Carrancas: o paraíso brasileiro das serras e cachoeiras

Vista da matriz de Carrancas. Todas as fotos deste post são minhas.

Acho que ouvi falar de Carrancas pela primeira vez quando eu tinha uns 20 anos. A fama já era grande naquela época: era a cidade com mais cachoeiras em Minas, com mais de cem atrações naturais e paisagens exuberantes etc. Desde então, já se passaram 14 anos, e meu sonho de ir a esta terrinha, que fica a apenas 280 km de Beagá, ficou adormecido.

Faltando cerca de um mês para o feriado da Semana Santa, quando eu e meu marido, milagrosamente, teríamos folga juntos, lembrei de repente de Carrancas. Pesquisamos, adoramos tudo, fizemos reservas e começamos a contagem regressiva. O tempo demoroooou a passar, mas finalmente o dia 18 de abril chegou. E, ao chegar lá, constatamos que Carrancas é mesmo tudo aquilo que eu tinha tanto escutado, anos atrás – e muito melhor ainda!

Com certeza voltarei mais vezes. Neste post, compartilho a experiência, inclusive porque descobrimos que os paulistas e cariocas exploram muito mais aquele paraíso do que os belo-horizontinos, que estão tão próximos. Então talvez valha a pena espalhar um pouquinho mais que aquele município, descoberto em 1718 e emancipado há 70 anos, deveria ser rota turística obrigatória para os mineiros!

Aí minhas dicas:

TRANSPORTE

É possível ir de Beagá a Carrancas pela Fernão Dias ou pela BR-040, passando depois pela 383, de São João Del-Rey. O trajeto pela Fernão Dias é 13 km mais comprido, mas a estrada está em ótimas condições, e optamos por ele, tanto na ida quanto na volta. Gastamos 4h30 de viagem, de porta a porta, sem parada para refeição. Só pegamos um pouco de congestionamento em um dos postos de pedágio (são três, a R$ 2,40 de tarifa em cada).

Dentro de Carrancas, usamos bastante o carro, para deslocar da pousada até as cachoeiras. Mas a cidade é bem servida de estrutura como vans, para quem estiver sem carro.

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HOSPEDAGEM

Ficamos na pousada Roda Viva, que fica bem no centro da cidade, ao lado da igreja matriz Nossa Senhora da Conceição, erguida em 1721, numa praça muito agradável, com parquinho, e perto de restaurantes e mercado.

A pousada é imensa, mais parece um hotel. Tem quartos mais simples até outros mais sofisticados, com banheira hidromassagem e ar-condicionado. Ficamos num quarto sem ar, com ventilador de teto, frigobar (livre para os hóspedes encherem com o que quiserem, para ficarmos bem à vontade), uma cama de casal e uma de solteiro, uma varandinha com vista para a montanha e um sofazinho muito agradável, para a hora do vinhozinho no fim do dia.

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A pousada estava com preço ótimo, ainda mais considerando que tem uma boa estrutura para quem viaja com crianças – playground (novinho!) e duas piscinas (sendo uma coberta e aquecida), com atendimento de bar – e tem ótimo atendimento. Destaco a cortesia e gentileza da Elizete, da Sara e do Anderson, que nos atenderam superbem, nos deixaram usar o micro-ondas sempre que precisamos e deram dicas valiosas de passeios e refeições.

O café da manhã, incluído na diária, era farto, simples e delicioso, ao mesmo tempo. Check-in às 13h e check-out às 12h. A limpeza do quarto foi feita todos os dias, com troca de toalhas diária. No último dia, ainda tiveram a simpatia de deixar um bilhetinho desejando Feliz Páscoa, com três barras de chocolate dentro. Enfim, recomendo!

PASSEIOS

É impossível conhecer as mais de 70 cachoeiras, além das grutas e trilhas de Carrancas em apenas três dias, que foi o que tivemos. Mas pudemos, pelo menos, ir a duas cachoeiras famosas de lá.

1. Esmeraldas – A primeira foi a Esmeraldas, do Complexo Vargem Grande. São 9 km de estrada de terra até lá e mais cerca de 30 minutos de caminhada em uma trilha muito agradável, até o poço das Esmeraldas. No meio do caminho, há vários outros pequenos poços e piscinas naturais, ideais para os pequenos nadarem.

