Voto dos mineiros evita a morte do PT

Aécio Neves e Dilma Rousseff. Foto: Pedro França/ Agência Senado

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma coisa é certa: quaisquer que sejam os resultados das eleições no segundo turno, o Partido dos Trabalhadores continuará vivo. A maior frustração será dos que, no Executivo, Legislativo e Judiciário, queriam matar o PT ainda em 2018. Vou pegar aqui o caso de Minas, Estado que representa, segundo os entendidos, uma síntese do Brasil.

O PT elegeu em Minas oito deputados federais, num total de 992.392 votos. O PSDB, adversário histórico, apenas cinco, com 504.576 votos. Entre estes, Aécio Neves, com 106.702 votos. Número que lhe deu o 19º lugar na lista de 53 novos deputados federais mineiros.

Não é pouco, mas está bem distante do que se esperava de alguém que apostava se eleger presidente da República em 2014 e, não o conseguindo, deslanchou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, do PT, aliado ao vice Michel Temer, do PMDB.

Não é pouco, pois esses votos são capazes de proteger Aécio contra qualquer juiz de primeiro grau que queira julgá-lo por causa das denúncias da Lava Jato. A preocupação do neto de Tancredo Neves, eu presumo, não é com o juiz Sérgio Moro, notório carrasco do líder maior do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que, encarcerado em Curitiba, não pôde ser candidato e nem votar em Fernando Haddad, como queria.

Moro, sabe-se, não tem sido tão implacável com tucanos denunciados na Lava Jato, a começar por Aécio Neves.

Apesar disso, como bom mineiro – que desconfia que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém –, Aécio preferiu, a tentar se reeleger para o Senado, concorrendo com Dilma Rousseff, eleger-se deputado federal. Esperto…

Apesar de derrotada por Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS), ficando atrás até de Dinis Pinheiro, do Solidariedade, Dilma recebeu 2.709.223 votos, equivalentes a 15,3% do total. Ou 25 vezes a votação de Aécio. Sim, votações diferentes, mas a indicar que ele não teria cacife para vencer Pacheco e Viana. E provavelmente, nem a candidata petista.

Porque, como se disse, o PT não morreu em Minas, apesar da derrota do governador Fernando Pimentel para o estreante Romeu Zema (Novo) e Antonio Anastasia (PSDB). O primeiro teve 4,1 milhões de votos e, o segundo pouco mais de 2,8 milhões. A diferença de Anastasia para Pimentel foi de 574,7 mil votos. E dele para Zema, de 1 milhão 324 mil votos.

Uma situação proporcionalmente mais confortável de Anastasia, comparada com Haddad, no segundo turno. Ocorre, porém, que o PSDB mostrou fraqueza nas eleições em Minas. Já o Novo, de Zema, saiu fortalecido depois que este declarou, no final da campanha, apoio a Jair Bolsonaro, do PSL.

O PSL, por sinal, que não existia em 2014 na Assembleia Legislativa mineira, elegeu agora seis deputados estaduais. Um a menos que o PSDB, que terá sete cadeiras (em 2014, eram nove), empatando com o MDB, seu parceiro no impeachment de Dilma Rousseff. O PT terá a maior bancada, com 10 deputados. Em 2014, elegeu também 10, mesmo número do MDB. Um partido se segurou ali, o outro caiu.

Os oito deputados federais petistas eleitos em Minas somaram 992 mil votos. Seis deles mais bem votados que Aécio Neves. Os cinco tucanos totalizaram menos de 505 mil. Os nove deputados estaduais petistas somaram mais de 608 mil votos, enquanto os sete tucanos foram pouco além de 460 mil.

Diante desses números, concluo com uma pergunta: entre PT e PSDB, quem mais periga desaparecer em Minas?

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Eu acredito e confio nas urnas eletrônicas

Ao contrário da turma do Bolsonaro, que até orquestrou uma mentira hoje, e do Aécio Neves, que bateu nessa tecla de “fraude” ad nauseam em 2014, eu acredito e confio nas urnas eletrônicas.

