Vamos abraçar o Outubro Rosa?

Micelle, em foto de Gustavo Andrade para a revista “Canguru” de outubro.

Acho que todo mundo conhece alguém que já teve câncer de mama. É impressionante a incidência desse tipo de câncer em mulheres de meia-idade — e é o segundo tipo mais comum entre mulheres no Brasil e em todo o mundo. Estima-se quase 60 mil novos casos ao ano.

No entanto, as pessoas só falam a respeito neste mês de outubro, quando a campanha do Outubro Rosa desperta o tema nos noticiários e redes sociais. Afinal, câncer é tabu. É aquela doença que só acontece com os outros.

Uma pena que seja assim, porque o diagnóstico precoce — em qualquer  tipo de câncer — aumenta consideravelmente as chances de cura. Cura mesmo. Já falei sobre isso ao trazer para o blog o árduo assunto do câncer em crianças (lembram do Setembro Dourado?). No caso do câncer de mama (que também acomete homens, sabia?), mais de um terço dos pacientes podem ser curados se o tumor for descoberto logo no início.

Comecei o post falando que todo mundo conhece alguém que teve câncer de mama. Eu conheço um caso emblemático: minha mãe. Ela é um exemplo de como o diagnóstico precoce leva à cura. Seu depoimento foi compartilhado aqui no blog no ano passado, se você ainda não leu.

Também fiquei conhecendo mais duas mulheres guerreiras, em tratamento contra o câncer de mama, na reportagem que saiu neste mês na revista “Canguru”, apurada e escrita pela ótima repórter Rafaela Matias.

Micelle, de 39 anos, que soltou as seguintes frases: Continuar lendo

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O dia em que nosso bebê adoece pela primeira vez

Meu filhote chegou aos 15 meses de idade sem nunca ter tomado antibiótico. Sempre foi muito saudável, e isso sempre foi motivo de alívio para nós.

Mas, com a escolinha, chegou junto o primeiro resfriado, que, sei-lá-se-tem-a-ver, logo virou uma baita sinusite com tosse catarrenta por um mês seguido.

Como sou da turma que detesta tomar remédio, também fui adiando o momento de levar Luiz ao médico. Ele ficava bom durante o dia, e eu sempre me enchia de esperança de que ele já estava sarando sozinho, só com os próprios anticorpos e tal. Mas à noite voltava a tosse, até o dia em que tivemos mesmo que levá-lo à pediatra.

No meio disso tudo, ele teve que tomar as quatro vacinas próprias da idade. Quase sempre que Luiz toma vacinas, fica meio “chatinho” até o dia seguinte, sentindo dor no local da injeção e até com uma febre baixinha. Mas desta vez foi punk: Continuar lendo

Um fórum sobre os supostos benefícios do levedo de cerveja

levedodecerveja

Quando fiz um post despretensioso sobre os milagres atribuídos ao levedo de cerveja, em junho de 2012, jamais imaginaria a repercussão que ele ia ganhar. O post está sempre na lista dos 5 + acessados do momento (aí na coluna fixa da esquerda do blog) e figura em segundo lugar na lista dos posts mais lidos da história do blog — perde apenas para a Carta a Sasha Meneghel. Também foi listado como um dos 30 melhores posts do blog pelos leitores mais assíduos.

Mas o mais legal é que é também o segundo post com mais comentários da história do blog e esse campo de comentários acabou virando um imenso fórum sobre o levedo de cerveja.  Continuar lendo

+ de 60 conselhos preciosos para quem acabou de ter um filho

Quanto maior a palavra, mais ela foi usada nos conselhos das mães e pais, listados abaixo.

Quanto maior a palavra, mais ela foi usada nos conselhos das mães e pais, listados abaixo. Clique na foto para ver maior.

Recebi tantos conselhos bons naquele post sobre a amamentação que resolvi propor a minhas amigas-mães (e também aos pais!) um desafio maior: pedi que pensassem em UM único conselho que gostariam de ter recebido logo que seus filhos nasceram. Algo que, se tivessem aprendido desde o início, teria poupado estresse ou teria simplesmente ajudado bastante.

Quando viramos mães, acho que desde a gravidez, o que não faltam são palpiteiros brotando ao nosso redor para falar na nossa cabeça. Em muitos casos, até gente que nem conhecemos se intromete o tempo todo. Por isso, sei que nem sempre é útil receber um conselho. Mas, nessa enquete, pedi as dicas que realmente funcionaram para alguma mãe, que foram realmente úteis e valiosas, a ponto de terem sido pinçadas por elas como “o MELHOR conselho”. Como cada bebê é único, pode ser que não ajudem muito no caso de outros papais e mamães, mas sem dúvida estes trazem consigo boas experiências.

