‘Dumbo’: um Tim Burton mais contido em suas fantasias

Vale a pena assistir no cinema: DUMBO
Nota 8

Quando penso num filme de Tim Burton, logo imagino coisas criativas, fantásticas, extraordinárias ou simplesmente bizarras. Ele foi o mago, afinal, por trás de filmes como “Beetlejuice” (1988), “Edward Mãos de Tesoura” (1990), “Peixe Grande” (2003) e de outras duas adaptações de clássicos antigos: “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005) e “Alice no País das Maravilhas” (2010). Ao ver “Dumbo”, encontrei muitas cenas extraordinariamente bonitas, muita nostalgia, mas Burton esteve mais contido em sua criatividade.

E olha que estamos falando do universo dos circos, já carregados de magia por si só. Sempre imaginei aquelas trupes circenses da primeira metade do século 20, quando ainda não era ambientalmente incorreto carregar animais em jaulas e trilhos, como cenários de aventuras fantásticas, como ciganos detentores de poderes mágicos, capazes de voar pelos trapézios, fazer truques assombrosos e encher os olhos da gente de cores e luzes.

(Claro que, na prática, devia ser uma vida de muito menos glamour e sonhos do que na imaginação coletiva. Mais ou menos como acontece com os piratas, que eu sempre imaginava aventureiros maravilhosos, e me decepcionei ao descobrir que viviam em navios cheios de pulgas, com biscoitos duros estocados nos porões.)

Em “Dumbo”, Tim Burton parece querer explorar mais o lado realista dos circos formados por trupes em trapos do que o lado maravilhoso. Não quero dizer com isso que este filme, que é voltado para as crianças, em essência, intencione discutir o lado histórico ou sociológico das caravanas circenses. Só que, ao lado das cenas mágicas e maravilhosas do filhote de elefante voando, ou de profissionais reais de circo fazendo performances lindas, veremos também muita poeira, muita sombra e um ar mais soturno e de tons pasteis do que vibrante e colorido. Mais de filme de época do que de filme infantil.

Não vemos personagens bizarros e toda aquela loucura divertida, característica de Tim Burton, mas apenas a bizarrice já esperada de personagens de circo, e, de resto, uma história tocante sobre um filhotinho que vira alvo de pessoas gananciosas e que só quer mesmo estar reunido de volta com sua mamãe. Um enredo clássico, com direito aos heróis e vilões e a não muitas surpresas.

Quem leu até agora pode estar achando que não gostei do filme. Não é isso, muito pelo contrário. Só achei diferente da assinatura costumeira do diretor. Mas foi uma experiência nostálgica e muito divertida, ao longo de quase duas horas que passaram, literalmente, voando. O time de atores é de primeira, com feras como Colin Farrell, Michael Keaton, Danny DeVito e Eva Green. Os efeitos especiais, o design de produção e o figurino são impecáveis, dignos de concorrer ao Oscar.

É só que o “Dumbo” original, de 1941, é mais lisérgico e alucinante do que o de Tim Burton, de 2019 – quem diria! Mas em tempos de defesa dos animais, ver os olhinhos azuis expressivos escolhidos para Dumbo talvez faça mais sentido do que ouvir ratinhos conversando com elefantes. Talvez a mensagem contemporânea, mais sisuda, alcance a alma das nossas sérias crianças com mais eficiência do que o formato mais provido de imaginação. Ou talvez este seja mesmo um filme para adultos.

Assista ao trailer do filme:

P.S. Quando meu filho tinha acabado de completar 2 anos de idade, escrevi aqui no blog sobre eu ter levado ele ao cinema pela primeira vez. Naquela tentativa, fomos ver uma animação ruim e, passados dez minutos, tive que sair com ele da sala. Um mês depois, voltamos para ver outra animação (“Peixonauta”) e ele assistiu quase até o fim, mas era um filme bem curto. Depois cheguei a tentar uma terceira e última vez, para ver “Touro Ferdinando”, e a experiência não deve ter chegado aos 30 minutos de duração. Aí desisti. Cinema está muito caro para ficar testando assim, por mais cinéfila que eu seja e por mais vontade que eu tivesse de ter a companhia do meu filho comigo nas sessões.

