Memórias do blog: porque já são muitas!

Já faz alguns dias que comecei a resgatar #memóriasdoblog, no Facebook e no Twitter, relembrando coisas que postei por aqui no mesmíssimo dia, anos antes. Afinal, o que não faltam são posts no arquivo do blog, que já somam mais de 2.200.

Por exemplo, no dia 11 de outubro, exatamente como hoje, mas há dois anos, eu compartilhava duas descobertas musicais que tinha feito no Recife. Há três anos, meu pai escrevia sobre Sérgio Andrade, que virava alvo da Lava Jato.

Há seis anos, eu trazia um dado estarrecedor que diz muito respeito à situação que vemos no Brasil de hoje: mais da metade de todos os ambientalistas mortos na última década em todo o planeta estavam no Brasil.

Há oito anos, meu pai escrevia sobre um episódio de Bom Despacho para falar, a partir dele, sobre os juízes corruptos (e impunes) que persistem no Brasil.

Como vocês podem ver, vale a pena fazer esta experiência de resgatar as memórias do blog, porque os anos passam, mas quase nada muda. Ou melhor: parece que estamos voltando no tempo.

Que o passado nos proteja do futuro!

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Como guardar as memórias dos nossos filhinhos para sempre, como cápsulas do tempo

Outro dia falei com meu filho Luiz, de 3 anos e 10 meses:

– Filho, te amo tanto! Quando você tiver 10 anos vou sentir muita saudade de como você está agora! Está crescendo tão rápido!

E ele respondeu:

– Então é só você fazer muitas fotos, mamãe.

Eu faço milhões de fotos e vídeos, e ainda transformo uma seleção de fotos em álbuns de fotografia, a cada começo de ano. Como sempre tive memória ruim, sempre fui a psicopata das lembranças, guardando e anotando tudo. Anoto na minha agenda como foi meu dia com o Luiz, anoto num álbum dele as principais etapas de desenvolvimento, registro as imagens.

Mesmo assim, toda vez que ele faz algo fofo, o que acontece quase o tempo todo, eu não consigo deixar de pensar: “Gostaria de transformar esta memória em uma cápsula e guardá-la num arquivo mágico, para que pudesse ser acessada sempre que eu quisesse.”

Como eu queria nunca me esquecer destas cenas, destas falas, desta vozinha…!

Decidi encapsular neste post algumas destas coisas que me fazem sorrir, para que eu possa acessá-las sempre que der saudades, no futuro.

#1

O Luiz pedindo para ajudar a fazer a vitamina de banana e mamão, o “sucão”, que ele toma no café da manhã todo santo dia, desde que tinha 1 aninho. Coloca tudo no liquidificador e, quando aperta o botão 7, para bater, começa a dançar freneticamente, dando gritinhos de alegria, acompanhando o barulho do liquidificador. (A propósito, ele dança com muita ginga e canta muito bonitinho.)

#2

O Luiz rindo das minhas brincadeiras e piadas e soltando, com um tom de voz muito engraçado e alegre: “Ô, mamãe doida…!”

#3

Ele acordando de manhã, a qualquer hora que seja, e a primeira palavra que grita é: “MAMÃE!!!”

#4

Ele olhando com a cara mais feliz do mundo ao ver que eu ainda estou em casa, que não fui embora para o trabalho enquanto ele estava dormindo.

#5

Ele me falando que fez um presente pra mim. Chego em casa e encontro um embrulho todo bonito de presente, com laço de fita e tudo. Quando abro, é um monte de papéis amassados. E teve o dia em que ele colocou uns brinquedos lá dentro e disse que estava me dando porque são meus favoritos. E quando pegou um copo, colocou cola colorida, papel higiênico e mais um monte de coisa lá dentro, com água, e disse que era um enfeite para o banheiro? E quando criou uma espécie de móbile com sacolas plásticas de supermercado para ser um enfeite pra porta do meu quarto?

#6

Eu desço um lance de escadas para ir trabalhar e, antes mesmo de chegar lá na garagem, já ouço uma vozinha gritando “MAMÃE! VEM ME VER!”. Olho pra janela no alto e lá está o Luiz, sorrindo, para me dar tchau e falar “Bom trabalho!” Tem dias em que ele faz um coração com as duas mãozinhas e solta um beijo com esse coração, todo carinhoso. Às vezes viro a curva da garagem e ele ainda está gritando: “Tchau, mamãe! Bom trabalho! Te amo! Amor!”

