30 charges sobre o impeachment/golpe contra Dilma

Quando estou sem palavras para comentar alguma coisa, apelo sempre aos mestres das imagens, os chargistas. Que conseguem dizer muito — tudo — usando apenas uma frase curta, ou nem isso. Selecionei ainda na noite desta quarta-feira (31) algumas charges publicadas recentemente, em vários veículos, que traduzem este triste momento da História do Brasil, do impeachment golpe de contra uma presidente eleita democraticamente. Veja na galeria abaixo: Continuar lendo

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Dilma escolhe Maiakovski como seu guia no inferno

Dilma em seu pronunciamento nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. Foto: Lula Marques/ AGPT

Dilma em seu pronunciamento nesta quarta-feira, 31 de agosto de 2016. Foto: Lula Marques/ AGPT

Texto escrito por José de Souza Castro:

Acredito que os que vinham combatendo o golpe contra a democracia, representado pelo impeachment da presidenta da República por 61 votos dos senadores (contra 20) sentiram-se desanimados e tristes nesta quarta-feira, 31 de agosto. Eu fiquei assim, sem qualquer ânimo para escrever neste blog, até ouvir o discurso de Dilma Rousseff, pronunciado depois de ser cassada. “Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?”, disse ela, citando Maiakovski.

Maiakovski, o grande poeta russo, que completou:

“O mar da história é agitado/ As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,/ Rompê-las ao meio,/Cortando-as como uma quilha corta.”

É um discurso histórico, o de Dilma. Por que não tomar conhecimento dele? Se os jornais, rádios e tevês não o divulgarem, certamente o farão os sites na internet, como AQUI. Continuar lendo

Polícia Federal sai na frente nas Olimpíadas

Encenação que é parte de um protesto de policiais federais, pedindo melhores condições de trabalho. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Encenação que é parte de um protesto de policiais federais, pedindo melhores condições de trabalho. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Texto escrito por José de Souza Castro:

O Brasil já tem um medalhista de ouro nas Olimpíadas que começam no dia 5 de agosto. O primeiro ganhador é a Polícia Federal. Uma simples ameaça de greve antes da corrida pelo ouro levou o presidente em exercício Michel Temer a assinar um projeto de lei concedendo reajuste de 37% a todas as carreiras da PF, em parcelas a serem pagas entre 2017 e 2019.

Há quatro anos, no dia 7 de agosto, os policiais federais desafiaram Dilma Rousseff, numa greve que durou 70 dias e foi acompanhada por policiais rodoviários federais e outras categorias. O governo apresentou proposta de aumento de 15,8% dividido em três anos, e encerrou as negociações no dia 26 de agosto.

Dilma Rousseff pagou caro pela ousadia. O vice, Michel Temer, aprendeu como é arriscado desafiar grevistas armados com memória de elefante. Continuar lendo

Com gabinete de homens brancos, Temer lança o Brasil nos braços dos EUA

Charge do Bennet publicada pela "Folha de S.Paulo" em 13.5.2016

Charge do Bennet publicada pela “Folha de S.Paulo” em 13.5.2016

 

Texto escrito por José de Souza Castro:

O novo ministério nomeado por Temer, com 23 homens, todos brancos, é um retorno à era de Ernesto Geisel (1974-1979), o último governante do país — um ditador — a escolher apenas ministros homens. Depois dele, até Figueiredo nomeou uma ministra, Esther de Figueiredo Ferraz, que ocupou a pasta da Educação.

Eu diria que a maior novidade na opção machista de gênero feita por Michel Temer é que ela ocorre quando, pela segunda vez, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil é uma mulher, Liliana Ayalde, e outra, Hillary Clinton, pode vir a ser no ano que vem a presidente norte-americana. Hillary era secretária de Estado e veio à posse de Dilma Rousseff, em janeiro de 2010.

No entanto, o desprestígio das mulheres no Gabinete Temer não deverá ofuscar seu prestígio junto à Casa Branca. No mesmo dia em que o Senado afastou a primeira mulher na presidência da República, Dilma Rousseff, o presidente norte-americano, Barack Obama – o primeiro negro a assumir o cargo na história dos Estados Unidos – declarou que o processo de impeachment foi legal.

Obama foi tão ágil em reconhecer o belo trabalho feito por sua embaixadora no Brasil quanto o presidente Lyndon B. Johnson, em 1964, ao declarar a legitimidade do governo nascido do golpe militar que teve ajuda inestimável do então embaixador Lincoln Gordon.

É verdade que Ayalde, que antes havia preparado um golpe semelhante no Paraguai, ensinando como é possível afastar governos indesejáveis aos Estados Unidos sem recorrer às armas, agiu bem mais discretamente que Gordon Continuar lendo