Férias para o blog (e para a blogueira)

tarja

Olá, pessoal! Depois de um ano tão conturbado e intenso, com cobertura da Copa do Mundo, da tragédia do viaduto, das eleições, da posse, do atentado em Paris, das marchas, da queda do avião, do terremoto em Nepal (etc etc etc), a partir de hoje, quero ser a pessoa mais desinformada do mundo. Não quero saber de lei da terceirização tramitando agora no Senado, não quero nem saber a quantas anda o racionamento de água em Minas, prestes a ser decretado. Vou me meter naquela bolha de alienação onde me escondo quando entro de férias. Cercada apenas por vários livros bons pra ler, filmes bons pra assistir, e muita roça, natureza, cachoeira e mar. Tipo assim:

ferias2014

E, quando entro nessa bolha mágica, deixo o blog também de férias — estas serão as terceiras férias desde a criação do blog, em 2010. É claro que não consigo deixar a página totalmente desatualizada, durante todo o mês. De vez em quando, escapo da bolha e passo por aqui, para deixar uma dica de leitura, uma resenha de filme, uma galeria de fotos de algum lugar incrível, dicas de viagem ou um breve comentário qualquer. Mas, como serão posts esporádicos, haverá sempre aquela tradicional tarja amarela ali em cima, lembrando que é só uma exceção e que o blog está mesmo de férias 😉

Aproveitem para curtir a leitura dos mais de 1.300 posts no arquivo deste blog e dos 20 blogs legais recomendados aí na coluna da esquerda!

Abraços e até breve 😉


Atualização às 11h45: antes de entrar de férias de vez, queria apenas registrar aqui no blog minha tristeza com o fim da rádio Guarani FM. Já escrevi aqui antes que ela é uma das minhas três frequências favoritas, sempre gravada na memória das rádios do carro e de casa. Fará muita falta! Como foi noticiado há mais de um mês, ela dará lugar a uma rádio evangélica. Hoje, finalmente, o site da Guarani registrou uma mensagem de despedida oficial, que pode ser lida AQUI. A partir de amanhã, a 96,5 FM deixará de tocar música de qualidade e ficaremos mais tristes aqui em Beagá.

Atualização em 1/5: Ontem gravamos os últimos minutos da transmissão ao vivo da Guarani. E também nos reunimos em um bar da Savassi para ouvir o programa Kacophonia, que foi aplaudido quando encerrou a história da rádio. O registro está no YouTube, para quem quiser assistir e guardar de lembrança pra sempre:


Leia também:

faceblogttblog

Anúncios

Sejamos mais cachorros!

Einstein

Einstein

Um amigo meu, que preferiu não ser identificado no post, escreveu uma mensagem tão inspiradora que resolvi compartilhá-la aqui no blog. Para pensar:

“Decidi falar aqui da morte do Einstein, que já rolou há um tempo, para pedir para vocês serem mais cachorros. É que bateu uma saudade imensa dele e o tempo nunca foi muito importante entre a gente. Tive na vida a oportunidade de ir aprendendo com os cachorros a ser mais descalço, mais pelado, mais carinhoso e mais alegre. A gente já vive num mundo tão humano, somos tão obcecados com objetos e eletricidade que nos esquecemos do maravilhoso mistério de nossas próprias biologias. Nossa amizade com os cachorros é em seus poucos milhares de anos talvez a mais profícua relação entre duas espécies, basta olhar e ver. Que no mundo de curtições, catucações e bajulações narcisísticas possamos sempre olhar para nossa ancestralidade comum com os cachorros e, ao invés de fantasiarmos eles como pessoas, possamos ver em nós os mamíferos que somos. Sejam mais cachorros e me chamem para que juntos uivemos sob a lua.”

O lindo cachorro Einstein e seu dono, em foto de arquivo pessoal dele.

Leia também:

faceblogttblog

Ela QUER melhorar; e você?

Não deixe de assistir: CAKE
Nota 8

cake

O que é viver com uma dor crônica?

Eu não conseguiria imaginar. Víamos o doutor House alegar ter dor crônica para justificar seu vício em analgésicos, mas ele estava sempre serelepe, fazendo estripulias com seu amigo Wilson, usando a bengala como uma arma — ou uma armadilha –, vez por outra.

Já o que Jennifer Aniston interpreta é outra coisa absolutamente diferente. Ela sente dores para fazer qualquer pequeno movimento e a atriz consegue passar esse sofrimento com tanta intensidade que a gente quase sente as dores por ela.

Quem diria que a atriz que se consolidou como a patricinha de Friends e depois apenas fez filmes meia-boca, estilo comédia-romântica, iria aparecer de repente com essa porrada?! Sem nenhuma maquiagem (exceto a que deixa seu rosto cheio de cicatrizes), com seus 46 anos totalmente escancarados na tela, com aquela roupa que sempre parece um camisolão, e com tamanha dor, quanta dor! Vendo ela assim, quase entendemos por que sua personagem Claire é tão cética, cínica, viciada, fechada em si mesma e absolutamente sem carisma algum. Afinal, como seríamos nós se tivéssemos que conviver com tão insuportável dor, o tempo todo?

A história se foca nessa personagem, por meio da brilhante atuação (injustamente deixada de fora do Oscar) de Jennifer Aniston, e na história que aos poucos vai se descortinando, sobre como ela chegou a esse tal ponto de trauma, físico e psicológico. Mas não é um filme de todo doloroso. Temos os momentos de leveza, muitos por conta da comovente preocupação que Silvana (baita atriz Adriana Barraza), empregada de Claire, tem com sua patroa — uma relação verdadeiramente maternal. E vemos o esforço que Claire faz para encontrar sua “razão para viver” (subtítulo acrescentado à versão brasileira do filme), que não pode ser ignorado.