#7 

Eu busco ele na escola, ele me vê de longe e vem correndo e gritando, com os bracinhos estendidos em minha direção, completamente eufórico: “MAMÃE! MAMÃE! MAMÃE!”. Às vezes é “MAMI!” também.

#8

Às vezes ele fala (ou canta) que eu sou a melhor mãe do mundo inteiro ou que eu sou a melhor amiga dele ou que eu sou muito linda (mas também fala que sou gorda). E é assim, do nada, em forma de pergunta: “Mamãe, sabia que você é a mamãe mais linda do mundo?” Ou cantando e dançando pra lá e pra cá: “A mamãe é muito linda! A mamãe é muito linda!”

#9

Uma das coisas que eu mais tinha preguiça de fazer era transformar as meias em bolinhas para guardar na gaveta, depois de lavar. Hoje é diversão pura, porque fazemos isso juntos. O Luiz AMA guardar “meia, cueca e calcinha”. Pede pra eu jogar tudo em cima dele e depois me ajuda a separar. Às vezes fazemos guerra de meias durante o expediente.

#10

Na hora de dormir, eu sempre falo com ele, como meu pai falava comigo: “Só sonha sonho bom”. E ele responde: “Só sonha sonho bom”. E no dia seguinte pergunta se sonhei sonho bom mesmo.

#11

Normalmente ele dorme rápido, mas tem dia em que está sem sono ou com muita saudade e que pergunta: “Mamãe, podemos conversar um pouco antes de dormir?” E aí vai para o pufe onde fico sentada e conversa um pouquinho, me dá mil beijos e depois volta pra caminha.

#12

Sempre que fazemos algo legal eu pergunto a ele: “Gostou muito ou muitíssimo?” E ele sempre responde: “Muitímisso“.

#13

Sempre que eu pergunto o que ele quer fazer, a resposta é “brincar”. O que mais gostou de fazer hoje? “Brincar com a mamãe”. O que mais gosta de fazer no mundo? “Brincar com a mamãe”. E não importa se a gente já brincou o dia inteirinho da silva, ele sempre vai querer brincar mais.

#14

O que ele menos gosta é que eu saia pra trabalhar. Já perguntou mil vezes por que eu tenho que trabalhar, pra que serve o trabalho, se não posso pedir ao meu chefe pra trabalhar menos, pra voltar mais cedo etc. As vezes que mais me partiram o coração foi ele chorando quando eu saía para trabalhar. Ele acha trabalho a pior coisa do mundo.

#15

Ele ama fazer espuma, adora sabão. Quando lava vasilhas comigo, fica pedindo detergente toda hora pra fazer os experimentos dele, com milhões de bolhas. No banho, também sempre pede. Eu tenho que ficar controlando porque, nas poucas vezes em que me distraí e ele teve acesso ao sabão, gastou meio pote de uma única vez.

#16

Quando manda uma mensagem de áudio para alguém no celular (já sabe fazer isso sozinho), sempre termina com um “bêis-tchau”. Quando dita uma cartinha pra eu escrever, sempre tem um “te amo! Amor!”

#17 

Ele fica super feliz quando vamos viajar. Ajuda a preparar as malas, fica todo empolgado. Quando finalmente entramos no carro, grita: “VAMO QUE VAMOOOO!”

#18

De vez em quando, ele pede para fazer um “café da manhã de hotel”, geralmente de surpresa pro papai, ou fala com o pai para fazer de surpresa pra mim.

#19

Luiz adora fazer pose pra foto mostrando a língua. Penteia o cabelo pra trás e fala que está com um “penteado rock’n’roll”. Quando dança a versão de “caranguejo peixe é” da Rádio Osquindô, que é super agitada, dá pulinhos animados e grita: “ROCK AND ROLL! ROCK AND ROLL!”.

#20

Quando brincamos de esconde esconde, logo ouço as risadinhas dele e descubro onde está escondido. Parece que ele quer ser achado logo. Parece não: ele quer, porque às vezes perde a paciência e sai do esconderijo, às gargalhadas, antes que eu tenha tempo de procurar. Se demora muito a me achar, logo pede: “Mamãe, me dá uma dica!”

#21

Suas brincadeiras favoritas hoje são: massinha, comidinha, restaurante, mercadinho, escolinha, cabaninha e a favoritíssima: navio pirata! Ele pega espadas, uma  “luneta” (rolo de papel-toalha), um baú de “tesouros”, um mapa que fizemos e mais um monte de quinquilharias, e repetimos o roteiro de enfrentar bruxas e tubarões e tsunamis, todas as vezes. Seja qual for a brincadeira, Luiz ainda não consegue brincar sozinho (a exceção é a hora do banho).