O Luiz se cansou um pouco no caminho, e teve que ser carregado em parte do percurso, mas a trilha é de dificuldade baixa e fomos recompensados por um poço de água transparente-esverdeada, sem muitas pedras, ideal para nadar, mergulhar e boiar à vontade.

Na saída (ou entrada) do complexo, tem um restaurante e é cobrada uma taxa de R$ 5 pelo estacionamento do carro. Não há taxa de visitação. Não é permitido entrar com bolsa térmica, para desestimular os farofeiros. No caminho do centro de Carrancas para Esmeraldas, tem a cachoeira da Fumaça, que é interditada para banho (porque é poluída e tinha alto índice de afogamentos), mas é linda de se ver e fotografar. Outras cachoeiras do complexo da Fumaça podem ser desfrutadas para banho, mas não chegamos a conhecê-las.

Todo o caminho até o complexo e lá dentro é muito bem sinalizado com placas.

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2. Complexo da Zilda – Este é mais distante do centro de Carrancas, separado por 13 km de estrada de terra, mas o trajeto é uma atração à parte. São muitos pastos, onde se vê muito gado, muito verde, eucaliptais, bambuzais e plantações de todo tipo. É um verdadeiro mergulho na natureza!

Lá chegando, paramos o carro e temos que andar pouquíssimo, coisa de 100 metros, para chegar à Cachoeira dos Índios. O poço desta é cheio de pedras escorregadias, bem menos propício para o mergulho e para levar crianças, mas, em compensação, a praia desta cachoeira é ampla, cheia de areia brilhante, que foi ótima para o Luiz brincar à vontade (ele até fez uma amiguinha). Ficamos horas por ali.

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Na saída, ainda passamos pelo sítio arqueológico, com algumas poucas pinturas rupestres, que dão uma sensação interessante de saber que outros humanos estiveram ali, naquele mesmo paraíso, há milhões de anos. Não é cobrada taxa de visitação para essa parte do complexo. Mas ali tem muito mais atrações, que não tivemos tempo de explorar, e algumas têm taxas de R$ 5 a R$ 30.

Todo o caminho até o complexo e lá dentro é muito bem sinalizado com placas.

3. Igreja matriz – Esta igreja, que começou a ser erguida em 1721, fica no meio da praça principal de Carrancas. É bem bonita por fora e por dentro, toda construída com blocos de quartzito, e com pintura no teto atribuída e um discípulo de Aleijadinho. Lemos depois que Carrancas é uma cidade famosa por sua grande religiosidade, que se torna até mesmo um retiro espiritual durante o Carnaval. Em plena Semana Santa, pudemos constatar essa fé do povo carranquense: houve missa todos os dias, às vezes com duração de horas, e sempre “transmitida” por alto-falante, além de procissões que envolviam toda a cidade. O sino da igreja badala a cada 15 minutos, o que me transportou direto para minha infância de passeios em Bom Despacho, cuja matriz tinha o mesmo costume de badalar as horas.

A praça da igreja foi um espaço muito agradável de passear, com aparelhos de ginástica e um grande parquinho, além de coreto e fonte de água. Um detalhe que vale a pena destacar: a praça estava sempre limpíssima, como, aliás, toda a cidade. Não vi nenhum pedacinho de papel no chão. Várias lixeiras espalhadas. A cidade inteira é muito limpa, organizada e bonita, com canteiro central todo florido para nos recepcionar desde a avenida principal, e seguindo assim pelas outras ruas, muito bem sinalizadas com placas.

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REFEIÇÃO

Os que mais gostei:

Tempero da Nair – Almoço delicioso, com comidinha caseira e bastante fartura. Você paga R$ 18 e come à vontade (R$ 9, no caso do Luiz). Fica numa casa e você entra, literalmente, na cozinha da dona Nair para se servir. Atendimento prestativo e simpático. Aceita cartões. Rua 9 de Abril, 81, Centro.

Uai Tchê – Outro com comida deliciosa, simples e farta, a preço fixo de R$ 27 por pessoa. Fica num ambiente muito agradável e bem decorado. Aceita cartões. Rua 8 de Dezembro, 686, bairro Além das Formas.