Dividi os vários conselhos recebidos em categorias, para facilitar a quem quiser procurar algo que se aplique a uma dúvida do momento. Aí vai:

SAÚDE

  1. “Os hospitais tratam com negligência a ocorrência de icterícia, muito comum. Dão alta para as mães sem fazer exame de bilirrubina nos bebês. Portanto, insista na realização do teste antes da alta. Pode evitar a (re)internação. A avaliação apenas visual engana a gente e pode ser insuficiente.”
  2. “Manter a casa arejada, as janelas abertas pro ar circular e fortalecer a imunidade do bebê.”
  3. “Usar o Colic Calm se o bebê estiver com muita dor de barriga (a pediatra endossou). Impressionante como ele acalma na hora. Mas só uso nos dias em que ele parece estar sofrendo muito mesmo, nos outros eu tento mais o caminho da massagem.”
  4. “Sobre cólica: eu tentei tudo o que me falaram (colocar no sling, travesseiro de ervas na barriguinha do bebê, banho com ervas, banho com camomila, banho de balde, banho de sei-lá-mais-o-quê) e NADA fazia minha filha parar de chorar a não ser ficar 24 horas grudada no meu peito e no meu colo. As pessoas diziam não faça isso, você vai acostumar ela mal. E eu segui meu instinto e a deixei onde ela ficava bem porque isso fazia bem à minha família. Mas até seguir, foram dias e dias de culpa, em que eu achei que não havia nascido para ser mãe.”
  5. “Escolha um pediatra em quem você confie e que seja acessível, que você tenha liberdade para acioná-lo sempre que precisar.”
  6. “Se o pediatra não acreditar em você, no seu leite, na sua capacidade de amamentar, questione e, se for preciso, consulte outros profissionais. PEDIATRA TEM QUE CUIDAR DA MÃE, NÃO SÓ DO BEBÊ.”
  7. “Quando o bebê engasga, é bom, além de virá-lo com a cabeça voltada pra baixo e dar uns tapinhas nas costas, também dar uns soprinhos na cara dele. Impressionante como já vi esses soprinho fazendo mágica! Ele engasga muito mamando, porque tenho leite em excesso.”
  8. “Tomar cuidado com o superaquecimento. A gente fica com medo de o bebê tar com frio e acaba exagerando na quantidade de cobertores e casacos. Já me peguei fazendo isso e, depois de um tempo, vi o bebê totalmente suado, derretendo no berço.”

AMAMENTAÇÃO, MAMADEIRA E PAPINHA

  1. “Se a amamentação está difícil, busque ajuda de profissionais que apoiam o aleitamento. Há consultoras ótimas que vão até a casa da gente para acertar a pega do bebê, para nos apoiar, ensinar como ordenhar, ensinar como aliviar o peito dolorido.”
  2. “Se você tentar tudo, tirar o leite na bomba e dar no copinho, fazer relactação, acordar bebê que dorme demais e mama de menos e ainda assim a amamentação não fluir, NÃO SE COBRE. A maternidade nos ensina que somos capazes de testarmos todos os nossos limites e irmos além. MAS TODAS TEMOS OS NOSSOS PRÓPRIOS LIMITES. Descubra o seu e se achar que vai pirar, simplesmente pare. Se achar que a amamentação está fazendo mais mal do que bem, reavalie. O que está ruim para a mãe certamente estará ruim para o bebê.”
  3. “Não ficar estimulando o bebê a mamar quando ele dá uma pausa entre uma sugada e outra. Ele precisa desse tempinho de descanso, mamar é cansativo pra ele também!”
  4. “Dar peito com livre demanda só nos 10 primeiros dias e depois estabelecer a rotina, pra ajudar tanto a ganhar peso quanto a criar um ritual do sono.”
  5. “Prestar atenção aos sinais de fome ou sede. Então, mesmo com o bebê já adaptado à rotina das 3 horas de frequência de mamadas, às vezes dou o peito antes porque vejo que ele não estava satisfeito.”
  6. “Parar de ficar tão escrava do relógio, porque eu anotava a duração de cada mamada, até em minutos! Não pra tirar o peito, eu sempre deixei o bebê mamar o quanto queria, mas pra saber quanto tempo ele estava gastando. Na mesma noite eu parei de olhar o relógio e isso foi libertador. Comecei a reparar mais nos sinais de saciedade ou fome. Acho que isso importa mais que o tempo que ele gastou sugando.”
  7. “Tomar sol nos peitos desde a gravidez, pra fortalecer e impedir que rachem nas primeiras mamadas.”
  8. “Se racharem, passar Lansinoh, a melhor pomada de lanolina que tem.”
  9. “Nunca esquente a mamadeira. Sempre dê o leite em temperatura ambiente, isso vai te facilitar a vida quando você não estiver em casa ou nas madrugadas.”
  10. “Não esquentar o leite e a papinha pronta. A partir do momento que comecei a esquentar quando ela já tomava leite de vaca e tinha que ser guardado na geladeira, ela só aceita ele quente. Pode estar o maior calor e ela só quer leite quente.”
  11. “Quando for introduzir a papinha, não se desespere se o bebê recusá-la. Minha filha chorava, gritava, vomitava, um horror, depois passou a se alimentar super bem. Crianças saudáveis não morrem porque estão se alimentando mal nessa época de introdução de novos alimentos, elas têm reservas. Apresente as novidades sempre, mas sem insistir ou se descabelar diante de recusas.”
  12. “Vão falar para começar com papa salgada, outros com frutas. Vão dizer que suco é veneno. Vão esculachar você por dar mamadeira. Vão esculachar você por dar o peito a qualquer hora. Vão bater no peito dizendo “eu só compro orgânicos”, “suco de caixinha nunca entra aqui”, “por isso eu nunca dou açúcar pro fulano”. De novo, veja o que dá certo para vocês e não se cobre, você certamente está fazendo o seu melhor e o melhor para seu filho.”