Se quase metade dos brasileiros quer ter esse sujeito que tem tanto apreço pela ditadura militar no poder, eu entendo isso: quase metade dos brasileiros querem isso, no dia de hoje, 7 de outubro. Como bem escreveu o Antonio Prata em texto que compartilhei mais cedo, essas pessoas votam sabendo tudo o que Bolsonaro representa, não estão ingênuas e iludidas, não. Espero que um dia a consciência doa, mas hoje devem estar celebrando.

Se um sujeito como Flávio Bolsonaro é eleito, pelas urnas eletrônicas, para o Senado, é isso também: ele foi eleito legitimamente. Se Dilma é derrotada nas urnas para o Senado em Minas, vale o mesmo: foi derrotada legitimamente. Os brasileiros elegeram um dos legislativos mais reacionários da história. Elegeram. Via urnas eletrônicas, que já são usadas há 22 anos no país.

Agora haverá segundo turno presidencial e em vários Estados. Farei o que estiver ao meu alcance para tirar votos do Bolsonaro (acho que as pessoas têm que começar a dar nome aos bois, viu? Chega de coiso e afins, tinha gente usando o #elenão como se fosse sobre o Lula, vamos falar o nome que deve ser falado!). O fato é que “nunca antes na história do Brasil” houve viradas no segundo turno, ainda mais com 14 pontos percentuais de diferença (estou somando os votos da “direita” e da “esquerda” no retrato de agora, enquanto escrevo este texto). Mas pra tudo existe uma primeira vez. E, quando se trata de uma disputa entre um governo fascista e um governo democrático, sempre pode haver lugar para um restinho de esperança. Para gente que votou no Amoedo não votar no Bolsonaro porque sabe o que está em risco. Para gente que se absteve ou votou nulo ir marcar presença e ajudar a fazer a diferença, porque sabe o que está em risco. Para o Bolsonaro criar coragem e ir participar dos debates, para expor seu programa de governo (vergonhoso, diga-se de passagem) para todo o Brasil e todo o mundo. Afinal, se ele pode ir até a Record dar uma entrevista (ilegal, diga-se de passagem), por que não teria saúde para ir a um debate?

Retomando o que eu disse no parágrafo sobre o texto do Antonio Prata, acho difícil que um cara que votou no Bolsonaro mude de repente para o Haddad, porque esse cara votou exatamente sabendo no tipo de projeto que estava votando. Mas ainda restam 52% de brasileiros para ajudarem a virar esse jogo. Vamos juntos? 🙂

 


P.S. Para os amigos que ainda caem na conversa de que o PT “vai transformar o Brasil numa Venezuela” (Cuba saiu de moda, né?), um lembrete e uma recomendação: 1) Lembrete: O PT ocupou o poder por 12 anos, com vários defeitos, mas o Brasil esteve longe de virar uma Venezuela. Aliás, os bancos nunca lucraram tanto quanto na Era Lula. 2) A recomendação: leia este texto AQUI e entenda por que o risco de termos uma ditadura com Bolsonaro no poder é muito maior do que com Haddad no poder. É bem didático 😉

Leia também:

  1. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  2. Brasil, o ex-país do Carnaval
  3. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  4. Mais posts sobre as eleições
  5. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas

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As capas dos jornais nos protestos do #EleNão

O jornalista José Roberto de Toledo escreveu na “piuaí“, no sábado, que os protestos daquele dia contra o candidato fascista do PSL foram históricos, “menos na tevê”.

Um trecho:

“A falta de cobertura ao vivo dos atos do #EleNão e, mais grave, a ausência de contextualização e ênfase nas raras reportagens sobre a mais importante manifestação de rua da campanha eleitoral de 2018 até agora não se deve ao departamento jurídico das emissoras. O movimento não é partidário nem promove nenhuma candidatura específica. É contra um candidato, sim, mas não prega que é melhor votar neste ou naquele outro.

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.”

Se ele destaca a cobertura da tevê, eu destaco, como sempre faço aqui no blog, as capas dos jornais.

