As graves denúncias do povo de Conceição do Mato Dentro

Uma sala cheia de pessoas indignadas, munidas de cartazes feitos à mão, mostra como o projeto Minas-Rio, da mineradora Anglo American, não é bem-quisto pelos moradores da pacata Conceição do Mato Dentro, na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais.

O projeto pretende construir um mineroduto para escoar, com água, a extração de minério de ferro, de Minas para o Porto do Açu, no Rio. Sim, abriram mão da construção de ferrovias ou do uso de rodovias para, em seu lugar, escoar a produção mineral com um duto, por onde vão escoar 2.500 m³ de água por hora. Método não muito sustentável, alegam os moradores da região, que dependem da água para outros fins.

E há seis anos a população de Conceição do Mato Dentro luta contra esse projeto. Ontem, em audiência pública na Assembléia de Minas, entregou uma petição com 3.000 assinaturas pedindo a suspensão do empreendimento. E denunciou, conforme diz o site da ALMG, os seguintes problemas:

  • grilagem de terras,
  • assoreamento de córregos e rios,
  • coação da população (seguranças da mineradora estão proibindo a população de transitar por estradas e de chegar até as propriedades rurais),
  • destruição do meio ambiente,
  • falta de água,
  • poluição dos mananciais,
  • invasão de terras pela empresa,
  • destruição de casas e plantações e expulsado os moradores de suas casas,
  • congestionamento e problemas em várias áreas (segurança, saúde) pela falta de estrutura da cidade para receber os 8.000 trabalhadores da obra.

As denúncias foram corroboradas por representantes do Ministério Público presentes na audiência pública. E a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia resolveu formalizar o pedido de suspensão da obra.

Eu, pessoalmente, fico triste por ouvir denúncias graves assim, principalmente no que diz respeito ao meio ambiente. Conceição é palco de cachoeiras maravilhosas, como a Tabuleiro, já considerada a mais bonita do Brasil pelo Guia Quatro Rodas. Tem também mirantes, lagoas, poços, igrejas históricas e uma paisagem de cerrado deslumbrante. É colada à Serra do Cipó, um paraíso pertinho de Beagá.

Se até a implantação do projeto já é alvo de tantas e tão graves denúncias, corroboradas por agentes fiscalizadores, me pergunto como será o pleno funcionamento do mineroduto. Será que é o caso de arriscar?, pergunto aos responsáveis pela emissão das licenças.

Vegetação de cerrado da região. Foto: CMC

Vegetação de cerrado da região. Foto: CMC

Leia mais a respeito:

Anúncios

As águas da Serra do Gandarela

Texto de José de Souza Castro:

Em artigo anterior escrevi sobre o avanço do capitalismo mundial na gestão das águas, incluindo sua participação no capital da Copasa-MG. Volto ao assunto, ao descobrir que o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), engenheiro eletricista Adriano Magalhães Chaves, participou na semana passada do 6º Fórum Mundial da Água, em Marselha.

Espero que ele tenha aproveitado os cinco dias do fórum, aberto dia 12 de março com o tema “Tempo para Soluções”, para deixar a França mais bem preparado para enfrentar o lobby da Vale em favor do Projeto Apolo que ameaça o abastecimento de água de Belo Horizonte e de municípios da região da Serra do Gandarela, onde se encontram importantes mananciais.

Antes de chegar à Semad, em janeiro de 2011, Adriano presidiu o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi) e teve participação importante na aprovação do projeto de Eike Baptista para explorar o minério de ferro de Conceição do Mato Dentro, com o uso intensivo de água escassa na região, para levar o minério, por meio de um mineroduto, até o litoral do Rio de Janeiro. Escrevi sobre isso AQUI.

As perspectivas, portanto, são pouco auspiciosas para a Serra do Gandarela, situada no Quadrilátero Ferrífero. O projeto Apolo foi anunciado pela Vale em outubro de 2009, acenando com investimentos de quatro bilhões de reais e com apoio do então governador Aécio Neves. De imediato, o projeto foi criticado pelos ambientalistas ligados ao Movimento pelas Serras e Águas de Minas, que estranharam aquele apoio antes que houvesse o aval do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) ou estudos aprofundados sobre os impactos ambientais, sociais, arqueológicos e históricos da futura mina. Naquela mesma data, a Vale entrou com um pedido de Licença Prévia junto ao governo de Minas.

