José Olímpio e Mercedes, um breve conto de amor e amargura

Pequenos cuidados. Autor: Puuung

Autor: Puuung

Recebi o conto abaixo da leitora Rita Prudêncio, que completa 33 anos de idade hoje (feliz aniversário!! 😀). Ela é professora e pesquisadora universitária em Rio Branco, no Acre. Seus textos podem ser lido no blog Água Batendo no Nariz. Para entrar em contato com ela, basta enviar um email.

Quando terminei de ler o conto de Rita, pensei na hora em como o amor pode estar nas coisas mais prosaicas. Mesmo que mesclado à decepção, desilusão, amargura e outros sentimentos nem tão bonitos. O texto aborda a rotina de um casamento, do ponto de vista do cuidadoso marido. E é muito apropriado para este Dia dos Namorados. Por isso, recomendo a leitura pelos apaixonados e desapaixonados que passarem por aqui neste domingão.

Bom proveito:

 

“José Olímpio acordou assustado. O quarto estava escuro e mais quente que o habitual. Ele tateou o móvel perto da cama, em silêncio, para não despertar Mercedes, que ressonava a seu lado, e encontrou o telefone celular. Cobriu a cabeça com as cobertas, para evitar que a luz azul da tela acordasse a esposa, e olhou as horas. Passava das seis da manhã, estava atrasado. Continuar lendo

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O lar é onde a gente quer que seja

Não deixe de assistir: BROOKLYN
Nota 7

brooklyn

É possível mudar de país completamente, começando do zero, onde ninguém te conhece, e conseguir se sentir ainda mais em casa do que na terra natal?

“Brooklyn” fala da imigração irlandesa para Nova York, na década de 50, e é muito bonito ao costurar uma história de amor em meio ao drama da saudade. “Homesick”, a palavra inglesa muito usada no filme, passa a fazer mais sentido do que nossa palavra brasileiríssima, a “saudade”. Porque o que a personagem principal, Eilis (interpretada pela jovem Saoirse Ronan), sente é como uma dor — ou uma doença — pela falta de seu lar. A sensação de deslocamento que só quem já morou em outro país sabe como é.

Se o filme fosse só sobre a história de amor que acaba surgindo entre Eilis e o também imigrante Tony seria muito superficial. Também cheio de momentos clichês, como critiquei no filme “Carol“, “Brooklyn” é assumidamente água-com-açúcar. Mas o conflito interno de Eilis, que surge na terceira parte da história, agrega muito ao roteiro. Passa a ser um filme sobre pertencimento. Sobre a definição de lar. E de felicidade.

Mais do que isso, acho que não posso falar, ou eu estragaria bastante o final. Final, aliás, que foi alterado pelo escritor Nick Hornby, que escreveu o roteiro adaptado de uma novela de Colm Tóibín. O roteiro — bem costurado — concorre ao Oscar na categoria. O filme também concorre na categoria de melhor atriz, pela atuação convincente da descendente de irlandeses Saoirse Ronan, e concorre a melhor filme do ano.

Acho que também merecia concorrer a melhor fotografia, que é um dos pontos fortes do longa, além de design de produção e figurino. Somos transportados aos anos 50, e muito pelo tom envelhecido das imagens, que vai se tornando mais vibrante à medida que Eilis vai adquirindo maior confiança sobre sua nova vida. É como se a fotografia conversasse diretamente com os sentimentos da personagem retratada. E nos transportasse também para seu próprio estado de pertencimento.

Assista ao trailer:

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Já vi esse filme antes

Veja se tiver tempo: CAROL
Nota 5

carol

A texana Patricia Highsmith escreveu três novelas que foram levadas ao cinema: “Pacto Sinistro“, que virou um clássico de Alfred Hitchcock, “O Talentoso Ripley“, que é um thriller dramático muito bem feito, dirigido por Anthony Minghella (de “O Paciente Inglês” e “Cold Mountain”) e este “Carol” — o pior dos três filmes.

São gêneros diferentes, tudo bem. “Carol” não é um suspense, não tem nenhum crime. É apenas o romance entre duas mulheres, na Nova York dos anos 50. O que torna o filme dramático é o relacionamento homossexual numa época em que isso ainda era um tabu (repito o que eu disse na crítica de “A Garota Dinamarquesa“: pode não parecer, mas o mundo evoluiu um bocado desde então). O amor lésbico chegava a colocar em risco a guarda da filha de Carol, que estava em processo de divórcio.

Tirando esse conflito, que não ocupa a maior parte do roteiro, sobra apenas a história de amor entre Carol e Therese. Que é construída de forma lenta, quase tediosa. E são duas personagens sem grande personalidade — ou melhor, Carol tem uma personalidade muito forte e autêntica, mas pouco mostrada pela opção do diretor Todd Haynes (de “I’m Not There”, outro filme que me decepcionou). Se fosse apenas um romance entre um homem e uma mulher, provavelmente não teria sido aclamado da mesma forma — ia entrar na lista dos água-com-açúcar exibidos na “Sessão da Tarde”. É claro, o ingrediente principal é justamente o relacionamento gay na época conservadora em que se passa o filme. Mas o que quero dizer é que o filme não tem uma grande história — como tem “O Talentoso Ripley” e tantos outros com a mesma temática.

Chega a ser até meio piegas e previsível no final. E no começo, e no meio. Sabe aquela cena da carta? E o flashback mostrando quando duas pessoas se conheceram? E a road trip? E a cena do restaurante? Bom, quando virem o filme vocês vão perceber a persistente sensação de déjà vu.

O que segura o filme são as duas excelentes atrizes que interpretam as protagonistas. Cate Blanchett, que levou sua segunda estatueta do Oscar em 2014 pelo insosso “Blue Jasmine“, dá vida a Carol. E Rooney Mara, que já tinha sido indicada por sua participação em “Millenium — os homens que não amavam as mulheres“, interpreta Therese. Curiosamente, apesar de Mara aparecer na tela por mais tempo que Blanchett, ela concorre ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, enquanto Cate ficou com a categoria das melhores atrizes principais.

O filme também concorre ao Oscar deste ano pelo roteiro adaptado, fotografia (muito boa, que nos transporta mesmo ao passado), figurino e música original.

Assista ao trailer do filme:

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