O dia em que nosso bebê adoece pela primeira vez

Meu filhote chegou aos 15 meses de idade sem nunca ter tomado antibiótico. Sempre foi muito saudável, e isso sempre foi motivo de alívio para nós.

Mas, com a escolinha, chegou junto o primeiro resfriado, que, sei-lá-se-tem-a-ver, logo virou uma baita sinusite com tosse catarrenta por um mês seguido.

Como sou da turma que detesta tomar remédio, também fui adiando o momento de levar Luiz ao médico. Ele ficava bom durante o dia, e eu sempre me enchia de esperança de que ele já estava sarando sozinho, só com os próprios anticorpos e tal. Mas à noite voltava a tosse, até o dia em que tivemos mesmo que levá-lo à pediatra.

No meio disso tudo, ele teve que tomar as quatro vacinas próprias da idade. Quase sempre que Luiz toma vacinas, fica meio “chatinho” até o dia seguinte, sentindo dor no local da injeção e até com uma febre baixinha. Mas desta vez foi punk: Continuar lendo

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Ela QUER melhorar; e você?

Não deixe de assistir: CAKE
Nota 8

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O que é viver com uma dor crônica?

Eu não conseguiria imaginar. Víamos o doutor House alegar ter dor crônica para justificar seu vício em analgésicos, mas ele estava sempre serelepe, fazendo estripulias com seu amigo Wilson, usando a bengala como uma arma — ou uma armadilha –, vez por outra.

Já o que Jennifer Aniston interpreta é outra coisa absolutamente diferente. Ela sente dores para fazer qualquer pequeno movimento e a atriz consegue passar esse sofrimento com tanta intensidade que a gente quase sente as dores por ela.

Quem diria que a atriz que se consolidou como a patricinha de Friends e depois apenas fez filmes meia-boca, estilo comédia-romântica, iria aparecer de repente com essa porrada?! Sem nenhuma maquiagem (exceto a que deixa seu rosto cheio de cicatrizes), com seus 46 anos totalmente escancarados na tela, com aquela roupa que sempre parece um camisolão, e com tamanha dor, quanta dor! Vendo ela assim, quase entendemos por que sua personagem Claire é tão cética, cínica, viciada, fechada em si mesma e absolutamente sem carisma algum. Afinal, como seríamos nós se tivéssemos que conviver com tão insuportável dor, o tempo todo?

A história se foca nessa personagem, por meio da brilhante atuação (injustamente deixada de fora do Oscar) de Jennifer Aniston, e na história que aos poucos vai se descortinando, sobre como ela chegou a esse tal ponto de trauma, físico e psicológico. Mas não é um filme de todo doloroso. Temos os momentos de leveza, muitos por conta da comovente preocupação que Silvana (baita atriz Adriana Barraza), empregada de Claire, tem com sua patroa — uma relação verdadeiramente maternal. E vemos o esforço que Claire faz para encontrar sua “razão para viver” (subtítulo acrescentado à versão brasileira do filme), que não pode ser ignorado.

Afinal, é mais fácil “acabar com tudo de uma vez” ou encontrar beleza em um furin, os singelos sinos de vento japoneses? É mais fácil se deitar em um trilho ou admitir que você fez o melhor de si, e ainda pode fazê-lo?

Um simples bolo de chocolate, desses caseiros, pode trazer alegria a muita gente. E até amenizar aquela dor que já não encontra analgésico para remediar. Pra maioria de nós, que não sofremos com todas essas dores, a mensagem é ainda mais cristalina: que tal parar de reclamar de tudo e encontrar pequenas razões para viver em alegria?

Assista ao trailer legendado do filme:

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Qi Gong, um exercício diferente

Alguns exercícios de Qi Gong

Alguns exercícios de Qi Gong

1. A DESCOBERTA

Eu nunca tinha ouvido falar do Qi Gong (ou Chi Kung) até ler “O Herói Discreto“, de Mario Vargas Llosa, que indiquei aqui no blog no começo do mês.

Logo no primeiro parágrafo do romance, somos apresentados ao peculiar Felícito Yanaqué, que “saiu de casa naquela manhã, como todos os dias de segunda a sábado, às sete e meia em ponto, depois de fazer meia hora de Qi Gong, tomar banho frio e preparar o desjejum de costume”.

Fiquei sem saber o que era Qi Gong e imaginando que fosse tipo um Sudoku. Já na página 12, descubro, no entanto, que era uma espécie de “esporte”, com “movimentos em câmera lenta que eram, acima de tudo, mais que exercício para os músculos, uma maneira diferente e sábia de respirar”. Pronto, atiçou minha curiosidade.

O exercício é citado outras nove vezes nas 342 páginas do livro, sendo parte importante da personalidade de Felícito.

