Agosto, uma história que se repete como farsa

Getúlio Vargas em foto de 1930 na revista "O Cruzeiro"

Getúlio Vargas em foto de novembro de 1930 na revista “O Cruzeiro”

Texto escrito por José de Souza Castro:

O professor Nilson Lage conta, neste artigo, como ficou sabendo da morte de Getúlio Vargas. No dia 24 de agosto de 1954, acordou às 7 horas da manhã e ligou a Rádio Globo, onde horas antes ouvira Carlos Lacerda dizer em entrevista como era importante expulsar do Palácio do Catete o “ditador que navegava em mar de lama”. A rádio estava fora do ar. Ligou na Rádio Nacional, que tocava uma música de Debussy. Só alguns minutos mais tarde entrou o prefixo do Repórter Esso e o locutor anunciou o suicídio do presidente da República.

Eu tinha 10 anos de idade e hoje, ao ler este artigo, me lembrei mais uma vez daquele dia, do qual nunca me esqueci. Havia sido acordado às 5h30, como de hábito no rígido colégio interno dirigido por um padre alemão que vinha insistindo, com grande relutância nossa, para seguir-lhe os passos rumo ao sacerdócio.

Às 7 horas, já estávamos na sala de aula, a do segundo ano primário. Pouco depois, a porta foi aberta de supetão por frei Elias – um cearense que não era maior do que eu naquela época – que anunciou, às gargalhadas: “Getúlio Vargas morreu”. Rapidamente, por insistência da professora, contou como foi. Ele tinha pressa para transmitir a grande notícia às outras três salas.

Acho que todos nós sabíamos quem era Getúlio. Um homem malvado que havia ajudado os americanos a derrotarem Hitler, impedindo assim que o líder alemão acabasse com o comunismo no mundo. Nosso diretor, grande admirador do Füher, só apareceu naquele dia às 11h – o horário normal das pregações dele a todos os alunos.

O padre não gargalhava, como frei Elias. Nem ao menos sorria. Começou dando uma esculhambação no subordinado de batina, que estava de pé ao seu lado, cabisbaixo. A morte de alguém, ainda mais por suicídio, não era motivo de regozijo, pregou o padre. Continuar lendo

Dez anos de jornalismo (com nova mudança de emprego)

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São mais de 13 anos como blogueira, mas 10 como jornalista mesmo. Um mochilão que só cresce!

Foi em agosto de 2006, há exatamente dez anos portanto, que comecei meu estágio da rádio UFMG Educativa, dando a largada para minha carreira como jornalista. Lá aprendi um monte de coisas com a Tacy Arce e a Grazi Mendes, amigas até hoje.

Desde então, completei a graduação, tirei o diploma de Comunicação Social pela UFMG em julho de 2007, entrei no programa de trainees da “Folha de S.Paulo” em março de 2008, fiz um monte de coisas naquele jornal — até um livro! — até setembro de 2012, voltei a Beagá, passei rapidamente pelo G1, e, nos últimos três anos e meio, estive no jornal “O Tempo”.

Nessa caminhada, continuei aprendendo mais um bocado — assim como há dez anos — e fiz uma das coisas que mais gosto no universo: repassei adiante o que eu tinha aprendido (já falei que um dia quero ser professora, né?).

Agora, com 10 anos de profissão nas costas (um verdadeiro mochilão, que encheu rápido demais!), comecei um novo desafio: virei editora da revista “Canguru“, cujo projeto me encantou desde o primeiro momento em que vi. Além de assumir uma função diferente das que já experimentei, vou tratar de temas nos quais estou mergulhada até o talo: a maternidade e a criação de filhos.

Eu não podia deixar de dividir isso aqui no blog, como fiz quando tomei a decisão de pedir demissão da “Folha” e sair de São Paulo. Já até atualizei a seção “Quem somos nós?“.

Que venham mais dez anos de jornalismo — e mais dez, e mais dez, e mais dez…!😀

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Taxa de desemprego no Brasil vai passar de 13% até 2017

O que o desemprego tem a ver com o pré-sal da Petrobras? Veja no post! Foto: Petrobras/ABr

O que o desemprego no Brasil tem a ver com o pré-sal da Petrobras? Veja no post! Foto: Petrobras/ABr

Texto escrito por José de Souza Castro:

A taxa de desemprego (que o governo prefere chamar de “taxa de desocupação”) subiu neste ano e chegou ao fim de junho em 11,3%. É a maior desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua começou a ser feita em janeiro de 2012. E deve ultrapassar os 13% até o começo do ano que vem, conforme explica neste vídeo, no final da reportagem, a repórter especial e ex-editora de Mercado da “Folha de S.Paulo”, Ana Estela de Sousa Pinto.

avagaehsuapeqUma curiosidade: Ana Estela escreveu, juntamente com a editora deste blog, o livro “A Vaga é Sua”, que ensina aos recém-formados em jornalismo como entrar no mercado de trabalho. O livro foi publicado pela Publifolha em 2010. Desde então, os jornalistas terão que se esforçar muito mais para não fazerem parte dessa estatística de 11,3% de brasileiros desempregados.

Jornalismo é um dos setores mais atingidos pela recessão. Mas ela faz vítimas em todos os setores, em todos os Estados. Piorando, desde o início do processo presidido pelo juiz Sérgio Moro com o objetivo declarado – mas não só ele, sabe-se hoje – de punir os que praticaram corrupção na Petrobras. A empresa que, desde o início do governo petista, foi escolhida para impulsionar a economia brasileira e gerar milhões de empregos no Brasil.

O que aconteceu com a maior estatal brasileira foi um ataque sistemático para enfraquecer, tanto ela, como os presidentes Lula e Dilma, para que o PT fosse excluído do poder e o petróleo do pré-sal incluído no portfólio das grandes petroleiras internacionais.

Hoje isso já ficou bem claro, com o início da venda de partes do pré-sal pelo governo Michel Temer. E com 1,4 milhão de pessoas cortadas na folha de pagamento das indústrias só no segundo trimestre deste ano.

E a Petrobras, ela não estava falida por causa da corrupção? Por causa, ainda, do grande endividamento e do baixo preço do petróleo? Agora que já se apossou da empresa, o governo interino trata de desmentir. No dia 13 de julho, a Agência Petrobras publicou o seguinte: Continuar lendo