15 passos para proteger suas informações no Facebook

Continuando o post de ontem, resolvi fazer uma lista de dicas para proteger as informações pessoais no Facebook.

Imagino que sejam óbvias para a maioria das pessoas, mas acho que podem ser úteis para outras tantas. Ontem mesmo um colega disse que não sabia que era possível regular o que os outros postam em seus próprios murais com link para a gente (aquelas fotos horríveis que as pessoas sem coração colocam da gente só porque elas saíram impecáveis ao lado ;)).

Seguem algumas coisas básicas:

1) Primeiro: em seu perfil, no cantinho superior direito, tem uma caixa escrito “ver como…”. Clicando nela, será possível você descobrir como o público em geral acessa seu Facebook, ou seja, quais informações da sua página — fotos, frases no mural, detalhes sobre você — estão abertas para qualquer um que entrar no Facebook, mesmo aqueles que não são seus amigos ou nem têm conta na rede social. Esse é o primeiro passo para que você leve um susto sobre tudo o que andou deixando à vista de todos até hoje ou se certifique de que está tudo devidamente protegido. A minha página, por exemplo, só permite a estranhos saber que nasci em Beagá, moro em São Paulo e sou do sexo feminino. Só. Xô, xeretas! 😀

2) Para mudar realmente o que está sobrando na sua página, clique lá na setinha mais ao alto, no cantinho superior extremo da direita. Vá primeiro em “configurações da conta”. Aí você pode alterar seu nome (não precisa deixar à disposição de todos seu nome COMPLETO, porque isso só facilita aos xeretas te encontrarem).

3) Clicando em “configurações de segurança”, no lado esquerdo, pode ativar mecanismos de conferência de dados para dificultar que alguém tente invadir sua conta.

4) Em “assinantes”, você deve DESMARCAR a opção de permitir assinaturas, caso ela esteja marcada. Os assinantes são desconhecidos, que não precisam de permissão para ser seus amigos e podem, mesmo assim, receber atualizações de tudo o que você posta.

5) Lá naquela setinha do canto superior direito, escolha agora a opção “configurações de privacidade”. No campo “controlar sua privacidade padrão”, escolha “amigos”. Assim, somente quem você autorizou que seja seu amigo poderá ler o que você escreve normalmente.

6) Na hora de postar algo, você pode mudar essa configuração padrão SÓ DAQUELA VEZ. Para isso, basta clicar na caixinha ao lado de “publicar” e escolher, por exemplo, que aquele post pode ser público, ou que só deve aparecer para pessoas escolhidas de forma personalizada.

7) De volta às configurações de privacidade, clique em “como conectar” e defina para quem seu email e telefone pode ser exibido e se todos estão autorizados a enviar uma mensagem para você e a pedir para ser se amigo ou não. (Não vejo problemas em ter essas duas coisas abertas para “todos”. Afinal, você pode simplesmente não autorizar o pedido de alguém para ser seu amigo, mas a graça do Facebook é justamente permitir que potenciais amigos te descubram na rede).

8) No campo “Perfil e Marcação”, sugiro que deixe apenas “amigos” publicarem em seu mural e ver o que os outros publicaram. Afinal, desconhecidos ainda têm a opção de te enviar uma mensagem, se for o caso. Importante: ATIVE a opção “analisar publicações em que você foi marcado antes de serem exibidas no seu perfil”. Assim, não corre o risco de algum amigo postar um segredo sobre a sua vida e todos lerem antes de você ter tempo de apagar. Inclusive amigos desse amigo que você nem conhece.

9) Na opção “limite o público para publicações passadas”, tudo aquilo que você publicou e que estava marcado para que todo mundo pudesse ver será automaticamente trocado e só os amigos poderão ver. Você também pode trocar um a um desses casos, acessando sua página e clicando no simbolozinho que aparece logo ao lado da data de publicação de cada post.

10) Em “gerenciar bloqueio”, é possível bloquear usuários e aqueles convites irritantes para eventos malas ou para adicionar aplicativos idiotas (eu não tenho nenhum aplicativo, diga-se), tipo “Meu Calendário” e afins.

11) Agora acesse seu perfil e clique em “Informações”. Ali você pode editar cada um dos campos (por exemplo, “Trabalho”) e escolher exatamente o que é visível para quem. Por exemplo, apenas meus amigos sabem onde trabalho e onde já estudei. Minha sugestão é que NADA fique disponível ao público.

12) Clique em “Fotos” e faça o mesmo: bloqueie TODAS as suas fotos para o público. Deixe abertas apenas para amigos ou para pessoas específicas.

13) Não adianta nada você restringir suas informações aos amigos se você é do tipo que adiciona qualquer um como amigo e tem centenas e milhares de pessoas nessa categoria. Seja seletivo. Selecione apenas pessoas em que confie e que conheça bem.

14) Mesmo depois de tomar todas essas medidas de precaução, NUNCA publique informações muito pessoais, como endereço, telefone residencial, cada passo que dá, cada lugar para onde está indo, informações muito particulares de pessoas do seu círculo etc. Você pode ter adicionado algum “amigo virtual” que não é tão amigo assim e pode se aproveitar dessas informações ou, o que é mais comum, algum dos seus amigos pode deixar escapar essa informação de forma inadvertida. O importante é que tudo o que é escrito e publicado na internet, por mais restrito que esteja, está sujeito a ser descoberto por algum xereta. Basta um ctrl+C da sua linha do tempo e um ctrl+V no email de alguém, por exemplo…

15) Depois de feitos todos esses passos, volte a acessar aquele local do item 1 e certifique-se de que o público em geral não terá acesso a NADA da sua vida, nem foto, nem texto do mural, nem informação básica. Se algo ainda tiver escapado — por exemplo, uma publicação de mural que não deve ser lida pelo público –, mude o status dessa publicação ou as definições do seu perfil.

