Duas tragédias em duas semanas: as capas dos jornais desses dias tristes

Como bem diz o genial Duke em sua prolixa charge de hoje nos jornais mineiros “O Tempo” e “Super Notícia”, o Brasil tem uma tragédia atrás da outra, não temos descanso. A mais recente foi esse incêndio no CT do Flamengo, que funcionava de forma precária e sem alvará, que levou a vida de dez adolescentes em busca de seu sonho. No mesmo dia, cerca de 500 pessoas foram retiradas de suas casas na marra, em duas cidades mineiras, porque duas barragens corriam o risco de se romper a qualquer momento, como acontecera 15 dias antes em Brumadinho (e três anos e três meses antes, em Mariana).

No post de hoje, registro as capas de jornais desses dois dias de episódios tristes e históricos que aconteceram neste início de 2019, num intervalo de apenas duas semanas, e que resumem bem o caos em que se encontra nosso sofrido Brasil.

TRAGÉDIA ANUNCIADA MATA MAIS DE 300 PESSOAS EM BRUMADINHO – 25/1/2019. CAPAS DOS JORNAIS DE 26 DE JANEIRO DE 2019:

Este slideshow necessita de JavaScript.

TRAGÉDIA ANUNCIADA MATA 10 GAROTOS NO CT DO FLAMENGO – 8/2/2019. CAPAS DOS JORNAIS DE 9 DE FEVEREIRO DE 2019:

Este slideshow necessita de JavaScript.

Veja mais capas de jornais em dias históricos:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

 

Anúncios

As capas dos jornais nos protestos do #EleNão

O jornalista José Roberto de Toledo escreveu na “piuaí“, no sábado, que os protestos daquele dia contra o candidato fascista do PSL foram históricos, “menos na tevê”.

Um trecho:

“A falta de cobertura ao vivo dos atos do #EleNão e, mais grave, a ausência de contextualização e ênfase nas raras reportagens sobre a mais importante manifestação de rua da campanha eleitoral de 2018 até agora não se deve ao departamento jurídico das emissoras. O movimento não é partidário nem promove nenhuma candidatura específica. É contra um candidato, sim, mas não prega que é melhor votar neste ou naquele outro.

O resultado dessa omissão e falta de contextualização é que coisas diferentes são tratadas como iguais. Uma manifestação de dezenas, no máximo centenas de pessoas em um lugar é apresentada da mesma maneira e com a mesma magnitude que dezenas de milhares de mulheres em dúzias de cidades. Na tela da tevê, o ato solitário pró-Bolsonaro em Copacabana foi equivalente à maior manifestação popular capitaneada por mulheres na história do Brasil. Felizmente, a internet provê o que a tevê omite.”

Se ele destaca a cobertura da tevê, eu destaco, como sempre faço aqui no blog, as capas dos jornais.

Separei sete publicações de relevância: “Folha de S.Paulo”, “O Globo”, “O Tempo”, “O Estado de S. Paulo”, “Zero Hora”, “Correio Braziliense” e “Jornal do Commercio”.

Coloco abaixo um ao lado do outro, primeiro a edição de domingo, que poderia repercutir os protestos anti-Bolsonaro, e depois a edição de segunda-feira, que podeira trazer os protestos pró-Bolsonaro:

 

E aí, o que acharam da cobertura? Equilibrada? Proporcional aos tamanhos de cada manifestação? Qual jornal se saiu melhor e qual foi decididamente pior?


Ainda sobre o protesto suprapartidário do #EleNão, recomendo este texto da BBC e vídeo do UOL, com imagens no Brasil e no mundo:

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

15 capas de jornais sobre o ataque a Bolsonaro e uma tentativa de analisar o impacto disso nas eleições

No dia 18 de agosto de 2014, escrevi aqui no blog que estava se desenhando um cenário em que Dilma e Marina iriam ao segundo turno. Tinha se passado apenas cinco dias desde a morte de Eduardo Campos, que era líder da chapa com Marina Silva, e o país estava ainda repercutindo fortemente o acidente fatal de avião.

Como bem sabemos, Marina subiu mesmo pouco depois da morte de Campos, mas depois voltou a cair, enquanto o eleitorado de Dilma e de Aécio se manteve firme e forte, levando ao segundo turno, mais uma vez, um candidato do PT e um do PSDB.

Por isso, é precipitadíssimo dizer que uma facada que não levou a grandes sequelas (até onde se sabe) num candidato radical de extrema-direita que tem altíssimos índices de rejeição e parecia já ter atingido seu teto possa fazer com que ele seja eleito. Ou mesmo com que vá ao segundo turno.

