Feliz ano novo, povo!

Fotos: CMC

Como não é todo dia que a inspiração chega pra gente, vou reproduzir um email que enviei, na virada de 2008 para 2009, aos meus parentes e amigos que são vitimados semanalmente por minhas mensagens desde que me mudei pra Terra Cinza, em março de 2008.

Que ajude a inspirar vocês nesta virada de 2010 para 2011. Lembrando que 2008 foi um dos melhores anos da minha vida, mas 2009 foi melhor e 2010 foi muito melhor que 2009. Então não tenho meias-ambições para 2011, não. Este que virá será certamente um ano histórico! 😀

Mas aí está a mensagem reprisada:

que todos tenham uma virada animada
com pessoas queridas
com comes e bebes
com roupa nova
com fogos de artifício raiando no céu, bem lindos
com mensagens de celular, ou telefonemas, de quem importa
com simpatias que jamais darão certo
com pensamentos bons das coisas boas do ano que passou
(porque todo mundo sabe que o que é ruim logo é esquecido)
com pensamentos positivos sobre o que virá pela frente.
porque isso não é só um recorte no tempo, um calendário ocidental, um giro da terra no sol.
é o renovar de planos, projetos, sonhos e desejos
que são o que fazem nossas vidas se moverem
(além das surpresas, das aventuras e de tudo o que mine o tédio e a previsibilidade da rotina)
também é o renovar de contratos, de mandatos, de impostos, de períodos da faculdade, de vagas novas na folha (!), de tudo o que rege nossa vida social, econômica e política.
são novos prefeitos, novos roubos, novos crimes, novos rombos, novos déficits, mas também novas oportunidades, amigos, amores e pequenas realizações.
sempre acreditei em pequenas revoluções. aquelas que faziam o superintendente do bb tremer com correios atrevidos ou o professor autoritário da faculdade perder a banca depois de uma carta aberta.
mas também aquelas mudanças de emprego-profissão-cidade-estado-casa em um dia. [mesmo que mantendo as raízes bem fincadas].
são as revoluções que nos movem, assim como os planos, projetos, sonhos, desejos, surpresas e aventuras (e tudo o que mina o tédio e a previsibilidade da rotina).
a virada – ah, a virada…! – do ano é uma revolução completa da terra em seu percurso universal.
é o tempo fatiado depois de 365 (ou 366, como neste ano) revoluções da terra, formadas de 24 revoluções do relógio (ou duas, porque são 12 pedaços de bolo) e assim por diante.
é essa coisa infinita, eterna, sublime, que as religiões preferem perfumar em rituais e dogmas e transformar em deus.
porque, é claro, se ninguém ainda percebeu, deus é o tempo. ou o tempo é deus.
e a virada do ano, o réveillon, nada mais é que um culto – universal, porque mesmo nos países orientais o dia 1º é feriado – a esse deus mágico e impressionante.
por isso tantas pessoas pegam horas e horas de trânsito para chegarem à praia, outras bebem litros e litros de espumante para chegarem à lua, todos querem a felicidade plena e máxima naquele segundo fatídico depois da contagem regressiva.

mas isso é bobagem. o tempo (ou deus, se preferirem agora) só faz sentido se vivido em sua plenitude, se todas as pequenas fatiazinhas forem percebidas com emoção, não apenas a fatia das 24h pra 0h do dia 31 pro dia 1º de cada ano, mas do primeiro minuto de nascimento ao último antes da morte.
daí porque também podemos dizer que deus é a vida de cada um, do jeito que escolher vivê-la melhor. sem direito a arrependimentos, porque sem voltas. porque o tempo só anda pra frente, caso não tenham notado.
desejo, portanto, que apenas aproveitem suas viradas com o melhor de suas vidas, mesmo que em pensamento, mesmo que trancados num quarto, apenas sonhando com quem ou o que lhes fazem bem.
que seu 2009 [traduzam para 2011] e todos os anos que se seguem sejam fartos de tempo e de vida.
porque amo todos vocês (uns mais, outros menos, mas todos).
beijos,
cris
p.s. parece que escrevi isso bêbada, de tão viajado, mas tou sã igual um coco. é que ficar sozinha na redação sem nada acontecendo no mundo faz a gente ter idéias. e idéias são sempre bem-vindas, né.