Este “Dumbo” foi minha quarta tentativa, agora com o Luiz já com 3 anos e meio de idade. Não é uma animação, mas um filme com personagens de carne e osso – assim como em “Menino Maluquinho” e “Mary Poppins”, dois filmes que ele adora assistir em casa mesmo. E desta vez, pela primeira vez, ele viu tudinho comigo até o fim! Foi muito, muito legal a experiência, e nunca vou me esquecer da magia pessoal que “Dumbo” proporcionou nesta relação mãe-e-filho. Nunca vou me esquecer de como o Luiz entrou na história e, sentadinho ao meu lado, ficou olhando tudo sem piscar. De como, no fim, pediu para fazer foto com o cartaz do filme e disse que já estava com saudades. Isso é cinema! Espero transmitir meu amor pelo cinema ao meu baixinho, agora que ele já passou no teste.

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‘Pequena Abelha’: popularizando o drama dos refugiados

O filme vai ser com a Julia Roberts em um dos papéis principais. Ela vai ser a Sarah, uma jornalista de uns 30 e poucos anos, bem-sucedida editora-chefe de uma revista de moda, casada com um colunista famoso. Julia Roberts substitui outra star que tinha sido cotada antes para o papel, Nicole Kidman, conforme informado na orelha do livro. Ou seja, “Pequena Abelha” vai ser um filme daqueles blockbusters que todo mundo vê e comenta, tipo o “Extraordinário”, que Julia Roberts também estrelou recentemente.

Mas por que estou falando de um filme que ainda nem começou a ser filmado? Porque, enquanto eu lia “Pequena Abelha”, um best-seller em 20 países, eu imaginei várias cenas como cenas de filme. Acho que Chris Cleave certamente escreveu seu texto pensando em uma futura adaptação cinematográfica, como tinha acontecido com seu primeiro livro, “Incendiary”. E foi bem-sucedido nisso.

Não é demérito para este simpático livro de 270 páginas. Pelo contrário, significa que Cleave conseguiu criar cenas fortes, que aumentaram a dramaticidade de um enredo já bastante dramático sobre uma garota de 16 anos que viveu um pesadelo em sua terra natal, a Nigéria, e buscou refúgio na Inglaterra. O livro tem todo tipo de brutalidade que se possa imaginar. Parece querer arrancar nossas lágrimas a fórceps. E a narrativa visual contribui muito para isso.

Mas os maiores méritos de “Pequena Abelha” são de duas ordens: ideológica e narrativa. No primeiro caso, por popularizar um tema tão árduo que é o dos refugiados. Escancarar o absurdo de alguém não ter direito a uma vida digna apenas por ser de outro país. Abelhinha, a protagonista do livro, é, afinal, tão igual a qualquer um de nós. Ela tem uma sombra em seu passado e em suas memórias, mas tornou-se uma jovem mais forte por isso mesmo, além de ter se fortalecido aprendendo o idioma correto, falado por todos os outros, o que a aproximou dos demais. Inteligente, boa, forte… Vamos lendo e nos apaixonando cada vez mais por Abelhinha. E aí fica inevitável pensar: mas por quê? Por que ela não pode morar na Inglaterra, ou em qualquer outro lugar? E daí para “Por que qualquer outro refugiado não poderia encontrar abrigo onde haja um mínimo de humanidade?” é um pulo.

No segundo caso, porque Cleave constrói uma narrativa muito interessante, para além da questão das cenas de cinema. Ele usa o recurso de intercalar, a cada capítulo, a voz narrativa. Primeiro, é a da Abelhinha, depois a da Sarah, depois volta pra Abelhinha, e assim por diante, sempre em primeira pessoa, com dois estilos bem diferentes entre si. Ao usar esse recurso, ele cria suspense, mas também vai formando uma teia física que une as duas mulheres da trama, tão diferentes e tão parecidas ao mesmo tempo, a nigeriana e a britânica, que já eram unidas por um passado que só será revelado ao leitor lá pela centésima página.

Esse elo entre Abelhinha e Sara, físico e narrativo, é fundamental para gerar a empatia do leitor com as duas e, consequentemente, com a questão ideológica de pautar o drama dos refugiados para o mundo. Chris Cleave fez isso tão bem em seu livro que tornou-se best-seller. E agora ele vai alcançar muito mais simpatizantes, quando aquele sorrisão cativante de Julia Roberts aparecer no telão de cinemas pelo mundo afora.

