Injustiçados – o Caso Sombra

Sérgio Gomes, o Sombra, do caso Celso Daniel (Foto: Reprodução/TV Globo)

Sérgio Gomes, o Sombra, do caso Celso Daniel (Foto: Reprodução/TV Globo)

Texto escrito por José de Souza Castro:

Em janeiro de 2002 foi assassinado o prefeito Celso Daniel, de Santo André. Ele tinha sido escolhido coordenador da campanha de Lula à presidência da República, cujo primeiro turno estava marcado para o dia 6 de outubro. A campanha começaria oficialmente 90 dias antes das eleições. O assassinato serviu para acirrar a disputa.

De um lado, a Polícia Civil e a Polícia Federal, as quais, após exaustivas investigações, concluíram que se tratava de um crime comum praticado por um bando de assaltantes. Para alívio do PT de Lula. De outro, o Ministério Público e a imprensa correndo atrás de um crime político ligado a suspeita de corrupção na prefeitura petista de Santo André, para gáudio do PSDB de José Serra.

Quem viveu no período deve se lembrar disso.

No ano passado, um dos principais denunciados pelo MP, o empresário Sérgio Gomes da Silva, cognominado pela imprensa de “Sombra”, foi condenado a 15 anos, 6 meses e 19 dias em regime fechado. Seu advogado, Roberto Podval, recorreu. Sérgio aguardava em liberdade a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, mas morreu antes disso, nesta semana, de câncer. Continuar lendo

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Sibipirunas e as pessoas que, afinal, não gostam da primavera

Todas as fotos: Flickr / Reprodução

Todas as fotos: Flickr / Reprodução

A sibipiruna é uma árvore alta e frondosa, que pode chegar a 28 metros de altura e seis metros de diâmetro de sua copa. Ela tem lindas flores amarelas, que costumam aparecer depois de agosto e podem estender-se até o final do verão. É a árvore mais comum em Belo Horizonte, segundo o inventário feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que catalogou 18.946 representantes dessa espécie na cidade.

Duas sibipirunas majestosas podem ser encontradas na porta da minha casa. Imensas, elas ultrapassam o prédio onde eu moro, que tem cinco andares. Suas raízes incontidas já quebraram parte do passeio.

sibipirunaFico feliz da vida toda vez que estou voltando para casa e, ao olhar para cima, vejo aquelas copas verde-e-amarelas. Quando olho para o chão, vejo o passeio totalmente coberto com as florezinhas amarelas, um verdadeiro tapete colorido.

sibipiruna2Infelizmente, nem todo mundo gosta desse carnaval da Natureza. Todas as manhãs, fazendo o caminho inverso, noto algumas donas-de-casa furiosas, “varrendo” as calçadas com a mangueira. Não podem ver as florezinhas ali, elas têm que ser escorridas pela boca-do-lobo, como se fossem algo nojento, sujo, poluído.

Mas são só florezinhas, minha gente!

 

Não vou nem comentar o descalabro de usar água potável da mangueira para varrer a calçada. Já falei muito disso por aqui. Mas acho espantoso alguém se perturbar tanto com esta prova de beleza da primavera. Por que é bonito ver aquelas fotos do outono canadense, com as ruas cobertas por folhas douradas, e é feio ver nossas próprias ruas, coloridas pelo tapete amarelinho das sibipirunas?

Me fez lembrar um desenho que publiquei aqui no blog há exatamente um ano. Por mais pessoas do primeiro tipo neste mundão!

Ilustração de Roberto Kroll

Ilustração de Roberto Kroll

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Jogo eleitoral com propostas genéricas

jogoeleitoral

Já estamos todos devidamente no clima das eleições municipais, né? É bom estarmos, porque o primeiro turno já é neste domingo. Em meu primeiro post sobre o assunto, coloquei dicas para alguns sites onde é possível coletar informações sobre os candidatos. A começar pelo site do TSE, onde estão registrados os planos de governo dos 11 candidatos à Prefeitura de BH.

Está com preguiça de ler todo aquele blablablá? Recomendo mais um link: o jogo eleitoral que foi formulado pelo portal “G1”.

