Bobagem, essa reforma da Previdência. Quem sabe, baixar os juros para a economia crescer

Paulo Skaf e o pato da Fiesp

Texto escrito por José de Souza Castro:

Paulo Skaf foi derrotado já no primeiro turno das eleições a governador de São Paulo em 2018, apesar de ter sido o candidato que mais gastou na campanha paulista. Presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) desde 2004, licenciando-se somente para concorrer a cargos políticos pelo PMDB, ele nunca teria o meu voto, mas sou obrigado a concordar, em parte, com o que ele escreveu nesta segunda-feira na “Folha de S.Paulo”, sob um título pretensioso: “Bancos, baixem os juros!”.

Não é novidade líder de entidades industriais pedirem a redução de juros. Alguns ainda se lembram da luta quixotesca de José Alencar, quando vice-presidente da República no governo Lula, contra os juros extorsivos cobrados pelos bancos. Já em janeiro de 1995, quando Stefan Salej assumiu a presidência da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg), substituindo José Alencar, ele prometeu no discurso de posse dar atenção especial “às altas taxas de juros praticadas, que inibem o mecanismo de direcionamento dos recursos financeiros para os setores produtivos da economia”.

Salej pregava no deserto. Esse tipo de discurso só foi ouvido quase 20 anos depois, pela pobre presidente Dilma Rousseff, que mandou que os bancos oficiais baixassem os juros para concorrer com os bancos privados – e deu no que deu, com os patos amarelos da Fiesp de Paulo Skaf decorando a paisagem aos que saíam às ruas para exigir o seu impeachment.

Agora os argumentos de Paulo Skaf, que serão ignorados pelos bancos e pelo presidente de plantão Jair Bolsonaro – a menos que este tenha endoidado de vez –, são inesperadamente bem fundamentados. Vejamos:

#1 Faz mais de um ano que a taxa Selic está em 6,5% ao ano, o nível mais baixo desde a sua criação, em 1979. Os juros que os brasileiros pagam, porém, seguem altíssimos e, em algumas modalidades, estão subindo. Recentemente, o Banco Central informou que as taxas do cheque especial atingiram 322,7% em março. As do cartão de crédito alcançaram 299,5%. Foi a quinta alta seguida.

#2 Um custo de crédito tão elevado asfixia tanto pessoas quanto empresas, gera inadimplência e impede o crescimento sustentado da economia a longo prazo.

#3 A situação no Brasil é tão absurda que, se alguém tivesse ido a um banco para depositar R$ 100 na caderneta de poupança no dia 1º de janeiro de 2009, em janeiro de 2019 teria na conta R$ 192,12. Mas se essa mesma pessoa tivesse usado os R$ 100 no cheque especial, na mesma data, no mesmo banco, teria uma dívida de R$ 6.951.065,28. São números que beiram o surrealismo.

#4 Países com nível de renda semelhante à brasileira, como Colômbia e Uruguai, têm juros, em média, três vezes menores do que aqui. Em outros países em desenvolvimento, como Rússia, Índia e África do Sul, as taxas de empréstimo são ainda mais baixas, evidenciando a anormalidade do Brasil.

#5 Cada ponto percentual a menos nos juros concedidos ao tomador final joga R$ 32 bilhões na economia – R$ 18 bilhões no bolso das famílias e outros R$ 14 bilhões no caixa das empresas. Com esses recursos, as companhias poderiam ampliar o investimento, a produção e os postos de trabalho – e as famílias, o seu consumo, em um círculo virtuoso de crescimento econômico e geração de emprego.

#6 Temos mais de 13 milhões de desempregados no país. O setor produtivo tem sobrevivido heroicamente. Mas nada afetou o rendimento do setor bancário; em 2016, no auge da crise, os cinco maiores bancos do país tiveram lucros de R$ 69,1 bilhões, valor muito superior ao obtido pelo conjunto das dez maiores empresas não estatais da indústria de transformação.

#7 O mercado bancário brasileiro é altamente concentrado. Os quatro maiores bancos respondem por 80% dos ativos e operações de todo o setor, algo sem paralelo no mundo em um país do porte do Brasil. Nenhum mercado funciona bem sem concorrência. É necessário aprimorar a regulamentação e estimular a competição entre os bancos, com medidas como a implementação do cadastro positivo, recém aprovado pelo Congresso Nacional, a portabilidade de operações, estímulo aos novos entrantes e às fintechs (empresas de tecnologia do setor financeiro).

#8 Os bancos atribuem os juros altos à inadimplência, aos gastos administrativos, às despesas tributárias, às regulatórias e ao fundo garantidor de crédito. Ora, é claro que o “spread” absurdo cobrado no Brasil terá impacto na inadimplência. As pessoas querem pagar suas dívidas, mas não conseguem exatamente porque os juros são altos demais.

#9 Isso é um entrave à recuperação vigorosa da economia. O país precisa urgentemente ter um custo de crédito em padrões competitivos para alcançar o crescimento econômico e a geração de empregos de que tanto precisamos.