PS. Fiquem à vontade para acrescentar outras dicas e sugestões de segurança aí nos comentários. Estas são só as mais básicas mesmo, que fiz agora rapidamente numa primeira olhada no meu próprio perfil de Facebook 😉

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Sua vida na rede

A melhor história do jornal de hoje foi assinada pelo meu colega GIBA BERGAMIM JR. e trata de um empresário de 29 anos — e sua família — que foi ameaçado/chantageado por uma menina de 15 anos. Ela obteve todas as informações sobre sua vida no Facebook.

A matéria pode ser lida AQUI.

A “pentelha” pediu R$ 100 mil para não cumprir as ameaças e mobilizou todo um aparato policial.

Na verdade, é muito fácil achar informações sobre as pessoas nas redes sociais e em outros recantos da internet. Na minha profissão é muito comum eu ter que vasculhar a vida de algumas pessoas para tentar descobrir mais sobre elas, e acabo achando um mar de informações descuidadas a poucos cliques de distância.

Para fazer este post, selecionei uma pessoa aleatoriamente e, usando apenas as informações contidas no perfil de Facebook dela, descobri as seguintes coisas:

  • O nome completo dela
  • A profissão, cargo e empresa em que trabalha
  • O estado civil e desde quando é casada, inclusive o mês
  • O nome do marido dela, com sobrenome
  • A empresa em que o marido trabalha e duas em que trabalhou anteriormente
  • Onde o marido fez o ensino médio e a faculdade
  • Que ela tem dois filhos, um menino e uma menina, crianças
  • O nome dos dois filhos
  • Onde ela fez faculdade e em que ano
  • Onde estudou o ensino médio
  • Que ela também é maquiadora profissional e dá aulas de maquiagem
  • O nome de ao menos quatro alunas que ela teve nesse curso
  • O nome de 177 amigos dela
  • O email pessoal dela, mais acessado
  • Que ela viajou para Buenos Aires em março do ano passado, com os pais e filhos
  • Que a filha estava na Disney em dezembro de 2010
  • A idade exata (dia, mês e ano de nascimento) dos dois filhos
  • As imagens, em 25 fotos abertas, dela própria, de toda a família e amigos

Reparem o seguinte: TUDO ISSO — informações valiosas! — eu só consegui dando uma olhada de no máximo 10 minutos no Facebook dessa pessoa escolhida ao acaso. E olha que foi a primeira pessoa que eu pesquei, nem fiquei escolhendo alguém que tivesse mais ou menos informações abertas. Se eu quisesse descobrir mais, provavelmente conseguiria outras informações em outras redes sociais, navegando pelos perfis dos amigos da moça, buscando informações em comentários deixados por ela e facilmente rastreados pelo Google etc.

Agora imaginem que eu sou uma menina de 15 anos doida para tirar R$ 100 mil de alguém, e que construa uma carta ameaçadora contando fartos detalhes sobre a vida da pessoa, dos filhos dela, do marido e dizendo que sou uma sequestradora perigosa, que estou vigiando os passos da família e que, se ela “abrir o bico”, alguém morre. Quantos efetivamente cairiam no golpe, quantos fariam como o empresário da matéria e procurariam a polícia? Quantos a polícia conseguiria rastrear (se eu for uma menina esperta, obviamente vou usar uma lan house distante de casa, que não guarda registro dos clientes, sem câmeras etc)?

Esse é só o caminho mais fácil e menos criativo usado por hackers e outros bandidos para obter dinheiro fácil. E a maneira fácil e nada criativa de burlar esse sistema é protegendo suas informações, adicionando apenas amigos mais próximos às suas páginas e abrindo, com parcimônia, dados pessoais, apenas para esse círculo restrito de pessoas.

Não há novidade em nada disso que este meu post fala. Todos já cansamos de ouvir tudo isso. Mas não custa lembrar, tendo em vista o que o empresário e a moça que escolhi de exemplo estão deixando à vista de todos. E ambos são esclarecidos, estudados, jovens, provavelmente usuários frequentes de internet.

Não é impossível conviver na rede de forma segura, basta saber controlar o que é para mostrar e o que deve ser escondido do mundo de anônimos que pode estar à espreita.

***

PS.: O Takata indicou um teste que o UOL fez com quatro pessoas, que mostrou o mesmo que eu consegui com este post, ou seja, que é muito fácil achar informações sobre as pessoas na internet, sabendo procurá-las. Eu sei procurar bem, por ser jornalista e fazer isso com frequência. E tenham consciência de que os hackers sabem procurar muito melhor ainda…

Jornalices hilárias

Já falei aqui do tumblr da Alice, do Renato Russo e do This Isn’t Happiness, dentre outros.

São todos ótimos, às vezes hilários, ou com boas sacadas.

Mas hoje, como diz minha colega Ju Granjeia, achei um tumblr “para chamar de meu”.

O Jornalices mostra todas as “jornalices” do mundo das Redações e capta direitinho as expressões para cada momento de alegria, suplício, raiva ou prazer dessa profissão-cachaça.

Exemplos ótimos:

“Quando meu pai olha meu contra-cheque.”

“Quando o repórter especial leva mais um prêmio.”

“Quando o estagiário de Esporte é contratado como subeditor de Economia.”

Quando dou um furo no repórter fodão do concorrente.

Postei sobre isso no Novo em Folha mas não resisti e repeti aqui 😀

Visitem AQUI.

PS.: Autor desse Tumblr: saiba que acaba de ganhar uma fã declarada!