Crônicas do fim do mundo — o jornal impresso

Sempre fui defensora da resistência do jornal impresso diante de novas mídias. Ele pode até perder uma fatia do público, mas vai continuar firme e forte por vários anos, como o rádio e até a já idosa TV — era o que eu sempre dizia.

Mas uma conversa no táxi ontem me desiludiu:

— Você está lendo o jornal por obrigação profissional ou porque você gosta de ler mesmo?, me perguntou o taxista enquanto eu ia para a leitura do terceiro caderno.

Surpresa, levei uns dois segundos para responder.

— Porque eu gosto.

Ele riu alto.

— É que ler jornal hoje em dia é suspeito, né!

É duro. Se o taxista acha tão espantoso que eu leia jornal, é sinal de que ele nunca vê ninguém lendo. E taxistas convivem com trocentas pessoas todo santo dia, de todas as idades, durante o dia todo.

É o fim do mundo…

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