CHUPETA

  1. “Bebê adora sugar, é uma necessidade. Então quase sempre que eu der o peito ele vai pegar, seja pra mamar seja pra só sugar. Por isso às vezes é melhor dar a chupeta, porque ele não tá com fome, só querendo chupetar.”
  2. “Se informar é preciso: chupeta é, de fato, inimiga da amamentação. Existe a confusão de bicos, o bebê pode desmamar de forma precoce. Pode. Se você optar por dar a chupeta, é um risco que vai correr. Mais uma vez, ouça seu coração, seu instinto, e suas necessidades. E se der, não se culpe além do necessário.”

HIGIENE

  1. “Da minha irmã infectologista: não precisa ferver mamadeira e chupeta. Uma boa lavada com água e sabão já basta para tirar todas as bactérias.”
  2. “Usar algodão com água para limpar coco e xixi e, depois, usar MAIZENA para tirar umidade. Em seguida, passar a pomada americana A+D (super leve, transparente e nem um pouco grudenta). Depois do banho, também passe nas dobrinhas. Não assa de jeito nenhum e evita brotoejas.”
  3. “Não pôr luvas no bebê e nem precisa cortar a unha dele logo que nasce, que “é fina como papel de seda” e não vai arranhar e ferir. Fiz o teste e realmente ela só foi começar a engrossar e arranhar no fim do primeiro mês, quando cortamos.”
  4. “Dar um banho divertido, conversando com o bebê, e depois passar cotonete no narizinho pra ajudar a limpar.”

SONO

  1. “Deixar o bebê dormindo no quarto dos pais nos primeiros 3 meses.”
  2. “Deixar o quarto claro de dia e escuro à noite, pra ele diferenciar as duas coisas.”
  3. “Desde cedo o bebê mostra suas preferências musicais e algumas músicas o acalmam imediatamente. Já montei uma playlist do bebê no meu celular. Mas, apesar de ele ter gostado de uns Beatles e Novos Baianos, nenhum CD foi mais eficaz em acalmá-lo do que o “Sonhos de Bebê”, que toca musiquinhas clássicas, tipo “Cai cai balão”, em caixinhas de música. Ele adora e relaxa na hora!”
  4. “Fique o tempo que quiser com seu bebê no colo, não tenha medo de deixá-lo mal acostumado, no tempo certo ele só vai querer ficar no chão.”
  5. “Entre as minhas melhores lembranças da minha filha bebê eram as tardes inteiras com ela dormindo na minha barriga. Se por um lado era escravizante ter que ficar o tempo todo por conta, por outro lado, era mágico tê-la no meu colo, encaixadinha, fazendo carinho no cabelo, nas orelhas, nas mãozinhas, ficar desenhando o rostinho dela mil vezes. Gostoso demais. E passa. Rápido. Bom que aproveitei e ninguém me tira essa lembrança.”
  6. “Há o grupo de mães que defendem que desde o primeiro dia, você coloque o bebê no berço dele, no quarto dele. E outras que falam que bebê deve sentir o calor materno, ficar perto do seio, que é alimento e conforto e o melhor é fazer a cama compartilhada (as adeptas do pediatra Carlos Gonzales, como eu). Uma coisa é certa, só você e seu parceiro podem saber onde é melhor para os três. Sim, para os três, ou quatro, ou cinco, dependendo do número de membros da família. Aqui fazemos uma parte do sono no berço e outra na cama compartilhada. Assim, conseguimos agradar a todos.”