Dito isso, passo a ponderar que o que valeu para 2014 não tem nada a ver com o que se passa no país quatro anos depois. O que mudou de lá pra cá?

  • A campanha eleitoral se tornou muito mais curta. Naquele ano, Marina ficou forte por cerca de um mês e depois murchou. Agora, falta apenas um mês para o pleito.
  • O principal líder de todas as pesquisas de opinião já feitas até hoje, que é o Lula, favoritíssimo a vencer ou a ir ao segundo turno, está preso e impedido de concorrer. E enrolando pra passar o bastão para o vice, ao contrário do que aconteceu quando Campos morreu. Numa estratégia muito questionável, que mantém Haddad com míseros 4% de intenção de voto, já que nem sequer pode se apresentar como candidato, mesmo que faltando tão pouco para o dia da votação.
  • Se em 2014 o país já ficou muito polarizado, neste ano, a radicalização parece ter atingido um auge, sem falar no conservadorismo e no fanatismo. O discurso de ódio se fortaleceu, muito por causa do candidato do PSL agora alvo de violência de um aparente doido. Outro dia mesmo ele estava dizendo que “ia fuzilar a petralhada“. E diz coisas assim, que incitam a violência, para grande alegria de seu eleitorado, que é principalmente formado por homens e jovens (exemplos abaixo). Quando o cara é esfaqueado, em vez de seus apoiadores pregarem a calmaria dos ânimos, saem disparando nas redes sociais que “têm certeza” que foi um partido de esquerda que armou isso etc. Certamente vão ser multados ou ter que se retratar de alguma forma, mas o que repercute, nesses tempos de pós-verdade, é a asneira dita primeiro e não a retratação sussurrada semanas mais tarde.

Pela primeira vez em muitos anos, chegamos a um mês das eleições sem ter a menor ideia de quem vai ao segundo turno. Bolsonaro pode ter saído fortalecido desse ataque, não só pelo sentimento de empatia que o brasileiro constrói com pessoas que sofrem violência ou que morrem, mas também – e talvez principalmente por isso – porque os adversários vão pegar mais leve com ele a partir de agora, temendo soarem desrespeitosos etc. O tucano Alckmin, que é quem mais vinha batendo em Bolsonaro na campanha eleitoral, a fim de abocanhar o eleitor de direita, já retirou trechos de sua propaganda política que continham críticas ao militar. Então o candidato da extrema-direita, que já não queria participar de debates para não ser humilhado de novo, agora vai ter 30 dias para ficar quietinho e ainda ser poupado pelos adversários, aparecendo, quando quiser, só no terreno onde suas ideias prosperam com mais facilidade: no lodo das redes sociais.

Então é bem possível, como aposta Fernando Barros e Silva, que foi editor de política da “Folha de S.Paulo” por muitos anos e desde 2012 comanda a redação da revista Piauí, que Bolsonaro chegue mesmo ao segundo turno. Contra quem? Haddad, se Lula conseguir transferir votos para ele a tempo? Ciro Gomes, que parece estar crescendo? Marina, que também vem crescendo um pouco, surpreendentemente? Ou mesmo Alckmin, que está numa situação bem menos confortável, mas tem imenso tempo na TV?

Quase tudo pode acontecer em um mês, e esse ataque a faca só serviu para embolar mais as especulações, acirrar mais os ânimos e aumentar ainda mais o (baixo) nível dos discursos de ódio na internet (e quiçá nas ruas). Que já não vinha bem há tempos, bastando lembrar os tiros que a caravana do Lula recebeu no Paraná no início do ano. E arma de fogo mata, até mais do que facas – como Bolsonaro bem sabe.

Que medo que dá viver em um país com tal nível de fragmentação, com tal possibilidade de “vale-tudo”, com tal incerteza. Boa sorte para nós em outubro! E principalmente depois de outubro!


Abaixo, destaco 15 capas de jornal de hoje, mantendo minha tradição de registrar como a imprensa noticiou dias históricos. Porque não há dúvida de que essa facada foi um divisor de águas nestas eleições, e talvez no futuro próximo do país. Qual destas capas você acha que acertou mais (ou errou menos), e por quê?

Leia também:

***

Quer assinar o blog para recebê-lo por email a cada novo post? É gratuito! CLIQUE AQUI e veja como é simples!

faceblogttblog

Capas de revistas, charges e a política nazista de Donald Trump

Este slideshow necessita de JavaScript.

