‘Instruções para esquivar o mau tempo’, por Alejandro Robino

Ao contrário da turma que disseminou ódio e fake news ao longo de toda a campanha, eu acredito no nosso processo eleitoral e nas urnas eletrônicas, vigentes há 22 anos, e respeito a decisão da maioria dos brasileiros, que quis alçar esse combo reacionário ao poder (a família Bolsonaro, Dória, Zema, Witzel etc). Só torço para que EU ESTEJA ERRADA e todos os meus medos pavores não se concretizem. Que Jair Bolsonaro não consiga força política pra cumprir todas as atrocidades que prometeu que faria durante a campanha durante toda a sua carreira política.

Dito isso, se ele realmente fizer o que disse que faria, se implementar uma política de desrespeito às minorias, de desrespeito aos direitos humanos e civis, de insuflar o ódio e a violência, estarei ao lado dos que certamente vão formar um cordão de oposição. Convido os amigos que querem estar desse mesmo lado a se esquivarem do mau tempo que nos aguarda, seguindo esta belíssima receita do escritor argentino Alejandro Robino:

“Em primeiro lugar, não se desespere e em caso de agitação não siga as regras que o furacão quererá lhe impor.
Refugie-se em casa e feche as trancas quando todos os seus estiverem a salvo.
Compartilhe o mate e a conversa com os companheiros, os beijos furtivos e as noites clandestinas com quem lhe assegure ternura.
Não deixe que a estupidez se imponha.
Defenda-se.
Contra a estética, ética.
Esteja sempre atento.
Não lhes bastará empobrecê-lo, e quererão subjugá-lo com sua própria tristeza.
Ria ostensivamente.
Tire sarro: a direita é mal comida.
Será imprescindível jantar juntos a cada dia até que a tormenta passe.
São coisas simples, mas nem por isso menos eficazes.
Diga para o lado bom dia, por favor e obrigado.
E tomar no cu quando o solicitem de cima.
Dê tudo o que tiver, mas nunca sozinho.
Eles sabem como emboscá-lo na solidão desprevenida de uma tarde.
Lembre que os artistas serão sempre nossos.
E o esquecimento será feroz com o bando de impostores que os acompanha.
Tudo vai ficar bem se você me ouvir.
Sobreviveremos novamente, estamos maduros.
Cuidemos dos garotos, que eles quererão podar.
Só é preciso se munir bem e não amesquinhar amabilidades.
Devemos ter à mão os poemas indispensáveis, o vinho tinto e o violão.
Sorrir aos nossos pais como vacina contra a angústia diária.
Ser piedosos com os amigos.
Não confundir os ingênuos com os traidores.
E, mesmo com estes, ter o perdão fácil quando voltarem com as ilusões acabadas.
Aqui ninguém sobra.
E, isto sim, ser perseverantes e tenazes, escrever religiosamente todos os dias, todas as tardes, todas as noites.
Ainda sustentados em teimosias se a fé desmoronar.
Nisso, não haverá trégua para ninguém.
A poesia dói nesses filhos da puta.”

 


Observação importante: este poema circula na internet com autoria atribuída ao escritor, jornalista, poeta e militante político argentino Paco Urondo (1930-1976). Desconfiei da linguagem, que me pareceu muito contemporânea, e resolvi buscar a fundo a autoria. Assim como acontece no Brasil, com textos apócrifos atribuídos a Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade, este belo poema não é de Paco Urondo, como descobri AQUI. O autor verdadeiro, Alejandro Robino, também é argentino. Escritor, dramaturgo, diretor, docente e advogado. Há três horas, ele compartilhou o próprio poema, provavelmente solidarizando-se com os brasileiros.

Inspiremo-nos com estas palavras de conforto e de luta e vamos manter a cabeça erguida e corpo e alma de prontidão para a resistência que se fizer necessária! Como diz meu pai, coautor deste blog: “Isso também passa”.

Como disse Pepe Mujica, nosso Mandela latino-americano, nenhuma derrota é definitiva:

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Dez pontos sobre o que está em jogo nesta eleição presidencial

Texto escrito por Douglas Garcia*:

#1

A eleição democrática para presidência da República no Brasil enfrenta hoje sérios dilemas. Como escolher? Qual o significado de escolher um ou outro candidato? Para quem no primeiro turno não escolheu nem um, nem outro, os dois seriam equivalentemente ruins? Com a intenção de contribuir para a reflexão sobre essas questões, proponho falar sobre princípios, prioridades e critérios de decisão.

#2

Quem se esforça para escolher bem o seu voto, e valoriza o próprio fato de poder votar, é pressuposto que valorizará também as condições que tornam possível o seu ato de votar. Isto é, quem vota, valoriza a democracia. Essa condição está no nível dos princípios. O primeiro princípio, portanto, assumido por quem vota, é o da participação democrática.