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Mudar não é o problema, Saramago

Mas calar, concordo com ele, sempre é:

Por um ano melhor

O que cada um de nós deve fazer em primeiro lugar, pois não temos outro remédio, é respeitar as nossas próprias convicções, não calar, seja onde for, seja como for, conscientes de que isso não muda nada, mas que ao fazê-lo, pelo menos tenho a certeza de que eu não estou a mudar.”

O que recomendo a vocês, para um 2011 melhor, é assinarem o blog do Saramago em seus GReader e lerem cada uma das sabedorias do escritor português.

Acompanho o Cadernos de Saramago desde que ele realmente tinha esse nome, e recebia posts inéditos do escritor, ainda vivinho da silva. Mas ainda hoje o blog é um desfrute diário.

Querem mais exemplos, colhidos ao acaso?

“A pergunta que todos deveríamos fazer-nos é: Que fiz eu se nada mudou? Deveríamos viver mais no dessassossego. Não haverá amanhã se não mudarmos o hoje. Como se conta em A Caverna, tudo o que levamos às costas é passado e todo esse passado, incluindo a desesperança e a desilusão, é o que influencia o amanhã. Há que fazer o trabalho todos os dias com as mãos, a cabeça, a sensibilidade, com tudo.”
“Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos, depois voltamos ao princípio, tornamos a pensar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas secas, insignificâncias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terra de tufões. Outras vezes uma palavra é quanto basta.”
“A cabeça dos seres humanos nem sempre está completamente de acordo com o mundo em que vivem, há pessoas que têm dificuldade em ajustar-se à realidade dos factos, no fundo não passam de espíritos débeis e confusos que usam as palavras, às vezes habilmente, para justificar a sua cobardia.”
“O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende o colectivo. Levamos já dois mil anos dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros, para ver se assim tem mais eficácia. Porque o amor não é suficiente.”
“A mais inútil coisa deste mundo é o arrependimento, em geral quem se diz arrependido quer apenas conquistar perdão e esquecimento, no fundo, cada um de nós continua a prezar as suas culpas.”
“Nada está definitivamente perdido, as vitórias parecem-se muito com as derrotas. Nem umas nem outras são definitivas.”
“Eu acredito que o sentimento é como a Natureza. Não podemos, em nome da experimentação, da frieza científica, da objectividade e de todas essas coisas, expulsar o sentimento das nossas preocupações e das obras que vamos escrevendo. O sentimento estará sempre na moda, porque homem e mulher sempre sentirão amor. Não se pode matar o amor. Por isso tem uma presença tão importante nos meus romances.”
“Eu acredito que dentro de nós há um espesso sistema de passagens e portas fechadas. Nós mesmos não abrimos as portas, porque suspeitamos que o que há do outro lado não será agradável de ver […] Vivemos numa espécie de alarme em relação a nós mesmos, que é o de, quem sabe, não querermos saber quem somos na realidade.”
“A vida, que parece uma linha recta, não o é. Construímos a nossa vida apenas nuns cinco por cento, o resto fazem-no os outros, porque vivemos com os outros e, por vezes, contra os outros. Mas essa pequena percentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo.”
“O mais certo é ser a palavra o melhor que se pôde arranjar, a tentativa sempre frustrada para exprimir isso a que, por palavra, chamamos pensamento.”
“No fundo, todos temos necessidade de dizer quem somos e que é que estamos fazendo e a necessidade de deixar algo feito, porque esta vida não é eterna e deixar coisas feitas pode ser uma forma de eternidade.”
“Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais.”
“Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu.”

Inversões

Saí de uma Beagá com céu escuro, mal-humorado, cinza-cinza-cinza, que até me impediu de aproveitar as miniférias no lugar de que mais tenho saudade no mundo.

Cheguei à Terra Cinza, e o que encontro?


A Terra Cinza virou Azul, de qualquer ângulo que se olhe na minha (limitada) visão por janelas!