Virada do Largo – Restaurante mais caro (gastamos R$ 150 para as três refeições, mais bebidas), mas com comida muito saborosa e num ambiente muito bonito, com redes, almofadas, abajures e muitas plantas, num amplo quintal de fundo de casa. Aceita cartões, mas não estava funcionando e não nos avisaram, o que considerei um problema, já que tínhamos levado pouco dinheiro para a viagem. Fica bem atrás da igreja matriz.

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Não recomendo:

Recanto Bar – Achei caro e muito fraco, embora o ambiente seja agradável. Chegamos às 19h15 e nos sentamos na varanda, logo sendo informados de que ali era “só pra quem quisesse pedir pizza” (!). Mudamos de lugar e pedimos meia porção do queijo a pururuca e meia de filé, mas depois o garçom voltou para dizer que não podia fazer desse jeito. Então optamos por um prato simples, de filé com fritas. Ele só foi chegar às 20h40, mesmo tendo sido pedido mais de uma hora antes. Detalhe: o couvert artístico só é cobrado depois das 20h30… Pra piorar, o prato era bem pequeno. A cerveja da casa, que vendem como se fosse fabricada em Carrancas, é bem gostosa (tomamos a pale ale e a ipa), mas o rótulo diz que é feita em Conselheiro Lafaiete… No fim, a conta ficou supercara, tivemos que pagar o couvert por causa da demora no atendimento e ainda saímos com fome.

LEMBRANCINHAS

Carrancas é um ótimo lugar para comprar souvenires, porque tem de tudo e a um preço muito bom! Na Aarca, a associação de artesão da cidade, é possível encontrar dezenas de peças feitas com cabaça, além de tapetes, quadros feitos de pedra, carrancas, bolsas, cachaças, mel e doces. Fica na rua Padre Toledo Taques, 263. Deu pra comprar presentes pra toda a família, e pra nossa casa, gastando menos de R$ 100 ao todo.

Também vale comprar queijos, viu? Levamos o nosso da Casa do Queijo.

DICAS EXTRAS

  • Tem um posto Ale em Carrancas, com um preço não muito diferente do que encontramos em Lavras.
  • O único banco da cidade é o Banco do Brasil, e estava fechado porque tinha sido assaltado dias antes. Apesar de todo canto aceitar cartão, é melhor levar mais dinheiro para não passar aperto.
  • Vi ainda duas farmácias e um hospital na cidade.
  • Não precisamos usar muito repelente por lá, por incrível que pareça. Sou mais atacada por pernilongos em casa, em Beagá, do que no mato de Carrancas. Mas protetor solar foi fundamental. Principalmente nas trilhas, que são mais longas e a gente acaba esquecendo a proteção.
  • ESTE SITE é muito completinho e tem o mapa da cidade também. Mas a pousada nos forneceu um ótimo mapa de bolso, que foi muito útil!

Tem alguma curiosidade ou acha que deixei de abordar alguma coisa no post? Comente aí embaixo ou me envie um email com sua dúvida! 😉

Leia também:

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Cenas das férias: Serra da Mantiqueira

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Quem lê este blog há muito tempo, sabe que já conheci a Serra da Mantiqueira e que me apaixonei pela região na divisa entre Sul de Minas, Rio e São Paulo. Por isso, decidimos incluir o roteiro em nossa viagem. Nos últimos dias de nossa aventura pelas estradas, subimos de novo a Régis (BR-116), paramos em Peruíbe, litoral Sul paulista, seguimos pela SP-050, Anchieta, Ayrton Senna, Carvalho Pinto, e chegamos à SP-046, onde encontramos a bela Santo Antônio do Pinhal (SP).

 

Cidadezinha com pouco mais de 6.000 habitantes e mais de 1.500 metros de altitude, Pinhal está ainda mais charmosa desde a última vez em que estive lá, em 2011. As casas e lojas do centrinho estão todas reformadas, com telhadinhos novos e muito charmosos. O número de bares e de pousadas também parece ter explodido nos últimos tempos. Vários cartazes do governo de São Paulo alardeiam que a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), que nasceu naquela região da Mantiqueira (em Pindamonhangaba), está empenhada em reformar a terra natal do governador paulista. Várias ruas foram recapeadas apenas nos três dias em que lá estivemos e as estradas também estão muito bem conservadas em toda a região.