Brinquei com esse jogo no último fim de semana. Sabe o que descobri? Que as propostas dos 11 candidatos são praticamente IDÊNTICAS, independente de o cara ser de extrema-direita ou extrema-esquerda, de ser governista ou da oposição.

“Que medida irá tomar para melhorar o ensino na educação infantil da cidade?”, começa o jogo. Quase todos responderam algo como ampliar vagas nas UMEIs, ou expandir vagas na UMEIs, ou, se mais ousado, “universalizar” essas vagas.

“Qual é sua principal proposta para melhorar o sistema de ônibus na cidade?” E lá vai a maioria falando em incrementar o Move.

Tudo segue na mesma toada quando o assunto é metrô, ocupação de sem-teto, morador de rua, turismo, Pampulha, crack e inundações na época de chuvas. Além de as propostas serem muito parecidas, 90% delas são genéricas demais, mais preocupadas em apresentar frases de efeito do que soluções concretas e práticas para a cidade.

Sabe qual foi o resultado do meu jogo? Empate! Isso mesmo, consegui a proeza de votar, às cegas, praticamente uma resposta de cada candidato. É que fui procurando a resposta que apresentava uma solução mais prática em cada caso, e aí imagino que eu tenha votado no único campo de conhecimento que cada candidato realmente possui. Se fosse tomar minha decisão com base no jogo (ou seja, nos programas de governo de cada candidato), eu teria que anular meu voto.

Claro que a gente coloca outras coisas na balança ao decidir por um candidato. Eu considero, por exemplo, o nome do vice, a composição da chapa, o grupo político que aquele nome representa, o histórico de vida daquele candidato, se ele ou o grupo dele já ocupou o poder e como foi esse desempenho, dentre vários outros fatores. As promessas, infelizmente, não estão no topo dos meus pré-requisitos, porque, como bem demonstra esse joguinho do G1, elas são, em geral, vazias e genéricas. É como se o cara tivesse copiado e colado uma resposta de um candidato de outro país, ou de outra década – e acaba valendo.

E você: que critérios usa para escolher seu candidato? As propostas do seu candidato refletem seu ideal? Ao escolher as propostas no jogo do G1 você se surpreendeu com o candidato que é autor da maioria delas? Comente aí 😉

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Um domingo cultural em Beagá

Nos últimos anos, Belo Horizonte definitivamente virou um polo cultural muito bacana. Há festivais enormes, com trocentas atrações, todos os fins de semana. E o melhor é que boa parte das melhores programações é gratuita.

Nos últimos quatro fins de semana, neste mês de setembro, houve pelo menos oito festivais de grande estrutura e com programação para todas as idades (incluindo crianças). Desses, sete eram totalmente gratuitos. Por exemplo, o Noturno nos Museus, a festa de 70 anos do Sesc no Parque Municipal, o Descontorno Cultural, o Domingo no Campus.

Isso sem falar nos trocentos eventos de menor porte que acontecem todos os dias na cidade.

Nossos parques, teatros, casas de show e espaços culturais fervilham. E não é preciso enfiar a mão no bolso para se divertir.

No último domingo, por exemplo, passamos quatro horas passeando pela região da Praça da Liberdade: marido, bebê e eu. Começamos a programação no meio da tarde no CCBB, onde vimos — de graça — a exposição “Mondrian e o Movimento Stijl“. Mesmo sendo o penúltimo dia em cartaz, as filas estavam relativamente curtas, a organização do lugar era ótima e deu para aproveitar muito em cada sala. Aliás, é importante destacar o capricho do pessoal do CCBB, que deixou todo o ambiente com cara de Mondrian — das portas e janelas ao espelho nos banheiros.

