali se jogava futebol, ali se soltava papagaio. Nos quintais, o gostoso era subir em árvores bem altas para se avistar quase toda a cidade. Ou, na época das frutas, chupar jabuticaba, manga, goiaba. Crianças que, além da escola, brincavam com outras crianças. Não havia televisão, só o rádio. E a luz só existia em algumas poucas horas da noite. Dentro de casa, se podia jogar dama, ludo etc.

Um pouco mais velho, com 9, 10 anos, já se podia entrar na brincadeira dos adolescentes, quase sempre o “esconde-esconde”, que se chamava de “negro fugido”. Corríamos pela cidade quase toda para procurar o “negro fujão”, que tentava se esconder de um bando de crianças e adolescentes. Tudo na rua.

Eram tempos melhores ou piores do que os de hoje? As crianças, hoje, “brincam” com smartphones, com jogos eletrônicos. Não socializam como na minha época de infância. Não arrisco dizer que os tempos eram melhores ou piores. Eram diferentes, sim, bem diferentes.

Passando agora para a questão da sexualidade. Não existiam aulas de educação sexual, nem na escola, nem nas casas. Esse assunto era tabu. Claro que, na adolescência, sempre aparecia um que sabia das coisas e comentava, ao seu jeito, com os neófitos. Lembro que, cursando o Ginásio numa escola católica de Juiz de Fora, alguns padres tentavam convencer os rapazes (a escola não era mista) dos perigos da masturbação e outros – geralmente os professores de religião – faziam o maior mistério para uma “aula especial” que haveria na semana seguinte, quando iriam explicar como as crianças eram feitas. E a expectativa se frustrava quando um padre alemão, com sotaque carregadíssimo, tentava, suando, explicar como o “perrrru” entrava na mulher para produzir a nova vida. Todos os alunos vermelhos, não de vergonha, mas da tremenda vontade de rir, que só explodia mesmo na hora do recreio.

Hoje estamos vendo esse debate sem fim sobre a questão de gênero.  Já ouvi comentários que os consultórios de psicólogos e psicanalistas que atendem jovens estão repletos de casos de depressão oriundos exatamente dessa pressão para assumirem uma homossexualidade ou uma bissexualidade ou até uma transsexualidade. Pressão que, muitas vezes, surge nas escolas, e que levam garotas e garotos a terem relações homoeróticas, e que depois se acham em grande confusão mental. Acho que, inclusive, o fazem às escondidas de pais e parentes.

Ter ou não ter educação sexual nas escolas? Muitos dirão que sim, outros muitos dirão que não. E esses últimos apontam quase sempre para os tempos antigos, como se fosse possível repeti-los na atualidade. São tempos diferentes…

Pergunto: os jovens de hoje estão se reunindo para discutir política? Quando falo “os jovens”, quero saber se a maioria está fazendo isso, porque uma minoria eu sei que mantém a chama acesa. Ou hoje é mais importante ficar enviando mensagens pelas redes sociais com erros gramaticais, de concordância e de conceituação absurdos, ou ainda, se reunirem para jogar videogames? Que livros eles estão lendo? Que músicas estão ouvindo? As letras dizem algo?

Mesmo sem conhecimento de pesquisas a respeito, mas observando o que jovens escrevem no Facebook ou no Twiter, sou obrigado a reconhecer que, em termos de idéias políticas ou de politização, como dizíamos na época, no meu tempo de adolescente chegando à idade adulta, final dos anos 60 e início dos 70, o grau de conhecimento e envolvimento em questões políticas era bem mais acentuado do que hoje e envolvia a quase totalidade dos estudantes.

Creio que, se eu estivesse ainda atuando no magistério, poderia ter uma ideia melhor sobre isso, mas considero que a multidão de jovens nas ruas pedindo intervenção militar denota que eles ignoram completamente a realidade brasileira. Não por acaso – me permitam fazer essa colocação aqui – quando lancei meu livro “O Amor nos tempos do AI-5” na Bienal de São Paulo, um jovem de seus 18, 19 anos veio até mim querendo saber se o que eu escrevia era ficção científica, pois entendia que AI-5 significava Artificial Intelligence nível 5. Pode parecer engraçado, mas é trágico!

O meu ensino médio, que na época passou a se intitular Ensino de Segundo Grau, foi feito de 1966 a 1968. E nós tínhamos, no Colégio de Aplicação da UFMG, o curso Clássico e o Científico, o primeiro voltado para os estudantes que se dirigiam à área de Ciências Humanas. Foi o que cursei e tínhamos Filosofia, História, Português (com redação toda semana, temas livres), Latim, Inglês, Francês, Geografia. Lembro dos debates acerca do imperialismo americano, sobre a Primavera de Praga, sobre a Guerra do Vietnã. Três amigos e eu estudávamos antes das aulas noturnas na pensão onde um deles residia e ali tínhamos debates políticos. Também nos encontrávamos aos sábados na Camponesa, onde se comia um pão de queijo especial, tomava-se uma cerveja bem gelada e víamos que não apenas nós, mas todos os estudantes colegiais e universitários que lá frequentavam, que discutiam política o tempo todo. Recordo bem o que nós conversamos depois que aquele deputado Márcio Moreira Alves fez um discurso que os militares não acharam graça nenhuma e pressionaram o Costa e Silva. Nós saímos da nossa reunião no sábado, convictos de que a situação iria engrossar nos dias seguintes. E deu no AI-5.

Nós estudávamos História, Filosofia… e tínhamos condições de analisar a conjuntura em que vivíamos… Hoje se quer reduzir a carga horária de História e eliminar a Filosofia dos currículos… Tempos diferentes, sem dúvida!