Conclui o chefão dos patos amarelos da FIESP:

“Por isso, se os bancos querem realmente a redução dos juros precisam parar com a história de que os outros são os culpados pelas taxas cobradas por eles mesmos. Bancos, baixem os juros! Simples assim.”

Gostei do “Simples assim”. Simplório, esse Skaf…

Seria querer demais que ele escrevesse que a economia não vai crescer com a reforma da Previdência, como não cresceu com a reforma trabalhista. Talvez, baixando os juros…

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Atenção, estudantes de jornalismo: cursos imperdíveis, aos sábados, em BH!

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais vai promover um curso sensacional, voltado principalmente para estudantes de jornalismo (mas aberto a qualquer um que se interesse pelos assuntos), entre os dias 14 de junho e 28 de setembro. Será sempre aos sábados, com aulas de assuntos diversos, ao custo de R$ 80 para o público geral e R$ 50 para estudantes e jornalistas sindicalizados em dia – exceto pela aula inaugural, gratuita, numa sexta-feira, com o excelente Leonardo Sakamoto.

Vai ter curso de jornalismo investigativo, radiojornalismo, cobertura política, econômica, esportiva, cultural, webjornalismo, fotojornalismo, telejornalismo, assessoria de imprensa, e muito mais. Inclusive curso para quem já trabalhou muitos anos em Redação e se cansou: “Como deixar a redação e empreender”. Quem conhece o mercado, saberá, ao ver as fotos dos professores aí em cima, que eles são profissionais da melhor qualidade.

Uma coisa muito legal: depois que a reforma trabalhista praticamente destruiu os sindicatos no Brasil, é sabido que eles sobrevivem a duras penas. E esta iniciativa do Sindicato dos Jornalistas também foi uma saída encontrada para encher o caixa, já que todos os professores vão dar as aulas de forma voluntária e todo o valor das inscrições ficará com a entidade que representa os jornalistas em Minas. Lindo, não?

CLIQUE AQUI para ver todos os cursos e professores e se inscrever nos seus favoritos 😉 Ah, também é possível comprar um pacotão completo, com desconto, para assistir às aulas de todos os 32 jornalistas! Nesse caso, o sindicato emite um certificado.

Ajude a divulgar entre seus conhecidos que possam se interessar 😉

 

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#PérolasDoLuiz – Conto de fadas

Na manhã de domingo, Luiz estava morrendo de saudades porque eu tinha saído na véspera para trabalhar no plantão e, quando voltei, ele já estava dormindo. Comentei:

– É, filho, desta vez não deu para você me esperar acordado. Mamãe trabalhou até a meia-noite.

– Igual a Cinderela?!

 

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10 pontos positivos das universidades públicas brasileiras

Reitoria da UFMG. Fotos: Wikimedia

O texto abaixo foi escrito por Douglas Garcia, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e colaborador frequente deste blog. Ele tem graduação na USP, mestrado e doutorado na UFMG e pós-doutorado na UERJ.

“Em três Estados diferentes, sou testemunha da seriedade e do tamanho do trabalho das universidades públicas neste país”, afirma o professor. Confira seu texto sobre o assunto do dia – quiçá do ano, ou da década, dependendo do estrago irreversível que este governo Bolsonaro causar sobre a educação no Brasil:

 

Se você tem um filho ou uma filha, provavelmente deseja que, quando crescer, ele ou ela estude em uma universidade pública. Se você mora em Minas Gerais, desejará que faça UFMG, UFOP, ou alguma das outras universidades públicas do Estado. Se mora em São Paulo, vai querer que faça USP, UNICAMP, ou outra das universidades públicas do Estado. O mesmo em todos os outros Estados brasileiros. Está na hora de chamar a atenção para as (muitas) coisas que fazem da universidade pública brasileira um bem público, um patrimônio de todos os brasileiros – e das gerações futuras, também. Aqui vão 10 pontos para a gente se lembrar disso:

#1. Melhor ensino

As universidades públicas brasileiras são, de fato, as melhores no ensino, segundo todos os rankings, como o da Folha de S.Paulo, do Guia do Estudante Editora Abril e do MEC.

#2. Pesquisa científica

As universidades públicas, de fato, fazem a grande maioria da pesquisa científica do país, segundo todos os rankings oficiais.

Biblioteca central da UFMG.

#3. Apoio na produção agropecuária

As universidades públicas, através de suas pós-graduações, vêm há décadas fornecendo apoio decisivo ao aumento de produtividade agrícola brasileira, por meio do excelente trabalho feito pela Universidade Federal de Lavras, pela ESALQ /USP, entre muitas outras.

#4. Pesquisa na saúde

As universidades públicas fazem pesquisa de ponta em áreas decisivas para a saúde da população brasileira, como medicina, farmácia e biotecnologia, com resultados em produtos, e custos muito mais baixos do que os envolvidos em importação de produtos finais similares.