COMUNICAÇÃO

  1. “Conversar com os bebês. Mesmo que não entendam. Se vamos sair eu digo: “vamos na casa da vovó”. Se dorme no meu colo, eu falo baixinho: “agora você vai pro seu bercinho”. Não sei se tem uma utilidade prática, mas, para mim, ajuda a reforçar que é um serzinho, com direito a saber para onde vai, o que vai acontecer, e também ajudou a criar esse hábito de dialogar, de “fazer combinados”, que é tão útil quando crescem um pouquinho. (Conselho da pediatra: além de conversar, converse olhando no olho.)”
  2. “Não saia escondida de casa, se despeça do bebê, explique que vai voltar. E tenha certeza que, se ele chorar, logo vai parar, vc está deixando ele com alguém de sua confiança e ele ficará bem.”
  3. “Não grite com seus filhos.”

OUTROS MACETES

  1. “Tentar sair de casa pelo menos uma vez ao dia durante a licença-maternidade (depois que passarem os primeiros dias mais intensos). Pode ser com o bebê ou não, pode ser só uma ida à padaria, mas não é bom ficar vários dias dentro de casa, acaba sendo muito cansativo.”
  2. “Mil e uma utilidades: piscina inflável, dessas com laterais e fundo macios. Podem ser usadas como cama, banheira, piscina de bolinhas… Levo comigo para o clube, para praças, para viagens…”
  3. “Só pedir fralda M e Pampers verde para o chá de fralda. M é a que você usa por mais tempo e a Pampers sem dúvida é a melhor. Outra coisa que eu aprendi é dar o cupom fiscal junto com a fralda num chá de fraldas, assim a pessoa pode trocar com mais facilidade.”
  4. “Nunca confie nas etiquetas das roupas, elas não são confiáveis e se não for provando as roupas você perde muita coisa.”
  5. “A minha dica é o quanto a rotina ajuda crianças pequenas. O difícil para os pais é não serem tão reféns dela.”
  6. “Estabeleça rotinas, elas ajudam muito.”
  7. “Facilite sua vida: escolha uma escola perto da sua casa ou do seu trabalho ou da casa dos seus pais/sogros. Esse tempo gasto no trânsito pode ser usado para outras coisas mais importantes e menos estressantes, como ir a reuniões com a professora, assistir apresentações especiais, levá-la ao médico etc. Seria uma mãe muito mais ausente se precisasse enfrentar trânsito pra tudo.”