Até agora, o principal empecilho para a liberação das licenças de instalação e de operação da mina da Vale – que deve ser a segunda maior do país, com produção de 37,5 milhões de toneladas anuais, numa segunda etapa (a primeira, para 24 milhões, deveria entrar em operação em 2014) – vem de uma proposta para a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela, apresentado em outubro de 2010 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Dependendo da aprovação dessa proposta pela presidente Dilma Rousseff e da extensão do parque, ficaria inviabilizada a mina da Vale.

A questão da água tem sido deixada em segundo plano, embora, quando apresentou a proposta, o ICMBio tenha afirmado que “na Serra do Gandarela também estão as nascentes dos principais mananciais de água que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em Caeté, 85% do abastecimento de água provêm do Gandarela e, em Raposos, todo o fornecimento.” Como se sabe, a mineração provoca rebaixamento do lençol freático, além de usar intensivamente água nos processos de beneficiamento do minério.

Se o parque for criado – ou seja, se o senador Aécio Neves não tiver cacife para impedir e a Vale fracassar em obter outros apoios –, o turismo, segundo o documento do ICMBio, será a única atividade econômica permitida na área de mais de 38 mil hectares do parque. Argumentou o ICMBio, ao fazer a proposta, que se trata “da escolha entre a produção de uma riqueza que, ainda que significativa, tem esgotamento previsto para daqui a alguns anos, deixando um rastro de danos irreversíveis nas imensuráveis riquezas naturais, científicas e históricas do Gandarela, e a manutenção do tesouro para as presentes e futuras gerações, com seu aproveitamento em atividades que também geram riqueza para os municípios e suas populações, sem, no entanto, jamais esgotar sua fonte”.

O jogo está posto. Façam suas apostas…

Os rituais

Já falei aqui algumas vezes que eu adoro criar pequenos rituais, “tradições” para serem cumpridas em determinadas ocasiões, às vezes com determinados amigos. É algo que ajuda a criar cumplicidade ou, quando faço sozinha, ajuda a dar sentido a alguma data (por exemplo, o natal).

Fiquei tentando lembrar de alguns desses rituais e cheguei à seguinte lista:

– Quando vou com a família a Mucuri, temos que ir para a churrascaria ao chegar à cidade, à noite.

– No natal, é tradição eu ler “Milagre na rua 34”, para relembrar do que se trata o espírito natalino.

– Se vou à Serra do Cipó, a primeira parada tem que ser na Padaria Cipó. Uma das tradições era jantar na Santa Pizza e observar as estrelas depois, mas dizem que a pizzaria fechou 😦

– Quando estou indo embora de Beagá para a Terra Cinza, depois de uma visita, é tradição eu mandar mensagens de celular para as pessoas, despedindo e marcando a “próxima aventura”.

– Desde que me mudei pra São Paulo, a tradição é enviar um email semanal aos amigos e parentes mais próximos, com as novidades e reflexões dos últimos dias.

– Uma tradição com a minha avó Rosa era jogar baralho ouvindo “Eu Sei que Vou te Amar”, versão do Milton Nascimento, que ela colocava no repeat. Até hoje essa música me lembra dela.

– Uma tradição que eu tinha com minha turma de amigos do colégio era o encontro no Café 3 Corações (que hoje é uma telefônica), na praça da Savassi. Até hoje chamo eles de “turma do Café”, apelido dado pelo meu primeiro namorado.

– Adoro listas! Faço listas dos livros que li no ano (cada ano menores 😦 ) e dos filmes que vi no cinema. No fim do ano, as listas de presentes (cada vez maiores 🙂 ).

– Eu sempre dava cartões nos aniversários, porque é o que mais gosto de receber e acho que meus amigos também gostavam. Mas minha inspiração foi diminuindo e hoje em dia faço isso raramente. Mas ainda gosto de sempre dar uma lembrancinha de presente pro aniversariante.

– Tinha uma época que eu ia sempre ao Mezanino da Travessa com um amigo e a tradição era pedir cerveja de trigo e gritar para que a banda Free as a Beatle tocasse “Paperback Writer” (E, quando incorporaram ao repertório por nossa causa, “Rocky Racoon”). Essa virou uma das tradições mais divertidas, porque até hoje a turma sempre pede Paperback nos shows de cover dos Beatles por causa daquela época (imagina a alegria quando o Paul, em pessoa, “atendeu” ao nosso pedido no show do Morumbi! :D).

Toda hora lembro de um ritual novo e sempre invento mais alguns, quando as circunstâncias me obrigam a me desfazer de outros. Quem me conhece bem e lê este blog pode se lembrar também e pôr aí nos comentários 😉

E vocês? Quais são seus rituais favoritos?