Mais adiante, Llosa detalha melhor:

“A posição da árvore que balança para a frente e para trás, da esquerda para a direita e em círculo, movida pelo vento. Com os pés bem firmes no chão e tentando esvaziar a mente, ele se balançava, procurando o centro. Procurar o centro. Não perder o centro. Levantar os braços e abaixá-los bem devagar, uma chuvinha que caía do céu refrescando seu corpo e sua alma, serenando os nervos e os músculos. Manter o céu e a terra em seus lugares e impedir que se juntem, com os braços — um no alto, segurando o céu, e o outro embaixo, segurando a terra — e, depois, massagear os braços, o rosto, os rins, as pernas, para soltar as tensões acumuladas em todas as partes do corpo. Abrir as águas com as mãos e depois juntá-las. Aquecer a região lombar com uma massagem suave e demorada. Estender os braços como uma borboleta abre as asas. No começo, ele ficava impaciente com a extraordinária lentidão dos movimentos, com a respiração em câmara lenta para levar o ar a todos os recantos do seu organismo; mas com o tempo foi se acostumando. Agora entendia que era na lentidão que consistia o benefício, para o seu corpo e sua mente, dessa delicada e profunda inspiração e expiração, desses movimentos com os quais, levantando uma das mãos e estendendo a outra para o chão, com os joelhos ligeiramente dobrados, ele mantinha os astros do firmamento em seus lugares e conjurava o apocalipse. Quando, afinal, fechava os olhos e ficava imóvel por alguns minutos, de mãos postas como se estivesse rezando, havia transcorrido meia hora. Já se via nas janelas a luz clara e branca das madrugadas piuranas.”

A mim, ficou claro que Llosa também é um adepto do Qi Gong, assim como seu personagem fictício. Depois descobri que não me enganei.

Talvez pela descrição tão bonita e poética de um escritor tão talentoso como Mario Vargas Llosa, talvez pelo fato de eu associar o Qi Gong — uma descoberta! — a um livro que se tornou um de meus favoritos na vida, o fato é que fiquei curiosíssima para conhecer melhor esse exercício-esporte-meditação-dança-arte-religião, que é o Qi Gong.

2. PRIMEIRAS TENTATIVAS

Assim que terminei de ler, procurei algum exercício no Youtube. Encontrei ESTE. Comecei a fazer, acompanhando os gestos do chinês, os 12 minutos por dia. No começo, senti dificuldade em algumas posições, em alguns alongamentos. Senti dores nas costas (ou as que eu estava sentindo na época pareceram piorar). E também me senti meio ridícula imitando os gestos de uma pessoa no Youtube, desengonçada como sou.

Mas insisti.

Depois, procurei nas lojas virtuais para ver se encontrava algum livro com exercícios de Qi Gong. Comprei um mais barato, “Qi Gong para a Mulher”, de Dominique Ferraro (a partir de R$ 17,91).

Eu já estava acostumada com o chinesinho do Youtube, então, nos primeiros dias com o livro, também senti dificuldades e fiquei com a impressão de estar fazendo tudo errado. Aos poucos, no entanto, fui conseguindo decorar os movimentos. Depois, me forcei a prestar atenção à respiração, inspirando e expirando nos momentos que a autora mandava. Minhas costas doíam, eu estava numa fase de muita dor de coluna. Também andava ansiosa, estressada, excessivamente ligada/conectada o dia inteiro.

O livro também traz algumas dicas de massagens e acupressão. Um exercício particularmente me agradou mais, de pressionar as pontas dos dedos várias vezes, inspirando e expirando ritmadamente. Eu apelei para ele quando tive dificuldade de dormir, cheia de pensamentos, prenunciando uma das minhas longas insônias. Funcionou: nas três vezes que fiz esse exercício, deitada, apaguei antes de acabar todos os dedos da segunda mão.

3. UM MÊS DEPOIS

Na última segunda-feira, completei um mês fazendo exercícios de Qi Gong, diariamente, inclusive nos finais de semana. Tiro 15 a 20 minutos por dia para fazer os exercícios. Em apenas um mês, já notei os seguintes progressos: decorei os seis primeiros exercícios, e hoje os pratico com naturalidade, prestando atenção à respiração; as dores nas costas desapareceram; me sinto mais relaxada e tranquila; consigo fazer todos os alongamentos, mesmo os que antes me pareciam impossíveis. Mas acho que ainda tenho muito a melhorar.

Segundo a autora, o Qi Gong é aliado da medicina oriental, capaz de ajudar na cura de várias doenças. Quanto a isso, eu não sei. Sou meio cética com a medicina, oriental ou ocidental. Mas uma coisa é certa: o exercício me provoca um bem estar muito grande, um relaxamento. É o momento do dia em que fico perto da minha hortinha, sozinha, sem som de TV ou rádio, concentrada apenas em alongar, dobrar, esticar e respirar. Os movimentos, além de lentos, são fáceis, sem grandes dificuldades que eu vejo no yoga, tai chi chuan e outros exercícios orientais. Com toda a minha agitação natural, é o máximo que consigo atingir de quietude, serenidade e “meditação”. Mas tem me feito muito bem.

Resolvi compartilhar a experiência no blog, porque acho que o Qi Gong pode ser praticado por qualquer pessoa, de qualquer idade e, assim como fez bem a Felícito Yanaqué, a Mario Vargas Llosa e a mim, pode também fazer bem a outras pessoas que tiverem paciência para tentar. Que tal começar com o chinesinho do Youtube? Se você superar a fase de se achar meio ridículo e insistir, poderá chegar à fase, um mês depois, de se sentir satisfeito consigo mesmo no exercício (“gong”) de sua energia vital (“qi”).

Como escreveu o prêmio Nobel: “Atrevo-me a sonhar que se os bilhões de bípedes deste planeta dedicassem meia hora a cada manhã ao Qi Gong talvez houvesse menos guerras, miséria e sofrimento, e comunidades mais sensíveis à razão que à paixão”.

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