REFLEXÕES PARA MÃES E PAIS

  1. “Não se cobre pela maternagem não ser como você idealizava. E esse conselho serve para muitos perrengues que eu passei nesse começo difícil chamado puerpério. A palavra que resumo tudo é: RESILIÊNCIA.”
  2. “Quando decidir que é a hora de fazer uma coisa, como tirar o bico ou a fralda, seja firme. Se você escolheu aquele momento para fazer aquilo é porque teve seus motivos para acreditar que era a hora certa, e sua segurança ou oscilação fará diferença na reação positiva ou negativa da criança.”
  3. Crie metas factíveis e de curto prazo e, só depois, vá passando para as metas mais difíceis. Por exemplo, você pode decidir que vai tentar amamentar os seis meses recomendados. Se chegar lá, aí pode pensar em tentar chegar aos oito meses, e assim por diante. Não pense de cara que você tem que chegar aos dois anos.
  4. “Pare de encanar com essas ideias de parto perfeito, bebê perfeito, sono perfeito, amamentação perfeita. Se informe muito bem sobre a parte “técnica” do parto, tenha um/a GO/pediatra ponta firme, confie no seu instinto e aproveite. Todos os fracassos e frustrações fazem parte da incomparável felicidade de botar seu bebê no mundo.”
  5. “Relaxa.”
  6. “Pais inseguros ou estressados deixam o bebê também estressado. Manter a calma, falar com o bebê em tom de voz calmo quando ele estiver chorando, pra ele também se acalmar.”
  7. “Faça sempre, sempre, sempre o que você sente que deve fazer sempre. Ignore os palpites. Se você ainda não se sente preparada para alguma coisa, não faça, ainda que todo mundo diga que é a hora. Intuição de mãe não falha e existe por algum motivo, respeite.”
  8. “Divida tudo com a sua companhia! Tudo mesmo!”
  9. “A gente sempre fala dos (muitos) pais que não assumem seu papel na rotina das crianças, mas também tem muitas mães que não deixam isso acontecer, que acham que só elas sabem cuidar corretamente do bebê. Eu sempre penso que o pai (ou a avó ou qualquer outra pessoa) não vai fazer as coisas como eu faço, e isso não é um juízo de valor. A minha maneira é minha, o que não significa que seja a única correta. Confie nas pessoas que você ama e que amam seu bebê.”
  10. “É claro que a mãe sabe o que é melhor para a sua cria. Mas se você não está sozinha, se tem um companheiro/a, conte com a opinião e ajuda dele. Ele conhece você intimamente, vai saber te ajudar a achar esse limite e dar apoio para que você não se cobre muito.”
  11. “Saiba que tudo é uma fase e que passa.”
  12. “Tudo passa… muito rápido. Exercício exaustivo de paciência.”
  13. “Siga seus instintos”
  14. “Siga seu instinto de mãe. Se você acha que o choro é por dor de barriga, por exemplo, acredite: as chances de estar certa são gigantescas. Mesmo sendo mães de primeira viagem, Deus nos dá um dom de interpretação e comunicação com o bebê que é praticamente infalível. Se eu soubesse disso desde o início não teria dado ouvido a tanta asneira, teria ficado mais segura e sofrido tão menos.”
  15. “Não queira fazer tudo sozinha.”
  16. “Ouça todos os conselhos e agradeça, mas siga seu instinto, só quem está 24 horas com um bebê sabe a necessidade a cada hora. E cada bebê é um bebê, alguns choram mais e exigem mais dos pais, outros não, mas isso não quer dizer que tenham problemas.”
  17. “Meu lema é: se tá ruim vai melhorar e se tá bom vai piorar! Então não se desespere e aproveite os momentos bons, porque tudo passa e muito rápido!”
  18. “Não queira ser a mãe perfeita, esqueça a mãe de manual, seja a mãe possível. E também não queira um filho perfeito. Sem o peso da perfeição, você e seu filho serão mais felizes. Vá ajustando as velas conforme a necessidade. Sempre vai faltar alguma coisa e sempre vai ter alguém para apontar o dedo para o que falta (pouca gente vai te elogiar). Não se importe, seja e melhor mãe que você pode ser e isso já será mais do que suficiente.”
  19. “Seja a melhor mãe que você consegue ser e não se espante se os outros lhe fizerem críticas e não reconhecerem seu esforço, incluindo aí os próprios filhos depois de crescidos… Deve bastar a nós mães o sentimento de dever cumprido.”

Agradecimentos especiais a Beto Trajano, Ludmila Pizarro, Letícia Villas, Eduardo Santos, Silvia Dalben, Viviane Moreno, Ivona Moreno, Mônica Moreno, Cristiane Grandi, Bruna Saniele, Cândido Silva e Nath Turcheti, Paula Moreno, Isis Mota, Paola Carvalho, Juliana Moraes, Tatiana Lagôa, Giovanna Balogh, Ana Paula Pedrosa, Fabiana Rewald, Sandrinha Fontana, Luciana Coelho, Vivi Whiteman, Giulliana Bianconi, Natália Gabriel, José Geraldo, Neuza Lima, Vanessa Pessoa e Stéphanie Sapin-lignières.

E você, tem algum conselho valioso para compartilhar? Deixe aí nos comentários e eu vou acrescentando ao post 😉

Se você é da turma que não gosta de conselho de jeito nenhum, nem de graça e bem-intencionado, aí vai um vídeo para descontrair 😀

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Um desabafo sobre a amamentação: ‘pé no saco’

Foto: Marcos Santos/ USP IMAGENS / Fotos Públicas

Marcos Santos/ USP IMAGENS / Fotos Públicas

Como meu universo está girando basicamente em torno do Luiz e nem é sempre que estou tendo tempo de acompanhar o resto das notícias do planeta (David Bowie morreu, vocês viram?), decidi criar logo uma categoria nova para o blog: Maternidade. Ela já estreia com 20 posts do arquivo, a maioria deles sobre meus aprendizados durante a gravidez. Leitores que não se interessam por filhos não precisam se preocupar: o blog seguirá multitemático, abordando cinema, música, literatura, política e todo o resto. Mas é natural que, nestes tempos de licença-maternidade, eu navegue com mais frequência por este novo assunto — e espero que minha abordagem seja útil.