#3

Outra condição que está implícita no ato de votar é o da igualdade diante da lei. Esse é o segundo princípio assumido por quem vota. O voto de cada um é de igual valor ao de qualquer outra pessoa. Sem diferença de riqueza, poder, escolaridade, origem geográfica e social. Assim, quem vota demanda que seu voto seja contabilizado igualmente, pois cada um tem os mesmos diretos que todos os outros.

#4

Quem vota, no ato de votar, aprova ainda o princípio que torna possível que esses outros dois funcionem. Como assim? Para que cada um possa ir à sua zona eleitoral votar e participar democraticamente da eleição (primeiro princípio) e ter seu voto contabilizado igualmente ao de todos os outros eleitores (segundo princípio), é preciso que tenha o mínimo de condições concretas: ter as condições corporais de saúde e alimentação suficientes para ir votar, ter o documento eleitoral, poder usar o transporte que for necessário para ir até lá. Esse terceiro princípio, implícito no ato de votar, é o da inclusão social.

#5

Vamos falar agora de prioridades no que toca a esta eleição. Do ato de votar, que todos desejam exercer como direito, se enxergam três tópicos que derivam como prioridades. O primeiro desses tópicos é o do combate à violência contra a mulher. Os números brasileiros sobre violência doméstica, estupro e assassinato de mulheres estão entre os mais altos do mundo. É difícil pensar que esses números possam diminuir sem a ação de uma política de Estado. Sem combater essa violência, os princípios democráticos de igualdade diante da lei, participação democrática e inclusão social não se sustentam na prática.

#6

O segundo dos pontos de prioridade nessas eleições é o da defesa do meio ambiente e de uma atividade econômica que permita a renovação dos recursos naturais como a água, a fauna e a flora do país. Quem viveu a falta de água que aconteceu recentemente no país sabe do que se trata: crise de energia elétrica, crise na agricultura e crise no abastecimento de água das famílias. Esse é um recurso que deve ser usado com responsabilidade e cuidado para com as futuras gerações porque diz respeito à sobrevivência e a possibilidade de uma vida com qualidade. Sem proteger o meio ambiente, não teremos como sustentar na prática nenhum dos três princípios básicos da democracia.

#7

O terceiro tópico prioritário a ser considerado nessas eleições é o da redução da desigualdade social extrema. Não se trata de impor à força uma igualdade que não existe, porque as pessoas têm recursos e capacidades diferentes. Trata-se de considerar que desigualdades extremas no acesso a recursos e bens sociais são contraproducentes no que diz respeito ao progresso de um país, mesmo considerando apenas o âmbito da economia. Um país com pouquíssimas pessoas com instrução e poder de produção e de consumo apresentará também um nível de geração de tecnologia e de renda muito baixo. Aqui também os três princípios básicos da democracia estão envolvidos.

#8

Por fim, vamos falar de critérios de decisão. Não escolhemos abstratamente, mas entre candidaturas reais. O que levar em conta na hora de escolher? Considerando os princípios envolvidos no ato de votar e as prioridades que se seguem deles, proponho três critérios de decisão: valorização dos princípios da democracia; valorização das prioridades democráticas derivadas desses princípios; por fim, medida da proximidade relativa de cada eleitor com as posições dos dois candidatos em relação a princípios e prioridades democráticas.

#9

Procurar por critérios é procurar por objetividade e imparcialidade. Não em termos de uma visão que um habitante de outro planeta poderia ter de nós, mas de alguém que procura enxergar os fatos sociais e a medida objetiva em que está implicado neles. Assim, a valorização dos princípios da democracia e das prioridades democráticas deve ter como linha de orientação a busca por dados objetivos com relação à situação econômica e social do país e aos discursos e práticas dos candidatos à presidência, registrados por fontes credenciadas e confiáveis, abertas ao escrutínio público.

#10

Por fim, é preciso dizer que não é verdade que “todos os políticos são iguais”. E também não é correto (ainda que seja um direito do eleitor), optar por votar nulo ou em branco, uma vez que o seu candidato não passou para o segundo turno da eleição. Ou seja, não existe uma concordância absoluta entre eleitor e representante eleito. O que pode e deve ser buscado é uma proximidade relativa no interior do espectro político de opções. Não é verdade que os dois candidatos desta eleição se equivalham. Há posições muito diferentes entre eles com relação aos princípios democráticos, às questões do meio ambiente, da violência contra a mulher e da inclusão social.

Não me parece que dizer às pessoas em quem votar seja uma atribuição de quem escreve como intelectual. Mas esclarecer o que está em jogo, sim. Fica aqui o convite para que cada um esclareça por si mesmo qual visão de mundo, de sociedade e de país ele (ou ela) quer escolher. Recomendo o aplicativo “Sintonia Eleitoral”, do G1, que é muito bem feito e permite comparar a resposta que você dá a um grande número de questões sociais e políticas com as respostas que cada candidato dá às mesmas questões.

