Capas de revistas, charges e a política nazista de Donald Trump

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Só se você tiver um coração de pedra para não se chocar, indignar e emocionar com as crianças separadas dos pais pelo governo de Donald Trump.

Eu, pessoalmente, me senti como esta jornalista:

Sem muitas palavras ou mesmo conhecimento para escrever sobre o assunto, apelo para a indicação de um texto escrito por Max Boot para o Washington Post, e traduzido pelo “Estadão”. Um trecho:

“Muitas pessoas têm alertado que os EUA pagarão um preço muito alto no longo prazo por esses atos destrutivos de Trump. No entanto, é difícil citar pessoas que já foram atingidas. As guerras comerciais, por exemplo, já afetam principalmente os fazendeiros de Iowa e as montadoras de Michigan, mas grande parte do impacto se dissipará para os consumidores e pode nem ser notado imediatamente.

No entanto, com sua política desumana de separar os filhos de imigrantes ilegais de seus pais na fronteira com o México, o presidente finalmente oferece um exemplo ao vivo, direto para a câmera, de como suas medidas estão destruindo as vidas de pessoas comuns. Este caso vai muito além de outros anteriores, como o dos imigrantes deportados depois de décadas contribuindo para o país, O sofrimento de adultos não desperta tanto a simpatia popular como no caso de crianças maltratadas.

As mais de 2 mil crianças tiradas de suas famílias em um período de seis semanas e estocadas em locais que algumas pessoas comparam aos campos de concentração nazistas, não são vítimas teóricas e presumidas. São muito reais e sua terrível situação é algo deplorável. Finalmente, o impacto do trumpismo tem um rosto: o de uma menina hondurenha de 2 anos aos prantos cuja foto foi estampada na capa do New York Daily News com o título: “Cruel. Brutal. Covarde. Trump.””

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

A comparação com o nazismo é automática para todo mundo que tenha um mínimo de conhecimento de História. Pode ser exagerada, mas é automática. Trump se esquece que os Estados Unidos foram forjados por imigrantes desde o nascimento do país e agora cria uma política racista, xenófoba e agressiva, que causará danos irreparáveis a inocentes crianças.

Os ilustradores, como não me canso de dizer aqui no blog, têm um dom de traduzir em poucos traços o que os jornalistas levam muitas palavras para dizer. Por isso, resolvi mais uma vez criar uma galeria com algumas charges que encontrei nos últimos dias, que escancaram bem o absurdo da situação (clique sobre qualquer uma para ver todas em tamanho real):

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‘O único preso político pós-redemocratização do Brasil’

No dia 24 de janeiro de 2014, divulgamos aqui no blog a prisão do jornalista Marco Aurélio Flores Carone, criador do “Novo Jornal”, um dos poucos sites a denunciar absurdos no governo Aécio.

Naquele ano, Aécio concorria à presidência da República pelo PSDB e ainda não tinha vazado áudio dele pedindo R$ 2 milhões a empresário investigado pela Lava Jato e dizendo sua famosíssima frase: “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação”. Era um favorito, e vários circulavam pelas ruas de Beagá com adesivo prestando homenagens ao tucano nos carrões.

No dia 7 de novembro daquele mesmo ano noticiamos que Carone fora solto no dia 4, apenas poucos dias após o segundo turno das eleições presidenciais que deram vitória a Dilma e que ocorreu no dia 26 de outubro.

Nem disfarçaram.

Agora, tantos anos depois, o site Viomundo traz duas informações importantes sobre o desenrolar dos inquéritos que levaram à prisão preventiva do jornalista em 2014:

1- O primeiro foi arquivado por falta de provas.

2- O segundo foi concluído, sem indiciamento de Carone, e o delegado Rodrigo Bossi de Pinho, chefe do Departamento Estadual de Fraudes da Polícia Civil de Minas Gerais, ainda pede investigações contra o promotor do caso.

Segundo o delegado, Carone “sofreu todo tipo de perseguição por denunciar os esquemas de corrupção nos governos de Minas” e “foi uma das vítimas de uma organização criminosa que operou em Minas Gerais para perseguição política”, nas palavras do site Viomundo. E mais:

“O chefe do Departamento de Fraudes da Polícia Civil de Minas ainda salienta: Carone é “único, autêntico, preso político pós-redemocratização” e que seu caso deveria ser apreciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).”

CLIQUE AQUI para ler a reportagem na íntegra, com as fotos dos documentos citados.

Aécio segue forte nos bastidores, mas foi desmoralizado para o público eleitor: foi “o primeiro a ser comido”, nas palavras de Romero Jucá.

(Pra quem já esqueceu, aí vai a ilustre fala de Jucá de novo: “O primeiro a ser comido vai ser o Aécio [Neves (PSDB-MG)]. O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…”.)

Mas o estrago já estava feito. A censura implementada nos anos do governo de Aécio tem efeitos até hoje. Assim como a censura da época da ditadura militar faz estrago até hoje, com tantos incautos pedindo a volta dos milicos porque naquela época “não havia corrupção, o Brasil cresceu pra caramba” etc etc. O estrago de calar jornalistas é grande. Quase tanto quanto o de fortalecer boatos, que hoje são mais conhecidos como fake news.