Que assim seja!

Pequena Abelha
Chris Cleave
Tradução de Maria Luiza Newlands
Editora Intrínseca, 2010
270 páginas
De R$ 20 a R$ 39,90

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Carrancas: o paraíso brasileiro das serras e cachoeiras

Vista da matriz de Carrancas. Todas as fotos deste post são minhas.

Acho que ouvi falar de Carrancas pela primeira vez quando eu tinha uns 20 anos. A fama já era grande naquela época: era a cidade com mais cachoeiras em Minas, com mais de cem atrações naturais e paisagens exuberantes etc. Desde então, já se passaram 14 anos, e meu sonho de ir a esta terrinha, que fica a apenas 280 km de Beagá, ficou adormecido.

Faltando cerca de um mês para o feriado da Semana Santa, quando eu e meu marido, milagrosamente, teríamos folga juntos, lembrei de repente de Carrancas. Pesquisamos, adoramos tudo, fizemos reservas e começamos a contagem regressiva. O tempo demoroooou a passar, mas finalmente o dia 18 de abril chegou. E, ao chegar lá, constatamos que Carrancas é mesmo tudo aquilo que eu tinha tanto escutado, anos atrás – e muito melhor ainda!

Com certeza voltarei mais vezes. Neste post, compartilho a experiência, inclusive porque descobrimos que os paulistas e cariocas exploram muito mais aquele paraíso do que os belo-horizontinos, que estão tão próximos. Então talvez valha a pena espalhar um pouquinho mais que aquele município, descoberto em 1718 e emancipado há 70 anos, deveria ser rota turística obrigatória para os mineiros!

Aí minhas dicas:

TRANSPORTE

É possível ir de Beagá a Carrancas pela Fernão Dias ou pela BR-040, passando depois pela 383, de São João Del-Rey. O trajeto pela Fernão Dias é 13 km mais comprido, mas a estrada está em ótimas condições, e optamos por ele, tanto na ida quanto na volta. Gastamos 4h30 de viagem, de porta a porta, sem parada para refeição. Só pegamos um pouco de congestionamento em um dos postos de pedágio (são três, a R$ 2,40 de tarifa em cada).

Dentro de Carrancas, usamos bastante o carro, para deslocar da pousada até as cachoeiras. Mas a cidade é bem servida de estrutura como vans, para quem estiver sem carro.

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HOSPEDAGEM

Ficamos na pousada Roda Viva, que fica bem no centro da cidade, ao lado da igreja matriz Nossa Senhora da Conceição, erguida em 1721, numa praça muito agradável, com parquinho, e perto de restaurantes e mercado.

A pousada é imensa, mais parece um hotel. Tem quartos mais simples até outros mais sofisticados, com banheira hidromassagem e ar-condicionado. Ficamos num quarto sem ar, com ventilador de teto, frigobar (livre para os hóspedes encherem com o que quiserem, para ficarmos bem à vontade), uma cama de casal e uma de solteiro, uma varandinha com vista para a montanha e um sofazinho muito agradável, para a hora do vinhozinho no fim do dia.

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A pousada estava com preço ótimo, ainda mais considerando que tem uma boa estrutura para quem viaja com crianças – playground (novinho!) e duas piscinas (sendo uma coberta e aquecida), com atendimento de bar – e tem ótimo atendimento. Destaco a cortesia e gentileza da Elizete, da Sara e do Anderson, que nos atenderam superbem, nos deixaram usar o micro-ondas sempre que precisamos e deram dicas valiosas de passeios e refeições.

O café da manhã, incluído na diária, era farto, simples e delicioso, ao mesmo tempo. Check-in às 13h e check-out às 12h. A limpeza do quarto foi feita todos os dias, com troca de toalhas diária. No último dia, ainda tiveram a simpatia de deixar um bilhetinho desejando Feliz Páscoa, com três barras de chocolate dentro. Enfim, recomendo!

PASSEIOS

É impossível conhecer as mais de 70 cachoeiras, além das grutas e trilhas de Carrancas em apenas três dias, que foi o que tivemos. Mas pudemos, pelo menos, ir a duas cachoeiras famosas de lá.