Ficamos hospedados na Pousada Santo Antônio do Pinhal, que fica em uma micro-rua sem-saída que desemboca na avenida principal da cidade, a Ministro Nelson Hungria, bem no centro. A pousada cobrou diária de R$ 100 para o casal (ou R$ 50 por pessoa), um preço muito justo para as ótimas acomodações (quarto com aquecedor elétrico, frigobar, TV), o café-da-manhã delicioso e o silêncio garantido, cortado apenas pelo som dos passarinhos (aliás, um deles usava a luz de emergência, na frente do nosso quarto, como ninho).

Fizemos um roteiro tão bacana que vou recomendar cada item, sem exceção:

Dia 1: subimos, de carro mesmo, o Pico Agudo, que fica na própria Pinhal. A estrada de 8 km de extensão, de terra, pode ser toda percorrida de carro, e tem uma paisagem por si só maravilhosa, com aves raras e vista deslumbrante. Lá do alto, a 1.700 metros acima do mar, temos uma vista de 360 graus das cidades e serras ao redor. Chegamos na hora do pôr-do-sol, que dispensa comentários.

À noite, comemos pizza saborosa no Varanda, que também tem um preço justo. Clique em qualquer foto para ver todas em tamanho real:

Dia 2: percorremos a SP-046 no sentido de Gonçalves, cidadezinha mineira de 4.000 habitantes, que tem suas próprias surpresas e delícias. Pra começar, visitamos três lindas cachoeiras: do Retiro, das Sete Quedas e do Cruzeiro, onde nadamos, tomamos sol e apreciamos a natureza. Para chegar a esta última, tivemos que percorrer uma pequena trilha, bem sinalizada, de 1.200 metros, por onde cruzamos com araucárias, quaresmeiras raras e fomos barrados por meia dúzia de vacas e bois que descansavam bem no meio da estrada! Clique em qualquer foto para ver todas em tamanho real:

Antes de sair de Gonçalves, passamos na casa, bem no centro da cidade, da Senhora das Especiarias. O lugar é parada obrigatória: lá são preparados dezenas de temperos, geleias, antepastos, chutneys e molhos com todo tipo de ingredientes maravilhosos. É possível experimentá-los na hora. Saímos de lá carregados de potinhos! (Preços: R$ 6 o pequeno e R$ 18 o grande).

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Depois seguimos pela SP-046, passando por Sapucaí-Mirim (MG), até chegar a São Bento do Sapucaí (SP), cidade com 10 mil habitantes, onde almoçamos no excelente Taipa Restaurante, com buffet de comida mineira a quilo (R$ 27/kg), e decoração cheia de antiguidades. Quase perdemos o almoço, que termina às 15h.

Lá mesmo em São Bento, seguimos na direção da Pedra do Baú, parando na Cachoeira dos Amores, onde só fizemos fotos antes de voltar a Pinhal. E, já em Santo Antônio, fizemos uma parada estratégica para comprar chocolates Das Senhoritas e tomar sorvete Eisland, feito com leite de vacas Jersey (R$ 5 e pouco cada bola). Clique em qualquer foto para ver todas em tamanho real:

Dia 3: fomos cedo para Campos do Jordão, que fica a 10 km de Pinhal e é a cidade mais famosa da Mantiqueira, com 50 mil habitantes. Desta vez, as árvores da fortuna, que são o símbolo da cidade, estavam carregadas de folhas (aquelas da bandeira do Canadá), mas já amareladas e marrons, forrando também as ruas, num clima bem outonal. As casas, sempre com arquitetura típica (provavelmente imposta por lei municipal, já que não vimos nada que fugisse àquele padrão), dão um ar europeu para a cidade (como se tivéssemos saído do país), que é um pouco engraçado.

Seguimos para o pico do Itapeva, na vizinha Pindamonhangaba, a mais de 2.000 metros de altitude, de onde se avista 15 cidades do Vale do Paraíba. Ou avistaríamos, se não estivesse tão nublado. Mas pairar sobre as nuvens também foi emocionante, e deixou o pico ainda mais bonito do que eu tinha visto da última vez.