Afinal, é mais fácil “acabar com tudo de uma vez” ou encontrar beleza em um furin, os singelos sinos de vento japoneses? É mais fácil se deitar em um trilho ou admitir que você fez o melhor de si, e ainda pode fazê-lo?

Um simples bolo de chocolate, desses caseiros, pode trazer alegria a muita gente. E até amenizar aquela dor que já não encontra analgésico para remediar. Pra maioria de nós, que não sofremos com todas essas dores, a mensagem é ainda mais cristalina: que tal parar de reclamar de tudo e encontrar pequenas razões para viver em alegria?

Assista ao trailer legendado do filme:

Leia também:

faceblogttblog

“Ameaça de morte no clube”

piscina

Manhã de muito sol, clube cheio em Belo Horizonte. (Mineiro não tem mar, mas tem piscina, tá?) Crianças brincando na água enquanto os mais velhos caminham pra lá e pra cá na piscina, num exercício pouco exigente. Picolés, açaís, refris, sucos, cervejas. Bebês brincam ao sol. As crianças mais velhas já se aventuram no parquinho. Grávidas fazem muito xixi, a todo momento. Adolescentes desfilam. Famílias conversam — é domingo, dia de reunir a família.

Eis que um homem de seus 70 anos passa perto de todos, esbravejando ao celular:

— Eu vou te matar! Vou agora pegar o revólver lá em casa e VOU TE MATAR!

Silêncio constrangedor. Todos ficam com um certo medo do homem, mas também muito curiosos. O silêncio é um pouco pelo susto, outro tanto pela vontade de aguçar os ouvidos e entender a conversa.

— Você ameaçou minha filha, é? Então VOU TE MATAR AGORA!

Uma mulher, que está perto dele, pode ser a filha em questão. Não se sabe se ela tenta acalmá-lo ou se o incentiva nas ameaças à pessoa que, antes, a ameaçara. Seria seu ex-marido? Algum stalker da vizinhança? O atual companheiro, com, digamos, problemas de alcoolismo?

As cabeças do clube, antes voltadas para amenidades, agora começam a imaginar um roteiro de “Law & Order” ou de um livro da Agatha Christie (“Ameaça de morte no clube” parece título de uma das dezenas de novelas da rainha do crime). Tentamos encontrar uma justificativa para tamanho ódio contido naquelas ameaças, tão pouco adequadas ao espaço de lazer, ao domingo de sol, ao céu azul.

Onde caberiam? Numa madrugada escura e fria, num beco sujo de alguma viela deserta, com baratas, ratos e muitos latões de lixo. Lá, se surgisse um homem gritando “EU VOU TE MATAAAAAAR!” talvez não chocasse tanto a audiência. Mas ao lado do parquinho do clube?!

O homem finalmente segue seu rumos, os gritos vão se distanciando, e os pensamentos mórbidos voltam a dar lugar à conversa sobre as últimas estripulias da sobrinha de dois anos. A grávida volta a fazer xixi, a criança volta a querer nadar, o avô põe a neta mais nova no colo, os sorrisos retornam com facilidade.

E aquele pequeno drama familiar, subitamente tornado público, passa como uma nuvem apressada, que cobre o sol por um minutinho e depois se evapora, sem prejudicar o bronzeado.

(Mas eu torço para que todos estejam vivos e longe das páginas policiais pelos próximos dias, semanas e anos.)

Leia também:

faceblogttblog

Uma história de amor nos palcos

Não deixe de assistir: JOHNNY & JUNE (Walk the Line)
Nota 9

johnnyejune

Este filme não é uma biografia de Johnny Cash, o ídolo do country. É muito mais sobre a história de amor, que começa lá pelos 30 minutos, que ele tem com June Carter, que culmina em um casamento de 35 anos. Por isso, pela primeira vez o nome que escolheram para a versão do filme lançada no Brasil foi bastante apropriado. É Johnny & June, assim, como numa firma, numa sociedade.

Se no começo do filme ela era mais famosa que ele e até sua ídola, aos poucos eles vão se tornando sócios, parceiros em tudo, companheiros de uma vida. E a construção desse roteiro foi feita de maneira formidável pela dupla de atores que interpreta o casal: Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon se tornam cúmplices, e a química entre eles é notável, assim como entre os personagens que interpretam.

Os dois tiveram que se aguentar desde seis meses antes de as filmagens começarem, quando iniciaram aulas de canto. Todas as dezenas de músicas que aparecem ao longo do filme são realmente cantadas pelos dois atores. E mais: eles aprenderam a tocar os instrumentos que Johnny e June tocavam, inclusive a esquisita auto-harpa que June toca.

Por encarnarem tão bem os papéis dos músicos, os dois atores foram muito premiados e reconhecidos por este trabalho. Reese levou o Oscar naquele ano, além de outros prêmios importantes do cinema, como o Globo de Ouro e o Bafta. Joaquin foi indicado para o Oscar (perdeu para Philip Seymour Hoffman, em “Capote“) e levou o Globo de Ouro e outro punhado de prêmios.

Arrisco dizer que são os papéis de suas vidas.

Nós, os espectadores, ganhamos muito com esse mergulho que eles dão na vida de dois personagens tão memoráveis da música norte-americana. É, ao lado de “Ray“, “Jersey Boys“, “Cadillac Records” e alguns outros, um registro importante sobre um pedacinho da história da música. Para quem gosta de música e de cinema: imperdível.

Johnny Cash and June Carter Cash na vida real, em 1969, um ano depois de finalmente se casarem. Foto: Joel Baldwin (domínio público)

Johnny Cash and June Carter Cash na vida real, em 1969, um ano depois de finalmente se casarem. Foto: Joel Baldwin (domínio público)

Leia também:

faceblogttblog