‘Animais Fantásticos’: eu não teria cérebro para imaginar tanta coisa incrível!

Para ver no cinema: ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (Fantastic Beasts and Where to Find Them)
Nota 8

animais

Começo avisando: li todos os livros da saga de “Harry Potter” e adorei cada um deles. Mas não li “Animais Fantásticos e Onde Habitam“. Então, sou a pessoa que assistiu a este filme, baseado na obra de J. K. Rowling, sem ter lido o livro, mas sem ser totalmente alheia ao universo dos bruxos e trouxas criado pela escritora britânica.

Só pra avisar.

Continuando: o filme é muito divertido! Foi gostoso voltar a habitar aquele universo de mágica que conhecemos tão bem em Hogwarts, mas agora com um olhar mais adulto. Os efeitos especiais são ótimos, os animais fantásticos são intrigantes.

Em dado momento, o melhor personagem do filme, “Kowalski” (Dan Fogler), diz, embasbacado pelo cenário de fantasia que estava ao seu redor: Continuar lendo

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‘Florence’: a história da dama supérflua que vive numa bolha

Para ver se tiver tempo: FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER? (Florence Foster Jenkins)
Nota 6

florence

Perto dos outros filmes do Oscar deste ano (especialmente aqueles baseados em fatos reais), que retratam conflitos muito mais profundos, este “Florence” é rasinho como um pires. Talvez porque tenha sido pensado como uma comédia, mas, como tampouco guarda muito humor, eu penso mais que é um drama supérfluo, como era supérflua a protagonista retratada.

Estrelas Além do Tempo” nos faz pensar sobre o absurdo do racismo e do machismo, sobre a grandeza daquelas mulheres da Nasa, que ajudaram a mudar o curso da história. “Lion” nos faz pensar sobre o sentido de família, de pertencimento, sobre a vulnerabilidade das crianças de rua, sobre choques culturais. “Até o Último Homem” nos faz pensar sobre a importância (ou não) de nos fiarmos em nossas convicções pessoais, sobre dignidade e lealdade. “Sully” nos faz pensar sobre injustiças, sobre como os heróis são construídos na mídia. Isso só para citar os filmes baseados em fatos reais, porque “Moonlight”, “La La Land“, “A Chegada” e “Manchester à Beira-Mar” também trazem reflexões importantes.

Sobre o que “Florence” nos faz pensar? No máximo, sobre como deve ser péssimo viver dentro de uma bolha de ilusão.

O filme retrata a história real de Florence Foster Jenkins, que tinha o sonho de cantar em uma ópera no Carnegie Hall, mas era dona de uma voz agudíssima, desafinadíssima, talvez uma das piores vozes do mundo (que aos seus ouvidos parecia maravilhosa, porque era o que escutava de todos, o tempo todo). Só que ela era ricaça e influente. E vivia protegida, numa bolha de afeto, mais ou menos forçado. Digna de pena.

O que torna este filme mais interessante é Continuar lendo

‘Moonlight’: a autodescoberta do garoto que cresceu sem amor

Para ver no cinema: MOONLIGHT
Nota 9

moonlight

O que é um apelido? É uma definição de quem você é, concebida por uma terceira pessoa, muitas vezes a partir de uma caricatura que ela faz de você.

O “moonlight” que dá nome ao filme só é citado uma vez, quando o personagem Juan, maravilhosamente interpretado por Mahershala Ali (que foi até indicado ao Oscar pelo papel), fala sobre o apelido que ganhou na infância, quando uma velha disse que, no luar, garotos negros parecem azuis.

“É disso que vou te chamar. Azul”, disse a velha a ele.

Nosso protagonista pergunta a Juan: “Mas seu nome é azul?”

Ao que ele responde: “Não. Um dia, você terá que decidir quem você quer ser. Não deixe ninguém tomar esta decisão por você.”

 

Esse diálogo acontece na primeira parte do filme, que é dividido em três partes, não por acaso batizadas com os vários nomes/apelidos que são atribuídos ao nosso protagonista. Na primeira parte, ele é uma criança, chamado de “little”. Na segunda parte, já adolescente, é “Chiron”, seu nome de batismo. E, na última, adulto, é “Black”, outro apelido que ele recebe no filme.

Porque este é um filme, em essência, que fala sobre um garoto tentando decidir/descobrir quem ele é de verdade. Continuar lendo