De lá, passamos pela praça propriamente dita, onde havia pessoas se divertindo de todas as formas — namorando, dançando capoeira, correndo com o cachorro, passeando com carrinho de bebê, fazendo exercícios físicos etc. Tudo de graça, com aquela natureza exuberante. Na hora em que passamos por lá, o sol estava baixo e tudo estava com aquela luz alaranjada tão bonita de fim de tarde. As fotos não precisaram de qualquer filtro:

Veja as fotos maiores no Instagram do blog: https://www.instagram.com/blogdakikacastro

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Terminamos o dia no Festival Fartura, que tinha ingressos a R$ 15. Lá dentro, desembolsava-se um valor um pouco maior para comer as delícias de restaurantes do Brasil inteiro (tipo R$ 18 por quatro “quibes do sertão” ou R$ 16 por seis croquetes de linguiça) ou tomar uma cerveja (R$ 10, se não me engano). Mas mesmo que você não quisesse gastar nada, ainda podia ouvir uma música de muita qualidade, como as apresentações que ouvi: a banda argentina Sonora Marta La Reina (degustação AQUI) e o feríssima Gustavo Andrade, que sempre tocou blues da melhor qualidade aqui em BH, desde os tempos da Hot Spot Blues Band. Sem falar no set list do Clube do LP, entre os shows.

Voltamos para casa exultantes. Família reunida, alegre, depois de um passeio todo feito a pé, com direito a arte, verde, música e gastronomia. E sem desembolsar quase nada no percurso.

Continue assim, Beagá! 😀

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Sem esforço, perdi 24 kg depois que meu bebê nasceu: veja as 6 possíveis causas

rostao

Quando eu estava grávida, o que mais ouvia, de todas as fontes possíveis, era que eu engordaria os tubos e jamais recuperaria meu corpo antigo (que já não era lá essas coisas) – ou que esse processo iria demorar muuuuito. Já não bastassem todas as preocupações que aparecem quando decidimos ter um filho, o terrorismo em torno da boa forma é uma verdadeira amolação.

Por isso, quando engravidei, decidi deixar para me preocupar com isso depois. Comi tudo o que podia e não podia, fiz exercícios físicos só até quando consegui e… engordei 17 kg, cinco a mais do que minha médica havia recomendado para meu IMC.

O que eu não imaginava é que, apenas oito meses depois que meu bebê nasceu, eu já teria perdido não só os 17 kg como outros 7 kg de lambuja. Agora mãe, esta – que nunca foi minha maior preocupação – caiu para o último lugar no ranking de prioridades da minha vida. Tanto que custei a visitar uma balança para descobrir a queda drástica de peso. Mas fui percebendo as calças caindo pelas pernas, o rosto mais fino nas fotos e roupas que eu usava aos 20 anos de idade, e estavam guardadas no fundo do armário, agora voltando a servir.

Depois de muito pensar, decidi fazer este post falando sobre as possíveis causas dessa perda de peso sem esforço. É que é irritante o tanto de notícias ruins que bombardeiam as grávidas e mães o tempo todo, principalmente nos sites especializados. “Você nunca mais vai dormir uma noite inteira!” “Você nunca mais vai ter tempo para si mesma!” “Você mal vai conseguir tomar um banho em paz de novo!” “Você e seu marido nunca mais vão namorar de novo!” E, claro: “Você vai demorar pelo menos um ano para servir em suas roupas de antes da gravidez!”

Resolvi aliviar uma dessas pragas e mostrar que não é impossível emagrecer depois da gravidez. Pelo contrário: pode até acontecer sem que você faça nenhum esforço extra e nem esteja esperando por isso, nem esta seja sua prioridade. E mais: você pode até ficar melhor e mais bonita do que antes da gravidez. Porque a maternidade tem dessas coisas. Claro que traz dificuldades, mas, até agora, estou achando as felicidades conquistadas muito maiores que qualquer gritaria histérica que inunda a internet me fazia pensar.

Vamos às causas possíveis para a gente poder emagrecer tão fácil depois que o bebê nasce:

1- Antes de mais nada, tem que ser com saúde.

Quando comentei com minha médica que eu tinha perdido 24 kg em oito meses, a primeira reação dela foi ficar assustada. Ela me pediu para fazer vários exames de sangue para descartar que o emagrecimento tenha sido em decorrência de alguma doença. Felizmente, os resultados dos exames estavam muito bons. Na verdade, nunca tive os triglicérides tão baixos em toda a minha vida! Mas achei importante esse monitoramento.

2- A maior parte vai embora naturalmente.