#22

Ele é muito habilidoso com as mãos. Desenha bem pra idade, adora brincar de dar nós em cordas e adora brincar com tesoura e durex. Enquanto escrevo este post, ele está aqui nas minhas costas fazendo isto (e ficou simétrico pra burro):

 

É tanta coisa, cada hora eu lembro de alguma! Tudo bem que esse durex nas minhas costas me tirou um pouco a concentração, hehehehe. Vou deixar este post ser um arquivo de memórias, como ESTE, e, sempre que eu me lembrar de alguma outra memória que precisa ser encapsulada, vou acrescentar aqui 😉


Acréscimos depois da publicação do post:

#23

Quando abro a porta do carro para o Luiz entrar, ele corre para o banco da frente e fica lá brincando de dirigir e apertando TODOS os botões que vê pela frente. Quando finalmente consigo sentar para dirigir, depois de uma luta para colocá-lo na cadeirinha, ligo o carro e tudo liga junto: seta, limpador de parabrisa, som etc!

#24

Luiz está cada dia mais independente. Dentre as frases que mais escuto ele falar estão: “Deixa que eu faço!”, “Deixa comigo”, “Eu sei fazer isso, mamãe”. Recentemente aprendeu a sair do banho sozinho, se secar e colocar toda a roupa sozinho, inclusive as meias. Demorou um pouco a aprender a tirar as camisas, mas agora já consegue também. Apesar de não ser muito recomendado pelos dentistas nesta idade, às vezes deixo ele escovar os dentes sozinho também. Estimulamos a independência ao máximo – e parece que está surtindo efeito.

#25

Eu queria encapsular a risada do Luiz. Ela é gostosa demais da conta! Tem risada de todo tipo e ele morre de cosquinhas. Às vezes, dá uma crise de riso que custa a parar. Depois de muito rir, facilmente fica soluçando. Neste vídeo dá para ver uma das risadas mais gostosas:

#26

Teve um dia que, quando chegamos à casa dos meus pais, falei pra ele gritar: “Ô de casa!”, pra ver se eles estavam em casa. Desde então, toda vez que ele chega, vai logo gritando: “ DE CASA!”

#27

Luiz adora começar uma frase, geralmente uma pergunta, assim: “Mamãe (pausa demorada)… Sabe…?!”. Esse “sabe” é falado de um jeito muito único, meio em tom de pergunta, meio de afirmação. E a gente nunca imagina o que vem depois!

 

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O jornalismo como conheci está com os dias contados

Quando eu era criança, sempre que me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, respondia: “Quero ser autora!” Achava que autora era mais chique que escritora.

O fato é que eu queria escrever histórias, contar histórias. E o fazia, desde bem cedo. Dia desses, meu pai encontrou na casa dele meu primeiro livro: “A Festa Encantada”. Fiz ilustração para meu texto e, no fim, escrevi, como estava acostumada a ler nos meus livrinhos da época: “A autora – Cristina tem 8 anos e esse foi o primeiro livro dela. Ela nasceu em 27 de março de 1985. Tem 25 parágrafos.” E pus a data: 16 de agosto de 1993.

Depois deste, não parei mais. “O Terremoto”, segundo me conta a última folha de papel almaço em que ele está grampeado, foi meu quarto livro. “A autora – Ela fez esse livro porque gosta de histórias. Fez porque gosta de ler”, escrevi, referindo-me a mim mesma em terceira pessoa. E prossegui, sem modéstia nenhuma: “Tinha hora que ela ficava com dúvida do que escrever, mas no final dava um livro bom e bonito”.

Depois de um tempo, em vez de imaginar que eu queria ser escritora, passei a me imaginar jornalista. “Ser escritora não dá dinheiro”, ouvi por aí – e isso ficou marcado na minha alma. “Nem profissão é.” E jornalista era a profissão do meu pai. O melhor de tudo: eu seria remunerada para contar histórias!

Fiz jornalismo para escrever textos e contar boas histórias.

Na “Folha de S.Paulo”, meu primeiro emprego como jornalista, pude mesmo contar boas histórias. Eu trabalhava em Cotidiano, a editoria que era a clássica editoria de Cidades, mas que, como seu nome diz, agregava um pouco mais que isso. Ali entravam, por exemplo, discussões que corriam no STF e poderiam impactar todo o Brasil. Notícias de comportamento. Não era só o que estava acontecendo na avenida Paulista ou no Jardim Pantanal, embora, é claro, essas histórias da cidade de São Paulo coubessem muito bem ali dentro.