1. Esmeraldas – A primeira foi a Esmeraldas, do Complexo Vargem Grande. São 9 km de estrada de terra até lá e mais cerca de 30 minutos de caminhada em uma trilha muito agradável, até o poço das Esmeraldas. No meio do caminho, há vários outros pequenos poços e piscinas naturais, ideais para os pequenos nadarem.

O Luiz se cansou um pouco no caminho, e teve que ser carregado em parte do percurso, mas a trilha é de dificuldade baixa e fomos recompensados por um poço de água transparente-esverdeada, sem muitas pedras, ideal para nadar, mergulhar e boiar à vontade.

Na saída (ou entrada) do complexo, tem um restaurante e é cobrada uma taxa de R$ 5 pelo estacionamento do carro. Não há taxa de visitação. Não é permitido entrar com bolsa térmica, para desestimular os farofeiros. No caminho do centro de Carrancas para Esmeraldas, tem a cachoeira da Fumaça, que é interditada para banho (porque é poluída e tinha alto índice de afogamentos), mas é linda de se ver e fotografar. Outras cachoeiras do complexo da Fumaça podem ser desfrutadas para banho, mas não chegamos a conhecê-las.

Todo o caminho até o complexo e lá dentro é muito bem sinalizado com placas.

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2. Complexo da Zilda – Este é mais distante do centro de Carrancas, separado por 13 km de estrada de terra, mas o trajeto é uma atração à parte. São muitos pastos, onde se vê muito gado, muito verde, eucaliptais, bambuzais e plantações de todo tipo. É um verdadeiro mergulho na natureza!

Lá chegando, paramos o carro e temos que andar pouquíssimo, coisa de 100 metros, para chegar à Cachoeira dos Índios. O poço desta é cheio de pedras escorregadias, bem menos propício para o mergulho e para levar crianças, mas, em compensação, a praia desta cachoeira é ampla, cheia de areia brilhante, que foi ótima para o Luiz brincar à vontade (ele até fez uma amiguinha). Ficamos horas por ali.

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Na saída, ainda passamos pelo sítio arqueológico, com algumas poucas pinturas rupestres, que dão uma sensação interessante de saber que outros humanos estiveram ali, naquele mesmo paraíso, há milhões de anos. Não é cobrada taxa de visitação para essa parte do complexo. Mas ali tem muito mais atrações, que não tivemos tempo de explorar, e algumas têm taxas de R$ 5 a R$ 30.

Todo o caminho até o complexo e lá dentro é muito bem sinalizado com placas.

3. Igreja matriz – Esta igreja, que começou a ser erguida em 1721, fica no meio da praça principal de Carrancas. É bem bonita por fora e por dentro, toda construída com blocos de quartzito, e com pintura no teto atribuída e um discípulo de Aleijadinho. Lemos depois que Carrancas é uma cidade famosa por sua grande religiosidade, que se torna até mesmo um retiro espiritual durante o Carnaval. Em plena Semana Santa, pudemos constatar essa fé do povo carranquense: houve missa todos os dias, às vezes com duração de horas, e sempre “transmitida” por alto-falante, além de procissões que envolviam toda a cidade. O sino da igreja badala a cada 15 minutos, o que me transportou direto para minha infância de passeios em Bom Despacho, cuja matriz tinha o mesmo costume de badalar as horas.

A praça da igreja foi um espaço muito agradável de passear, com aparelhos de ginástica e um grande parquinho, além de coreto e fonte de água. Um detalhe que vale a pena destacar: a praça estava sempre limpíssima, como, aliás, toda a cidade. Não vi nenhum pedacinho de papel no chão. Várias lixeiras espalhadas. A cidade inteira é muito limpa, organizada e bonita, com canteiro central todo florido para nos recepcionar desde a avenida principal, e seguindo assim pelas outras ruas, muito bem sinalizadas com placas.

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REFEIÇÃO

Os que mais gostei:

Tempero da Nair – Almoço delicioso, com comidinha caseira e bastante fartura. Você paga R$ 18 e come à vontade (R$ 9, no caso do Luiz). Fica numa casa e você entra, literalmente, na cozinha da dona Nair para se servir. Atendimento prestativo e simpático. Aceita cartões. Rua 9 de Abril, 81, Centro.