Fiquei devendo escrever sobre minha experiência com o parto, mas ela vai ter que aguardar. Na verdade, ainda vou trazer mais posts sobre o final da gravidez e outras coisinhas de antes do nascimento do Luiz. Mas hoje resolvi reproduzir no blog um post que escrevi anteontem em minha página no Facebook, sobre amamentação. O motivo: despertou grande interesse de amigas que já são mães e de algumas que ainda pretendem ser, gerou um debate legal e, ao mesmo tempo, sinalizou que muuuuuita gente se identifica com a situação que descrevi no meu desabafo. Por isso, achei que poderia ser útil também às leitoras do blog. Começo compartilhando meu texto original:

Luiz, quando tinha 1 semana, e eu, só sorrisos :)

Luiz, quando tinha 1 semana

“Mães deste Facebook talvez me entendam, talvez me condenem, mas preciso desabafar: ESSE TREM DE AMAMENTAR TEM HORA QUE É UM PÉ NO SACO!

Quase toda semana tenho vontade de desistir, mas respiro fundo e penso nos benefícios para o Luiz e penso que já se passaram 40 dias (e como foram rápidos!), estou cada vez mais perto dos 6 meses (no meu caso, menos de 5 possíveis) de aleitamento exclusivo. E olho pra ele e vejo aqueles bochechões, aquelas dobrinhas nas pernocas, a saúde boa, o peso que já aumentou consideravelmente e tento ser mais corajosa, ou ao menos persistente. Mas estou quase montando um calendário de presidiário, com um xizinho nos dias que faltam para a liberdade condicional. Tem hora que é maravilhoso, que tudo dá certo, que fico feliz por ver a satisfação do Luiz enquanto mama? Tem sim. Passei o último fim de semana inteiro desse jeito, só na santa paz das mamadas que dão certo. Mas tem hora que fico sentindo uma dor insuportável depois das mamadas, que nem o são Google explica, que já diagnosticaram como mastite, como duto inflamado, como ejeção de leite, como frescura, mas não importa o que eu faça, a dor só passa quando ela quer passar. Como estou sentindo agora, enquanto desabafo. Na verdade, não conheço uma filha de deus que tenha amamentado sem nenhum problema no meio do caminho, nenhunzinho. Ou é leite de menos, ou é leite de mais, ou é infecção, ou é o escambau. Amamentar não é aquela coisa intuitiva e poética que a gente passa a vida acreditando ser: ao menos no começo, é um esforço danado, um empenho muito grande, é respirar fundo e falar “lá vamos nós”. Dizem que depois de um tempo as coisas só melhoram: o Luiz vai sugar mais rápido, essas dores inexplicáveis vão passar, o leite vai parar de vazar entre uma mamada e outra (o que vai me permitir fazer coisas prosaicas como ir ao clube), e tudo vai se tornar prazeroso e feliz. Bom, não vejo a hora que isso aconteça logo e, se acontecer, é possível que eu leia este post e pense “tudo passa, ainda bem que insisti” e sorria e decida manter a amamentação por mais de um ano além dos seis meses. Mas, por enquanto, fico nessa oscilação entre a felicidade, a aceitação e a exasperação. E digo uma coisa: PARABÉNS às mães que conseguiram amamentar por seis meses, um ano, dois. Pago pau pra vocês, moças. Se alguém quiser tecer comentários encorajadores ou críticos ou meramente descritivos, serei toda ouvidos.”

RESPOSTAS ENCORAJADORAS

Recebi mais de 30 respostas de amigas incríveis que me contaram suas experiências ou simplesmente ofereceram apoio. Algumas disseram algo na linha “É difícil mesmo, especialmente no começo, mas vai melhorar”. Outras decidiram, depois de muito insistir, que não valia a pena seguir amamentando, por suas razões particulares. Quero destacar alguns comentários que acho que podem ser muito úteis a outras mães que passarem por aqui e que podem se identificar:

Tudo passa – “Amamentar é um gesto de amor e doação sem tamanho. Amamentação exclusiva, então, é uma escravidão. Mas sigo, enquanto houver leite. Mais uma coisa: tudo passa foi meu maior aprendizado da primeira para a segunda filha. Tudo passa. O que fica é cada vez melhor.”

Sem remorso – “Apesar de sabermos a importância da amamentação pro bebê e também pra mãe, não se pode esquecer que cada caso é um caso… Cabe à mãe avaliar e decidir até quando continuar. Acredito que mais do que tudo amamentar é um ato de amor, mas nada adianta que esse amor seja doado à custa de muita dor e sofrimento da mãe… Então, vá ate onde você acha que da conta… E pare sem remorsos quando achar que deve.”