Tive um pauteiro muito legal, o Guto Gonçalves, que valorizava meus potenciais, ainda que eu fosse só uma repórter iniciante. Ouvi do subeditor Conrado Corsalette que eu tinha grande sensibilidade e grande texto, duas características importantes para um repórter, e isso me deixou muito entusiasmada. Eu não me importava de pegar as histórias que não seriam a manchete do dia seguinte, desde que pudesse escrever um bom texto sobre elas, desde que fossem boas histórias. Claro, eu cobri todo tipo de coisa, não só as boas histórias. Mas é delas que eu mais me orgulho e de que mais me lembro.

Das histórias de personagens como o doutor Ratão, o Bob Chiclete, o detetive Eric, os pais avós e o skinhead gay que luta contra a homofobia. Ou de histórias da cidade mesmo: o lado B da avenida Paulista, os fícus que adoeceram misteriosamente, os prédios que passaram a multar por causa de palavrão, os clubes obrigando as babás a usarem branco, o último bonde de São Paulo. E a história que mais gostei de contar, a dos órfãos do Rodoanel.

Decidi sair da “Folha” por N motivos, deixei São Paulo por outros N e retomei minha vida em Beagá, numa decisão da qual nunca me arrependi, pelo contrário. Aqui na terrinha, tive oportunidade de contar mais algumas histórias e editar outras tantas. O que mais mudou nesses mais de seis anos desde a minha volta a BH não foi a minha vontade de sempre estar perto das boas histórias, foi o jornalismo.

Se antes o bloquinho e a caneta eram os instrumentos mais importantes para um repórter, inseparáveis mesmo, hoje tudo está lá no smartphone. Eu saía às ruas com um gravador de fita K7, hoje os meninos vão com o celular mesmo. Gravam, escrevem, enviam, tudo por ele. Parabéns para os avanços tecnológicos.

Por outro lado, sinto que o interesse pelos textos vem diminuindo proporcionalmente a esse avanço tecnológico. Que o leitor não quer mais, realmente, ler uma boa história, porque contenta-se com um stories curtinho de Instagram, mostrando um clique e uma frase. Um tweet de 140 caracteres resolve, é fácil de compartilhar, então pra que estender demais?

A necessidade de hoje é poder compartilhar, e não absorver internamente. Para compartilhar, basta ler o título. Daí porque ficou tão fácil deturpar as mensagens e criar fake news (mas isso é tema para outros posts).

escrevi sobre isso aqui no blog, mas meu foco era outro. Meu desalento de cinco anos atrás era com o fim das cartas e e-mails e, com isso, o fim de memórias pessoais e coletivas. Hoje minha preocupação é com o fim do jornalismo como eu o conheci e desejei. Afinal, as qualidades mais requisitadas dos jornalistas hoje não são bom faro para pautas, boa apuração e bom texto. Mas sim a capacidade de fazer vídeos para as redes sociais, subir rápido um lide burocrático para alimentar o portal, ter olhar multimídia e ser conhecedor de marketing digital.

E tudo isso mudou em coisa de cinco anos. Um pulo!

As Redações, como as conhecemos, estão com os dias contados. Mas contados MESMO, não tem mais vez. OK, o jornalismo não vai acabar, está se reinventando, o problema é que está virando uma coisa que se distancia cada vez mais do meu objetivo ao me tornar jornalista. Eu não quero ser a tarada das notícias, a pessoa que recebe todos os alertas pelo whatsapp assim que a coisa acontece, que fica sabendo de tudo o tempo todo. Eu queria mesmo era ser aquela pessoa que se debruça sobre uma boa história e vai fundo nela, e trabalha com cuidado no lide, para que o texto seja realmente saboroso para o leitor final.

E eu realmente me esmerava nos lides:





Só que o leitor final parece que não quer mais saber disso, então uma coisa não sustenta a outra.

Chego aos 34 anos, mais de 12 de formada, com um bocadinho de experiência em jornalismo tradicional, com passagem por rádio, jornal diário, revista e portal de notícias. Mas, diante do que se espera hoje do jornalismo e dos jornalistas, sinto-me cada vez mais defasada e, ao mesmo tempo, com muitas potencialidades represadas dentro de mim. Com a Cris de 8 anos coçando para continuar perseguindo o sonho de ser “autora”, mas numa realidade em que o que menos se pede e espera é investimento em textos.

