Um poema para os que ainda acreditam num ‘coração do Brasil’

Arnaldo Antunes, um gênio. Um dos maiores poetas do Brasil. Um dos maiores conhecedores da nossa língua portuguesa (e olha que ouvi isso do Pasquale Cipro Neto). Um ser político, e não apolítico, como tantos por aí. Nos presenteia, aos que ainda acreditam num “coração do Brasil”, com este poema tão importante, tão eloquente, antes que seja tarde demais. Ouça/leia/compartilhe:

Ainda é tarde de menos. Podemos todos votar contra a institucionalização da barbárie de Bolsonaro, do capitão que até o Exército expulsou de seus quadros. Do sujeito que, pela primeira vez, corre risco de ser eleito sem participar de debates nem apresentar propostas, mas apenas inventando mentiras (“fake news”) para arregimentar um exército de fanáticos. Que, aliás, já promove a barbárie antes mesmo do segundo turno. Segundo a Agência Pública, já são pelo menos 50 ataques de bolsonaristas, principalmente contra mulheres e negras. E o “mito” covarde nem vem a público repudiar esses crimes cometidos em seu nome. Claro, porque compactua com eles. Imagina quando estiver no Palácio do Planalto… A porteira da bestialidade será aberta de vez.

#BolsonaroNão #DemocraciaSim #DireitosCivisSim #LiberdadeDeImprensaSim #LiberdadeDeExpressãoSim #DeixemOBrasilEmPaz #PeloFimDaBoataria #FakeNewsÉCrime #HaddadÉNossaMelhorEsperança

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Voto dos mineiros evita a morte do PT

Aécio Neves e Dilma Rousseff. Foto: Pedro França/ Agência Senado

Texto escrito por José de Souza Castro:

Uma coisa é certa: quaisquer que sejam os resultados das eleições no segundo turno, o Partido dos Trabalhadores continuará vivo. A maior frustração será dos que, no Executivo, Legislativo e Judiciário, queriam matar o PT ainda em 2018. Vou pegar aqui o caso de Minas, Estado que representa, segundo os entendidos, uma síntese do Brasil.

O PT elegeu em Minas oito deputados federais, num total de 992.392 votos. O PSDB, adversário histórico, apenas cinco, com 504.576 votos. Entre estes, Aécio Neves, com 106.702 votos. Número que lhe deu o 19º lugar na lista de 53 novos deputados federais mineiros.

Não é pouco, mas está bem distante do que se esperava de alguém que apostava se eleger presidente da República em 2014 e, não o conseguindo, deslanchou o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, do PT, aliado ao vice Michel Temer, do PMDB.

Não é pouco, pois esses votos são capazes de proteger Aécio contra qualquer juiz de primeiro grau que queira julgá-lo por causa das denúncias da Lava Jato. A preocupação do neto de Tancredo Neves, eu presumo, não é com o juiz Sérgio Moro, notório carrasco do líder maior do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que, encarcerado em Curitiba, não pôde ser candidato e nem votar em Fernando Haddad, como queria.

Moro, sabe-se, não tem sido tão implacável com tucanos denunciados na Lava Jato, a começar por Aécio Neves.

Apesar disso, como bom mineiro – que desconfia que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém –, Aécio preferiu, a tentar se reeleger para o Senado, concorrendo com Dilma Rousseff, eleger-se deputado federal. Esperto…

Apesar de derrotada por Rodrigo Pacheco (DEM) e Carlos Viana (PHS), ficando atrás até de Dinis Pinheiro, do Solidariedade, Dilma recebeu 2.709.223 votos, equivalentes a 15,3% do total. Ou 25 vezes a votação de Aécio. Sim, votações diferentes, mas a indicar que ele não teria cacife para vencer Pacheco e Viana. E provavelmente, nem a candidata petista.

Porque, como se disse, o PT não morreu em Minas, apesar da derrota do governador Fernando Pimentel para o estreante Romeu Zema (Novo) e Antonio Anastasia (PSDB). O primeiro teve 4,1 milhões de votos e, o segundo pouco mais de 2,8 milhões. A diferença de Anastasia para Pimentel foi de 574,7 mil votos. E dele para Zema, de 1 milhão 324 mil votos.

Uma situação proporcionalmente mais confortável de Anastasia, comparada com Haddad, no segundo turno. Ocorre, porém, que o PSDB mostrou fraqueza nas eleições em Minas. Já o Novo, de Zema, saiu fortalecido depois que este declarou, no final da campanha, apoio a Jair Bolsonaro, do PSL.