Lá fizemos várias compras para trazer de presente, de ponchos, casacos, cachecol, meiões de lã, licores e ímã de geladeira (estes para minha coleção), a preços irrisórios.

Depois descemos de novo para Campos do Jordão, passando por um caminho bonito, cheio de casarões, castelos e árvores de folhas vermelhas, onde chegamos ao badalado bairro Capivari, onde ficam restaurantes caros como o da Baden Baden (cerveja que não é encontrada por menos de R$ 25 na cidade). Lá, tínhamos duas opções: ou “abraçávamos o capeta” e arcávamos com pratos individuais na casa dos R$ 70, ou buscávamos opções mais econômicas. Como ainda íamos comer rodízio de fondue à noite, preferimos a segunda alternativa. Assim, fomos parar em um bom self-service a R$ 29,90/kg, numa das ruas principais de Capivari (infelizmente, esqueci de anotar o nome do lugar).

Em seguida, passamos pelo Pico do Elefante, de onde se avista boa parte da cidade (e onde fica o teleférico) e terminamos o dia no Museu Casa da Xilogravura, que bem poderia ser chamado de Museu da Impressão, porque aborda várias técnicas de impressão, chegando até a máquinas de datilografia. Fomos recebidos na porta pelo próprio fundador, o artista Antonio Costella, que esperava a chegada de uma excursão escolar. Vale a visita! (R$ 5 o ingresso, ou R$ 2,50 a meia-entrada). Clique em qualquer foto para ver todas em tamanho real:

E assim terminamos nossa aventura. Na volta para Beagá, passando pela BR-456 e pela Fernão Dias, cruzamos cidades que se dizem a Terra da Fogueira ou se atribuem outras especialidades, com várias igrejinhas, paralelepípedos e vendedores de redes ou de doces na beira do caminho. Paramos para um almoço no Graal de Ribeirão Vermelho/Perdões, e chegamos em Beagá ainda às 16h, a tempo de pegar um céu estonteante que parecia um vulcão:

Céu de Beagá! Foto: CMC

Céu de Beagá! Foto: CMC

Conclusão: é uma delícia viajar e conhecer mil lugares incríveis, mas o melhor lugar do mundo ainda é nossa casa, na terrinha que mais deixa saudades, então também é sempre bom estar de volta 😀

Leia também:

Cenas das férias – parte 5

O paraíso na Terra! Mais um em Minas que fiquei conhecendo e ao qual voltarei muitas vezes. (Clique sobre as imagens para vê-las em tamanho real. Fotos: CMC)

Quem disse que a gente não tem mar?!

A Cachoeira Alta tem 100 metros de queda! Ela chega com tanta força que o vento é fortíssimo e a correnteza desanima a nadar. Ao contrário da cachoeira anterior, do Patrocínio, em que nadei um bocado.

Até breve, bela Ipoema!

Dicas:
Fiquei hospedada na Pousada Quadrado, bem no centro da cidade, ao lado da Matriz — bom para quem quer conhecer o distrito de Itabira direito, não só as cachoeiras. Apesar disso, é super silenciosa (como toda a cidade): à noite dá pra ouvir o barulho da geladeira. Custa R$ 60 para passar sábado e domingo, por pessoa. Tem quarto para até 4 pessoas e você se sente em casa: pode usar a cozinha, pegar as bebidas da geladeira, e é você mesmo que anota na cartela para pagar no final. O mesmo grupo, Termas do Rei, também tem um sítio mais afastado do centro, com piscinas naturais e outras coisas, para quem gosta de mais “luxo”. Se não me engano, é o mesmo valor. Mais informações AQUI.
Na cachoeira Patrocínio, ótima de nadar, descobri que há outra pousada, bem de frente para a montanha e para a queda d’água, com aquele barulhinho gostoso o tempo todo, chamada Pousada Cachoeira. O quarto na verdade é um apartamento, com cozinha americana, varanda com aquela vista, para até três pessoas. Vai ser uma boa opção pra quem quiser realmente descansar e se isolar e não fizer questão de ficar mais perto do centro. O quarto custa R$ 120, então sairia a R$ 40 por pessoa, em caso de três ocuparem, ou R$ 60 para quando for casal. A cachoeira é pertíssimo e há outra quedinha d’água menor a uns 100 metros da pousada. Mais informações AQUI.