Grupo de apoio – “Amamentação foi o desafio da vida para mim. Mas deu certo e valeu a pena no meu caso. E seguimos aqui com 1 ano e sete meses de teté. O começo foi barra. Também pensei em desistir, também achei que nunca chegaria a 6 meses. Tem um grupo lindo, Matrice, que ajudou muito.”

matrice
Doação completa –
“Eu não senti fores insuportáveis, mas jorrava leite o dia inteiro e coloquei pra mim que amamentaria seis meses em livre demanda e essa era a minha obrigação, o que viesse depois era lucro porque, meu Deus, como amamentar é uma doação. De amor, de tempo, de leite e da nossa vida como mulher que quer fazer alguma outra coisa em algum minutinho do dia. Amamentei muito de madrugada, em um dia pior foram 15 vezes. Enfim, te entendo e admiro o esforço e não é fácil não! Cheguei aos 11 meses e 15 dias e parei quando ela quis, mas senti saudades.”

Saco mesmo – “Eu achei um saco. Super saco. A gente faz porque sabe que é bom, mas nunca consegui achar “lindo” como falam.”

Desmamar é pior – “Tente chegar aos seis meses, porque é bom pra vocês. Depois, quando estabilizar a comida, você avalia. Porque dar raiva em certos momentos é normal, mas amamentar todo dia se sentindo horrível é ruim pra você e por consequência pro baby. Eu parei por causa de trabalho, no tempo em que achei certo. No começo achei que chegaria aos 2 anos, que não passaria dos seis, enfim, expectativas. Tente se acalmar, se morder demais dê uma parada e não ligue pro que os outros falam quando, com calma, tomar sua decisão. Desmamar foi mais traumático pra mim que pra ela. Eu até doente fiquei, mesmo sabendo que era o que eu queria fazer etc. Não é só racional. É uma ligação muito forte mesmo. Às vezes eu sinto saudade, mas não quero mais, sabe?”

Apoio é fundamental – “Amamentar é osso, mas o mais importante é ter apoio, muito apoio do marido, da família e confiar que a gente é foda de amamentar nossas crias. Cansa, dá vontade de desistir, mas depois ver o resultado é inexplicável. Meus filhos raramente ficam doentes. Amamentar pra mim foi muito tranquilo e prazeroso, difícil foi tirar leite pra eles quando voltei a trampar.”

Período crítico – “Meu início foi difícil também, mas tenho uma ótima notícia pra te dar: é verdade que depois fica ótimo. Você já está passando pelo período crítico. Depois para de doer e fica só a parte boa. A do vínculo e da saúde que isso tudo significa pelo seu pequeno. Parabéns por não desistir. Vai dar certo. Palavra de quem passou por isso até outro dia.”

Vai melhorar – “Sei exatamente o que você está sentindo. Também me senti assim, mas depois melhora. Nos primeiros meses eu amamentava chorando por sentir dor. Vai melhorar e você vai curtir muito daqui a pouco.”

Vai melhorar [2] – “Eu quase morri. Fica tranqüila. Vai melhorar. Boa sorte para vocês!”

Só você sabe – “O bebê não nasce sabendo, a mãe não nasce pronta, a pele é sensível, as feridas não têm tempo de cicatrizar, as fisgadas são horríveis. Se fosse fácil, não precisaria de tanta campanha para incentivar, considerando os benefícios para a mãe, para o bebê e para o bolso (uma lata de leite que dura uma semana custa R$ 60…). Mas, enfim, não estou escrevendo isso para te dizer para seguir tentando nem para desistir, mas lembrando minha experiência para te mostrar que a decisão é sua, só sua, e que ninguém tem que te julgar ou criticar, só você sabe o que está passando e até onde pode seguir tentando. Não é por amamentar que você será uma mãe melhor ou pior. O Luiz precisa da mãe feliz, o mais descansada possível…”

Respeite seus limites – “A amamentação foi a maior frustração pra mim. Ninguém te fala (ou a gente não dá ouvidos) antes de ser mãe. Sentia uma dor insuportável e inexplicável após cada mamada. Me senti a pior mãe do mundo. Procurei explicação em todos os lugares. Até um passe eu procurei pra ver se afastava qualquer energia ruim. Nada resolveu. Não tinha forças pra cuidar do bebê porque a dor durava até a mamada seguinte. Ouvi várias pessoas dizendo que passava. Senti várias pessoas me julgando como se fosse frescura minha. A verdade é que cada um é cada um. Cada um tem uma experiência e cada um tem um limiar de dor. Pra mim foi insuportável e eu desisti. Preferi estar bem pra cuidar da minha filha. Na minha opinião o peito só é superior à mamadeira porque é de graça. Não deixei de criar laços com minha filha porque ela não mama no peito. Ela custou a ter uma gripe. Sempre foi saudável. Sempre foi inteligente… ou seja, é melhor uma mãe bem disposta e feliz que um peito cheio. Não estou dizendo pra você parar, estou dizendo pra você respeitar os seus limites e não se cobrar demais. Se não deu não deu. A maternidade já é muito difícil pra sofrermos por isso também. Seja feliz!”