Separei sete publicações de relevância: “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “O Tempo”, “O Estado de S. Paulo”, “Zero Hora”, “Correio Braziliense” e “Jornal do Commercio”.

Coloco abaixo um ao lado do outro, primeiro a edição de domingo, que poderia repercutir os protestos anti-Bolsonaro, e depois a edição de segunda-feira, que podeira trazer os protestos pró-Bolsonaro:

 

E aí, o que acharam da cobertura? Equilibrada? Proporcional aos tamanhos de cada manifestação? Qual jornal se saiu melhor e qual foi decididamente pior?


Ainda sobre o protesto suprapartidário do #EleNão, recomendo este texto da BBC e vídeo do UOL, com imagens no Brasil e no mundo:

Leia também:

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Um recado ao eleitor que vai votar nulo ou branco

Arte do Guto Respi: www.facebook.com/guto.respi

Oi! Tudo bem? É com você mesmo que eu quero falar. Com você, que diz para quem quiser ouvir que não vota, que nunca votou na vida. Que repete que “todos os políticos são iguais”. Que nem sabe onde está guardado o título de eleitor, porque nunca foi usado.

Também estou falando com você, que já votou em candidatos do PT, já votou em candidatos do PSDB, “se desiludiu com a política”, e hoje prefere ficar em cima do muro. Vai votar branco, só pra não ter que pagar multa no TRE.

E você aí! Que vai estar em trânsito, mas, em vez de dar um jeito de votar, vai preferir justificar, “para não ter que participar desse circo”. Afinal, “um voto não faz a menor diferença”, não é mesmo?

Isso para não falar de você, que acredita naquele boato, já desmentido zilhões de vezes, de que, se mais da metade dos eleitores anularem o voto, uma nova eleição é convocada. Isso é mentira. O que vai acontecer é que todos esses votos nulos serão considerados inválidos e será preciso bem menos pessoas para eleger um boçal.

Ôxe, eu até entendo a desilusão com a política, entendo que um voto parece não fazer a menor diferença, mas não entendo alguém abrir mão de um direito tão sagrado, conquistado a tão duras penas, que é o direito de exercer a cidadania e votar em um representante. Porque, obviamente, a maior falácia do universo é acreditar que “todos os políticos são iguais”. Isso é discurso populista de quem nunca acompanhou a política de perto, de pessoas completamente despolitizadas e desinformadas.

E, mais grave que abrir mão do direito de votar é fazer isso nestas eleições polarizadíssimas, em que temos o grande risco de um sujeito que defende a ditadura militar, que defende o assassinato de cidadãos, cujo livro de cabeceira é de um reconhecido torturador brasileiro, de um sujeito com este naipe ser eleito.

Quem cala consente.

Quem fica em cima do muro, também.

Estas não são eleições para dar de ombros e deixar o barco andar, não. São eleições para se posicionar.

O risco à democracia, com o fortalecimento desse Jair Bolsonaro, é tão grande, que eleitores de todos os matizes ideológicos, gente que vai votar em Boulos/Ciro/Haddad, em Marina/Alckmin, em João Amoedo/Meirelles, em tudo quanto há, estão se unindo por uma causa comum: #EleNão. Pessoas que em 2014 estavam se estapeando nas ruas hoje estão unidas para tentar evitar a tragédia que seria para nosso país se um sujeito como Bolsonaro fosse eleito, ou mesmo chegasse ao segundo turno.

Tragédia não só dos direitos humanos, que os eleitores do sujeito parecem desdenhar mesmo, mas de todas as outras áreas importantes para dar sustentação a este frágil país: economia, educação, saúde, trabalho. Porque o sujeito, além de tudo, é um boçal, que nada entende de nada.