Uai Tchê – Outro com comida deliciosa, simples e farta, a preço fixo de R$ 27 por pessoa. Fica num ambiente muito agradável e bem decorado. Aceita cartões. Rua 8 de Dezembro, 686, bairro Além das Formas.

Virada do Largo – Restaurante mais caro (gastamos R$ 150 para as três refeições, mais bebidas), mas com comida muito saborosa e num ambiente muito bonito, com redes, almofadas, abajures e muitas plantas, num amplo quintal de fundo de casa. Aceita cartões, mas não estava funcionando e não nos avisaram, o que considerei um problema, já que tínhamos levado pouco dinheiro para a viagem. Fica bem atrás da igreja matriz.

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Não recomendo:

Recanto Bar – Achei caro e muito fraco, embora o ambiente seja agradável. Chegamos às 19h15 e nos sentamos na varanda, logo sendo informados de que ali era “só pra quem quisesse pedir pizza” (!). Mudamos de lugar e pedimos meia porção do queijo a pururuca e meia de filé, mas depois o garçom voltou para dizer que não podia fazer desse jeito. Então optamos por um prato simples, de filé com fritas. Ele só foi chegar às 20h40, mesmo tendo sido pedido mais de uma hora antes. Detalhe: o couvert artístico só é cobrado depois das 20h30… Pra piorar, o prato era bem pequeno. A cerveja da casa, que vendem como se fosse fabricada em Carrancas, é bem gostosa (tomamos a pale ale e a ipa), mas o rótulo diz que é feita em Conselheiro Lafaiete… No fim, a conta ficou supercara, tivemos que pagar o couvert por causa da demora no atendimento e ainda saímos com fome.

LEMBRANCINHAS

Carrancas é um ótimo lugar para comprar souvenires, porque tem de tudo e a um preço muito bom! Na Aarca, a associação de artesão da cidade, é possível encontrar dezenas de peças feitas com cabaça, além de tapetes, quadros feitos de pedra, carrancas, bolsas, cachaças, mel e doces. Fica na rua Padre Toledo Taques, 263. Deu pra comprar presentes pra toda a família, e pra nossa casa, gastando menos de R$ 100 ao todo.

Também vale comprar queijos, viu? Levamos o nosso da Casa do Queijo.

DICAS EXTRAS

  • Tem um posto Ale em Carrancas, com um preço não muito diferente do que encontramos em Lavras.
  • O único banco da cidade é o Banco do Brasil, e estava fechado porque tinha sido assaltado dias antes. Apesar de todo canto aceitar cartão, é melhor levar mais dinheiro para não passar aperto.
  • Vi ainda duas farmácias e um hospital na cidade.
  • Não precisamos usar muito repelente por lá, por incrível que pareça. Sou mais atacada por pernilongos em casa, em Beagá, do que no mato de Carrancas. Mas protetor solar foi fundamental. Principalmente nas trilhas, que são mais longas e a gente acaba esquecendo a proteção.
  • ESTE SITE é muito completinho e tem o mapa da cidade também. Mas a pousada nos forneceu um ótimo mapa de bolso, que foi muito útil!

Tem alguma curiosidade ou acha que deixei de abordar alguma coisa no post? Comente aí embaixo ou me envie um email com sua dúvida! 😉

Leia também:

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40 desenhos e séries lindos e educativos para crianças de até 4 anos

Já fiz este post aqui no blog antes, mais precisamente há 1 ano atrás, mas descobrimos tantos desenhos novos bacanas de lá pra cá, que achei que valia a pena uma atualização. Naquele post, listei 20 desenhos disponíveis na Netflix. Hoje, trago um total de 24 (seis novos e dois que saíram do cardápio da Netflix) e mais alguns que descobrimos na TV. Que tal aproveitar o feriadão para brincar e passear bastante com seus filhos e, nos momentos de descanso, assistirem juntinhos a um desenho bem legal, com direito a pipoca e cobertor? 🙂

Começo pelos que eu ainda não havia citado antes, todos na Netflix:

