A Forma da Água: uma fábula sobre o amor proibido

Para ver no cinema: A FORMA DA ÁGUA (The Shape of Water)
Nota 9

Um dos temas mais recorrentes no cinema e na literatura mundiais é o amor proibido. De “Romeu e Julieta” a “A Bela e a Fera”, passando por tantos outros que abordam o amor interracial, intergalático, interétnico, e assim por diante. Então não chega a ser tão original assim o amor entre a faxineira muda e o homem anfíbio, meio monstro-meio deus, preso no laboratório ultrassecreto onde ela trabalha.

É apenas por conta de alguns poucos clichês na narrativa em forma de conto de fadas sobre o amor proibido que resolvi tirar um pontinho desse filme tão belo. Porque, na hora mesmo em que eu estava assistindo, só consegui mergulhar a fundo na história, torcer, me extasiar com a beleza daquele amor, envolto em fotografia poética (que explorou tão bem a luz filtrada pela água) e em trilha sonora perfeita. No fim, sala de cinema abarrotada de gente, quase fui eu a puxar os aplausos, como só acontece ao final dos bons filmes.

A história é de um capricho tão bom de se ver, tão delicado, que fica óbvio perceber a importância desse projeto na vida do diretor mexicano Guilhermo del Toro. Continuar lendo

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Blues ficamos nós

Não vá ao cinema para ver: BLUE JASMINE

Nota 5

bluejasmineOs filmes de Woody Allen costumam ter ao menos duas coisas muito boas: diálogos inteligentes (como em Dirigindo no Escuro, que me fez doer a barriga de rir) ou algum problema ou situação — inteligentes — que nos faz pensar. Todos os últimos filmes que assisti dele — Vicky Cristina Barcelona, Melinda e Melinda, Scoop, Match Point — tinham sacadas intrigantes ou pelo menos personagens cativantes, como em Meia Noite em Paris.

Assim, fui assistir a Blue Jasmine, indicado ao Oscar por seu roteiro, com grandes expectativas. E o que encontrei não foi nem uma boa história, nem uma boa personagem e, muito menos, bons diálogos.

O filme transcorre lento, num vaivém temporal modorrento e sem grandes intrigas, com diálogos rasos como um pires de cerâmica. Ao brincar com o passado e o presente, o diretor nos faz esperar por um final surpreendente, alguma grande revelação. Ela até ocorre, mas é tão previsível, esperada e banal, que parece mais um anticlímax.

Só não leva nota pior que este 5 porque a premissa ainda é boa. A mulher ricaça, que ocupava o tempo organizando jantares para as outras socialites, e de repente se vê mais pobre que a irmã — que sempre foi pobre –, a ponto de precisar pedir abrigo a ela. O problema que Allen nos coloca é como será esse choque de realidade para a madame, que de repente terá que trabalhar e estudar — pelo menos até encontrar outro marido rico. Ela vai mudar ou vai ser a mesma de sempre? Como vai afetar a relação com a irmã? Pena que o roteiro não avance muito no mundo de possibilidades que poderia surgir dessa premissa original.

O filme também concorre ao Oscar de melhor atriz e atriz coadjuvante, pela atuação das duas irmãs, a rica (Cate Blanchett) e a pobre (Sally Hawkins). Embora sejam boas atrizes e convincentes em seus papéis, acho que nenhuma das duas merece ou vai levar o prêmio.

“Blues” ficamos nós, felizes apenas com tanta Blue Moon na trilha sonora, uma das músicas mais bonitas que há.

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