 

* Douglas Garcia é professor do Departamento de Filosofia da UFOP

 

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Aos 102 anos, o coronel Affonso Heliodoro escapou de nova ditadura no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Coronel Affonso em foto de 1958. Crédito: Fundo Agência Nacional.

Tarde de domingo, 21 de outubro de 2018. Desapareceu ali, no crematório do Parque da Colina, em Belo Horizonte, o corpo do coronel PM Affonso Heliodoro dos Santos, que fez história no Brasil ao lado do amigo Juscelino Kubitschek, seu conterrâneo de Diamantina. Havia completado no sábado, ao morrer de enfarto, 102 anos e 186 dias de vida bem vivida. Trabalhou até os 99 anos, quando deixou Brasília, para vir morar na capital mineira e ficar mais perto dos filhos e netos.

Não queria viver mais do que isso. Nos últimos dias, conforme o filho caçula, Affonsinho – o conhecido compositor e cantor, pai de duas de minhas netas –, já se mostrava desinteressado de tudo. Não se animava nem quando o filho lhe falava de JK.

Fico me perguntando se a causa do desinteresse vinha da idade, dos problemas de saúde, da lembrança de tantos amigos e parentes já mortos, ou da perspectiva de ter de viver mais uma vez numa ditadura. A última levou o amigo JK ao desterro em Paris (e ao assassinato, quando retornou ao Brasil e participava de um movimento pela volta da democracia). De Paris, JK escreveu a Affonso, no dia 18 de julho de 1964, a seguinte carta manuscrita:

“Meu caro Afonso,

JK e seu amigo Affonso. Foto: arquivo pessoal

Todas as manhãs, ao despertar, penso que ainda vou encontrá-lo no meu quarto e no meu banheiro para os primeiros comentários do dia. Hábito velho que trouxemos de Minas, levamos para o Rio, transportamos para Brasília e novamente nos acompanhou para o Rio, ficou de tal modo integrado na minha lembrança que dele não posso esquecer. Não quero fazer poesia em torno de exílio. Não sou Gonzaga e a minha lira se partiu no fragor das lutas que travamos. O econômico predominou e passamos a olhar as cousas e o Brasil sob o prisma de nossos deveres. Mas não posso deixar de confessar que viver fora do país, sem saber quando será possível o regresso, é o castigo mais cruel imposto a um homem que só pensava no Brasil, só estudava Brasil, só viajava pelo Brasil e em torno de si reunira uma equipe só para adorar o Brasil. Você, meu caro Afonso, não pode perder a experiência que adquiriu. Notável. Autodidata, aprendeu consigo mesmo cousas que me deixavam surpreso. É preciso ainda aproveitar para o Brasil a sua experiência. Não sei quando irei encontrá-lo. Creia, porque os três mosqueteiros ou, por outra, os três coronéis e mais o 4º mosqueteiro que é o João Luiz, são peças que compõem, hoje, a própria estrutura do meu sentimento.”

Capa do oitavo CD do Affonsinho.

O coronel Affonso Heliodoro transcreveu a carta na abertura de um de seus livros (“JK Exemplo e Desafio”), lançado em 2005. Três anos depois, presenteou-nos, minha mulher Ivona e eu, com um exemplar, numa reunião de família. Já então, nos considerávamos parte da família do coronel. Ao escrever o livro, ele tinha três filhos, nove netos e cinco bisnetos. Cresceu mais um pouco, com a chegada das duas filhas de Affonsinho e Viviane: Laura e Rafaela.

Para as quais Affonsinho compôs e gravou duas músicas. Estamos à espera da que ele vai dedicar ao pai, seu maior fã. Por ter dono, a letra não pode começar com “Naquela mesa ele sentava sempre”.

A saudade dele (já) está doendo em mim.

Reprodução / TV Globo

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De que lado você está nestas eleições? (+ 30 charges para ajudar na reflexão)

* 13 entidades religiosas – católicas, evangélicas, judaicas, anglicanas e islâmicas – se posicionam contra a barbárie promovida por Bolsonaro.

* Mais de mil juristas – ex-ministros do STF, procuradores, magistrados, professores – fazem manifesto contra o risco à democracia se Bolsonaro for eleito.

* Mais de 190 mil pessoas já assinaram o manifesto do movimento Democracia Sim, encabeçado por intelectuais como Caetano Veloso, Chico Buarque, Arnaldo Antunes e Drauzio Varella, que diz que “a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial”.

* Pelo menos 49 jornais, de 20 diferentes países, incluindo Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e França, mas também os vizinhos Argentina e Chile, fizeram editoriais alertando para os riscos da eleição de Bolsonaro pelos brasileiros.