1. Patrulha Canina – O Luiz descobriu este desenho há menos de um mês e se apaixonou por ele. Trata-se de uma patrulha de seis cachorrinhos, comandados pelo jovem Ryder, que ajudam a resolver vários problemas na Baía da Aventura, onde vivem. Eles buscam soluções tanto para situações mais simples, como ajudar um amiguinho a reconstruir seu velotrol de material reciclável, até coisas bem mais complexas, como ajudar a limpar um vazamento de petróleo no mar ou ajudar o Papai Noel a recuperar sua estrela mágica, para salvar o Natal. Uma coisa bacana que acho neste desenho e em outros deste tipo é que não existem vilões. São todos pessoas de bom coração, que enfrentam algum dilema e precisam buscar uma solução para ele. Outra coisa que acho legal é a mensagem principal, de que sempre há solução para os problemas, por mais complexos que sejam, e que devemos ser persistentes e não perder a cabeça. (Ah, este desenho virou alvo de muita polêmica e reclamação por conta de um erro de dublagem, que, no Brasil, deixou Marshall e Zuma com vozes femininas na primeira temporada. O erro foi corrigido depois, mas o internauta não perdoa e teve até gente falando que foi tudo um plano diabólico para incutir discussões sobre ideologia de gênero nos bebês, rs. Sobre isso, recomendo a leitura DESTE POST, com boas reflexões a respeito.)

2. O Pequeno Reino de Ben e Holly – Dos mesmos criadores de Peppa, este desenho faz muito sucesso lá em casa. A trama é bem mais elaborada, acho que pensada para crianças já um pouco maiores, e também cheia de humor e didatismo, como no desenho da porquinha. Aqui, temos um reino em miniatura (com todas as curiosidades de ver as coisas sob a perspectiva deles), povoado por fadas e duendes, que têm uma certa rivalidade entre si. As fadas adoram usar mágica, os duendes são habilidosos com trabalhos manuais e detestam mágica. O desenho só tem uma temporada e estou na torcida para que venha a ter mais em breve.

3. Oddbods – Esses bichinhos meio amalucados fazem uma sátira da vida real, com personalidades bem próprias. Temos o valentão de pavio curto, o preguiçoso e relapso, o sujeito com mania de limpeza e perfeccionista, o exibido, o pregador de peças, a menina cientista super genial, a outra fofinha que só gosta de cor-de-rosa, e assim por diante. Um detalhe interessante é que não existem diálogos neste desenho. Os oddbods só conseguem soltar grunhidos. Isso estimula a imaginação dos pequenos, que conseguem acompanhar muito bem o que se passa na história.

4. Turma da Mônica – Dispensa apresentações, certo? Na Netflix, temos o CineGibi e os especiais temáticos da turminha do Mauricio de Sousa.

5. PJMasks – Três amiguinhos que viram super-heróis à noite e salvam o planeta do vilão Romeu. É bem uma adaptação de super-heróis clássicos, como Batman, para os pequetitos. E faz muito-muito sucesso nesta geração de 3 a 4 anos!

6. Que Monstro te Mordeu? – Série do cineasta Cao Hamburger, o mesmo de “Castelo Rá-tim-bum”, sobre monstrinhos inusitados como o monstro que faz a gente querer comer fast-food até se entupir. O cenário é muito rico, como era no castelo, e a série estimula a imaginação e também faz com que os pequenos percam o medo de monstros, já que são retratados como se fossem apenas crianças (meio esquisitinhas, mas inofensivas). O Luiz viu poucas vezes, no canal Rá-Tim-Bum! e na Netflix, e gostou sempre que viu.

E agora os que eu já tinha citado antes, todos ainda disponíveis na Netflix:

  1. Mundo Bita – São clipes musicais, com ilustrações muito bonitas e coloridas, letras bem elaboradas e mensagens positivas e educativas ou simplesmente divertidas sobre o dia a dia, o corpo humano, os animais e as brincadeiras. Não tem história, são apenas clipes curtinhos com músicas, para essa fase em que os pequenos se interessam mais pelas trilhas do que pelas histórias. Leia AQUI a entrevista que fiz com o criador do Mundo Bita.
  2. Masha e o Urso – Baseado no conto de fadas de Cachinhos Dourados, essa animação russa é cheia de mágica, aventuras e é praticamente sem falas, com lindíssima trilha sonora de orquestra. Masha é muito levada e sei que haverá um grupo dizendo que ela ensina maus hábitos aos nossos filhos etc, mas ela também tem um carinho imenso pelo urso, que representa uma figura paternal na vida da garotinha minúscula, e a ternura e afeto entre os dois é comovente. Leia AQUI a entrevista que fiz com o diretor do estúdio de Masha e o Urso, em Moscou.
  3. Backyardigans – Além de ter historinha cheia de aventuras, esse desenho é lotado de músicas, cantadas pela própria trupe de personagens, que ainda por cima fazem coreografias para acompanhar! Acho legal por incentivar os pequenos a brincarem apenas com fantasia e imaginação, explorando mundos fantásticos sem sair do quintal de casa.
  4. Little Baby Bum – É o que tem conteúdo mais explicitamente educativo, dentre todos que citei. Tem a musiquinha para ensinar a guardar os brinquedos na caixa, outra pra escovar os dentes, outra pra mostrar a diferença das formas e cores, e assim por diante. Além de músicas clássicas, como a da roda do ônibus que gira e gira.
  5. Bob Zoom – Produção nacional que já tem tradução para inglês e espanhol, com musiquinhas clássicas da nossa infância (assim como fizeram os criadores da Galinha Pintadinha), numa ilustração bem simples, cujo personagem principal é uma formiguinha azul. Os pequenos adoram!
  6. Festa de Palavras – Animação original da Netflix, com quatro bebês que interagem a todo momento com nossos pequenos do lado de cá. A cada episódio, eles tentam descobrir palavras novas (por exemplo, há o episódio em que aprendem o que é “cotovelo”). Didático.
  7. Turminha Paraíso – Mais um de clipes musicais, com desenho realmente muito bonito.
  8. A Turma do Seu Lobato – Outro de clipes musicais bonitinho.
  9. Na Sala da Julie – Esta série é maravilhosa, com a grande atriz Julie Andrews, que fez Mary Poppins, por trás da produção e no papel da protagonista. Foi a favorita do Luiz por um tempo. Falei mais sobre ela AQUI. (A propósito, Luiz ama o filme Mary Poppins!)
  10. Daniel o Tigre – Um dos meus desenhos favoritos. Além de ser muito bonitinho, apesar de todo feito em 2D, ele é extremamente educativo. Mas, em vez de falar sobre a importância de escovar os dentes, por exemplo, vai além: fala sobre como lidar com a frustração, com os ciúmes do irmãozinho caçula que está chegando, com o dodói que apareceu no joelho durante a brincadeira, e outras tantas questões envolvendo, principalmente, os sentimentos. Os episódios giram em torno da família de Daniel, de sua escolinha ou de suas brincadeiras com os amigos. Cada questão é trabalhada sempre em dois episódios seguidos. E a música da trilha sonora, principalmente a que encerra o programa, é uma das mais lindas que já vi na TV!
  11. A Casa do Mickey Mouse – Desenho mais poluído, com os personagens clássicos da Disney, mas que encanta o Luiz, principalmente pelas engenhocas e outras coisas mágicas que aparecem na casa do Mickey. Como o interruptor gigante que, em vez de apenas acender a luz, abre um dispositivo para dar passagem a uma mão de robô, que puxa a cordinha da lâmpada e a acende. Coisas assim. É bastante interativo também.
  12. Peppa – Acho que dispensa apresentações, certo? Peppa é unanimidade. Desenhos curtos, simples, com historinhas fáceis de entender e, ouso dizer, cheio de piadas de inglês que só os adultos captam realmente. Como no fim do episódio em que o sr. Touro está escavando a estrada, que termina com uma exclamação: “Todos adoram ficar parados no trânsito!”. E todas aquelas buzinas. Minha maior diversão é ver se os personagens adultos estão sorrindo ou sérios, porque isso é suficiente para compor toda a piada inglesa da historieta.
  13. Galinha Pintadinha (e a Mini) – Outra que dispensa apresentações. Prefiro a versão Mini, que, em vez de apenas trazer os clipes musicais, já tão presentes em outras séries já citadas (como Bob Zoom e Turminha Paraíso), traz uma historinha mesmo, com começo, meio e fim. Leia AQUI entrevista da revista Canguru com os criadores da Galinha Pintadinha.
  14. Dora a Aventureira – Desenho ultrainterativo, chega até a cansar o excesso de vezes em que os personagens param o que estão fazendo para perguntar o que o expectador acha ou faria. Traz sempre uma pequena aventura e palavrinhas em inglês.
  15. Doutora Brinquedos – Desenho que explora a imaginação, com uma menininha interagindo o tempo todo apenas com seus brinquedos.
  16. Supermonstros em ação – Desenho fofo, cujos personagens principais são um vampiro, uma bruxa, um Frankenstein etc. Eles têm superpoderes e tal, mas as questões discutidas se parecem muito com as vividas por qualquer criança, como saber emprestar o brinquedo para o outro etc.
  17. Beat Bugs – Bichinhos que vivem aventuras em episódios que contêm sempre uma versão de música dos Beatles. Acho que vale mais pela trilha sonora do que pelas histórias em si, que interessam mais a crianças maiores.
  18. Pocoyo – Esse é o desenho mais “clean” de todos, com pouquíssimos elementos e um narrador sempre se intrometendo na história. É o que gosto menos, mas meu filho de vez em quando pede para assistir.