Isso só pode ser um sinal de que São Paulo decidiu, finalmente, me recepcionar! E que 2011 será um ano ensolarado! E que minhas visões encherão meus olhos de poesia e mais otimismo ainda! 😀

(Ou é apenas um sinal de que não deve chover por enquanto…)

Cinema em 2010, melhores e piores

Neste ano assisti a 22 filmes no cinema, dos quais 13 foram bem legais, 4 foram razoáveis e 5 foram muito chatos. Vou separar nessas três categorias e esperar pelos comentários de vocês, já que tudo é uma questão de opinião 🙂

Vale a pena ver

  1. Invictus (grande Morgan Freeman)
  2. Preciosa (emocionante)
  3. Ilha do Medo (melhor suspense do ano!)
  4. O Segredo dos seus Olhos (grande Darín)
  5. Alice no País das Maravilhas (viva Johnny Depp!)
  6. A Origem (segundo grande filme de DiCaprio no ano)
  7. Tropa de Elite 2 (complemento necessário ao 1)
  8. Avatar (roteiro brega, imagens lindas)
  9. Julie & Julia (bom roteiro e grande Maryl Streep)
  10. Tudo pode dar certo (Woody Allen bom do ano)
  11. A jovem Rainha Vitória (não lembro bem, mas gostei quando vi)
  12. A Rede Social (ótimos personagens reais)
  13. José e Pilar (apesar da companhia inadequada, bom filme)

Veja se estiver com tempo sobrando

  1. Sherlock Holmes (decepção aos fãs do detetive)
  2. Lula, o Filho do Brasil (grande personagem real, mas roteiro piegas)
  3. Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (Woody Allen fraco do ano)
  4. A Suprema Felicidade (melhor que eu esperava, graças ao ótimo Marco Nanini)

Não veja!

  1. Tokyo (saí depois da segunda história)
  2. Os Famosos e os Duendes da Morte (horrível e superestimado)
  3. O Bem Amado (novela da Globo, quase saí no meio)
  4. Par Perfeito (mais clichê, impossível)
  5. Comer Rezar Amar (fraco)

Gosta de blues?

Barbearia de blues em 20/10/2007

Em 2007 eu comecei a fazer aulas de gaita com o professor Leandro Ferrari, de Beagá. Queria aprender a tocar blues.

Aos poucos, fui percebendo que o número de gaitistas e de blueseiros da cidade era tão pequeno que praticamente todos se conheciam. E comecei a ficar amiga desse pessoal.

Um dos mais apaixonados pelo gênero é o Leonardo Kenji (esse que aparece tocando gaita na foto acima), que, além de conhecer todo mundo, criou o grupo Gaita BH, toca um blog sobre gaita e trouxe ao Brasil a ideia da Barbearia de Blues, que ele conheceu em Washington.

A barbearia que frequentei em Beagá em 2007 era uma roda de músicos que se encontravam todo sábado à tarde no Solar, um buteco que existia (ainda existe?) na Santa Tereza. Cada um levava o instrumento que sabia tocar, ou a letra que sabia cantar, ou (no meu caso) os ouvidos para degustar. Às vezes iam três pessoas, às vezes 30, mas sempre tinha alguém. E a gente ficava lá, das 17h às Xh, só ouvindo música e tomando cerveja e conversando. Era muito bom!

Eu fiquei tão empolgada que decidi criar um programa de rádio chamado Barbearia de Blues, que traria músicas, mas também histórias sobre o gênero. Apresentei o projeto à rádio UFMG Educativa (104,5 FM) e eles toparam. Eu ainda estudava e trabalhava e não era raro ter que invadir minhas madrugadas só pesquisando em livrões pesados sobre o blues e escrevendo o material, que seria gravado, uns sete de uma vez, no dia que eu tivesse tempo de ir ao estúdio.

Cada programa tinha de dez a 15 minutos de duração e era transmitido às 23h, de segunda a sexta. Consegui deixar três meses prontos, antes de me mudar para São Paulo e ter que dar fim ao projeto. Quando me mudei, coincidiu de a Barbearia do Kenji também terminar, porque todos se envolveram em outros projetos pessoais ou profissionais.

Coloquei parte dos programas no site http://barbeariadeblues.mypodcast.com, que ainda atualizo de vez em quando. Daqui a umas semanas, não haverá mais material novo para eu colocar lá, mas acho que já consegui resumir bem a história do blues nesses programas, colocando os maiores ícones, algumas descobertas que fiz de músicos ao redor do mundo, curiosidades etc.

Se você gosta de blues, ou quer conhecer um pouco mais a respeito, VEJA LÁ 🙂