Com 38 semanas de gravidez.

Com 38 semanas de gravidez.

Logo de cara, algumas semanas depois que o bebê nasce, você já vai perder uns 8 kg a 12 kg. Veja estas contas do site Baby Center: são os 3 kg do peso do bebê que estava dentro de você + uns 900 g do peso do seu útero que aumenta + uns 700 g do peso da placenta + uns 400 g a mais nos seus seios + 1,2 kg de peso que seu corpo ganha com volume extra de sangue circulando + uns 2 kg de líquido acumulado na gravidez, contando o líquido amniótico + uns 4 kg de gordura extra que acumulamos para dar energia para a amentação.

3- Amamentar emagrece?

Essa questão é polêmica, mas a maioria esmagadora das mães que amamentam acreditam que, sim, amamentar ajuda na perda de peso. Isso porque o corpo gasta cerca de 700 calorias a cada litro de leite produzido. Então, enquanto eu estava ajudando meu bebê a crescer mais forte e saudável, eu também estava gerando um benefício extra para mim mesma.

4- Alimentação saudável.

Pouco antes de engravidar, eu tinha feito uma reeducação alimentar que me levou a perder 7 kg (sem perder a cabeça), como já contei aqui no blog. Embora eu tenha chutado o balde depois da gravidez, alguns hábitos foram mantidos: por exemplo, tomar café sem açúcar, usar adoçante stévia no suco, tomar menos refri etc. Agora, preparando as papinhas para meu bebê desde que ele completou seis meses, fui redescobrindo alguns legumes que há tempos não faziam parte do meu cardápio. Só um hábito está difícil de sumir desde a gestação, até hoje: eu, que sempre preferi comida salgada às doces, estou achando impossível passar sem um docinho (de preferência chocolate) por dia. Assim como na época da gravidez, decidi não esquentar muito a cabeça com isso. Afinal, precisamos de energia para produzir leite e aguentar o tranco, então não acho que o momento do puerpério seja o mais indicado para dietas alimentares restritivas…

5- Zero álcool.

Antes de engravidar, eu sempre tomava cerveja nos finais de semana. Cerveja, além de engordar, traz a tiracolo um monte de petiscos deliciosos com que eu adorava me empanturrar. Desde que engravidei, praticamente cortei o álcool a zero. Quando dá vontade de tomar cerveja, tomo uma latinha de cerveja sem álcool, com a qual já me acostumei. Isso com certeza contribuiu para aquela taxa baixinha de triglicérides que constatei no exame de sangue… Afinal, foi o fim dos torresminhos.

6. Fazemos exercícios mesmo sem querer.

Eu sempre fui muito ativa: nado, caminho, corro. Mas, desde o fim da gravidez, praticamente não tenho feito nenhum exercício físico programado. Ou seja, há mais de nove meses estou fazendo só exercícios físicos esporádicos. Mesmo assim, a gente faz muuuuuito exercício depois que ganha um bebê. Carrega peso (do bebê), abaixa, levanta, põe no berço, tira, engatinha atrás, arruma os brinquedos, desce com o carrinho um lance de escadas, sobe com o carrinho dois lances de escada, a correria no dia a dia para dar conta de cuidar de tudo… Cheguei à conclusão de que eu faço, sim, MUITO exercício físico! E, desde agosto, ainda faço uma caminhadinha extra, indo e voltando a pé para o trabalho.


É importante lembrar que cada caso é um caso, cada mulher tem um metabolismo próprio, e pode haver N outras razões para a pessoa perder ou ganhar peso. O que eu acho é que já temos coisas demais para nos preocuparmos para que essa seja mais uma delas. E, como em outros posts deste blog, achei importante trazer uma notícia boa, nesse mundaréu de informações alarmantes que chegam até nós o tempo todo 😉

Agora eu queria ouvir das outras mães, como fiz em outros posts: como foi com vocês? Engordaram muito na gravidez, como eu? Perderam com facilidade depois? Ficaram enlouquecidas com tanto terrorismo que ouviram durante todo o período de gestação, acerca de tudo? Compartilhem as experiências aí nos comentários 😉

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