O PSL, por sinal, que não existia em 2014 na Assembleia Legislativa mineira, elegeu agora seis deputados estaduais. Um a menos que o PSDB, que terá sete cadeiras (em 2014, eram nove), empatando com o MDB, seu parceiro no impeachment de Dilma Rousseff. O PT terá a maior bancada, com 10 deputados. Em 2014, elegeu também 10, mesmo número do MDB. Um partido se segurou ali, o outro caiu.

Os oito deputados federais petistas eleitos em Minas somaram 992 mil votos. Seis deles mais bem votados que Aécio Neves. Os cinco tucanos totalizaram menos de 505 mil. Os nove deputados estaduais petistas somaram mais de 608 mil votos, enquanto os sete tucanos foram pouco além de 460 mil.

Diante desses números, concluo com uma pergunta: entre PT e PSDB, quem mais periga desaparecer em Minas?

Leia também:

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Eu acredito e confio nas urnas eletrônicas

Ao contrário da turma do Bolsonaro, que até orquestrou uma mentira hoje, e do Aécio Neves, que bateu nessa tecla de “fraude” ad nauseam em 2014, eu acredito e confio nas urnas eletrônicas.

Se quase metade dos brasileiros quer ter esse sujeito que tem tanto apreço pela ditadura militar no poder, eu entendo isso: quase metade dos brasileiros querem isso, no dia de hoje, 7 de outubro. Como bem escreveu o Antonio Prata em texto que compartilhei mais cedo, essas pessoas votam sabendo tudo o que Bolsonaro representa, não estão ingênuas e iludidas, não. Espero que um dia a consciência doa, mas hoje devem estar celebrando.

Se um sujeito como Flávio Bolsonaro é eleito, pelas urnas eletrônicas, para o Senado, é isso também: ele foi eleito legitimamente. Se Dilma é derrotada nas urnas para o Senado em Minas, vale o mesmo: foi derrotada legitimamente. Os brasileiros elegeram um dos legislativos mais reacionários da história. Elegeram. Via urnas eletrônicas, que já são usadas há 22 anos no país.

Agora haverá segundo turno presidencial e em vários Estados. Farei o que estiver ao meu alcance para tirar votos do Bolsonaro (acho que as pessoas têm que começar a dar nome aos bois, viu? Chega de coiso e afins, tinha gente usando o #elenão como se fosse sobre o Lula, vamos falar o nome que deve ser falado!). O fato é que “nunca antes na história do Brasil” houve viradas no segundo turno, ainda mais com 14 pontos percentuais de diferença (estou somando os votos da “direita” e da “esquerda” no retrato de agora, enquanto escrevo este texto). Mas pra tudo existe uma primeira vez. E, quando se trata de uma disputa entre um governo fascista e um governo democrático, sempre pode haver lugar para um restinho de esperança. Para gente que votou no Amoedo não votar no Bolsonaro porque sabe o que está em risco. Para gente que se absteve ou votou nulo ir marcar presença e ajudar a fazer a diferença, porque sabe o que está em risco. Para o Bolsonaro criar coragem e ir participar dos debates, para expor seu programa de governo (vergonhoso, diga-se de passagem) para todo o Brasil e todo o mundo. Afinal, se ele pode ir até a Record dar uma entrevista (ilegal, diga-se de passagem), por que não teria saúde para ir a um debate?

Retomando o que eu disse no parágrafo sobre o texto do Antonio Prata, acho difícil que um cara que votou no Bolsonaro mude de repente para o Haddad, porque esse cara votou exatamente sabendo no tipo de projeto que estava votando. Mas ainda restam 52% de brasileiros para ajudarem a virar esse jogo. Vamos juntos? 🙂

 


P.S. Para os amigos que ainda caem na conversa de que o PT “vai transformar o Brasil numa Venezuela” (Cuba saiu de moda, né?), um lembrete e uma recomendação: 1) Lembrete: O PT ocupou o poder por 12 anos, com vários defeitos, mas o Brasil esteve longe de virar uma Venezuela. Aliás, os bancos nunca lucraram tanto quanto na Era Lula. 2) A recomendação: leia este texto AQUI e entenda por que o risco de termos uma ditadura com Bolsonaro no poder é muito maior do que com Haddad no poder. É bem didático 😉

Leia também:

  1. O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança
  2. Brasil, o ex-país do Carnaval
  3. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  4. Mais posts sobre as eleições
  5. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas

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O fanatismo, o fascista corrupto, as fake news e minha desesperança

 

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Reproduzo aqui um texto que postei no meu Facebook pessoal no dia 27 de setembro. Meu desânimo daquele dia não arrefeceu nadica desde então, mesmo vendo as pessoas maravilhosas que participaram dos protestos no dia 29:

 

Tem tanto material bom sendo apurado, escrito e publicado nos veículos demonstrando os absurdos que essa turma do fascismo prega ou tenta resgatar que às vezes volto a ter otimismo e penso: “Poxa, alguém deve se dar ao trabalho de ler pelo menos um desses textos, não?” Ler, não só o título, até o fim, e interpretar direito e parar e pensar. E discernir um trem que teve apuração real, baseada em fatos, de um youtube fake, de um discurso gritado pra disfarçar o tanto que é vazio.