Uma questão política da mais alta relevância: a luta da mulher pela igualdade de direitos. Só quero dizer que fico pensando o que as feministas dos anos 60 que lutaram bravamente para fugir da dominação machista, e brigaram, e lutaram e conseguiram tanto, o que elas pensariam se vivas estivessem, ao saber que no Brasil mulheres se autodenominam de frutas (melancia, pera, morango, melão, jaca e sei lá mais o quê) e postam fotos seminuas ou nuas, como se estivessem se oferecendo para serem comidas por machos famintos.

Eu concluo dizendo que, realmente, no meu tempo – que é um tempo recente – as coisas eram diferentes…”

Será que eram melhores ou piores? O que você acha?

 

 


Se você também tem alguma análise, poema, conto, crônica, resenha de filme ou outro texto bacana de sua autoria que queira ver divulgado aqui no blog, envie para meu e-mail! Vou analisar com carinho e, se tiver a ver com nossa proposta, seu texto poderá ser publicado na seção de textos enviados pelos leitores 😉

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ONU exige Lula candidato. ‘Ou o Brasil será um pária internacional’, alerta Celso Amorim

Nota original da ONU (clique para ver maior)

Texto escrito por José de Souza Castro:

Quem estará certo? O Brasil é obrigado a cumprir a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU e garantir que Lula seja candidato e participe da campanha eleitoral, mesmo da prisão, ou esta é uma mera recomendação? A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (17) e a imprensa brasileira optou pela segunda interpretação, com base em notícia da agência Reuters e em nota do Itamaraty.

Já o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e advogados de Lula, em entrevista coletiva, advertem que, se o Brasil não cumprir a determinação, passará a ser tido internacionalmente como um país pária. Em nota divulgada pelo PT, os advogados Valeska Teixeira Zanin Martins e Cristiano Zanin Martins afirmam que, por meio do Decreto Legislativo nº 311/2009, “o Brasil incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o Protocolo Facultativo que reconhece a jurisdição do Comitê de Direitos Humanos da ONU e a obrigatoriedade de suas decisões”. E conclui:

“Diante dessa nova decisão, nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-Presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado em um processo justo, assim como será necessário franquear a ele acesso irrestrito à imprensa e aos membros de sua coligação política durante a campanha.”

Não me surpreenderia se o Superior Tribunal Eleitoral e o STF ignorarem, nos próximos dias, essa decisão da ONU. O que esperar dessas autoridades que tanto têm defendido a soberania nacional em questões políticas e econômicas, não é mesmo?

Mero acidente de percurso que a bravura de nossos juízes não tem impedido que sejam transferidas ao capital externo reservas de petróleo e de minérios diversos e indústrias valiosas, que sejam vendidas a estrangeiros terras agricultáveis e até mesmo, proximamente, a base de lançamento de foguetes de Alcântara, a 30 quilômetros da capital do Maranhão.

Diante disso e dos milhões de empregos que se evaporam no território brasileiro ante o olhar complacente de nossas autoridades, uma decisão da ONU é fichinha. Nem fará cosquinha no Jornal Nacional, na Folha de S.Paulo, no Globo, no Estadão e até mesmo no intrépido jornal Estado de Minas (ainda existe?). Todos vão tentar apequenar a decisão da ONU, escondendo que é uma decisão judicial.

A decisão, informa El País, é uma resposta a um pedido de liminar apresentado pela defesa do ex-presidente ao Comitê de Direitos Humanos da ONU em 25 de julho deste ano. “Ela não tem, entretanto, caráter vinculante, ou seja, o Governo brasileiro não é obrigado a cumpri-la”, acrescenta a versão brasileira do jornal espanhol.

A nota do Itamaraty afirma que “as conclusões do Comitê têm caráter de recomendação e não possuem efeito juridicamente vinculante”. Com o que não concordaram os advogados de Lula, incluindo o jurista australiano Geoffrey Robertson, que participaram da entrevista à imprensa, juntamente com o ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Sérgio Pinheiro e o ex-chanceler Celso Amorim.

Cristiano Zanin defende que decisão liminar assegura o direito de Lula participar das eleições e todos os seus direitos como candidato. Lembrou que o processo na ONU foi iniciado em 2016 e que ficou evidente que a presunção de inocência não foi garantida a Lula e que o processo no Brasil foi marcado por graves violações e pela condenação indevida, com o fim de retirar o ex-presidente das eleições. O advogado assegurou ainda que a decisão da ONU tem grande repercussão mundial. E que eleições sem Lula serão questionadas internacionalmente.

Se o Brasil não respeitar essa liminar, disse Paulo Sérgio Pinheiro, vai confirmar que não é um país sério. “Seria um vexame total”.

“O Brasil tem que cumprir essa decisão”, ajuntou Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do governo Lula por nove anos e embaixador do Brasil em Genebra no governo Fernando Henrique Cardoso. Para ele, a nota do Itamaraty, ao dizer que a ONU fez uma recomendação “é um problema até de correção técnica”. O Judiciário não tem outra saída que não a de fazer cumprir a decisão do Comitê da ONU, pois é cumprir ou se colocar o Brasil “como um pária internacional”, alertou Amorim.

Já não é?

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#PérolasDoFelipe – Uma questão de lógica

Hoje peço licença ao meu filhote Luiz para compartilhar uma pérola do Felipe, seu priminho e meu afilhado.

Estávamos em um almoço de família, celebrando o Dia dos Pais, quando ele, que sempre me chamou de “dinda” ou de “tia Cris”, começou a me chamar de “Mãe do Luiz”.

Era “mãe do Luiz” pra cá, “mãe do Luiz” pra lá.

Daí ele me pergunta:

– Cadê o Luiz?

– Está lá dentro, no seu quarto. Vai lá brincar com ele!

E o Felipe sai correndo, e gritando:

– Estou indo brincar com você, filho da mãe do Luiz! 😀

 


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