Pontos positivos – “Amamentar é tudo isso! Analisando os pontos positivos, o bebê não tem intolerância, recebe todas as defesas contra doenças, o leite está sempre fresquinho e na temperatura certa e cria-se um elo muito gostoso com o bebê!”

Ditadura do horário – “Me senti abençoada agora, pois não sinto dores. Achei que a ditadura do horário era uó. Mas depois do seu depoimento nem vou reclamar mais. A melhor decisão — e a mais acertada — será aquela que o seu coração mandar tomar. Não se importe com nada mais.”

“Meus” filhos – “Só posso dizer que tudo passa mesmo e hoje, vendo mães como você amamentando, penso que naquele momento eu os podia chamar de “meus”, ali eles eram exclusivamente meus. Hoje, já rapazes, sinto muita falta de os chamar de “meus”. Aproveite esse momento, é único!”

Nova batalha – “No começo é difícil e depois é bem gostoso. Sigo amamentando, minha filha está com um ano e sete meses. No entanto, agora sigo enfrentando outra batalha. Como desmamar? Ela diminuiu muito, mas não quer largar.”

Persista – “Amamentei por mais de oito meses e adorei! Uma das experiências mais prazerosas da maternidade. Só desmamei meu filho porque os dentinhos dele cresceram mais cedo que minha filha e começaram a me incomodar. Persistam, mães, até onde puderem.”

Dorzinha fina – “Doeu muito durante um mês seguido. Depois melhorou até sumir. Amamentei por quase dois anos e meio. Quando enchia o leite, sentia uma dorzinha fina. No começo, até a água do chuveiro fazia doer o seio. Até o vento. Mas o que posso te dizer: realmente passou.”

Rotina de mamadas – “Amamentar não é nada fácil! Eu tive leite demais no começo e leite de menos no final. No meio, cortei da minha alimentação leite, soja, ovo, peixe e nuts, tive dor, cansaço e alguns (poucos) momentos de pura poesia, amor intenso e ternura. Se te consola, a cada dia dói menos e fica mais fácil. Se não te consolar e for sofrido demais para você, liberte-se! Não conheço nenhuma criança que tenha saúde mais frágil devido ao não aleitamento. O leite materno é sim maravilhoso e é de graça (as formulas em pó são caras e não tão benéficas). Mas, com certeza, mais vale uma mãe feliz do que exaurida pela amamentação. Porque seu bebê só estará tranquilo se você também estiver. Ah, e minha última dica é: “livre demanda” é para as mães muito abençoadas ou muito loucas! Não caia nessa! Imponha uma rotina de mamadas (a cada 3 ou 4 horas) e use o (pouco) tempo restante para fazer outras coisas. Bebês choram por mil motivos, mas sempre vai ter alguém do seu lado que vai perguntar: “Será que ele não está com fome?”. Responda que “não” e vire as costas de consciência limpa. E tenha a certeza de que tudo vai melhorar (se não melhorar até os três meses, é hora de mudar sua rotina ou a dele).”

rachel

AMAMENTAÇÃO É “SUPERESTIMADA” OU IMPORTANTE?

No mesmo dia, recebi também três indicações para ler o polêmico artigo (em inglês) “Breastfeeding is overhyped, oversold, and overrated”, de Courtney Jung, coincidentemente publicado no mesmo dia em que fiz meu desabafo no Facebook. Pode ser lido AQUI.

E o blogueiro-cientista Roberto Takata me indicou outras três leituras: “Como amamentar sem dor e desconforto, “A importância do apoio da família” e “Reflexões sobre amamentação prolongada e desmames precoces“.

E VOCÊ? O QUE ACHA DISSO TUDO?

Tenho certeza que, se você já teve um filho, tem alguma boa história para contar sobre sua experiência com a amamentação. Sobre suas dificuldades (existe alguém que passou por isso sem NENHUMA dificuldade?!), suas dúvidas, seus sentimentos e decisões. Sobre suas expectativas e a realidade que encontrou. Você conseguiu amamentar por muito tempo? Ou achou melhor nem tentar, ou parar em algum momento antes do que gostaria? Você já sentiu alguma dor parecida com esta minha? O que fez a respeito? Deixe seu comentário e, assim que der, farei um novo post com tudo o que pude aprender de novo nessa troca de ideias 😉

No meu caso, bom, seguirei em frente tentando amamentar com sucesso, não sei se por mais um mês, três, seis, um ano. Tudo vai depender de como será minha experiência daqui pra frente e minha capacidade de lidar com essas dores que surgiram há umas duas semanas, caso elas continuem. Daqui a algum tempo (sabe-se lá quanto), prometo voltar ao blog para contar o que aconteceu 😀

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