#5. Preservação ambiental do país

As universidades públicas fazem pesquisas que ampliam o conhecimento da fauna e da flora brasileiras, contribuindo decisivamente para a sua preservação, não só através dessas pesquisas, mas também de ações diretas de preservação ambiental.

Portaria da Estação Ecológica da UFMG.

#6. História e cultura brasileiras

As universidades públicas fazem pesquisas que ampliam o conhecimento do passado do Brasil, permitindo entender melhor a forma atual da cultura brasileira, e, assim, uma valorização maior desse legado.

#7. Políticas públicas e desenvolvimento econômico

As universidades públicas fazem pesquisas que mapeiam as carências e as potencialidades das diversas regiões do país, permitindo formular políticas públicas que estimulem o desenvolvimento econômico de cada região.

#8. Hospitais públicos e formação médica

As universidades públicas mantêm grande número de hospitais universitários, os HCs, que realizam milhões de atendimentos por ano, inclusive tratamentos de alta complexidade. Nesses hospitais é feita a formação prática de boa parte dos médicos formados no Brasil.

Hospital das Clínicas da UFMG. Foto: Eber Faioli/UFMG

#9. Parcerias com outros países

As universidades públicas brasileiras realizam grande parte do intercâmbio com pesquisadores das principais universidades do mundo, através de congressos, missões de pesquisa e parcerias com grupos de pesquisa estrangeiros, o que permite que a atualização científica nas diversas áreas seja constantemente mantida.

#10. Ajuda para as comunidades mais carentes

As universidades públicas atendem, de fato, as diversas camadas de renda da população, tornando possível a ampliação de horizontes educacionais, econômicos e sociais tanto para o seu público estudantil, quanto para as comunidades das cidades onde estão instaladas.

 

Em resumo, cidades com universidades públicas têm maiores recursos e oportunidades em saúde, comércio, turismo, educação e desenvolvimento humano.

Se você tem filhos, apoie a universidade pública brasileira. Se não tem, apoie também. As gerações futuras agradecem.

 

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LEMBRETE: Amanhã é dia de manifestações e greve geral contra as sandices do MEC do governo Bolsonaro!

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Pra quem não sabe do que se trata, vale ler AQUI o texto do grande Ricardo Kotscho a respeito.

Trechinho:

“Jair Bolsonaro, presidente da República, em discurso na sexta-feira, em Brasília, ao anunciar o apocalipse:

“Talvez tenhamos um tsunami na semana que vem, mas a gente vence o obstáculo com toda a certeza”.

Nunca vi presidente anunciar desgraças em lugar de projetos, mas o capitão olavista chegou atrasado, mais uma vez.

O tsunami que está destruindo o país, na verdade, já chegou, tem mais de quatro meses, e o nome dele é Bolsonaro.

Começou no dia da posse e foi destruindo, uma a uma, as instituições nacionais, o Estado de Direito, as conquistas sociais e os direitos dos trabalhadores.

A que obstáculo se refere o presidente? O olho do furacão está no Palácio do Planalto.

O obstáculo só pode ser o povo brasileiro, que acordou e começa a se mobilizar para deter este tsunami.

Já tem até dia marcado: 15 de maio, quarta-feira próxima.

Os sindicatos nacionais de professores e funcionários das universidades federais e a União Nacional dos Estudantes se mobilizaram para promover o Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação, com protestos em todo o país.”

Bora lá todo mundo? Ou você é a favor do corte absurdo, que coloca em risco até o funcionamento das universidades mais importantes do país?

A Folha de S.Paulo divulgou locais e horários das manifestações em várias cidades do país, anote aí:

AMAPÁ

Macapá: Praça das Bandeiras, às 15h

AMAZONAS

Manaus: Entrada da Ufam, a partir das 7h, e às 15h no centro da cidade

CEARÁ

Fortaleza: Praça da Bandeira, às 8h

DISTRITO FEDERAL

Brasília: Museu da República, às 10h

GOIÁS

Goiânia: Praça Universitária, às 14h

MARANHÃO

São Luís: Espaço de Vivência da UFMA, às 10h30

MATO GROSSO

Praça Alencastro, às 14h

MINAS GERAIS

Belo Horizonte: Praça da Estação, 9h30

Diamantina: Largo Dom João, 15h

PARANÁ

Curitiba: Praça Santos Andrade, 9h

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro: Candelária, 15h

RIO GRANDE DO SUL

Caxias do Sul: Praça Dante Alighieri, às 16h30

Porto Alegre: Faculdade de Educação da UFRGS, às 18h

Viamão: centro da cidade, às 16h

SANTA CATARINA

Chapecó: Praça Coronel Bertaso, às 9h30

Florianópolis: Largo da Alfândega, 15h

SÃO PAULO

Campinas: Largo do Rosário, às 10h30

São Carlos: Praça Coronel Salles, às 9h

São Paulo: vão do Masp, na avenida Paulista, às 14h

Sorocaba: Praça Coronel Fernando Prestes, às 9h


Se fizer fotos das manifestações, não deixe de me enviar 😉

Leia amanhã: 10 pontos positivos das universidades públicas brasileiras


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