Nossa democracia apodrece a passos largos.

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Nada de indígenas e quilombolas virando doutores!

No ritmo atual do Brasil, estas crianças Kayapó jamais terão a oportunidade de cursar o ensino superior, mesmo se quiserem. Foto: Rodolfo Oliveira / Ag. Pará – 15.04.2018 – São Félix do Xingu (PA)

Há cinco anos, fiz a seguinte pergunta aqui neste mesmo blog: “Quais as chances de um índio, nascido e criado numa aldeia dentro de uma reserva no sertão pernambucano, distante 12 km da única escola disponível, se graduar em medicina por uma das melhores universidades do país, a UnB?”

E ali contei a história incrível de Josinaldo da Silva, da tribo Atikum, que virou “doutor” e, depois de formado, optou por ir trabalhar num local distante, para levar seu atendimento aos mais necessitados.

Ele conseguiu a formação, os valiosos conhecimentos que se tornaram úteis para a sociedade, e o título final de médico, graças a um sistema de cotas.

Para relembrar aquela história, basta clicar AQUI.

Em maio de 2013, Dilma Rousseff era a presidente do Brasil e seu governo, assim como o do antecessor, Lula, tinha como uma das bases a implementação de políticas sociais.

Hoje, junho de 2018, no governo de Michel Temer, recebi mais uma notícia de corte de programa social, mais um de vários que Temer implementou em apenas dois anos de governo, retrocedendo o Brasil em mais de 20 anos. A notícia de hoje é da lavra do super Rubens Valente*, e saiu na “Folha de S.Paulo”: “Governo Temer corta bolsa para estudantes indígenas e quilombolas“.

Informa Valente que 5.000 estudantes devem ser prejudicados até o final do ano por conta desse corte do governo Temer.

Trecho:

“Criado em maio de 2013 pelo MEC (Ministério da Educação), o PBP já permitiu acesso mais de 18 mil estudantes que deixaram suas aldeias e quilombos, às vezes localizados a centenas de quilômetros, para fazer cursos superiores em instituições federais, além de jovens “em situação de vulnerabilidade socioeconômica”.

Para ter acesso ao valor, os novos alunos devem se cadastrar no sistema do PBP no MEC. Contudo, o sistema está bloqueado, segundo diversas denúncias dos representantes dos alunos, que procuram o MEC desde abril na tentativa de resolver o problema. Em uma audiência no dia 29 com o novo ministro da Educação, Rossieli Soares, os representantes ouviram que a proposta do ministério é de apenas 800 novas bolsas neste ano. O mesmo número foi confirmado por email, à Folha, nesta terça-feira (5).

“Esse número é totalmente abaixo das necessidades (…)”, disse Kâhu Pataxó, 27, aluno de direito da Ufba (Universidade Federal da Bahia), onde há 155 novos alunos aguardando a bolsa. (…)

De forma emergencial, a Ufba conseguiu para os alunos uma verba de R$ 400 mensais, com recursos do orçamento da instituição. A pró-reitora de ações afirmativas e assistência estudantil da Ufba, Cassia Virginia Bastos Maciel, afirmou que acompanha com grande apreensão o assunto porque uma concessão de apenas 800 bolsas para mais de 68 instituições federais “configura na prática o fechamento do programa”.

“Os alunos estão vindo de várias regiões, atendemos 417 municípios na Bahia. Estão longe de suas famílias, de suas aldeias e de suas comunidades. A não concessão dessas bolsas significa de fato a expulsão dos alunos da universidade”, disse a professora.”

Para ler na íntegra, CLIQUE AQUI.

Repito o que eu tinha escrito em 2013, neste mesmo blog:

“As pessoas, quando conseguem oportunidades iguais, são capazes de se empenhar e correr atrás de seus sonhos e serem tão qualificadas quanto as que nasceram em berço de ouro e sempre tiveram acesso às melhores informações.

Não entendo quem é contrário à política de cotas. Argumentam que é um sistema que destrói a meritocracia. Ora, como falar em mérito entre grupos de pessoas sem as mesmas oportunidades? Num mundo ideal, em que todos tiveram oportunidades iguais, é legal beneficiar e privilegiar aqueles que são melhores e se empenham mais. Mas no Brasil atual, há milhares de Josinaldos que são inteligentes, esforçados, repetem a quarta série quatro vezes só por terem vontade de estudar e não ter escola por perto oferecendo as séries seguintes, vão virar ótimos médicos, mas que não conseguem passar pelo filtro, pela barreira social e geográfica intransponível que existe entre eles e o futuro que merecem.

Josinaldo teve direito ao mérito, depois de obter a oportunidade.”

O governo Temer está acabando com a oportunidade para quem sempre foi excluído da sociedade. Está dizendo: indígenas e quilombolas: desistam! Vocês não têm vez.

Infelizmente, no Brasil atual, que vive em plena guerra civil, eles não têm vez mesmo. Nem muitos outros.


*Vale dizer que Rubens Valente lançou recentemente o livro “Os Fuzis e as Flechas – História de Sangue e Resistência Indígena na Ditadura” (Companhia das Letras), que está sendo elogiadíssimo. 

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