Só se você tiver um coração de pedra para não se chocar, indignar e emocionar com as crianças separadas dos pais pelo governo de Donald Trump.

Eu, pessoalmente, me senti como esta jornalista:

Sem muitas palavras ou mesmo conhecimento para escrever sobre o assunto, apelo para a indicação de um texto escrito por Max Boot para o Washington Post, e traduzido pelo “Estadão”. Um trecho:

“Muitas pessoas têm alertado que os EUA pagarão um preço muito alto no longo prazo por esses atos destrutivos de Trump. No entanto, é difícil citar pessoas que já foram atingidas. As guerras comerciais, por exemplo, já afetam principalmente os fazendeiros de Iowa e as montadoras de Michigan, mas grande parte do impacto se dissipará para os consumidores e pode nem ser notado imediatamente.

No entanto, com sua política desumana de separar os filhos de imigrantes ilegais de seus pais na fronteira com o México, o presidente finalmente oferece um exemplo ao vivo, direto para a câmera, de como suas medidas estão destruindo as vidas de pessoas comuns. Este caso vai muito além de outros anteriores, como o dos imigrantes deportados depois de décadas contribuindo para o país, O sofrimento de adultos não desperta tanto a simpatia popular como no caso de crianças maltratadas.

As mais de 2 mil crianças tiradas de suas famílias em um período de seis semanas e estocadas em locais que algumas pessoas comparam aos campos de concentração nazistas, não são vítimas teóricas e presumidas. São muito reais e sua terrível situação é algo deplorável. Finalmente, o impacto do trumpismo tem um rosto: o de uma menina hondurenha de 2 anos aos prantos cuja foto foi estampada na capa do New York Daily News com o título: “Cruel. Brutal. Covarde. Trump.””

CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

A comparação com o nazismo é automática para todo mundo que tenha um mínimo de conhecimento de História. Pode ser exagerada, mas é automática. Trump se esquece que os Estados Unidos foram forjados por imigrantes desde o nascimento do país e agora cria uma política racista, xenófoba e agressiva, que causará danos irreparáveis a inocentes crianças.

Os ilustradores, como não me canso de dizer aqui no blog, têm um dom de traduzir em poucos traços o que os jornalistas levam muitas palavras para dizer. Por isso, resolvi mais uma vez criar uma galeria com algumas charges que encontrei nos últimos dias, que escancaram bem o absurdo da situação (clique sobre qualquer uma para ver todas em tamanho real):

Veja também:

faceblogttblog

O afastamento de Dilma em capas de jornal: qual cobertura foi a mais correta?

capasjornalgrade

Dois temas são muito caros a este blog: política e jornalismo. E, me desculpem os leitores que preferem os posts sobre cinema e música, mas, neste momento em que estamos vivendo, acaba sendo difícil abordar qualquer outro assunto mais ameno.

A forma como a chamada “grande mídia” tem feito suas coberturas da atual crise política vem sendo muito criticada pelos leitores, que hoje têm acesso a muito mais informações, via internet, do que há, digamos, 24 anos atrás, quando ocorreu o último processo de impeachment no Brasil. Os leitores mais bem informados olham tudo com lupa e não perdoam nenhum deslize, mesmo não intencional. Tampouco têm perdoado vieses e tomada de partido de uma imprensa que, ao contrário do que já acontece em outros países, não se assume parcial. É vendida sempre como imparcial, isenta, equilibrada — mesmo que a balança penda, claramente, para um dos lados do jogo político.

Como alguém que está dos dois lados da bancada — jornalista e leitora crítica, ao mesmo tempo –, tenho grande interesse pelas coberturas, especialmente em dias historicamente importantes, como foi a última quinta-feira, 12 de maio. Gosto de ver as primeiras páginas dos jornais e compará-las: qual exagerou na dose? Qual foi mais inteligente? Qual descambou pro mau gosto? Qual virou um panfletão descarado e nada jornalístico?

Com a ajuda do excelente site Newseum, selecionei 20 primeiras páginas dos principais jornais de 11 Estados do Brasil, mais Distrito Federal, das edições de quinta-feira (12). Montei a galeria abaixo e agora pergunto a você, caro leitor crítico:

qual destes jornais foi, em sua opinião, o mais correto em sua primeira página — e por quê?

Veja a galeria em tamanho maior clicando sobre qualquer foto (as capas aparecem em modo aleatório): Continuar lendo