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Enquanto isso, um dos rostos da Ku Klux Klan declara apoio a Bolsonaro e diz: “Ele soa como nós”.

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De que lado você está?

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Eu estou ao lado da democracia, obviamente. Contra as fake news, que inclusive são financiadas via contratos milionários bancados por caixa 2 para beneficiar o candidato do PSL, que também já teve funcionária-fantasma, já ameaçou a ex-mulher de morte etc. Estou e sou contra o ódio fanático, cego e burro, que vai minando nossa democracia. E a democracia, neste momento, só está sendo representada pelo candidato Fernando Haddad, da ala moderada do PT. O outro, Jair Bolsonaro, é o candidato da barbárie, do fascismo, da incitação ao ódio nas ruas, do elogio à ditadura, da apologia à tortura, da militarização, da total ausência de propostas para o país, do absoluto despreparo, da corrupção e da máquina de inventar notícias falsas para manipular as pessoas. Tô fora desse lado!

 

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A roda da História gira mais uma vez: três gerações e três ditaduras no Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

Todos os povos têm momentos de união em torno de temas civilizatórios. A união se dá em torno de assuntos que transcendem para além dos interesses individuais, corporativos e partidários.

Parece que no Brasil é chegado esse momento. Pensamos diferentemente sobre tantos temas. Temos crenças, valores, ideias sobre tantos assuntos, mas em alguns pontos chegamos ao mesmo lugar – e isto é inegociável.

Este lugar, este ponto sobre o qual não discordamos, é algo chamado democracia, que engloba a preservação daquilo pelo qual todos nós lutamos há tantas décadas – a dignidade das pessoas, o respeito aos direitos humanos e a justiça social.

Os três parágrafos acima abrem o manifesto intitulado “Pela democracia, todas e todos com Haddad”, que traz como epígrafe frase famosa de Martin Luther King, o pastor negro sobre quem todos aqui já ouviram falar.

O manifesto é assinado por 1.104 juristas, professores de Direito, advogados e outros ligados ao Judiciário, além de 96 outros profissionais que ratificaram o manifesto. O segundo destes é o músico Arnaldo Antunes, cujo último poema nosso blog publicou, no último dia 12. Mas só tive conhecimento do manifesto aqui, onde se publica o texto completo e o nome dos assinantes.

Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”.

O que escrevemos agora é uma forma de adesão ao manifesto, pois não queremos estar entre os repreendidos por Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons”.

Entre os bons que se manifestaram no documento, o Viomundo destacou os “ex-ministros da Justiça José Carlos Dias (governo Fernando Henrique Cardozo), Eugenio Aragão, José Eduardo Cardozo e Tarso Genro (governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence (advogado de Lula na Lava Jato), o ex-presidente da OAB Marcelo Lavenère Machado, o ex-procurador-geral de Justiça Antônio Carlos Biscaia e os advogados Pedro Dallari, Belisário dos Santos Jr, Celso Antônio Bandeira de Mello, Dalmo de Abreu Dallari, Pedro Serrano e Marco Aurélio de Carvalho (coordenador Jurídico do PT)”.

Certamente, você encontrará conhecidos nessa lista de 1.104 democratas e, certamente, entre os 96 “outros profissionais” que aderiram ao manifesto. Dá certa inveja deles, do mesmo modo que costumávamos ter, durante a última ditadura militar, quando líamos sobre outro manifesto, do qual estivemos ausentes, por motivos óbvios.

Sobre esse manifesto, cito, por economia, a Wikipédia:

“O Manifesto dos Mineiros foi uma carta aberta publicada em 24 de outubro de 1943, no aniversário da vitória da Revolução de 1930, por importantes nomes da intelectualidade liberal (advogados e juristas) do estado de Minas Gerais em defesa da redemocratização e do fim do Estado Novo (regime ditatorial comandado por Getúlio Vargas)”.

O tempo passa e a roda da história não para. Também não, o destino trágico dos brasileiros. Em outubro de 1943, faltavam quatro meses para eu nascer e quase dois anos para o fim do Estado Novo. Em março de 1964, eu tinha 20 anos, boa idade para me indignar com mais outra ditadura. E em janeiro de 2019, a possível nova ditadura de Bolsonaro pegará meu neto mais novo – o Luiz, que os leitores do blog conhecem bem – com recém-completados 3 anos de vida.

Por ironia da história, Luiz será governado em boa parte da infância por um ditador no país, e, em Minas, por outro aventureiro que, empresário riquíssimo, ficará bem confortável sob os tacões do capitão Bolsonaro e de seus generais espertos. Nada de Estado Novo. O governador, se a maioria dos eleitores não tiver pena dos mineiros, será do Partido Novo.

Novo?

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