Será? O que mais me desanima nestas eleições não é nem um fascista ganhando as graças do povo, inclusive de gente que admiro, mas o tanto que ficou escancarado que parcela importante do brasileiro não se dá mais ao trabalho nem de fazer o mínimo antes de sair passando vergonha batendo boca sobre nazismo com a embaixada alemã etc. O estrago de décadas sem investir em educação tá feito. E ainda tem a pós-verdade blabla. E ainda tem estas redes sociais dos infernos, que ajudaram imensamente a radicalizar os discursos, a criar bolhas, a simplificar os debates.

Tou aqui escrevendo este textão-desabafo, num dia difícil, que deve ser lido por 5 pessoas que pensam exatamente como eu. Ou seja: e daí? Fico curtindo tudo o que vejo pela frente porque, volto a dizer, é muito material bom sendo produzido e com competência. The Intercept e DW, por exemplo, estão se fortalecendo no Brasil nestas eleições graças a materiais que vêm publicando. Mas é tudo gente que pensa como eu, na minha bolha, postando textos pra quem já está com a missa decorada. Não convertem ninguém da seita oposta.

Me dá uma desesperança, uma sensação de inutilidade… Acho que a única coisa que iluminaria meus dias nestas pré-eleições seria ver um eleitor convicto do fascista se tocando que autogolpe não é legal, ameaçar a mulher de morte é crime, mandar as minorias se curvarem às maiorias é coisa do Hitler, se tocando que, além do discurso hidrófobo que casou com o emputecimento geral da nação, sobra um sujeito patético, que nada entende de economia, de educação, de saúde – de nada, a bem da verdade. E que também é corrupto.

Meus amigos inteligentes eu já sei que sabem interpretação de texto, mas e os que estão na bolha ao lado? Cadê? Não resta mesmo nenhuma esperança? E não estou nem falando de vitória nas eleições, mas de falência da sociedade brasileira, independente do resultado final.

É isso. Bom dia de voto para vocês e boa sorte para todos nós nos próximos anos.

Leia também:

  1. Brasil, o ex-país do Carnaval
  2. O fanatismo e o ódio de um país que está doente
  3. Fanatismo é burro, mas perigoso
  4. Para uns, para outros e para mim
  5. Tem certeza absoluta? Que pena
  6. Post especial para quem se acha com o rei na barriga
  7. Reflexão para as pessoas cheias de si
  8. A saudável loucura de cada um de nós
  9. Qual é a sua opinião, cidadão?
  10. Azuis X Verdes: uma alegoria do fanatismo no Brasil contemporâneo
  11. Mais posts sobre fanatismo
  12. Mais posts sobre as eleições
  13. Fanatismo é burro, mas perigoso
  14. O que acontece quando os fanáticos saem da internet para as ruas
  15. Há um Jair Bolsonaro entre meus vizinhos?

As capas dos jornais nos protestos do #EleNão

O jornalista José Roberto de Toledo escreveu na “piuaí“, no sábado, que os protestos daquele dia contra o candidato fascista do PSL foram históricos, “menos na tevê”.

Um trecho:

“A falta de cobertura ao vivo dos atos do #EleNão e, mais grave, a ausência de contextualização e ênfase nas raras reportagens sobre a mais importante manifestação de rua da campanha eleitoral de 2018 até agora não se deve ao departamento jurídico das emissoras. O movimento não é partidário nem promove nenhuma candidatura específica. É contra um candidato, sim, mas não prega que é melhor votar neste ou naquele outro.

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.”

Se ele destaca a cobertura da tevê, eu destaco, como sempre faço aqui no blog, as capas dos jornais.

Separei sete publicações de relevância: “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “O Tempo”, “O Estado de S. Paulo”, “Zero Hora”, “Correio Braziliense” e “Jornal do Commercio”.

Coloco abaixo um ao lado do outro, primeiro a edição de domingo, que poderia repercutir os protestos anti-Bolsonaro, e depois a edição de segunda-feira, que podeira trazer os protestos pró-Bolsonaro:

 

E aí, o que acharam da cobertura? Equilibrada? Proporcional aos tamanhos de cada manifestação? Qual jornal se saiu melhor e qual foi decididamente pior?


Ainda sobre o protesto suprapartidário do #EleNão, recomendo este texto da BBC e vídeo do UOL, com imagens no Brasil e no mundo:

Leia também:

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