O mundo mágico da Serra da Mantiqueira

Quem diria que, a apenas duas horinhas de São Paulo, haveria tanto verde-verde, tanto céu azul-azul, tanto cheiro de mato, boi pastando, araucária, árvore da fortuna, gente simpática e sorridente, comida boa de Minas, artesanato legal, cachoeiras e rios de água limpinha, natureza humilhante!

Já descobri pra onde posso escapar quando a Terra Cinza estiver me enchendo!

Vejam se não vale a pena:

Vista do Pico do Itapeva (fotos: CMC)

Lago em Pindamonhangaba.

Pedra do Baú.

Pico Agudo

Cachoeira dos Amores

Cachoeira das Sete Quedas

Vista do alto

Cachoeira do Retiro

Cachoeira do Cruzeiro

Até as estradas são um espetáculo à parte!

Dica: em vez de pagarem diárias absurdas de no mínimo R$ 150 por pessoa em Campos do Jordão, procurem as diárias na faixa dos R$ 30 a R$ 40 em cidadezinhas lindas e ótimas da região, como Santo Antônio do Pinhal, onde fiquei. Você dorme (e faz vários passeios) nela, mas, de carro, percorre todo o redor e conhece essas belezas todas (inclusive as de Campos)!

Meu pequeno paraíso (e viva a Gavião!)

Hoje quero me redimir daquele post que fiz sobre a Serra do Cipó, em dezembro do ano passado, que maculou a imagem da Cachoeira Gavião e do Parque Nacional.

É que hoje, vejam bem, acordei com este céu:

Baita diferença, né? (Fotos: CMC)

E foi este céu que encontrei ao chegar no meu pequeno paraíso, depois de muito tempo “garrada” no trânsito de Lagoa Santa (algum engenheiro de tráfego pelamordideus vai lá mudar o tempo desregulado daqueles sinais??):

Com a confiança de que uma nuvem colorida assim jamais nos pregaria uma tromba d’água (e a época de chuva já acabou em Minas), decidimos ir da Padaria do Cipó direto para a Gavião. Afinal, lá se vão três anos desde aquele trauma que passei por lá.

Desta vez, muito diferentemente daquela, havia, sim, uma portaria na entrada da trilha mais próxima para a Gavião. Com plaquinha anunciando a responsabilidade do governo federal sobre o parque, com porteiro, com direito a termos nossos nomes anotados para conferir se voltamos antes do anoitecer, com helicóptero da polícia federal vistoriando acampamentos irregulares – enfim, tudo o que não havia em fevereiro de 2008 e que agravou nosso problema na época estava lá, hoje, bonitinho.

E assim, começamos nossa caminhada por uma trilha de 7 km, interrompida por pequenos cursos d’água ótimos pra molhar o pé e acompanhada pelo rio que sai da cachoeira (e que, desta vez, não se tornou o rio Amazonas ;)).

As montanhas que nos guiaram por todo o trajeto.

"Sempre-viva", flor típica do cerrado da Serra.

Por fim, chegamos à nossa Gavião. Desta vez (ainda bem!), minguadinha (comparem com a foto do outro post). Mas o poço ótimo para nadar!

Depois que o sol saiu do poço, a pedra ficou dourada 🙂

Ficamos lá até umas 16h30, porque a caminhada da volta prometia ser mais lenta (e foi beeeem mais, depois que meu chinelo esquerdo arrebentou e tive que andar arrastando o pé…). Mas isso não foi um problema, pelo contrário. Andamos apreciando a natureza e o brilho alaranjado, o mais bonito, que o sol joga na paisagem durante o entardecer:

Quando a trilha já estava no fim, 14 km depois, eis que vemos este sol:

E, na volta, já noite fechada, o céu estrelado é indescritível e infotografável. É aquele céu impossível nas cidades grandes, ainda mais em dia de lua cheia como esta que me espia da janela enquanto bato este post, já com saudades do meu pequeno paraíso…

Sempre voltarei, querida Serra do Cipó, e espero que da próxima eu possa voltar com mais tempo 🙂