Agora algumas descobertas muito boas na TV:

Também descobrimos alguns desenhos bem legais na TV, alguns dos quais ainda não citados aqui no blog, e que não existem na Netflix:

  1. Noddy, o detetive no país dos brinquedos (Gloobinho)
  2. Oi, Duggee (Gloobinho) 
  3. Yo Yo (Gloobinho)
  4. A Colmeia Feliz (Zoo Moo)
  5. Mouk (Zoo Moo)
  6. SOS Sônia (Zoo Moo)
  7. Teatro das Fábulas (Zoo Moo)
  8. Cocoricó (TV Rá-tim-bum)
  9. O Show da Luna! (Discovery Kids e TV Rá-tim-bum)
  10. Cantando com Ping e Pong (Discovery Kids)
  11. Super Wings (Discovery Kids)
  12. Monchhichi (Discovery Kids)
  13. The Happos Family (Boomerang)
  14. Meu Amigãozão (Discovery Kids)
  15. George, o Curioso (Discovery Kids)
  16. Floogals (Discovery Kids)

EXTRA: O Luiz ainda não tem paciência para ver longas, nem mesmo de animação, mas teve dois filmes que ele não só viu e adorou, como já viu dezenas de vezes! Ambos estão disponíveis na Netflix: Menino Maluquinho e Mary Poppins.

Leia também:

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3 frases de Ai Weiwei para estes tempos sombrios de bolsonarismo no Brasil

Um bote salva-vidas há de nos salvar? Fotos: CMC. Obras: Ai Weiwei

Estive no domingo na maravilhosa exposição gratuita, no CCBB de Belo Horizonte, com obras inéditas e outras já consagradas do artista e ativista chinês Ai Weiwei. Gostei muito de várias das esculturas, fotografias e pinturas de Weiwei, mas o que mais me chamou a atenção foram as frases.

Não sei se ele escreveu aquelas frases pensando no Brasil, já que esteve imerso na nossa cultura por um ano, para esta exposição. Muitos daqueles pensamentos têm validade universal. Mas o fato é que alguns se encaixam perfeitamente no momento político sombrio que o Brasil está vivendo.

Pincei três destas frases, para nossa reflexão:

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Sobre a primeira delas, aproveito para dizer algo que me traz muito alívio neste início de 2019: posso dormir todas as noites, com a consciência tranquila, sabendo que estou do lado certo da história. Bem distante do lado daqueles que idolatram torturadores e que querem tirar direitos consagrados (conquistados a duras penas) dos mais pobres e dos trabalhadores.

De brinde, mais três belas frases, de caráter mais universal, que também me encantaram durante a visita ao CCBB:

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Das obras em si, fiz poucas fotos, mas é possível encontrá-las à exaustão no Google. Aí uma degustação, para quem não pôde ir ao CCBB, já que o último dia de exposição foi anteontem (clique sobre qualquer imagem para ver todas em tamanho real):

Leia também:

 

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