Uma verdadeira sinuca, que muito me angustia. Que já me angustiava há uns quatro anos, mas de um jeito diferente, e hoje sinto urgência em encontrar uma saída.

Se alguém esperava um final para este post, pode esperar sentado. Porque o final é esta falta de solução. Talvez valha terminar com um pedido de socorro: alguém tem alguma boa ideia? Uma luz no fim do túnel? Sou toda ouvidos.

 

Leia também:

 

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Mais um ano de vida. E a mesma alma de anos atrás

À esquerda, eu aos 26 anos, em 2011. À direita, eu deitada na rede, olhando a paisagem, neste ano de 2019. Diferente, mas igual.

Sempre que chega meu aniversário, gosto de fazer um balanço da vida. Ver os rumos que estou tomando, as curvas ou atalhos que peguei no caminho, os destinos aos quais pretendo chegar algum dia. Desde que este blog foi criado, já fiz sete balanços do tipo (só pulei o de 2016, no auge da licença-maternidade, quando o blog teve que ficar meio abandonado).

Hoje chego aos 34 anos com um certo desânimo, mais ou menos inédito na minha vida. Provavelmente agravado pelo momento político absurdo, surreal, que estamos vivendo, com verdadeiros patetas nas três esferas do poder, fazendo pataquadas diárias, ou várias por dia – e depois tendo que recuar, numa rotina que deprime até os mais otimistas.

Depois de muitos percalços na minha vida, estou com o campo profissional e pessoal finalmente serenos. Ufa. Mas não dá pra dizer que eu esteja “de bem com a vida”. Como em outras ocasiões, resolvi fazer o que faço melhor: arregacei as mangas e tomei providências. Decidi cuidar mais de mim. No início do mês, fiz um check-up na saúde (está tudo bem), me inscrevi em uma atividade física, voltei a fazer reeducação alimentar. Comecei a cortar a internet no momentos de lazer, a trabalhar menos fora do expediente de trabalho. Agora estou batalhando para trabalhar minha cuca, para que se estresse menos, se deprima menos, se abale menos. Quero ser mais zen. Tão pilhada como sou? É tudo um caminho a se perseguir, enfim.

Falei, falei e não falei nada. É que o balanço deste ano está bem menos inspirado que nos outros sete anos. No ano passado, refleti sobre as tantas mudanças pelas quais passei na última década e sobre como é bom mudar para que, no processo, possamos jogar fora os caquinhos guardados inutilmente.

Em 2017, contei a história de uma velhinha que muito me inspirou, e sobre como eu queria poder ser eternamente jovem, como ela, esteja eu em qual idade estiver.

Em 2015, refleti sobre o suposto “divisor de águas” que é chegar aos 30 anos de idade: “Não sou a correspondente internacional, autora de best-sellers, viajante do mundo inteiro, como eu previa que ia ser, quando eu tinha apenas uns 15 anos. Mas aprendi a ser feliz com menos, a curtir minha própria companhia, a gostar de ficar em casa numa sexta à noite, só conversando com meu amor, a gostar de passar uma tarde de domingo com a família, em vez de num churrascão. São coisas prosaicas que, chegados os 30 anos, me parecem o maior dos luxos. E outros sonhos vão surgindo no lugar dos antigos.”

Em 2014, meu texto foi cheio de gratidão pelo caminho percorrido até os 29 anos e, principalmente, pelas pessoas (ou “poeiras cósmicas”) que cruzaram minha jornada.

Em 2013, eu parecia estar explodindo de felicidade. Certa de que todas as mudanças que tinha enfrentado antes tinham culminado no melhor dos mundos.

Em 2012, escrevi, após um período de grande melancolia que eu vivia naquele começo de ano: “A tristeza é útil, para nos fazer reconhecer a alegria. Assim como a morte existe para destacar e distinguir a vida.”