Por isso, amigo que está em cima do muro, amiga que nunca votou na vida, talvez seja a hora de sentar no computador, passar os olhos nos programas de governo que esses 13 presidenciáveis têm a apresentar para o Brasil, tirar um tempo para racionalizar em torno da sua escolha, e dar valor ao incrível benefício que foi conquistado para você por seus pais ou avós, essa dádiva que é poder votar a cada dois anos. Aproveite enquanto esse direito ainda não tiver sido arrancado de você, porque existe sim o risco de, em breve, não termos nem os mais básicos pilares da democracia em nosso país, como bem escreveu Celso Rocha de Barros nesta semana, em sua coluna na “Folha de S.Paulo”:Segundo o Datafolha, 13% dos eleitores pretendem anular o voto, um percentual altíssimo. Esses 13% poderiam virar o jogo do tabuleiro das eleições deste ano, poderiam dar asas a pelo menos uns cinco candidatos que ainda estão no páreo, poderiam enfraquecer este senhor que levou uma facada mas foi fazer pose de arminha na cadeira do hospital. (Como se não estivesse cercado por seguranças armados quando levou a facada…)

Se você faz parte dessa turma, saiba que tem um grande poder em mãos. E, com ele, como bem sabem os super-heróis, vem uma grande responsabilidade.

Você sempre se perguntou como um Hitler conseguiu chegar ao poder e fazer tudo o que fez? Ou como o golpe militar pôde acontecer no Brasil e perdurar por 20 anos? Eu também, mas hoje isso é claro como água. Quem avisa amigo é…

Leia também:

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‘Com os políticos toleramos tudo o que não toleramos na nossa vida privada ou profissional’

Charge do ótimo Duke!

Texto escrito por Stefan Salej*

Para definir os candidatos que quero ou não, que vão me representar na liderança do meu Brasil, preciso definir que Brasil eu quero para mim, para meus cocidadãos e, como se diz no popular, para meus filhos e netos. Que sonho tenho ou temos para este país, gigante adormecido?

Um Brasil democrático e uma economia de mercado que oferece oportunidades para todos, com justiça social, é quase um consenso da sociedade. Desenvolvido para todos, com direitos para todos.

E como chegar lá, após um buraco profundo que temos na economia e na sociedade? Se não conseguir consertar essas mazelas centenárias, seja nas relações raciais, seja nas diferenças sociais e econômicas ou na absoluta quebra financeira do Estado e nas relações federativas e mais e mais, nunca se vai chegar ao progresso, ou crescimento do país como um todo e, com isso, de cada cidadão.

No seu íntimo, na sua família e seus amigos, você tem que definir o que quer para este Brasil. Informações e análises não faltam, falta discernimento individual para as definições. Parte dessa decisão é emocional, mas as consequências não são emocionais, são racionalmente boas ou más para cada cidadão.

Há algumas características de candidatos que são comuns para todos. Uma é a vida pregressa, seja pessoal seja pública. Não existe essa de “nada fez no passado, mas agora vai fazer”. Todos nós temos uma história, e quando votamos, temos que examinar bem os atos, opiniões e fatos dos candidatos. Provavelmente você já enfrentou situação simples de pequeno roubo no seu ambiente de negócios ou da família e pensou assim: “Se fez desta vez, vai fazer na próxima”. Ou “se não trabalha bem agora, não vai trabalhar no futuro”. E mais: como vou saber se trabalha bem? Tenho acesso a ele, há transparência?

Com os políticos toleramos tudo o que não toleramos na nossa vida privada ou profissional. Você contrataria alguém para o cargo de direção de sua empresa se ele tivesse um grave problema de caráter ou se tivesse feito coisas ilegais? Ou no emprego anterior, nada tivesse feito a não ser enrolar todo mundo? Jamais, porque você sabe que isso é um problema, com certeza.

Mas, nas suas escolhas políticas, você age de forma totalmente diferente. A onda de emoção leva-o a uma análise superficial, que lhe traz em seguida um resultado por alguns anos desastrado e acaba com tudo o que você fez a vida inteira.

Democracia é mais do que votar, é, principalmente, para quem teve o privilégio de poder estudar e ser empresário, a obrigação de votar de forma racional e de acompanhar os políticos e suas políticas durante o mandato. O voto é um ato instantâneo, mas suas consequências duram a vida inteira.

 

* Stefan Salej é ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), consultor internacional, empresário e cientista político. Saiba mais sobre ele AQUI.

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