E em 2011, fiz um poema que tentava traduzir minha vida até aquele momento, aos 26 anos. Engraçado que, de todos esses balanços, é esse mais antigo, de quase uma década atrás, o que mais me trouxe identificação neste 2019. É por isso que decidi, nesta noite pouco inspirada, reproduzir o poema daquele ano aqui. Só tomando a liberdade de atualizar a conta de dias, horas e minutos vividos e de destacar meus trechos favoritos:

“Ri, sorri
(fotogenicamente)
Chorei
(de acordar com duas bolas nos olhos)
Quis morrer
(e fiz poema, instead)
Quis chegar aos cem
(como a Maude e a Luísa)
Fiz o bem
(ou o tentei, sempre)
Perdi amigos
(que viraram em outras curvas)
Dispensei outros
(que mostraram não valer o título)
Conquistei pessoas
(mas me conquistaram em cheio)
Amei
(sofri)
Trabalhei e venho trabalhando
(aventuras ou percalços)
Envelheci:

Já tenho cabelos brancos,
barriga de chopp,
linhas de rugas na testa,
olheiras,
mas ainda assim me dão a idade certa
(e há os que suspeitam que minha idade mental seja de criança).

A impressão que tenho é que nunca vou viver o bastante
para o tanto que quero fazer e tentar
(e, ao mesmo tempo, me canso de tanta vida.)

À beira dos 12.410 dias
Mais de 290 mil horas
E de 17 milhões de minutos
Que interferem, como estrelas,
em outras constelações paralelas.
De forma luminosa, pois sim,
mas absolutamente insignificante no todo.

A vida é isso:
um amontoado de insignificâncias,
de encontros e desencontros,
de apontamentos e desapontamentos,
de convivências certas e erradas,
de fugas e momentos de audácia,
de liberdade sempre contida
e felicidade sempre instável.

Seguirei sendo esse ser fundamentalmente bipolar
um poço de defeitos feios
mas de intenções sinceramente boas
(como as que povoam o inferno.)

Que o deus do bom humor me guie,
porque é só dele que precisamos
para que a dura vida dure sendo leve.”

É engraçado pensar que minha vida, hoje, nada tem a ver com aquela da Cris de 2011, de 26 anos, morando sozinha em São Paulo, vivendo exclusivamente para trabalhar, sem marido, sem filho, “foca” na profissão. E que, ao mesmo tempo, tenhamos tanto ainda em comum. Ou seja: a gente cresce, amadurece, vira uma profissional experiente, se casa, publica livros, vira mãe, muda de cidade, muda mil vezes de lar, muda mil vezes de emprego, leva calotes, contrai dívidas, engorda, emagrece, engorda de novo, muda de hábitos, volta a hábitos antigos, lê dezenas de livros, assiste a centenas de filmes. Mas, ainda assim, nossa alma dá um jeito de continuar a mesma.

Torço para que minha alma ainda conserve a alegria e entusiasmo da Cris menina, hoje e para sempre! Como dizia meu pai, “Peter Pana”. Lutando bravamente para transformar este mundo insano numa Terra do Nunca decente.

Leia também:

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Crescer é difícil, mas pode ser divertido

Não deixe de assistir: DIVERTIDA MENTE (Inside Out)
Nota 8

divertidamente

Alegria, tristeza, raiva, medo e aversão. Esses sentimentos nos controlam desde o dia em que nascemos e ditam a forma como nos relacionamos com o mundo. Cada um deles tem sua importância.

É essa a mensagem que o filme “Divertida Mente” passa a seus espectadores, mirins ou não. Mas, apesar de ser uma animação, teoricamente voltada para crianças, este filme tem um dos roteiros mais filosóficos da Disney.

Tanto que, além de concorrer como melhor animação no Oscar deste ano, Inside Out também concorre na categoria de melhor roteiro original. Escrito e dirigido por Pete Docter, a mente por trás de outros sucessos como “Toy Story”, “Montros S.A.” e “Up”, o filme envereda fundo dentro da mente humana, passando pelas memórias profundas, as que moldam nossas personalidades, pelos sonhos, pela imaginação, pelo subconsciente e até pelo esquecimento. A história aborda, de forma simples e didática, temas como a nostalgia e o amadurecimento. Mostra como crescer é difícil, principalmente quando estamos deixando de ser crianças, como a personagem do filme, que tem 11 anos de idade.

Originalmente, o filme incluiria outras das várias emoções que sentimos, como orgulho, surpresa e confiança. Elas foram cortadas e os roteiristas deixaram apenas aquelas cinco principais, para facilitar o entendimento. Afinal, mesmo com a redução, a animação já comporta grande nível de complexidade.

Mas não fiquem pensando que é um filme-cabeça disfarçado de animação. Como sugere o nome em português, trata-se de um filme muito divertido, capaz de agradar a todas as crianças — inclusive aquelas que ainda não morreram dentro de nossos cérebros adultos.

Que a ilha da bobeira nunca desapareça! 😀

Veja o trailer do filme:

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